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O Boletim do Portal História da Psicologia 3, ou apenas Boletim do Portal 3, é uma coletânea que reúne verbetes publicados na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), traduções e uma resenha. Sumário - Universalismo e Indigenização na História da Psicologia Moderna (Kurt Danziger) - William James (Russel Goodman) - O Caso dos Irmãos Reimer (Júlia Lombardi Carneiro) - Experimento de Aprisionamento de Stanford (Mariana Souza Rodrigues, Izabella Simões da Cruz, Alice Nascimento Moraes Fernandes, Vitoria Amaral de Oliveira, Bruna Lenaz dos Santos, Evelyn de Carvalho) - Teste de Apercepção Temática (TAT) (Débora Pinheiro de Oliveira, Luísa Mello da Silva, Maria Formiga Menezes, Maria Luiza Marchezini Saliba, Mikaelle Vitória Sousa de Almeida, Rayca Rafaelly Pereira Siqueira Lobato) - John E. Douglas (Júlia Lombardi Carneiro) - CAPS Clarice Lispector (Stella Costa Angelo, Amanda Albernaz de Freitas, Maurício Coutinho Pereira, Raphaela Silveira de Oliveira, Lucas Vieira Coutinho, Lorenzo Miguel Donato de Oliveira Santos, Arthur Arruda Leal Ferreira) - Resenha do livro Locuras en Primera Persona, de Rafael Huertas (Arthur Arruda Leal Ferreira, Luana Oliveira Clemente, Amanda Albernaz de Freitas, Adjailton Ferreira de Albuquerque Junior, Elen Cougil da Cunha, Maísa Pachela Garcia, Maria Clara da Silva Quintan, Maurício Coutinho Pereira, Paulo Vitor Fernandes Costa de Lima, Raphaela Silveira de Oliveira, Victória Farias de Brito, Vitória Maria França de Paula)
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O objetivo deste trabalho é o estudo da constituição da psicologia analítica no Brasil. Para esse fim, utilizou-se a abordagem social em história da psicologia buscando situar personagens e fatos no contexto geral, na medida em que se entende que a história está inserida em determinado tempo e lugar. Foram identificados três personagens considerados pioneiros da disciplina no país – Nise da Silveira, Pethö Sándor e Leon Bonaventure, cujos percursos pessoais e profissionais são abordados, ao mesmo tempo em que são apontados eventos e situações mais amplos que podem estar relacionadas ao processo que levou tais pessoas a assumirem o papel de pioneiros. Ao mapear-se a contribuição desses profissionais, para o campo da psicologia analítica, percebe-se o desenvolvimento de um trabalho criativo que não se limita à disseminação, no país, dos conceitos de Carl Gustav Jung, propondo métodos e técnicas próprias. Além disso, particularmente na obra dos dois primeiros pioneiros pesquisados, observa-se a colaboração para a constituição de uma psicologia analítica brasileira.
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Este trabalho tem como ponto de partida a análise de propostas para formação do psicólogo. Busca contribuir para construção de uma história da psicologia, a partir das ideias e projetos para a constituição do psicólogo para sua inserção sobre a realidade. Através do referencial teórico-metodológico do materialismo histórico, recuperou-se dois momentos: a) o período de modernização vivido no Brasil ao longo dos anos 1950, quando psicólogos com propostas das mais diversas, se unem para regulamentar a profissão no País, um dos primeiros a ter uma lei para regulamentação profissional na área. Discute-se o movimento que levou a essa lei e a importância de se pensar a relação sociedade/ciência/universidade para definir projetos de formação. O cenário de industrialização vivido no Brasil marca o debate em várias esferas do trabalho. Por um lado, mostra que havia uma preocupação com a formação das mentalidades para o mundo do trabalho num momento de mudanças. Por outro, revela que o tipo de atividade praticada pelo psicólogo interessava ao desenvolvimento do mercado nacional; e b) um momento no qual os anos 1920 o Leste Europeu passa por transformações sociais e políticas com propósitos revolucionários. A discussão em torno da prática psicológica como determinada para uma realidade e a recuperação de uma filosofia da psicologia aparecem como ideias para se pensar o trabalho do psicólogo, o plano de construção de uma sociedade nova com base no socialismo mostra que foi necessário pensar num homem novo. As particularidades históricas neste trabalho, são analisadas a partir das próprias condições nas quais o debate veio a surgir. A formação do psicólogo mostrou ser uma preocupação para a constituição da prática e identidade profissional e, revelou que a atividade do psicólogo lida com concepções conservadoras e transformadoras, podendo assumir uma ou outra forma, como também, simultaneamente ambas
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Este trabalho defende a tese de que, em seu desenvolvimento, a Escola de São Paulo de Psicologia Social operou um importante giro ideopolítico em relação àqueles seus trabalhos que datam até fins da década de 1980. Tal giro, gestado no período posterior ao fim do socialismo no leste europeu (1989) e na derrocada da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1991), concretizou-se no abandono ou transformismo de importantes fundamentos e categorias do materialismo histórico-dialético, tais como a estrutura e a dinâmica das classes (e da luta de classes), a centralidade do trabalho e a perspectiva de superação do capitalismo. A tese anunciada sustenta-se em pesquisa cujo objetivo foi o de historiar a Escola de São Paulo de Psicologia Social. O primeiro capítulo da exposição dos resultados alcançados por esta pesquisa inicia com uma discussão dos fundamentos metódicos que orientaram a sua realização, em que estão condensados: a) as discussões historiográficas (relativas à escrita da história) a partir de trabalhos de importantes historiadores da psicologia; b) os fundamentos do materialismo histórico-dialético que, sob a forma de uma filosofia da história, orientaram esta produção. No segundo capítulo, são analisados os primeiros desenvolvimentos da Escola de São Paulo de Psicologia Social, desde os primeiros trabalhos realizados por Silvia Lane e Alberto Abib Andery em comunidades nos anos 1960, passando pelas primeiras formulações críticas em relação à Psicologia Social estadunidense que ganham expressão nos escritos de Lane nos anos 1980, até sua síntese mais elaborada em Psicologia Social: o homem em movimento, obra organizada por Silvia Lane e Wanderley Codo e publicada em 1984 e cuja inspiração marxista, tanto em termos das categorias que constituem a compreensão do ser humano singular quanto em termos do sentido do projeto de transformação social, é notória. Este momento do desenvolvimento da Escola de São Paulo cede lugar a uma série de reformulações (pós 1989-1991), cuja principal expressão reside na apropriação dos autores neomarxistas Heller e Habermas. O livro Novas veredas da Psicologia Social, de 1994, organizado por Silvia Lane e Bader Sawaia, representa uma obra-síntese das novas formulações da Escola de São Paulo. Junto a outros escritos, a partir da década de 1990, este livro é objeto de análise do terceiro capítulo, que identifica, em termos dos fundamentos e das categorias da psicologia social, as reformulações operadas. Por fim, é dimensionado o sentido do projeto de transformação social que se deriva das reformulações das categorias e fundamentos da psicologia social, realizadas pela Escola de São Paulo pós 1989-1991
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Este trabalho teve por objetivo principal o estabelecimento de possíveis pontos de aproximação e distanciamento entre a Teoria Histórico-Cultural de Lev Vigotski e uma das suas contemporâneas intelectuais mais destacadas conhecida como Reflexologia Soviética. Para alcançar este objetivo foi realizado um trabalho de revisão bibliográfica no intuito de dar visibilidade às trajetórias intelectuais e políticas de Vigotski e de três expoentes da Reflexologia Soviética: Ivan Séchenov, Vladimir Bechterew e Ivan Pavlov. Foram analisadas algumas das condicionantes filosóficas, científicas e ideológicas das produções intelectuais das duas escolas de pensamento tendo em vista a reunião de subsídios para o início da fase subseqüente da investigação. Esta consistiu numa análise de conteúdo quantitativa e qualitativa das referências feitas aos autores da Reflexologia Soviética nos textos presentes na publicação das Obras Escolhidas de Lev Vigotski. Foi possível concluir que a Reflexologia Soviética possui presença significativa nos textos reunidos nas Obras Escolhidas de Vigotski. Percebeu-se também que há mudanças qualitativas significativas nas menções de Vigotski aos reflexologistas, embora o conteúdo crítico relativo à negação reflexológica da atribuição de estatuto científico ao estudo da consciência tenha consistido num posicionamento constante nos textos colocados em análise neste trabalho. Além disso; constatou-se que as referências de Vigotski aos reflexólogos possuem um caráter fundamental nas conjecturas teóricas histórico-culturais, tendo em vista a constatação de que a presença dos reflexologistas é uma das mais expressivas dentre outras existentes na coletânea que foi objeto desta análise. Constatou-se que Vigotski parecia concordar com a afirmação reflexo lógica de que a aprendizagem reflexa consiste num dos fundamentos do desenvolvimento cognitivo, embora tenha destacado que, no caso específico do desenvolvimento humano, a utilização de signos verbais prepondera na estruturação dos processos cognitivos quando comparada às aprendizagens mais elementares e não mediadas culturalmente, típicas do condicionamento de respostas reflexas descritas pelos reflexologistas.
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Esse trabalho insere-se na perspectiva da história da psicologia, e tem como objetivo desvelar a história da Gestalt-terapia e da Abordagem Gestáltica no Brasil. A pesquisa tem um caráter empírico, de cunho qualitativo, utilizando-se do método historiográfico. Partese de entrevistas semi-diretivas realizadas com alguns dos primeiros profissionais a trabalhar com esta abordagem no Brasil, aqui denominados primeiros atores , no eixo geográfico que compreende o estado de São Paulo e o Distrito Federal, mais especificamente Brasília. Essas entrevistas foram analisadas sob um olhar fenomenológico, e agrupadas em temas centrais, de modo a abordar a visão particular desses primeiros atores no sentido de compreender, a partir de suas percepções individuais, como chega; com quem chega e como se desenvolve a Gestalt-terapia no Brasil. Este trabalho contribui não apenas para elucidar o legado histórico da Gestalt-terapia, mas também para refletir sobre suas perspectivas sociais e politicas. Assim sendo e, a partir de um olhar crítico sobre as contribuições, possibilidades e perspectivas, o estudo corrobora com a solidificação dos estudos epistemológicos da abordagem gestáltica.
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Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar as condições intelectuais, institucionais e pragmáticas que justificassem as práticas de saúde no Sanatório São Julião. O recorte temporal vai de 1941 a 1986, período que compreendeu a inauguração do São Julião como um Hospital Colônia ao ano em que o Governo Federal declarou os Hospitais Colônia inconstitucionais. A pesquisa se insere no campo da História da Psicologia e utiliza os conceitos da Memória Social, bem como os fundamentos da História Oral e da Análise Documental. Foram utilizadas fontes textuais primárias, disponíveis no Arquivo Municipal de Campo Grande (ARCA), no Arquivo do Hospital São Julião; e fontes orais, produtos de entrevistas a ex-pacientes e ex-funcionários do Sanatório São Julião. Os primeiros anos de funcionamento do Sanatório foi considerado satisfatório para os padrões da época, apesar da exclusão social, mesmo em âmbito institucional. Aos poucos a assistência médica tornou-se ineficiente, pela falta de recursos humanos e materiais, culminando com a precariedade do local. As análises dos recortes dos jornais sugerem que a sociedade campo-grandense, movida por certa visão social da Lepra, na mídia impressa, “amparou” os internados no Sanatório São Julião com doações de diversos gêneros, desde alimentos a valores altos, feitos por “generosos” campograndenses. A partir de 1970 a instituição foi sistematicamente reestruturada, porém, na ausência de políticas públicas, os recursos para a manutenção da instituição dependiam de doações, da caridade e filantropia. A partir da mídia impressa, a imagem que se formou da instituição foi associada a ideia de cuidado à saúde, ligada a práticas donativas e benevolentes. Intrinsicamente, deu-se ali, com a ajuda de voluntários, uma nova política de trabalho e cuidado em diversos níveis, que iam além da saúde do corpo, com desenvolvimento social e psíquico.
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Este trabalho tem como objetivo compreender a História da Psicologia no Estado deGoiás a partir de sua relação de complementaridade com a Educação, contextualizando a penetração, o apogeu e o declino da Escola Nova no Estado, assim como as concepções, os discursos e as práticas psicológicas, oriundas desse movimento, sinalizando também a sua transição para uma proposta de cunho tecnicista. Para tanto, foi realizado, inicialmente, um estudo histórico-bibliográfico descrevendo e discutindo a Psicologia e a produção historiográfica da mesma no Brasil. Esse estudo possibilitou a compreensão da situação histórica da Psicologia no Brasil, apontando também alguns trabalhos mais recentes que contribuíram para a escrita da história dessa ciência nos diferentes Estados. Num segundo momento, buscou-se descrever e discutir a história da Psicologia em Goiás, alçando relação com educação. Esse momento está dividido em três partes. Na primeira parte foram descritas e analisadas as concepções, os discursos e as práticas psicológicas na Educação, anteriores ao advento da Escola Nova. Na segunda parte, buscou-se descrever e analisar a Psicologia em Goiás desde a inserção do ideário escolanovista até a sua consolidação e declínio. Numa terceira parte, procurou-se apresentar uma descrição e analise sobre o Ensino Tecnicista em Goiás, buscando sua relação com a Psicologia. A pesquisa revelou que as ideias da Escola Nova: 1. estiveram presentes em documentos oficiais desde 1916; 2: começaram a se intensificar a partir dos anos de 1920, sendo possível evidenciar, com mais clareza, sua relação com a Psicologia 3. tiveram sua máxima expressão, o apogeu, na era Vargas/Ludovico (1930-1945), principalmente após 1937, sendo a Revista Oficial de Instrução o mais importante impresso para sua disseminação nessa época, onde foram publicados vários artigos de autores goianos sobre Psicologia e Escola nova; 4. Após a era Vargas/ Ludovico, as ideias escolanovistas começam a perder sua força, o que pode ser evidenciado na diminuição de temas referentes a Escola Nova na segunda fase da Revista Oficial de Instrução, e o aumento de temas relacionados a técnica e aperfeiçoamento técnico. No final de 1950 até 1962, foi possível perceber, na terceira fase deste periódico, um esvaziamento ainda maior das ideias escolanovistas, e uma aumento expressivo de assuntos voltados para: a educação do adulto; os aspectos socioculturais da Educação; a educação dos excepcionais; o ensino da matemática; a preparação técnica dos professores por meio de programas de formação/especialização; a Psicologia dos excepcionais, os testes psicotécnicos como instrumentos para seleção de professores; os métodos de pesquisa em Psicologia.
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Klaus Holzkamp (1927-1995) foi um psicólogo e professor universitário que desempenhou um papel importante no desenvolvimento da Psicologia Crítica Alemã (PCA), infimamente apropriada pela Psicologia brasileira. Sua teoria foi elaborada na República Federal da Alemanha em um contexto de Guerra Fria. Com investigações inicialmente no campo do construcionismo, o autor se apropriou do marxismo a partir de seu envolvimento com os movimentos estudantis que ganharam força durante a década de 1960. Com essa aproximação, Holzkamp rechaçou sua produção anterior e realizou uma crítica positiva a partir do que se tinha produzido na Psicologia. Neste sentido, temos como objetivo a apropriação da fase ulterior de sua obra. Mais especificamente, buscamos (a) identificar a relação de sua produção com o momento histórico e social no qual foi gestada; (b) compreender as inflexões teóricas operadas ao longo de sua obra; e (c) apropriar-se dos seus escritos a partir de 1983. Este recorte se dá em função da dificuldade de acesso às suas obras em outros idiomas que não o alemão. Conclui-se que a PCA consiste em uma importante expressão da Psicologia Crítica mundial, fruto de uma aproximação ao marxismo em um momento de acirramento de lutas sociais. Esta perspectiva possui diversas contribuições para a Psicologia brasileira, tanto pelas aproximações possíveis com movimentos teóricos latinoamericanos, quanto por sua capacidade explicativa fruto de um resgate crítico do conhecimento até então produzido
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Este trabalho tem, como objetivo, descrever e analisar as produções e os conhecimentos de Enfermagem que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988, bem assim suas interfaces com os saberes Psi. Para isso, utilizamos, como fonte primária, textos que circularam na Revista Annaes de Enfermagem, no período selecionado. O recorte temporal se justifica, pois 1932 foi o ano de circulação do primeiro fascículo e 1988 foi o ano de implantação do SUS. A pesquisa se insere no campo da História das Ciências, na interlocução com a História da Enfermagem e a História da Psicologia à luz dos conceitos “estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento”. Metodologicamente, é uma pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Os resultados indicaram um número expressivo de publicações por autores anônimos; a predominância de autoria feminina; a relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; um espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções e um esforço de definição da profissão. As produções cumpriram a função de dar visibilidade à Enfermagem brasileira considerada moderna, ou seja, profissionalizada pelas escolas. Os Saberes Psi eram objetos de interesse daquele coletivo, que passou a divulgá-lo, no periódico, e a introduzi-lo nos currículos das Escolas de Enfermagem. Foram apropriados para compor o processo de conformação da enfermeira moderna por, pelo menos, três mecanismos, a saber: (1) o ensino de Psicologia voltado para a formação moral e comportamental da enfermeira; (2) o ensino de Psicologia para a capacitação da enfermeira na assistência ao doente, além da saúde do corpo, i.e., um cuidado social e psíquico e (3) o ensino de Psiquiatria para capacitar a enfermeira no cuidado com o doente mental. O interesse, nesse campo, foi ao encontro do estilo de pensamento Nightingaleano de formação da enfermeira considerada ideal para confluir com a conformação à Enfermagem moderna brasileira.
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A partir da regulamentação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), em 2004/2005, o psicólogo figura como profissional essencial nas equipes dos serviços ofertados nesse campo. No entanto, existem indícios de que psicólogos trabalham na Assistência Social antes desse período. Essa inserção não foi sistematizada na literatura, não permitindo o estabelecimento de registros lineares dessa trajetória. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar o ingresso e a atuação do psicólogo nos serviços de Assistência Social em Natal/RN, bem como as atividades desenvolvidas por eles no período de 1972-2003. Esta delimitação temporal justifica-se porque Natal passou a ter psicólogo a partir de 1972, e 2003 foi o ano imediatamente anterior aos marcos de 2004/2005. A investigação se dividiu em duas etapas: documental e história oral. A primeira se deu por meio da consulta a 86 monografias do Setor de Documentação do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em que se buscou identificar quais eram os serviços que caracterizavam o campo assistencial e os indícios da presença dos psicólogos nesses espaços. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas com 13 psicólogos que trabalharam na Assistência Social, a fim de investigar sua atuação, as atividades desenvolvidas, o processo de inserção na área, entre outros aspectos. A análise do material foi feita com base em categorias temáticas, a partir de uma perspectiva histórica. Os resultados apontam para três grandes âmbitos de inserção dos psicólogos: o campo da excepcionalidade infantil, em que os psicólogos eram vinculados à Legião Brasileira de Assistência Social (LBA); o campo do menor, por meio da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM); e a ocupação de cargos de gestão e de coordenação em alguns programas assistenciais.
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A linha de estudos em história da psicologia no Brasil é o campo de pesquisa em que se insere essa investigação sobre o processo de construção histórica do modelo de relação de ajuda do Centro de Valorização da Vida (CVV), durante a segunda metade do século XX. Partindo da análise de 321 boletins informativos, produzidos por essa instituição entre os anos de 1966 e 2000, procurou-se entender como os modelos de relação de ajuda da psicologia da época influenciaram o tipo de apoio psicológico que era oferecido por ela à população. Nesse sentido, tratou-se de compreender como essa organização não governamental - que trabalha com a prevenção de suicídio, por meio de atendimentos por telefone, pessoalmente e por carta - recorreu à ciência psicológica para formar e aperfeiçoar as capacidades de ajuda de seus voluntários. O CVV foi criado em fevereiro de 1962, na cidade de São Paulo, como parte da Campanha de Valorização da Vida e, em 1965, adquiriu personalidade jurídica, tomando-se Centro. Expandiu seu serviço para diversas cidades brasileiras e da América Latina, sendo que, atualmente, conta com cerca de 60 postos de atendimento. Para realização dessa pesquisa, utilizou-se uma metodologia historiográfica de cunho qualitativo, que seguiu estas etapas: 1)leitura dos boletins; 2)elaboração de quadros das atividades do CVV na sociedade brasileira; 3)delimitação das características da relação de ajuda; 4)leitura de fontes secundárias; 5)análise do processo de construçãohistórica do modelo de relação de ajuda; 6)reflexões sobre as influências dos modelos de relação de ajuda da psicologia no CVV; 7)escrita da dissertação. Nesse percurso, descobriu-se que, durante os quinze primeiros anos de existência, o CVV realizava uma atividade diretiva de ajuda, caracterizada por: 1)serviço de prevenção de suicídio por meio da valorização da vida, através da doação de amizade; 2)recurso a estudos e pesquisas científicas sobre ... suicídio para entender as pessoas que usavam seu serviço; 3)focalização dos problemas do indivíduo ajudado e não sua pessoa. Identificou- se também que, durante os anos de 1976 e 2000, o CVV passou a adotar um modelo não-diretivo de relação de ajuda (que perdura até hoje), influenciado pelas teorias da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers (1902-1987). A partir desse momento, a doação de amizade oferecida por seus voluntários deixou de focar os problemas dos indivíduos que procuravam seu serviço, e passou a levar em consideração a pessoa inteira deles. Por pessoa entendia-se o indivíduo nos seus aspectos mentais, emocionais e comportamentais, embora, na relação de ajuda, enfatizasse a importância de trabalhar os sentimentos. Mais especificamente, tratava-se do voluntário ser disponível para ouvir a pessoa que o procurava, adotando atitudes de autenticidade, compreensão empática e aceitação incondicional, confiando na natureza construtiva do ser humano erespeitando a liberdade do indivíduo fazer suas escolhas. Dessa forma, acreditava-se que o indivíduo poderia sair de suas máscaras, entrando no processo de vida plena e tomando-se a pessoa que é. Concluiu-se que o CVV recorreu principalmente à psicologia rogeriana como-um fundamento para seu trabalho, construí do na prática. Logo, seus voluntários se "apropriaram" de teorias dessa corrente psicológica, adequando-as ao seu contexto específico.
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