Pesquisar

Bibliografia completa 3.988 recursos

  • A CAUSALIDADE E A VARIABILIDADE COMPORTAMENTAL SÃO ANALISADAS CONSIDERANDO-SE TEXTOS PUBLICADOS POR B.F. SKINNER DE 1930 A 1938. A ANÁLISE DESTAS QUESTÕES É FEITA EM TRÊS MOMENTOS. NO PRIMEIRO, NO CONTEXTO DE UM PROGRAMA DE INVESTIGAÇÃO NO COMPORTAMENTO, QUE TEM COMO UNIDADE DE ANÁLISE O REFLEXO E DE SUA CONCIENTIZAÇÃO DADA PELA PUBLICAÇÃO, POR SKINER, DE TRABALHOS EXPERIMENTAIS NO SEGUNDO MOMENTO, CONSIDERANDO-SE A FORMA COMO UMA SEGUNDA UNIDADE DE ANÁLISE, O OPERANTE , FOI SENDO APRESENTADA POR SKINNER. NO TERCEIRO, NO ÂMBITO DA APRESENTAÇÃO EM 1938, DE UM SISTEMA DE COMPORTAMENTO. ARGUMENTA-SE QUE A VARIABILIDADE É DESDE 1930, TOMADA POR SKINNER COMO UM PROBLEMA A SER INVESTIGADO. CONSIDERANDO-SE QUE SKINNER ADATA UMA PERSPECTIVA FUNCIONAL QUE CONCEBE A CAUSALIDADE A PARTIR DA OBSERVAÇÃO DE RELAÇÕES CONSTANTES ENTRE EVENTOS E QUE NÃO ESTÁ COMPROMISSADO COM UMA EXPLICAÇÃO TELEOLÓGICA DO COMPORTAMENTO. ESTA FORMA DE COMPREENDER A CAUSALIDADE, GERA PRINCÍPIOS COMPORTAMENTAIS RELACIONADOS AOS CONCEITOS DE REFLEXO E DE OPERANTE. DISCUTE-SE ENTÃO AS DIFERENÇAS ENTRE AS DUAS UNIDADES E, ESPECIALMENTE, A RELAÇÃO ENTRE O PRINCÍPIO DO REFORÇO NO OPERANTE E AS QUESTÕES DA REPETIÇÃO E DA VARIABILIDADE COMPORTAMENTAL.

  • O ensino de Psicologia no Brasil foi fundamentalmente modificado pelo reconhecimento da profissão de psicólogo, em 1962, e pela reforma universitária que organizou as universidades em departamentos, na mesma década. O ensino de Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) remonta aos anos 1940, na antiga Faculdade de Filosofia. Um curso de graduação em psicologia foi criado apenas em 1973. A partir da coleta de dados documentais e depoimentos de personagens que testemunharam e atuaram nos eventos em questão, este trabalho narra a história do ensino de Psicologia na UFRGS, da instalação do Departamento de Psicologia em 1971 à criação do Programa de Pós-graduação em 1988. O histórico do ensino de Psicologia na UFRGS reflete as condições legais e burocráticas que pautaram o Departamento e seus órgãos, e as mudanças do corpo docente. A pós-graduação qualificou o ensino de graduação graças a pesquisa sistemática, titulação do corpo docente e programas de bolsas. Assim, o desenvolvimento do ensino de psicologia na UFRGS completou um ciclo, iniciando em cátedras e culminando num modelo departamental de integração entre ensino e pesquisa.

  • Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise sobre a inserção dos saberes psicológicos na formação de professores primários do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, no período de 1932 a 1938, buscando compreender de que forma a psicologia - com todas as suas diversidades e atravessamentos - atrelava-se à crescente industrialização e aos projetos de modernização do país, estabelecendo-se como um dispositivo legitimador de uma nova concepção de homem. Como fundamentação teórico-metodológica, utilizou-se uma análise sócio-histórica, procurando verificar não exatamente o aparecimento dos saberes psicológicos e suas teorias, mas sua penetração nos discursos educacionais e no próprio cotidiano das escolas. Foi realizada uma pesquisa documental em diversos arquivos: arquivo Lourenço Filho e arquivo Anísio Teixeira, no CPDOC/FGV - RJ, e nos arquivos do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Foram analisados programas de diversas matérias, dentre elas: psicologia educacional, psicologia da aprendizagem, psicologia diferencial e psicologia geral. Pôde-se constatar que, além das cadeiras específicas de psicologia, esta se encontrava presente nos programas das demais matérias, como um item fundamental para o processo educativo. Estabelecia-se, na formação de professores do Instituto de Educação, uma ampla propagação dos saberes psicológicos que se apresentavam de forma "camuflada" nos programas escolares, através de concepções sobre a infância, sobre o comportamento, a estruturação do ato de pensar e aprender, enfim, a psicologia ditava verdades sobre o funcionamento humano - a normalidade legitimada pelo discurso científico. A nova organização escolar, estabelecida a partir de preceitos da escola nova, divulgava e difundia a psicologia como um campo de fundamental importância para adaptação dos meios/métodos educacionais à realidade vigente: segundo estes preceitos, a educação seria social nos fins e psicológica nos meios - esquadrinhava os corpos por suas individualidades, e os ordenava transformado-os em uma massa uniforme -, estando voltada para a formação de sentimentos, valores e ideais de um novo homem brasileiro.

  • O propósito deste trabalho foi examinar, de um ponto de vista histórico, as relações existentes entre modernização urbana e o desenvolvimento da Psicologia em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Considerando as mudanças ocorridas no espaço, na cultura, e na vida cotidiana, descrevemos a inserção da Psicologia nas seguintes instituições: 1) Escola Normal de Natal, Ateneu norteriograndense e a Escola Doméstica; 2) instituições médicas que desenvolveram na cidade o uso de tecnologias psicológicas como os testes de inteligência, principalmente os centros psiquiátricos; 3) A Escola de Serviço Social, primeira instituição de ensino superior regular do Rio Grande do Norte, que introduziu o ensino de Psicologia durante o período de 1945-1965 como disciplina acadêmica de preparação universitária; 4) O Centro de Psicologia Aplicada, primeira instituição psicológica do estado, criada em 1965, que desempenhou um importante papel na disseminação da tecnologia psicológica (testes de inteligência e personalidade, orientação vocacional, psicodiagnóstico e seleção profissional). O processo de modernização da cidade, na década de oitenta, passou a se configurar como uma "urbanização turística", transformando Natal em uma "Cidade do Prazer", em que o hedonismo e o narcisismo passaram o ser os valores determinantes do novo estilo de vida do natalense. Neste contexto foi criado o curso de Psicologia da universidade Federal do Rio Grande do Norte. A abordagem hegemônica no treinamento profissional do curso era a Psicologia humanista de Carl Rogers, uma abordagem acrítica e não-histórica. A instalação de Shopping Centers e redes internacionais de supermercado anunciavam o início de uma moderna cultura de consumo em Natal. O processo alienante de subjetivação que os meios de comunicação de massa introduziram na cidade foram reforçados pela prática psicológica acrítica predominante.

  • Este estudo é de característica descritiva e baseia-se em documentos reais e visão de autores locais, dentro de uma perspectiva de integração entre História e Psicologia com a abordagem do conceito de Semmett de "corpo-cidade". O estudo analisa a paralisação de uma cidade (Hamburger-Berg) pela interrupção da estrada de ferro, que a uniria a Porto Alegre e a criação de Novo Hamburgo (New Hamburg) no ponto terminal. Nos anos 30 o tifo em Hamburger-Berg ocorre na Fundação Evangélica e Novo Hamburgo silencia. Numa perspectiva foucaultiana, percebemos esse corpo-cidade silenciando frente à dor e a doença instalada em Hamburger-Berg.

  • Esta tese objetiva construir uma narrativa sobre os primórdios da Psicologia do Esporte através da análise da inserção da Psicologia em periódicos de Educação Física dos anos 1930 a 1960. O texto discorre sobre as apropriações do saber psicológico, seus conceitos e teorias no universo dos primeiros periódicos da Educação Física no Brasil, caracterizando o percurso de construção de mais uma especialidade na Psicologia, a Psicologia do Esporte. Por se tratar de uma análise documental, investigamos fontes e documentos escritos, brasileiros e de domínio público, de caráter acadêmico apresentados em periódicos especializados ou governamental no formato de leis, decretos, estatutos. Analisamos tais documentos como práticas discursivas, pois envolvem diversos elementos, distribuídos de forma harmônica ou não, localizados historicamente, no tempo e no espaço, produzindo seus efeitos. A análise dos dados permitiu averiguar a construção de sentidos que os interessados em Educação Física fazem em relação ao campo psicológico. Concluímos que o percurso de construção da Psicologia do Esporte perpassa outros profissionais, como médicos, militares, educadores físicos e psicologistas, interessados em conhecer melhor os fenômenos humanos diante da prática de atividade física e dos esportes, caracterizando-se em duas fases, psicologia complementar (1930-1940) e prática psicológica (1950-1960). Sem dúvida, caracterizam uma construção gradativa da Psicologia do Esporte como a conhecemos hoje

  • O estudo ora apresentado tem como objetivo mapear os discursos de intelectuais referentes à internação da infância entre 1900 e 1929, identificar e problematizar os usos de saberes científicos conectados com a Psicologia produzida no período. Partimos da hipótese do uso de saberes psicológicos na construção de conhecimentos que subsidiaram a institucionalização da infância no início do século XX. O período escolhido compreende um momento histórico de consolidação e expansão da política de institucionalização da infância, materializada na construção de espaços específicos de internação para esta população e a promulgação de leis para o trato dessa questão. Para a consecução do objetivo supracitado recorremos à leitura e à análise de fontes primárias, sendo estas o estudo de Franco de Vaz, Infância Abandonada, publicado em 1905 (Vaz, 1905); Um problema gravíssimo: Colônias Correcionais e Tribunais de Menores, publicado em 1916 (Britto, 1916/1959); As leis de menores no Brasil (páginas de crítica e doutrina), do ano de 1929 (Britto, 1929/1959); os relatórios do Ministério da Justiça e Negócios Interiores entre os anos de 1900 e 1928; e fontes secundárias acerca da História da Psicologia e História da Infância. As fontes analisadas apontaram para a construção de um conhecimento que justificava e aprimorava a institucionalização enquanto medida do estado frente à infância considerada problema social. Elementos como a observação e a análise da família do infante internado e a individualização da medida foram entendidos como uma forma de produzir a regeneração. Conhecimentos psicológicos estiveram presentes na organização e sustentação científica destes discursos, servindo para corroborar, defender, aprimorar e consolidar a internação como medida principal do Estado. Por outro lado, a Psicologia também foi utilizada para limitar o uso da internação e legitimar outras medidas, extra-muros. A partir do material em análise, vimos a importância deste contexto de tentativa de resolução do problema da infância enfrentado nas primeiras décadas do século XX no Brasil, na produção da Psicologia enquanto ciência e do conhecimento psicológico, assim como o papel da Psicologia na configuração das medidas propostas e utilizadas pelo Estado no trato da infância.

  • Num contexto onde professores e diretores de escolas públicas se queixavam da indisciplina de seus alunos e encontravam dificuldades para enfrentá-la, desenvolveu-se uma pesquisa-ação com o intuito de, conhecendo as versões dos pais, professores e alunos sobre o fenômeno, assim como suas idéias sobre as causas e sugestões para solucioná-las, poder desenvolver alternativas afim de o psicólogo trabalhar com os personagens envolvidos, a partir de outro olhar sobre o problema. O trabalho realizou-se durante dois anos, através de entrevistas individuais e em grupos com pais, professores e jovens de quatro escolas públicas, que haviam pedido a ajuda do psicólogo para enfrentar a indisciplina de seus alunos. Partimos da teoria de Winnicott, que discute o homem no mundo e postula a existência do espaço potencial, para a elaboração do método e para compreender o sentido das histórias comunicadas. As interpretações de "indisciplina" como manifestação de tendência anti-social, tendo origem em uma privação, assim como expressão de resistência à vigilância e à punição praticadas pela escola, revelaram-se insuficientes para a compreensão de todos os casos. Pais, alunos e professores comunicaram necessidades psíquicas que buscavam, através de atos de indisciplina, serem satisfeitas no âmbito escolar. Avançando com outros autores de linha materialista histórica, podem-se entender tais atos de indisciplina como comunicações positivas e criativas, de indivíduos que buscam a participação na escola, segundo suas concepções e necessidades, e que revelam, também, uma tentativa de objetivação - ou seja, de manifestar a subjetividade - num contexto cuja tendência é a objetificação - isto é, transformar as pessoas em coisas.

  • Essa dissertação tem como objeto de estudo e reflexão as histórias das práticas de intervenção de psicólogos no campo da educação. O psicólogo é o especialista convocado para solucionar os problemas da aprendizagem, legitimando uma formação referenciada no paradigma do sucesso, patologizando o processo educativo e produzindo novas modalidades de exclusão social e controle subjetivo. Diante da diversidade dos fenômenos contemporâneos que envolvem o trabalho na educação, a serviço de que está o trabalho do psicólogo na escola? Por política de individualização da subjetividade entende-se o que Guattari denominou de sistemas modelizantes de fabricação subjetiva. Analisamos algumas produções contemporâneas de subjetividades individualizadas, excessivamente massificadas no cotidiano escolar: a inclusão, o bullying, a medicalização e o burnout. A Análise Institucional foi a referência metodológica utilizada nessa dissertação, que associada a pesquisa histórica contribuiu na composição das linhas de produção do saber psicológico dentro do espaço escolar e na interlocução com diferentes teóricos - especialmente Foucault, Guattari, Boaventura e Frigotto. Problematiza-se a naturalização do saber psicológico na educação, através de um breve histórico do que a psicologia construiu neste campo. Na medida em que entendemos escola como uma instituição, afirmamos que há uma circulação de sentidos e simbolismos no cotidiano que remete a práticas historicamente institucionalizadas. A pesquisa de campo foi realizada no Programa Interdisciplinar de Apoio as Escolas (PROINAPE), vinculado a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME/RJ), que conta hoje com aproximadamente noventa psicólogos trabalhando em escolas desse município. O PROINAPE representa a reinserção de psicólogos intervindo diretamente na dinâmica cotidiana da escola. São descritas suas práticas, os tipos de demandas que atendem, para que são convocados e que contradições vivenciam. Por fim, quatro analisadores presentes nas práticas de intervenção dos psicólogos vinculados ao PROINAPE, são levantados e discutidos. Conclui-se que a produção de subjetividades individualizadas está relacionada a um projeto de sociedade, que necessita da educação para reprodução de sua lógica. O psicólogo que atua na educação é um profissional implicado politicamente nesse cenário. No entanto, apontamos os desvios, as disrupturas, as tensões e equívocos, que constituem o campo privilegiado de intervenção do psicólogo com vistas à transformação da lógica social e econômica dominante.

  • Uma das lacunas na história da psicologia tem sido a escassez no exame da reflexão filosófica e teológica, e de sua influência sobre a psicologia moderna. O presente trabalho teve como objetivo realizar uma análise histórica preliminar sobre a psicologia intelectualista, bem como da contraposição voluntarista a ela, e analisar sua influência sobre algumas teorias acerca do pensamento na psicologia moderna: os behaviorismos de Watson e de Skinner, alguns autores cognitivistas, e a teoria sócio-histórica de Vygotsky. Para a análise da tradição intelectualista foram selecionados alguns filósofos e teólogos do período clássico da antiguidade (Sócrates, Platão e Aristóteles), da patrística cristã (Agostinho), da escolástica (Anselmo e Tomás de Aquino), da Reforma Protestante (Lutero e o Calvinismo), e da modernidade (Descartes). Ao final da análise, foram sintetizadas as principais características da tradição intelectualista e da contraposição voluntarista. Tais características foram comparadas com as teorias da psicologia moderna sobre pensamento, com objetivo de investigar a influência do intelectualismo sobre tais teorias, bem como as alternativas que elas apresentaram a essa tradição. Verificou-se que algumas das principais características da tradição intelectualista foram: o referencialismo, o universalismo dos processos psicológicos, a não ênfase no ambiente, a noção de um homem excessivamente premeditador da ação, uma profunda vinculação entre pensamento e afeto, e a análise do pensamento no contexto de uma antropologia filosófica. As principais conclusões do presente trabalho são que todas as teorias psicológicas sobre pensamento analisadas foram, em algum grau, influenciadas pelo intelectualismo. Dentre as teorias analisadas, as que mais se aproximaram da tradição intelectualista foram as teorias cognitivas. Em todas as teorias há algum grau de tentativa de superação do intelectualismo. No behaviorisno radical, uma das tentativas de superação é a valorização da interação do organismo com o ambiente. Na teoria sócio-histórica, uma tentativa de superação deu-se com uma teoria genética para a origem ontogenética e filogenética do pensamento e em uma proposta de historicidade para os processos psicológicos. Conclui-se também que a tradição intelectualista apresenta contribuições para a psicologia moderna: a vinculação entre pensamento e afeto e a análise do pensamento dentro de uma antropologia filosófica.

  • Neste trabalho, objetivamos mapear as produções textuais da Psicologia Social Comunitária (PSC) no Brasil entre os anos de 1990 e 2010. Nosso material de análise foi o conjunto de suas publicações neste período no formato de artigos, livros, teses e dissertações. Contextualizamos essa discussão a partir de dois pontos principais: a trajetória da Psicologia Social e os caminhos da profissão de psicólogo no Brasil. Além disso, apresentamos o percurso histórico da PSC nos continentes norte e latino-americanos e destacamos algumas experiências deste campo no país entre os anos de 1970 e 1990. No contato com o material, selecionamos como principais pontos de discussão: a consolidação da PSC como um campo disciplinar; as vinculações teórico-epistemológicas da PSC; o conceito de comunidade; a caracterização do trabalho do psicólogo comunitário e a defesa de sua especificidade; e os objetivos de suas intervenções. Ao realizarmos este mapeamento, foi possível historiar os argumentos produzidos por autores da PSC em busca de uma identidade para a área e problematizar a ênfase na oposição entre uma Psicologia latina e uma norte-americana como recurso estratégico dessa afirmação identitária. A partir da análise dos pontos de discussão, apontamos, também, para a fragilidade dos limites desse campo que nos parece tão heterogêneo e disperso.

  • Esta pesquisa abordou o processo de profissionalização do psicólogo no Brasil na década de 1960. Tal processo foi efeito das articulações estabelecidas na unificação e regulação do exercício profissional por todo o país. A constituição da psicologia como ciência e profissão foi permeada por discursos e práticas que atravessavam as atividades experimentais e de aplicação de tal saber. A profissionalização foi efeito provisoriamente estabelecido num embate de forças efetuado entre controvertidas versões. O resultado foi a fabricação de um especialista e técnico em aplicações psicológicas e a estabilização da proposta em psicologia experimental. Tal resultado ampliou a rede de constituição da psicologia como profissão através da multiplicação das controvérsias.

  • A contribuição de Christian Wolff (1679-1754) para a história da psicologia, particularmente de sua Metafísica Alemã (1720), ainda é significativamente mal compreendida tanto no panorama geral da historiografia da psicologia quanto na literatura especializada no pensador. Tendo isto em vista, o objetivo do presente estudo é descrever e analisar a concepção wolffiana de psicologia presente na Metafísica Alemã. Após uma breve contextualização histórica, é oferecida uma descrição dos conteúdos empíricos e racionais da disciplina, incluindo sua relação com as demais matérias da metafísica. Em seguida, propõe-se uma análise baseada em questões levantadas pela literatura secundária. Em geral, defende-se a existência de uma importância especial da Metafísica Alemã dentro do pensamento psicológico de Wolff, independentemente de seus demais escritos psicológicos, assim como sua relevância para o desenvolvimento, já no século XVIII, de uma noção de psicologia científica, contrariando teses tradicionais em historiografia da psicologia.

  • O trabalho tem como objetivo esclarecer as relações históricas entre a psicologia, mais especificamente a Psicologia Social, e a Comunicação de Massa. Pouco se tem publicado acerca das contribuições trocadas por estas áreas de pesquisa ao longo da primeira metade do século XX, período em que se observa significativa aproximação mútua, em especial entre os anos 1920 e 1950. No intento de trazer a lume tais conexões, foi realizada para a confecção desta dissertação pesquisa bibliográfica que possibilitou recontar a história das duas principais perspectivas de pesquisa em comunicação de massa no período, quais foram, a Mass Communication Research e a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, e apontar suas posições como também participantes de tradições distintas em Psicologia Social. Endossa a argumentação, a análise de dois textos especiais, aqui tratados como documentos primários: Os efeitos dos meios de comunicação de massa , de Carl Hovland (1954), e Sobre música popular , de Adorno e Simpson (1941). Em ambos os textos podem ser encontradas evidências de que os métodos da Psicologia Social foram frequentemente tomados de empréstimo para o estudo dos fenômenos observados em Comunicação de Massa

  • Este trabalho pretendeu contribuir para a historiografia da Psicologia no Brasil, a partir da memória de profissionais de psicologia que iniciaram, na década de 1970, atividades de psicologia nos serviços públicos municipais de Campinas SP. Buscou-se estabelecer conexões entre o contexto histórico de Campinas e do país e o início das atividades de psicologia na cidade. A pesquisa consistiu no levantamento de fontes documentais, na transcrição e na interpretação de depoimentos de psicólogas que em sua maioria ainda se encontram vinculadas ao serviço público municipal. Foram adotados os procedimentos da História Oral e, na análise das entrevistas, buscou-se a perspectiva histórica dos relatos, partindo da imagem que cada entrevistada possui de sua própria trajetória e do serviço público, para elaborar uma versão para a História da Psicologia no serviço público municipal. A análise de depoimentos colocou em evidência a trajetória das entrevistadas, as atividades de psicologia desenvolvidas, o campo de atuação

  • Este trabalho teve por objetivo realizar uma análise histórica do processo de criação do Instituto de Seleção e Orientação Profissional(ISOP), em 1947, no Rio de Janeiro. Para esta tarefa foi primeiramente analisado o desenvolvimento acadêmico da psicologia aplicada e suas condições de utilização no contexto brasileiro da década de quarenta. Posteriormente analisou-se os determinantes que permitiram que o ISOP fosse abrigado e reivindicado como um setor da Fundação Getúlio Vargas, instituição ímpar no cenário nacional e referência obrigatória para a elite intelectual brasileira nos campos da economia e administração. Finalmente, marca todo este trabalho a preocupação em demonstrar a implementação de um saber psicológico utilitário, voltado fundamentalmente para a racionalização do trabalho, cujo o objetivo principal estaria representado na máxima taylorista: "The right man in the right place".

  • A carência de estudos históricos sobre a psicoterapia, levou-nos a pesquisar o que tem sido a escrita dessa história no Brasil, ao longo do tempo. Tendo como fontes primárias artigos publicados em 23 periódicos brasileiros, que trazem o tema psicoterapia, terapia e terapêutico(a), no período compreendido entre 1955 e 2010, encontramos 532 artigos trazendo os descritores, 197 deles com dados históricos para a psicoterapia. Realizamos dois levantamentos: o primeiro considerou o período entre 1994 a 1999 seguindo o artigo de Teixeira e Nunes (2001), Psicoterapia: Uma História Sem Registro e o segundo expandiu o período da pesquisa, de 1955 a 1993 e 2000 a 2010, nos mesmos 23 periódicos. Nos 197 artigos escrevem 266 autores. No período 1994 1999, 33% dos autores são psiquiatras, 18% de outros autores seguem a abordagem psicanalítica e os 51% restantes distribuem-se em outras perspectivas. Ao longo de 48 anos, segundo levantamento, a preponderância do número de autores é da psicanálise e da psiquiatria, aparecem também, com presença significativa, a fenomenologia e a abordagem centrada na pessoa, tendo-se percebido crescimento significativo das linhas cognitivo comportamental. Constatou-se que a leitura de artigos completos permite encontrar informações sobre uma história da psicoterapia. São nomes de pessoas ou de eventos associados à psicoterapia ou a práticas interpretadas como próprias ou próximas ao que se tem chamado de psicoterapia. No final, considerando a dificuldade de se encontrar definições de psicoterapia nos artigos estudados, buscamos definições em dicionários, entre elas, a definição da American Psychological Association (APA), do Conselho Mundial de Psicoterapia, do Conselho Federal de Psicologia e uma que difere de todas, a do dicionário de Ontopsicologia. A partir de uma rápida análise das definições, constata-se que não existe um consenso sobre o que é Psicoterapia e discute-se se é possível uma história da psicoterapia

  • O OBJETIVO DESTA PESQUISA É RECONSTITUIR PARTE DA HISTÓRIA DO INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA PUC/SP (IPPUC/SP). UTILIZAMOS COMO PONTOS PRIMÁRIOS AS SEÇÕES "CRÔNICA DO INSTITUTO" "CRÔNICAS E DOCUMENTAÇÕES RESPECTIVAMENTE DO BOLETIM DO INSTITUTO DE PSICOLOGIA EXPERIMENTAL E EDUCACIONAL (DE 1952-1954) E DA REVISTA DE PSICOLOGIA NORMAL E PATOLÓGICA (DE 1955-1973). OUTRAS FONTES UTILIZADAS FORAM AS PESQUISAS ARQUIVADAS NA FUNDAÇÃO ANIELA E TADEUSZ GINSBERG PERTENCENTES À COLEÇÃO HISTÓRIAS DO IPPUC/SP UTILIZADAS ENTRE 1989-1995".

  • A presente dissertação tem como objetivo contribuir para a história da Psicologia Social brasileira, através da análise da obra Introdução à Psicologia Social, de Arthur Ramos de Araújo Pereira (1903 - 1949), pertencente à produção bibliográfica na área, na década de 1930. Arthur Ramos, além médico e antropólogo, foi um estudioso em diversas áreas principalmente em psicanálise e psicologia, o que o levou a ministrar, em 1935, aulas de psicologia social na recém formada Universidade do Distrito Federal, então no Rio de Janeiro, cujo resultado foi, em 1936, o livro aqui analisado. Além de uma biobibliografia do autor, o texto traz a análise realizada, que incidiu principalmente sobre os temas selecionados para compor o livro e sua relação com as pesquisas e livros que eram produzidos à época, através de um estudo das referências bibliográficas, que por serem numerosas, colocam o livro na categoria de compêndio. Considerações sobre a década encerram o trabalho, mostrando Arthur Ramos como um médico "interessado no comportamento humano" (Ramos, 1945) e um "intelectual de sua época" (Miceli, 1979), sendo portanto, sua maior contribuição para a área, a difusão, em língua portuguesa, do conhecimento produzido até então, especialmente pela psicologia social norte-americana. Assim sendo, procurei investigar a importância de tal livro e de seu escritor para uma época quando o objeto de estudo e da psicologia social ainda não estava definido e, por isso, não havia uma definição clara quanto a que área ela pertencia: psicologia ou sociologia. Estou certa de que este estudo que realizei é apenas introdutório, pois ainda há várias questões a serem respondidas em relação às contribuições do livro e do autor para esta área.

  • A eugenia, ciência fundada por Francis Galton, no século XIX, procurava estabelecer as condições ideais de reprodução humana, visando o melhoramento racial pela a progressiva extinção dos degenerados e com a estimulação da reprodução dosindivíduos bem dotados fisica, moral e mentalmente. Seu programa foi amplamente aceito e incorporado pelos intelectuais brasileiros, sobretudo pelos psiquiatras, entre eles, Franco da Rocha, Antonio Carlos Pacheco e Silva, Ernani Lopes, lnácioda Cunha Lopes, entre outros, no começo do século XX. Alguns psiquiatras criaram a psycho eugenia - tema de nossa pesquisa -, prática que, através do trole de nascimento dos "degenerados mentais", procurava melhorar as qualidades psicológicas da"raça brasileira. Esta apropriação fundamentou uma das principais estratégias de ação da psiquiatria profilática e da emergente psicologia científica, naquele momento um ligada à medicina. Neste estudo historiográfico, objetivamos discutir aapropriação dos pressupostos eugênicos pelos saberes psicológicos no Brasil, bem como as idéias eugênicas merentes a estes saberes, fatos que fundamentaram práticas legalizadas como internações eugênicas; controle imigratório; desaconselhamentode casamentos interraciais etc. Focalizamos nosso trabalho no estado de São Paulo, devido às preocupações com a onda imigratória que este estado recebia, o que poderia, segundo a perspectiva eugênica, degradar o nível mental e o padrãocomportamental dos seushabitantes. Os dados foram colhidos de periódicos específicos de medicina, eugenia, psiquiatria e psicologia produzidos no estado de São Paulo entre 1900 e 1940

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

Explorar

Autor

Ano de publicação