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  • Esta dissertação investigou as possibilidades educativas do Estudo Dirigido no ensino de História como atividade de mediação, como recurso técnico-político para a construção de conceitos científicos a partir da apropriação do conhecimento histórico. A investigação contou com a aplicação e acompanhamento de uma sequência didática aplicada para o ensino médio em uma escola pública do município de Contagem - MG, com duração de um mês durante o ano de 2022. A utilização de atividade prática de mediação intelectualizada apontou para o fortalecimento de um processo de instrução robusto em termos pedagógico e didático – na perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica. Este trabalho atua com categorias da lógica dialética, movimento, desenvolvimento e contradição, a partir da atividade de instrução escolar com a perspectiva da ensinar conceitos científicos no campo da História. A Psicologia Histórico-Cultural foi utilizada para o desenvolvimento da análise das ações subordinadas do estudo dirigido visando compreender o processo de produção de sentidos e o desenvolvimento dos conceitos científicos. Os resultados da pesquisa indicaram que os conceitos científicos foram apropriados pelos estudantes, sendo a atividade um elemento de mediação determinante para o desenvolvimento da ação de verbalização intelectualizada de conceitos científicos históricos. As análises mostraram também que a partir do desenvolvimento de interações dos fatos históricos com categorias do quadro conceitual, elevaram o número de relações de codeterminação entre conceitos científicos e por isso contribuiu com a apropriação do conhecimento histórico. Na mesma medida, a atividade contou com intenso trabalho não material de planejamento e de problematização do professor, bem como a consolidação da realização pelos estudantes de textos dissertativos-argumentativos evidenciando sentidos históricos científicos corretos sobre a temática estudada.

  • O presente trabalho tem como objetivo investigar através de uma pesquisa histórica voltada para a Revista de Educação do Estado de Goiás, quais eram as concepções de infância existentes em Goiás na época de circulação da revista e entender se há relações entre o conhecimento psicológico e o processo de elaboração dessas concepções. Tal recorte se deu em função de a revista ter funcionado como um importante veículo de comunicação do Estado, no que diz respeito aos assuntos vinculados à educação, psicologia e infância, tendo circulado no período entre 1937 a 1962, passando por distintas nomenclaturas e fases. Sua existência foi concomitante ao momento de modernização do território goiano que trouxe como consequência maior enfoque na infância e no desenvolvimento de perspectivas diferentes sobre ela, como parte deste processo transformativo, principalmente por meio do movimento escolanovista. Este estudo se viabilizou através de uma análise documental e revisão bibliográfica pautada em livros, artigos científicos, legislações, dissertações, teses e demais publicações nas quais foram investigadas as concepções de infância como construções históricas, tanto em contexto global, quanto no Brasil e, sobretudo, em Goiás. Parte-se do entendimento de que a psicologia mantém uma relação estreita com a educação e a infância desde seu surgimento como ciência no Brasil e em Goiás, o que contrasta com a existência de uma quantidade reduzida de pesquisas acadêmicas envolvendo história e psicologia em contexto regional, analisando a partir de que momento a psicologia colabora com as reflexões acerca da infância goiana. A pesquisa permitiu encontrar uma visão da criança acompanhada da carga moralizadora, associada a uma história da infância e da educação infantil tradicionalmente marcada por propostas que visam acompanhar e favorecer o desenvolvimento natural da criança, isolando-a como elemento único da relação pedagógica e deslocando suas raízes históricas, culturais e sociais.

  • A presente pesquisa se insere entre os estudos da história da Psicologia no Brasil, especialmente, sobre estado de Mato Grosso. Seu objetivo foi compreender o processo pelo qual o primeiro curso de psicologia de Cuiabá foi fundado, considerando as especificidades do momento histórico e desenvolvimento social do território no qual se constituiu. Fundamenta-se no método materialista histórico-dialético e em suas premissas, especialmente na apreensão da história como produto do trabalho coletivo dos humanos de transformação da natureza; e que a sociedade na qual essa atividade se realiza produz formas particulares de existência. Para tanto, foram escolhidos a coleta e análise documental como procedimentos para a realização do estudo. A coleta de documentos foi iniciada por meio do cadastro e-MEC de Instituições e Cursos de Ensino Superior, aliada à investigação dos relatórios gerados pelo IBGE e documentos (pareceres, resoluções e decretos) recolhidos por meio do portal de acesso a informações do MEC. Para a análise dos dados foi empregada a técnica de análise de conteúdo. Os resultados indicaram que o processo para a fundação de cursos de psicologia nas décadas de 1980 e 1990 não foi apenas produto da vontade de alguns, ou um evento sem correlação com a dinâmica da ação humana. Compreendeu-se que a autorização para o funcionamento dos cursos de psicologia nessas décadas destacadas levou em consideração questões como: necessidade social, capacidade econômico-financeira da instituição e situação geoeducacional. Portanto, os dados revelaram que os cursos de psicologia, em especial o da UNIC, atenderam às necessidades sociais produzidas em um campo social e em determinado meio de produção, em um dado momento histórico. Tais elementos produziram as especificidades das relações estabelecidas, gerando as formas pelas quais o curso de psicologia em questão foi introduzido na sociedade cuiabana

  • O cuidado psicológico à população LGBTI+ na atualidade é fruto de processos históricos de patologização e negligência no campo da medicina e da psicologia, somados a uma cultura ocidental homofóbica. Segundo a literatura, tais processos continuam exercendo influência em como a assistência psicológica é formulada e operacionalizada. Desse modo, o objetivo desta investigação é analisar como se dá a capacitação destes profissionais e identificar as recomendações para uma atuação profissional adequada. Para tal, foram realizados dois estudos, o primeiro se tratando de um estudo documental que analisa de que forma o cuidado psicológico com a população LGBTI+ é descrito e proposto por associações profissionais ao redor do mundo e o segundo, uma revisão integrativa de literatura que explora como tem se dado a capacitação dos psicólogos para atuar com essa população. O primeiro estudo demonstrou uma ênfase na conscientização do profissional sobre as contribuições históricas da Psicologia; a necessidade de autoavaliação do mesmo; a importância do desenvolvimento de uma postura profissional afirmativa e do envolvimento com a promoção de mudanças sociais e políticas. O segundo estudo explorou atitudes e competências profissionais no manejo com a população LGBTI+, avaliação de programas de treinamento específicos para o trabalho com esse grupo e a percepção dos clientes em relação às competências dos profissionais. Os trabalhos se complementam ao proporcionar um entendimento, sob perspectivas distintas, de como qualificar o cuidado psicológico à população LGBTI+.

  • Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) é classificado pela historiografia literária como um escritor pré-modernista pela sua atualidade no uso de uma linguagem inovadora, anti-academicista, e pelos seus esforços em ratificar os efeitos das situações políticas, econômicas e sociais das duas décadas do século XX. Diferente da posição cientificista adotada pelos literatos do fim do século XIX, o autor não se absteve da sua própria condição humana, construindo um verdadeiro painel da sua existência. Ao matizar sua trajetória pessoal com a construção romanesca, Lima Barreto criou uma literatura completa e autêntica que fornece aos estudiosos, um campo vasto de onde procedem diversificadas linhas de pesquisa, como a sociológica, a histórica, a psicológica, a autobiográfica e a lingüística, entre outras. Diante desse complecxo quadro temático, a crítica sobre a obra do autor se viu dividida em duas correntes analíticas antagônicas: aqueles que julgavam a obra barretiana menor por ser pessoal demais e os que a enalteciam pelo seu aspecto autobiográfico. Em nosso trabalho, os esforços foram direcionados para que não tomássemos partido de nenhuma posição em particular, pelo contrário, tentamos criar um campo neutro que unisse tanto a abordagem sócio-histórica como os aspectos autobiográficos; assim, proporcionando uma leitura imparcial das perspectivas da obra de Lima Barreto.

  • A dissertação apresenta a produção do conhecimento histórico sobre concepções de Educação Profissional para os menores desamparados que fundamentaram os discursos políticos de Helena Antipoff, no período de 1930 a 1935. A escolha temporal reflete o período que Helena Antipoff protagonizou a criação de várias instituições educacionais e mobilizou recursos por meio de palestras, conferências, artigos, seminários e relatórios. Os escritos publicados para esse fim definem o corpus de análise para a compreensão da problemática de pesquisa. A fundamentação teórico-metodológica deste trabalho é a Análise do Discurso Político de linha franco-brasileira, destacando as ferramentas conceituais de Foucault, Charaudeau e Berstein. Primeiramente, apresentamos a constituição da identidade de Helena Antipoff como sujeito político tendo como base os critérios de validação propostos por Charaudeau de legitimidade, credibilidade e autoridade. Em seguida, com base nos estudos teóricos e análises empreendidos, procurou-se conhecer, partindo da materialidade linguística presente no corpus selecionado, as concepções e os efeitos de sentido de Educação Profissional para os menores desamparados nos discursos políticos de Helena Antipoff. Nosso estudo, identificou a presença de formações discursivas higienistas, liberais, escolanovistas e republicanas na caracterização dos sujeitos menores desamparados e no projeto de Educação Profissional pensado para atender esses sujeitos. Ressaltamos que o projeto de Educação Profissional pensado por Helena Antipoff foi considerado no âmbito da pesquisa como importante vetor na identificação das culturas políticas que marcaram o período histórico estudado. Os discursos analisados apontam a aproximação da cultura política republicana em contraposição à cultura política varguista. Lembrando que o recorte histórico corresponde a um período de transição no cenário político brasileiro com o fim da República Velha e início da Era Vargas.

  • O presente trabalho se insere na História das Ciências da Saúde, em particular das chamadas ciências PSI (psicologia, psiquiatria e psicanálise). Em uma tentativa de compreender a invisibilidade das mulheres na historiografia da ciência, o objetivo desta pesquisa será analisar a vida e obra de Sabina Spielrein, do período de 1911 a 1942, ou seja, ano de sua formatura em medicina ao seu falecimento. A formatura de Sabina, neste caso, nos interessa, pois este marcou o início da cura do sintoma, que desenrolou de uma cura do sintoma para o engajamento intelectual e clínico com a psicanálise, com a psiquiatria e com a psicologia. Sabina, no primeiro momento, paciente diagnosticada com histeria, internada no ano de 1904, no Hospital Burghölzli, na Suíça, tornou-se no ano de 1911 médica e desde então passou a atuar como psiquiatra, psicanalista e depois como psicóloga infantil. Russa, judia, mulher em um ambiente predominantemente masculino, Sabina foi por vezes excluída e deixada às margens por alguns de seus pares. No entanto, o seu trabalho influenciou autores de grande representatividade como Sigmund Freud (1856-1939), Carl Gustav Jung (1875-1961), Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934). A análise da história das mulheres na psicanálise é extremamente interessante, pois esta resgata não apenas como as mulheres são retratadas na maioria das vezes pelo discurso tradicional da história das ciências; esta por sua vez narrada a partir um viés androcêntrico, mas em uma narrativa onde as mulheres aparecem como produtoras de um saber, neste caso, o saber psicanalítico. O palco deste trabalho será Viena, local onde a psicanálise foi criada pelo médico austríaco Sigmund Freud, ainda no ano de 1902, mas também nos locais onde Sabina Spielrein atuou.

  • Na historiografia da psicologia, considera-se normalmente que o behaviorismo, enquanto escola psicológica teve seu marco oficial com o artigo de John B. Watson “A psicologia como o behaviorista a vê”, publicado em 1913 na revista Psychological Review. Em 2013, completaram-se 100 anos desde sua publicação. Tal artigo, chamado algumas vezes de “Manifesto Behaviorista”, é amplamente reconhecido pelos manuais de história e introdução a psicologia como um importante veículo de ideias que teriam mudado de maneira rápida e substancial o cenário da psicologia acadêmica, especialmente nos Estados Unidos da América. Contudo, a obra original de Watson e seu respectivo impacto ainda não foram investigadas de maneira ampla e sistemática. Parte da literatura histórica sugere que a proposta de Watson sobre dispensar o uso do método introspectivo e o estudo da consciência não foi aceita de maneira ampla e imediata, deparando-se com críticas e oposições. Além disso, a originalidade de sua proposta foi questionada, sugerindo-se que aquelas ideias já estavam presentes no contexto científico da época, ainda que não amplamente difundidas. O presente trabalho teve o objetivo de analisar bibliometricamente qual foi o impacto do artigo de 1913 em dois dos principais periódicos daquela época, Psychological Review e Journal of Philosophy Psychology & Scientific Methods, durante o período de 1903 a 1923. Palavras-chave relacionadas ao behaviorismo e estruturalismo foram contabilizadas, assim como as citações a Watson e a sua obra. Os dados foram analisados considerando-se o período anterior e posterior à publicação do Manifesto. A frequência do termo ‘behavior’ nos artigos aumentou 50% após 1913, ‘consciousness’ diminuiu 23%. Outros termos também foram mais citados após 1913, como ‘introspect’ (10%), ‘mind’ (4%), ‘control’ (20%), ‘habit’ (17%), ‘instinct’ (6%) e ‘prediction’ (5%). Esses dados mostraram que o termo ‘behavior’ e outros relacionados com uma psicologia objetiva apareceram com mais frequência a partir da publicação do Manifesto e que os termos relacionados ao estruturalismo também se mantiveram frequentes. Dados adicionais mostraram que outras obras de Watson, especificamente os livros publicados em 1914 (Behavior: An introduction) e 1919 (Standpoint), foram citadas mais frequentemente que o Manifesto, sugerindo que essas obras também foram importantes condutores do behaviorismo watsoniano.

  • Esta pesquisa tem como objetivo investigar Os Encontros de Psicólogos da Área de Educação, um conjunto de três eventos realizados no início da década de 1980 no Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo sob a organização do Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo (SPESP) e do Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (CRP-06). A investigação teve como base histórico-filosófica o materialismo histórico-dialético, servindo-se de pesquisa bibliográfica e, sobretudo, pesquisa documental, cujos procedimentos foram orientados pelos princípios metodológicos da micro-história italiana. Esses eventos são expressão da organização política dos psicólogos no final da década de 1970 que ao tomarem as entidades da categoria no início de 1980 propõem um projeto ético-político da Psicologia com base em uma leitura crítica da profissão, compreendida como socialmente comprometida com as classes populares. É a partir desse movimento que surge uma Comissão de Educação, responsável pela discussão da psicologia na área de educação que tem como iniciativa organizar os psicólogos, por meio dos Encontros que, por sua vez, viabilizaram um projeto de psicologia escolar e educacional. Esses eventos representam um importante momento de organização política e discussões críticas, assim como uma síntese histórica das experiências em psicologia da educação, nos quais sobressai o protagonismo de Sérgio Antonio da Silva Leite e Yvonne Alvarenga Gonçalves Khouri. Concluímos que os Encontros são produtos do projeto ético-político da Psicologia, assim como são produtores de um projeto de psicologia escolar e educacional, tornando-se um fato histórico importante da historiografia da psicologia em São Paulo

  • Os profissionais praticantes da Psicologia então adjetivada Industrial, eram destinados a um conjunto de práticas para atração, identificação e análise dos comportamentos humanos que as definem como processos de Recrutamento & Seleção (R&S) de trabalhadores. Posteriormente, pesquisas mostraram a expansão da atuação na área para além das indústrias, contemplando empresas de setores diversos. A expansão agregou outras práticas como planejamento e acompanhamento de processos para promoção de saúde e segurança do trabalhador. As pesquisas da história da Psicologia no âmbito das empresas no Brasil mostram que esta diversidade de práticas foi, com o tempo, ganhando impulso e credibilidade sendo denominada Psicologia organizacional e do trabalho (POT). No estado do Espírito Santo (ES), o processo de industrialização ocorrido na década de 1960 inaugurou um amplo mercado de trabalho para estes profissionais nas décadas subsequentes, possibilitando criação, incorporação e consolidação de práticas culturais em uma história que até então não tinha sido contada. Esta tese conta uma parte dessa história e se circunscreve concomitantemente na área de atuação denominada POT, na história da Psicologia e na análise comportamental da cultura. O objetivo geral foi identificar, descrever e compreender as práticas culturais da área, seus agentes e como tais práticas foram aplicadas em algumas organizações do ES no período compreendido entre 1980 e 2010. Ela está dividida em três estudos, seus objetivos específicos, que têm como objetos: 1. Práticas culturais no estabelecimento da POT em empresas no Espírito Santo; 2. Práticas culturais de psicólogos empresários prestadores de serviço a empresas do Espírito Santo; 3. Práticas culturais da POT: Percepções dos trabalhadores de empresas do Espírito Santo. Foram participantes 38 psicólogos e 196 trabalhadores. Os dados foram fornecidos pelos participantes por meio das entrevistas semiestruturadas e questionários. Os dados qualitativos foram submetidos ao IRAMUTEQ gerando classes de relatos verbais que foram analisadas por fragmentos das narrativas e esquemas de contingências e metacontingências. Dados quantitativos foram submetidos a análise estatística descritiva e inferencial com o auxílio do software SPSS. O Estudo 1 gerou uma parte da história que agregará valor à Psicologia no Espírito Santo. As primeiras praticantes da POT adaptaram e sistematizaram manuais e políticas para (R&S), Treinamento & Desenvolvimento (T&D) e outros. Destacou-se também por meio das narrativas a importância de entender o quanto o ser humano está entrelaçado a outras vozes e, sobretudo, propor projetos a partir da estratégia das empresas, visando a integridade e o desenvolvimento do trabalhador. O Estudo 2 indicou que empresas prestadoras de serviços da POT podem ser rentáveis, mesmo ofertando apenas os produtos: R&S e T&D. Os dados indicaram a necessidade de investimento em formação sobre compreensão do mercado, visão de negócios e postura proativa no que tange a gestão empresarial. Por fim, o Estudo 3 trouxe a percepção dos trabalhadores de funções e setores diversos sobre as práticas inerentes aos subsistemas R & S e T&D. Os trabalhadores evidenciaram a importância de os praticantes da POT aperfeiçoarem suas práticas em R&S, no que concerne a fatores como, por exemplo, acolhimento e condução nos processos de seleção. Tais fatores, se bem trabalhados, possibilitam o entendimento do quanto são essenciais na consecução de tais práticas culturais. Embora os trabalhadores tenham considerado o T&D importante, relataram que a proposta, relevância e como impacta nos resultados não é clara. Nesse sentido, entende-se que os profissionais da POT podem, além de viabilizar o treinamento, declarar objetivamente a intenção e aplicação do saber convertidos em resultados.

  • Desde sua criação, os testes psicológicos têm sido usados em diferentes contextos, subsidiando decisões que afetam a vida de muitas pessoas. Seu uso adequado tem, como condição fundamental, o conhecimento de seus pressupostos teóricos e de suas limitações. O objetivo deste trabalho é explicitar tais pressupostos e demonstrar que o rótulo genérico testes psicológicos é inadequado para abrigar a diversidade de instrumentos do exame psicológico existentes. Com base em Pierre Bourdieu, considera-se o conhecimento científico como uma atividade social, sendo a conformação de um campo científico decorrente da configuração das forças que o compõem e de seus respectivos pesos em um dado momento histórico. Procura-se recuperar a trajetória de Alfred Binet e de Francis Galton, dois dos principais atores do campo do exame psicológico, abordando o contexto pessoal, social e histórico em que desenvolveram suas obras, e a influência de suas ideias na conformação posterior do campo. A partir disso, procura-se diferenciar técnicas projetivas e testes psicométricos, discutir as implicações de considerá-los sob o mesmo rótulo na conformação do campo do exame psicológico no Brasil de hoje e apontar aspectos importantes da formação do psicólogo para o uso adequado desses instrumentos

  • O objetivo desse estudo foi investigar o compromisso social dos psicólogos brasileiros evidenciado nas publicações da revista Psicologia: Ciência e Profissão, uma publicação do Conselho Federal de Psicologia. Buscou-se verificar quais as direções que assume o compromisso social dos psicólogos brasileiros, uma vez que consideramos que esse compromisso social não é único, mas ocorre num processo complexo de ambigüidades e contradições. Tratou-se de uma pesquisa documental cuja análise foi empreendida via articulação do conceito de compromisso social com aspectos da história da Psicologia. Foram lidos todos os artigos (429) para seleção daqueles que discutiam a prática profissional do psicólogo (120) e finalmente desses foram selecionados aleatoriamente 26 textos para a realização da análise, que foi feita com a técnica de análise de conteúdo. Concluímos que o compromisso social do psicólogo brasileiro caracteriza-se pelo movimento de discordância e contradição, convivendo simultaneamente, no interior de um mesmo trabalho, teorias ou práticas psi direcionadas ao mesmo tempo para a transformação da sociedade em direção a uma ética universal voltada para emancipação e para a manutenção da ideologia dominante reprodutora da dialética exclusão/inclusão social. Foi possível também constatar que houve uma mudança na concepção que os psicólogos fazem dos sujeitos e, conseqüentemente, dos fenômenos psicológicos nas últimas décadas: estes passaram a ser entendidos como constituídos de modo concreto, histórico e social, considerando-se a mútua relação sujeito/sociedade. Porém, se esta mudança não gerar novos referenciais teóricos e novas perspectivas de intervenção, pode servir para escamotear diferenças significativas que caracterizam a diversidade da psicologia e que a aproximam ou distanciam do modo de organização social vigente.

  • Nosso propósito ao elaborar esta tese é contribuir com o estudo da Psicologia Social no Brasil, mostrando que Silvia Tatiana Maurer Lane (1933-2006) teve importância relevante na formulação das bases teóricas de uma Psicologia Social Brasileira, adotada por psicólogos sociais, professores e pesquisadores. A atividade docente foi fundamental para a formação do pensamento da intelectual respeitada, tendo se desenvolvido por meio de uma postura crítica, permanente, à psicologia social de influência americana e aos métodos tradicionais de ensino. A PUC de São Paulo, instituição na qual trabalhou durante quarenta anos, proporcionou à Silvia um ambiente de liberdade intelectual que favoreceu o seu trajeto. Escolhemos para estudar a autora um caminho ainda não trilhado por outros pesquisadores que falaram a respeito da ilustre professora, conduzindo a nossa pesquisa, em especial, a partir dos documentos pessoais encontrados no acervo deixado na PUC de São Paulo sob a guarda do Núcleo de Estudos em História da Psicologia-NEHPSI, além de livros, entrevistas e biografias escritas por outros autores. A análise do percurso de Silvia nos mostrou conexões importantes entre o seu trabalho e o contexto sócio-histórico e revelaram o prestígio da professora no Brasil e no exterior. Para o estudo das ideias, tomamos por base um texto ainda não publicado, denominado: Caminhos percorridos , escrito pouco tempo antes da sua morte e cuja finalidade era preparar uma coletânea dos seus textos, publicados ou não, mas de difícil acesso. A leitura nos permitiu entender a estrutura dada por ela ao seu próprio pensamento. Constamos que a psicologia da linguagem, as bases teóricas para formulação de uma psicologia social brasileira, a psicologia comunitária, o processo grupal e a mediação emocional são temas que estão presentes ao longo de toda a obra, gerando pesquisas, textos, cursos e apresentações, recebendo ao longo do tempo, novos olhares e releituras que fizeram avançar a compreensão dos temas. A obra não se encerra com a sua morte, deixando espaço para novos estudos e textos a serem produzidos

  • O objetivo da pesquisa é apresentar um estudo histórico no qual se investigou o processo de recepção da Análise do Comportamento, ciência fundada por B. F. Skinner, pelo campo educacional no Brasil. O referencial teórico utilizado na realização da pesquisa baseou-se no conceito de recepção de teorias psicológicas. O conceito de recepção engloba os processos de acolhida e apropriação da teoria, seguido do intercâmbio entre a teoria em sua versão original e em sua versão acolhida e apropriada em um novo contexto. Esse conceito oferece subsídios teóricos para se investigar o modo como teorias psicológicas podem ser recebidas em contextos socioculturais distintos daqueles em que foram originalmente elaboradas. Nesta pesquisa, ao se investigar o processo de recepção da Análise do Comportamento pelo campo educacional no Brasil, foram analisadas a mensagem (conceitos e princípios de Análise do Comportamento), os emissores (autores que fundaram e divulgaram a teoria, casos de B. F. Skinner e Fred Keller) e os receptores da teoria (professores). O processo de recepção leva em conta, ainda, a problemática e os interesses intelectuais presentes no campo disciplinar no qual a teoria se insere. Neste caso são analisadas a problemática e os interesses intelectuais presentes no campo educacional brasileiro no período entre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 e 1996, que configura o recorte temporal da pesquisa. A metodologia empregada consistiu-se na análise de quatro fontes: as edições da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos – RBEP, publicadas entre 1961 e 1996, nas quais buscou-se identificar textos (artigos, resenhas, listas de bibliografias) que fizessem referência a Skinner e a tecnologia do ensino; a segunda fonte de pesquisa foram as ementas das disciplinas de Psicologia do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Viçosa – UFV, nestas ementas foram identificados conceitos e princípios de Análise do Comportamento, os quais foram agrupados em intervalos de cinco anos, a partir do que procedeu-se uma análise quantitativa do número de conceitos e princípios presentes em cada período; a terceira fonte foram os planos de ensino das disciplinas da área de Psicologia e Educação do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, a partir dos quais buscou-se identificar em quais disciplinas a Análise do Comportamento era ensinada e quais as obras utilizadas no ensino de seus conceitos e princípios. A quarta fonte consultada foram professores que estiveram envolvidos com a recepção da Análise do Comportamento no campo educacional. Quatro professores foram entrevistados, de acordo com a metodologia da história oral. As entrevistas, após transcritas, foram transformadas em textos. Os procedimentos de análise de conteúdo orientaram a análise dos planos de ensino, assim como das entrevistas. Os resultados apontam que a Análise do Comportamento foi recebida pelo campo educacional no Brasil de modos distintos entre os anos de 1961 e 1996. Na década de 1960 até princípios da década de 1970, a recepção da Análise do Comportamento foi marcada pelas características pessoais dos professores que com ela tiveram os primeiros contatos, destacando-se o papel de professores interessados em uma Psicologia científica e que estiveram envolvidos com concepção política de esquerda, sendo partidários de uma Pedagogia Libertadora. A partir da década de 1970, após a Reforma Universitária, de 1968, e a Reforma do Ensino Médio, em 1971, ocorre uma mudança na problemática da Educação nacional, que passa a ser a formação docente mais técnica e a gestão educacional atrelada a teoria do capital humano. Nesse período, entre o início dos anos de 1970 e a primeira metade da década de 1980, os interesses intelectuais se voltam para as chamadas tecnologias do ensino. Essas mudanças no campo educacional levaram a uma apropriação da Análise do Comportamento, aumentando o interesse pela tecnologia derivada de seus conceitos e princípios. Cresce nesse momento o interesse pela Instrução Programada e pela tecnologia do ensino, dando origem ao que alguns autores definem como concepção pedagógica tecnicista. A partir da segunda metade da década de 1980, as mudanças políticas ocorridas no país, juntamente com a emergência de teorias de viés mais sociológico, como as teorias críticas em Educação, representada na Psicologia pela Psicologia Escolar Crítica, levaram a uma crítica veemente à Análise do Comportamento, como uma teoria que serviu de base para o tecnicismo pedagógico, levando ao quase desaparecimento da Análise do Comportamento do debate educacional. Nesse período, início dos anos de 1990, foi fundada a Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental – ABPMC, e o desenvolvimento da ciência do comportamento passou a ser discutido dentro de seu próprio campo, levando a um isolamento cada vez maior da teoria, gerando um distanciamento entre os dois campos disciplinares: Análise do Comportamento e Educação. Conclui-se que a Análise do Comportamento nem sempre foi recebida pelo campo educacional no Brasil como partidária de uma perspectiva pedagógica tecnicista, tendo sido inicialmente recebida como uma teoria compatível com concepções pedagógicas libertadoras, comprometida com a análise dos determinantes sociais que modelam os comportamentos das pessoas. Só posteriormente, a partir de mudanças no campo educacional, é que ocorreu uma forma tecnicista de apropriação da Análise do Comportamento, frequentemente a partir de interpretações equivocadas da teoria. Essa forma de recepção foi criticada, levando ao afastamento da Análise do Comportamento do debate educacional, provocando seu isolamento enquanto campo disciplinar a partir dos anos de 1990.

  • O presente trabalho é um estudo teórico, bibliográfico e de análise crítica de parte da produção de cunho psicanalítico de Arthur Ramos, dedicada à área da Educação Escolar, bem como sobre suas relações com os movimentos de Higiene Mental e da Escola Nova. Para fins deste trabalho foram analisadas duas obras do autor: Educação e Psychanalyse (1934) e A Criança Problema (1939). Nossa hipótese foi que a apropriação da psicanálise por Arthur Ramos contribuiu para a organização da sociedade burguesa e seu progresso ao mascarar as relações políticas e sociais da modernidade capitalista. Nosso objetivo foi aprofundar o sentido ético e político das relações entre a Escola Nova e o movimento de Higiene Mental a partir de uma análise crítica e detalhada de tais obras e das fichas de atendimento às crianças das escolas experimentais, realizadas pelo Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental, chefiado por Arthur Ramos entre 1934 e 1939. Como principal abordagem teórico-metodológica utilizamos a Teoria Crítica, representada aqui pelo filósofo alemão Theodor Wiesengrund Adorno. Para tanto, consideramos a dimensão social, cultural e econômica da sociedade como fundamental para a análise do discurso de Ramos. Em um primeiro momento realizamos uma revisão crítica da literatura sobre a Higiene Mental e o escolanovismo no Brasil com vistas à definição de conceitos pertinentes às relações entre esses dois movimentos. Segundamente, buscamos compreender como se deu a difusão e implantação da teoria psicanalítica em suas relações com a Educação Escolar na era freudiana e pós-freudiana. Por fim, analisamos criticamente parte da produção de Arthur Ramos, bem como sua atuação no Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental do Rio de Janeiro na década de 1930 para situar seu lugar na relação entre os conceitos de Higiene Mental, Escola Nova e Psicanálise. Concluímos que o intelectual Arthur Ramos se situou em um campo discursivo que procurou adequar a população a um projeto de Brasil em que se identificavam progresso e intenso controle social, um projeto civilizatório e barbárie. Apresentamos, assim, os elementos de barbárie no caminho para a formação social, tanto quanto aqueles favoráveis à civilização, apontando a necessidade de lançarmos luz sobre as ideologias subjacentes a tais concepções de tal modo que possamos compreender suas relações com a realidade histórico-social tendo algo a esclarecer no debate acerca das teorias pedagógicas.

  • A entrada da psicologia científica no Brasil teve a educação escolar como campo privilegiado de aplicação. Nas primeiras décadas do século XX, um conjunto de reformas educacionais, ocorridas em vários estados, inclusive em Minas Gerais, deram margem à constituição de laboratórios de psicologia e de um conjunto de práticas que tinham, como referência teórico-metodológica, uma psicologia que buscava constituirse e fortalecer-se como ciência. O objetivo deste trabalho foi descrever e analisar a recepção e a circulação dos testes de inteligência a partir de sua utilização na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, durante seu período de funcionamento, de 1929 a 1946. Por meio de um estudo historiográfico, pode-se identificar cerca de 30 testes, fossem estes de inteligência ou testes pedagógicos. Osdados analisados são apresentados em quatro estudos complementares, em que buscamos evidenciar o processo de recepção/circulação dos testes de inteligência. Foi possível demonstrar como este foi mais amplo que a simples tradução de testes estrangeiros por professores e estudantes da Escola de Aperfeiçoamento. Nela foram produzidos novos testes, que em maior ou menor grau tomavam instrumentos estrangeiros como referência, mas os adaptavam às necessidades locais, contribuindo com a constituição da psicologia como ciência independente no país. Também foi possível identificar um uso pragmático dos testes no contexto educacional mineiro, uma vez que privilegiou-se a aplicação dos instrumentos no cotidiano escolar em detrimento da teorização sobre o construto inteligência. Esse uso pragmático teve, como consequência, sua utilização como instrumento didático-pedagógico na formação dasalunas-professoras, do que de produção de ciência. Deste forma, concluímos que a Escola de Aperfeiçoamento foi, de fato, um espaço de trabalho de adaptação e desenvolvimento de novos testes de inteligência, que foram utilizados no cotidiano dos grupos escolares da cidade e na formação das alunas-professoras da Escola deAperfeiçoamento.

  • A pesquisa visa descrever e analisar o processo de institucionalização da Psicologia na Bahia, no contexto da ditadura militar, entre os anos de 1968 a 1980. Considerou-se: a influência que o contexto autoritário e as políticas de Estado para as áreas de educação e ciência exerceram sobre a formação e consolidação do curso de graduação em psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia; a recepção da Análise do Comportamento e da Psicanálise por parte da comunidade acadêmica, naquele contexto político; e, as lutas e mobilização dos discentes e docentes frente às políticas de Estado. Tratase de um estudo descritivo-analítico, que tem como referenciais teóricos os Estudos Sociais das das Ciências e a História da Psicologia. Adotam-se procedimentos metodológicos da História do Tempo Presente, utilizando-se da metodologia da História Oral e de Análise Documental para levantamento e análise de dados. Os resultados indicaram que as medidas adotadas pelo regime militar impactaram no processo de institucionalização e desenvolvimento da psicologia, enquanto campo disciplinar e profissional, na Bahia. As políticas educacionais implantadas pelos governos militares no âmbito da Educação produziram efeitos na demanda pela psicologia educacional, enquanto o interesse pela área industrial crescia a partir dos investimentos públicos que expandiram o polo industrial e tecnológico baiano. Houve uma prevalência da clínica, como área de estágio, em detrimento da área educacional e industrial. Demonstrou-se a forte influência do campo psiquiátrico sobre os rumos da psicologia, sob diversos âmbitos, inclusive formativos. Evidenciaram-se as condições sociais e políticas que possibilitaram a emergência da cultura psicanalítica na Bahia e sua influência na formação dos psicólogos, a partir da vinda dos psicanalistas argentinos, capitaneados por Emílio Rodrigué, e do psicanalista Carlos Pinto Corrêa, integrante do Círculo Brasileiro de Psicanálise de Minas Gerais. Destacou-se, no modo de recepção da Análise do Comportamento, o papel dos psicólogos formadores de análise do comportamento da Universidade de São Paulo na implantação do laboratório de Psicologia Experimental e na formação das primeiras gerações de docentes e analistas do comportamento da Bahia. Observou-se, ademais, que houve uma vigilância e tutela sistemática sobre a comunidade acadêmica de psicologia, que impactou na vida universitária e exigiu dos discentes e docentes da área organização da resistência para lidar com a tensão política e capacidade de enfrentamento na luta contra a ditadura militar. Tal cenário forjou um posicionamento político e socialmente ampliado entre os integrantes do movimento estudantil, naquele momento de intensa restrição e carências de toda ordem.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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