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Este trabalho pretende problematizar as concepções de coletivo que se apresentam nos discursos da psicologia brasileira contemporânea. Tomamos como campo os artigos da revista Psicologia e Sociedade e construímos duas imagens: a imagem do coletivo representação é acompanhada por concepções naturalizantes das categorias com as quais trabalha. Nesta imagem de coletivo a separação entre indivíduo e sociedade é bem marcada e acaba produzindo construções abstratas dos seus fenômenos. Ao percorrer uma breve história da psicologia vemos esta surgir como uma tecnologia voltada para a ?gestão? dos coletivos, construindo e reproduzindo conhecimentos acerca dos indivíduos e do social. A imagem dos coletivos clandestinos é pautada em referências que desestabilizam as fronteiras impostas das ciências modernas e concebem tanto o indivíduo quanto o social efeito de uma produção simultânea, problematizando as fprmas de cpnhecimento das ciências tradicionais. A metodologia conta com a perspectiva histórica de Michel Foucault que afirma a primazia das relações de poder, e com as contribuições de Bruno Latour e suas conexões criando hibridismos. A proposta metodológica foi um importante instrumento ara romper com as barreiras separatistas, acentuando a presença do pesquisadpr como participante igual aos outros elementos do campo de pesquisa, enfatizando que o modo de pesquisar é com o outro e não sobre o outro. Desta forma As histórias de coletivos para uma psicologia brasileira pretende desnaturalizar modos de produzir conhecimento e categorias de coletivos herméticas. Para finalizar entre formas de fazer e perceber o coletivo temos o trabalho de campo atravessado pordois sociólogos, Emile Durkheim e Gabriel Tarde, contribuindo com as problematizações dos coletivos representação e clandestinos. Gabriel Tarde contribui produzindo uma concepção de coletivo processual, onde a imitação e a invenção ressaltam o caráter relacional do indivíduo e do social e os coloca numa produção de dupla emergência.
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A segunda década do século XX conta com uma interessante produção de livros voltados para a Educação e formação docente. Trata-se de um momento em que a Psicologia será apontada como uma das principais ciências capazes de contribuir para o melhoramento dos conhecimentos educacionais. Assim, analisar a indicação de livros de Psicologia para aformação de professores contribui para a compreensão dos processos de desenvolvimento da Educação e Psicologia como campos de produção científica. O objetivo desta pesquisa é analisar o conjunto de referências bibliográficas indicado na reforma educacional conhecidacomo Reforma Francisco Campos-Mário Casasanta em Minas Gerais no ano de 1927, para a formação de professores na disciplina de Psicologia do segundo ano do curso de Adaptação da Escola Normal de Belo Horizonte. Assim, identificamos quais eram as referências bibliográficas de Psicologia indicadas pela lei da reforma para a formação de professores nas escolas normais; analisando, por meio destas referências, que saberes de Psicologia foram propostos para a formação dos professores mineiros, compreendendo de que modo o Estado mineiro adotou estas referências como uma estratégia indispensável para a formação dos professores no âmbito da Reforma. Por meio de um estudo historiográfico, analisou-se como fontes documentais, o texto do decreto/lei nº 8225 de 1928 que orienta os programas de ensino do curso normal no Estado mineiro, elaborado a partir da reforma educacional de 1927, texto que indica a lista dos livros/referências bibliográficas a serem adotados na disciplina de Psicologia, dos quais analisamos seu sumário com o propósito de verificar que saberes deveriam vigorar no âmbito da reforma e se apresentar como auxiliares para a Educação. E em conjunto, analisou-se a Revista do Ensino de Minas Gerais, especificamenteos textos que trabalham temas relacionados à Psicologia da época; verificando um panorama conjuntural de como esta ciência foi se tornando parte do cotidiano dos agentes educacionais mineiros. Utilizou-se como suporte teórico para a realização da análise, os conceitos de "estratégia" de Michel de Certeau e de "coletivo de pensamento" e "estilo de pensamento" de Ludwik Fleck; buscando compreender quais foram os grupos envolvidos no processo deseleção das referências bibliográficas. Concluindo assim, que o governo mineiro por meio dos livros e saberes da Psicologia, voltado para a formação de professores realiza uma estratégia política visando escolher uma orientação psicológica para a educação no Estado; afirmando-se os conhecimentos do Instituto Jean-Jacques Rousseau por meio de Helena Antipoff.
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Vinculado ao projeto Americanismo e Educação, o estudo teórico Psicometria e Educação: a obra de Isaías Alves insere-se na dialética do americanismo como processo educacional e, ao mesmo tempo, produto educacional. Empreende um exame das raízes da psicometria, bem como estuda o desenvolvimento inicial da psicometria no Brasil, sua relação com a educação e seus desdobramentos na obra de Isaías Alves. Muitos autores vinculam o início da psicometria ao advento da Escola Nova. A tese defendida retoma a discussão sobre a origem e difusão da psicometria no Brasil, reconhecendo-a como não dependente, na obra de Isaías Alves, ao movimento da Escola Nova. No que tange ao exame do pensamento de Isaías Alves, efetuou-se uma revisão bibliográfica prévia, a partir da qual foram privilegiados alguns títulos em função da pertinência ao tema. Foram consultadas as principais obras de Isaías Alves sobre psicometria e educação, bem como outras obras e artigos que versam sobre o assunto. Observa-se que a história da psicometria, no mundo, parece confundir-se com a história da psicologia experimental. A psicometria, no Brasil, tem suas origens na medicina, no trabalho formal e nas propostas de reorganização escolar. Como no restante do mundo, a psicometria brasileira se expande a partir dos testes de inteligência. Conclui-se que Isaías Alves expressa a filosofia do americanismo, no Brasil, de forma diferenciada e independente do movimento escolanovista, pela sua defesa das idéias de disciplina, nacionalismo integralista, reorganização das classes vinculada à educação tradicional, profissional, cívica e moral. Por esta razão, entende-se que a psicometria de Isaías Alves não está comprometida com a Escola Nova.
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O objetivo desta dissertação é criar um registro dos primeiros cinqüenta anos da história do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro com a finalidade de promover um instrumento para a reflexão da profissão e formação em psicologia e também para sua divulgação, pois ainda é desconhecida por muitos. O Instituto de Psicologia teve sua origem no laboratório de psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro em 1924. Quando foi convertido em Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil em 1937 teve como primeiro diretor o médico Jayme Grabois que permaneceu no cargo durante dez anos. Neste período a profissão de psicólogo não era regulamentada e ainda não existia nenhum curso de formação de psicólogo no Brasil. A primeira tentativa de criação de curso de formação em psicólogo aconteceu no Instituto de Psicologia, em 1932, quando ainda pertencia à Colônia de Psicopatas. A história do Instituto de Psicologia se cruza com a história da psicologia no Brasil e com os acontecimentos políticos do país. O Instituto nasce do desejo de criação de um centro de formação de psicólogos. O curso de psicologia é criado em 1964 na Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil e incorporado ao Instituto de Psicologia em 1966. Desde sua criação até os anos de 1980 o Instituto de Psicologia passa por diversas transformações e configurações que atravessam e são atravessadas por toda uma geração de estudantes, professores e funcionários, personagens desta história que vamos conhecer agora.
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ESTA DISSERTAÇÃO FAZ UM BREVE HISTÓRICO DE DUAS UNIVERSIDADES, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO E PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, INCLUINDO TAMBÉM UM BREVE HISTÓRICO DO INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA USP E DA FACULDADE DE PSICOLOGIA DA PUC/SP. A SEGUIR MOSTRA COMO FORAM FUNDADOS OS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA ESCOLAR DO IPUSP E O CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO DA PUC/SP. LEVANTA A PARTIR DA LEITURA DOS RESUMOS DAS DISSERTAÇÕES DE MESTRADO DA DÉCADA 1970-80 DOS CURSOS MENCIONADOS: A TIPOLOGIA DA PESQUISA USADA NA DISSERTAÇÕES; TEMA-ÁREA ABORDADO NAS PESQUISAS; E, A BASE TEÓRICA USADA NAS DISSERTAÇÕES. CONSTATA QUE O CURSO DE PSICOLOGIA ESCOLAR DA USP UTILIZA MAIS TEMAS EM PSICOLOGIA EXPERIMENTAL HUMANA ENQUANTO QUE NO CURSO DE PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO DA PUC/SP UTILIZA-SE MAIS TEMAS EM PSICOLOGIA EDUCAÇÃO. CONSTATA TAMBÉM QUE O CURSO DA USP USA MAIS UMA METODOLOGIA EXPERIMENTAL ENQUANTO QUE NA PUC/SP PREDOMINA UMA METODOLOGIA CORRELACIONAL E, FINALMENTE, QUE A BASE TEÓRICA USADA NA USP POSSUI CARÁTER MAIS CIENTIFICISTA E MENOS ROMÂNTICO, ENQUANTO QUE NA PUC/SP HÁ UM EQUILÍBRIO ENTRE CIENTIFICISMO E ROMANTISMO. CONCLUI QUE AS CAUSAS DESSAS DIFERENÇAS PODEM SER: A) OBJETIVOS DISTINTOS DAS DUAS UNIVERSIDADES; B) ÉPOCA NA QUAL OCORRE A PRODUÇÃO DESSAS DISSERTAÇÕES (DITADURA MILITAR) E C) O FATO DE SEREM DE REDES DE ADMINISTRAÇÕES DISTINTAS, UMA GOVERNAMENTAL E OUTRA NÃO-GOVERNAMENTAL.
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O presente trabalho é o resultado de uma pesquisa de mestrado em educação, realizado entre os anos de 2006 e 2007. Nele, procuramos estudar a disciplina de Psicologia da Educação em escolas da cidade de Maringá, na tentativa de compreendê-la como matéria de ensino nas Escolas Normais Secundárias do município. Nosso objeto de pesquisa contemplou o ensino dessa disciplina em três Escolas Normais, no período de 1950 a 1970, pela análise, em um primeiro momento, de documentos escolares e, num segundo momento, dos livros e manuais didáticos encontrados nas bibliotecas das instituições escolares, os quais eram disponibilizados às normalistas. As escolas estudadas foram: o Instituto de Educação Estadual de Maringá (IEEM); o Colégio Santa Cruz e o Colégio Santo Inácio. Os autores fundamentais utilizados para as discussões e compreensões acerca da história da Psicologia foram: Antunes (1998; 2004); Campos (2001; 2003) e Massimi (1990; 1996). Nesta pesquisa, verificamos que a maioria dos autores era de origem estrangeira; a aprendizagem foi o tema tratado com mais veemência pelos autores; o campo prático educacional foi o mais expressivo; o referencial teórico da psicologia comportamental foi o mais encontrado na literatura. O ensino da disciplina de Psicologia da Educação estava pautado nos preceitos escolanovistas, com alguns pontos da pedagogia tecnicista. Com esses dados, percebemos a importância da realização de uma pesquisa histórica baseada em fontes documentais, uma vez que essas preservam tanto a história institucional quanto a história daqueles que dela participaram.
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Questionando a tendência pragmática, existente na atualidade, de traduzir a teoria Histórico-Cultural de L.S VYGOTSKI (1896-1934) para solucionar problemas educacionais, este estudo acabou por discutir a historicidade do pensamento desse autor, ausente nas traduções e na leitura da maioria dos intérpretes que respondem pela ampla divulgação dessa teoria no meio educacional. O fato de Vigotski ter elaborado sua teoria como expressão das lutas da sociedade soviética, para subverter a ordem das coisas, no período imediatamente posterior à Revolução, faz a grande diferença entre ele e os ocidentais que, como ele, enfrentavam a teoria burguesa biologicizante . Sua preocupação em postular a natureza histórica da consciência humana, longe de constituir-se numa disputa eminentemente teórica, como no lado ocidental, se fez nas disputas concretas entre os elementos "contra-revolucionários" da burguesia, que ainda tinham um papel histórico a desempenhar na sociedade soviética, e o projeto coletivo de construir a sociedade comunista, razão pela qual o povo soviético fizera a Revolução. Demonstrar a origem histórica da consciência humana, objetivo principal de todos os postulados vygotskianos, não significava apenas a formulação de uma outra vertente teórica que opunha-se ao materialismo biologicizante e ao subjetivismo, mas, antes de tudo, implicava em afirmar a possibilidade de transformação da sociedade pela ação humana, ou seja, a própria Revolução. Desta forma, transplantar a teoria de Vygotski para a atualidade, imaginando que ela, por si só, se aplicada ao sistema educacional, será capaz de desenvolver atitudes que valorizam o coletivo, significa entrar em desacordo com os postulados vygotskianos de que a consciência humana constrói-se na intercessão entre teoria e prática social.
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Este trabalho teve como objetivo central compreender o surgimento e desenvolvimento da psicologia escolar no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação da Universidade Federal de Goiás (CEPAE/UFG) e suas relações com o contexto goiano e nacional. Teve como objetivos específicos: compreender quando e como a psicologia escolar surge no CEPAE; pesquisar quem eram os profissionais da psicologia que atuavam no CEPAE; investigar como era o trabalho dos psicólogos que fizeram parte historicamente do CEPAE e quais eram suas principais frentes de atuação; entender quais concepções teóricas norteavam a prática desses profissionais; e catalogar e organizar a documentação referente à história da psicologia escolar do CEPAE. Configurou-se como um trabalho historiográfico que utilizou de fonte documental. Para sua construção foram realizadas buscas no arquivo da instituição pesquisada e no Centro de Informação, Documentação e Arquivo da UFG – CIDARQ. Foram encontrados cerca de 300 documentos referentes a essa história. Após leitura e análise, os documentos foram divididos em sete categorias: Serviço de Orientação Educacional, Perfil dos Profissionais, Avaliação Psicológica, Atendimentos Individuais, Orientação Vocacional/Profissional, Intervenções Coletivas, e Material de Estudo. A história do serviço de psicologia escolar do CEPAE teve início em 1973 e, nos 40 anos da delimitação temporal dessa pesquisa, que vai até 2013, observamos que sempre houve psicólogos atuando na instituição. Esse serviço apresentou especificidades por funcionar dentro de uma universidade, como o fato dos psicólogos proporem projetos de pesquisa e de extensão. Mas também teve muitas semelhanças com a história da psicologia escolar brasileira, pois, por muitos anos, sua atuação foi marcadamente individualizante, com foco sobre os alunos. No Brasil, o movimento de crítica dentro da psicologia escolar se destaca na década de 1980, mas de acordo com os documentos pesquisados, esse movimento aparece no CEPAE, mais fortemente, na década de 1990. Apesar de o foco de atuação ter sido o aluno, foi possível observar que o serviço de psicologia escolar analisado sempre esteve presente em instâncias coletivas de atuação.
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O debate entre dois teóricos de grande relevância para a história da Psicologia da Educação Henri Wallon (1879-1962) e Jean Piaget (1896-1980) - é examinado, buscando identificar suas controvérsias e situá-las em seus respectivos contextos históricos e científicos no período entre 1920 e 1960, no qual ambos os autores disputavam a hegemonia no campo de conhecimento da Psicologia Genética francófona. Atenção especial é dada à controvérsia sobre a origem e formação da função simbólica, tendo em vista seu valor heurístico para a compreensão das semelhanças e diferenças entre as respectivas posições teóricas acerca do desenvolvimento do pensamento na criança e no adulto. Utilizamos da metodologia de estudo teórico e histórico para selecionar e analisar as fontes de pesquisa, nosso olhar sendo, preferencialmente, o da história internalista mas, por vezes, complementado com as perspectivas da história- construção e da história-crítica. Verificou-se que o debate Piaget Wallon foi marcado por uma dinâmica de descompasso entre as críticas e o estágio de desenvolvimento teórico de cada autor e, quando da explicação da passagem entre a inteligência sensório- motora ou das situações para o pensamento representativo, observou-se um deslocamento dessa temática para temáticas periféricas, tais como a continuidade ou não nesta passagem, o valor dos aspectos sociais, maturacionais etc. No que concerne à explicação sobre a gênese da representação, Wallon enfatiza o percurso que vai do corpo, da função tônica, das emoções, passando pelo simulacro e pela imitação. Já Piaget procura compreender esse processo como a complexificação dos esquemas sensório-motores e da dinâmica entre assimilação e acomodação, identificadas através da imitação e do jogo. Ambos o autores concordam que o surgimento da representação será a marca da presença de uma função simbólica, definida como a capacidade de evocar objetos ausentes através da representação mental, relacionando objeto real, signo e significado. Concordam, igualmente, que, para que se instale a função simbólica, será necessária a reatualização das experiências iniciais, que vão culminar nos esquemas sensório-motores ou na inteligência das situações, através de uma assimilação e acomodação dupla ou da sublimação da intuição espacial no nível representacional. Para ambos, há diferenças estruturais entre uma a inteligência prática e a inteligência representacional, mas há integração e preparação funcional. Diversos fatores explicam as discordâncias entre Piaget e Wallon ao longo de quase quatro décadas: objetivos, horizontes teóricos e objetos de interesse diversos em cada autor, ii problemas lingüísticos, etc. De modo especial, assinalamos que os programas de investigação protagonizados por cada autor eram diferenciados. O programa de pesquisa de Piaget visava a compreensão dos processos que permitem a construção progressiva do conhecimento no sujeito epistêmico, enquanto Wallon pretendia focalizar especialmente o sujeito psicológico em sua totalidade emocional e cognitiva. Em conseqüência, permanecerá o fato de Piaget e Wallon possuírem concepções diversas frente à representação. No primeiro ela é um aspecto do ato de conhecimento dirigindo- se, especialmente, para objetos do conhecimento e sendo instrumento desse processo cognitivo. No segundo é entendida como um elemento na interação com o outro, elemento carregado de emoção, visando mobilizar e aproximar-se do outro com fins de produzir um eu diferenciado e autônomo: a pessoa. A investigação do debate sobre a controvérsia da formação do pensamento simbólico serviu-nos de instrumento para um maior conhecimento das trajetórias singulares destes dois autores, esclarecendo um importante momento da história da Psicologia ainda pouco investigado. Acreditamos que tais conhecimentos possam nos ser úteis para entender suas idéias em outros campos e noutros contextos, como a Epistemologia e a Educação.
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Estudar a realidade brasileira, reconhecendo as especificidades de nosso país, foi uma das principais contribuições deixadas por Silvia Lane. Documentos primários no acervo A Psicologia em São Paulo , do Núcleo de Estudos em História da Psicologia (NEHPsi/PUC-SP), a par de suas publicações, permitiram a compreensão de um trabalho comprometido com as questões sociais, engajado em temas que expõem as dificuldades experienciadas pela população brasileira. A questão da indiferença expressa-se em grande parte da obra de Lane e reflete sua constante preocupação com a (des)construção de um caminho que, atrelado às ideias dominantes, expressa-se em práticas de exclusão e descaso. O presente trabalho tem por objetivo compreender a ênfase com que Lane se refere ao termo como necessário para conhecer as relações humanas. Assim, é por meio dos caminhos percorridos ao longo de sua vida acadêmica que a autora identifica a necessidade premente de uma reflexão crítica acerca do tema ora apresentado, reconhecendo, no trabalho do psicólogo, as condições para a construção de práticas que favoreçam movimentos de emancipação e de reconhecimento da alteridade
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A Psicologia no Brasil advém de contribuições heterogêneas para sua respectiva constituição, ao longo dessa jornada histórica, que influenciaram a conquista e o desenvolvimento da autonomia e regulamentação da profissão, por conseguinte, impactando na estruturação dos diversos campos de trabalho hoje existentes. Como são poucos os estudos e ações referentes à caracterização da profissão, e à saúde de psicólogas e psicólogos brasileiros, contar com a contribuição daqueles que estão atuando profissionalmente, se faz premente para entender a realidade do grupo ocupacional e os impactos da vida profissional nesses trabalhadores. Assim, a pesquisa objetivou: (i) apresentar antecedentes históricos que permitiram à Psicologia, ser-em-si, ciência e profissão no Brasil; (ii) descrever os impactos da constituição da ciência e da profissão na estrutura do trabalho em Psicologia; (iii) caracterizar o perfil sociodemográfico e ocupacional de psicólogas e psicólogos brasileiros; (iv) compreender os principais fatores psicossociais (de risco ou proteção) do trabalho em Psicologia no Brasil; e, (v) identificar as repercussões dos fatores psicossociais no trabalho e das características sociodemográficas na capacidade para o trabalho de profissionais de Psicologia no Brasil. O estudo foi conduzido no campo da Psicologia da Saúde Ocupacional e da abordagem da Psicossociologia do Trabalho, com método misto, por meio de revisões integrativas e estudos epidemiológicos. As análises quantitativas foram de corte transversal, com amostra da população de psicólogas e psicólogos Brasileiros, por meio da aplicação de protocolo online composto de três instrumentos (QSDO, COPSOQ e ICT). A tese foi construída em formato de artigos, sendo o primeiro uma revisão teórica para apresentar os caminhos desde a recepção e a percepção de saberes psicológicos até a constituição da regulamentação da Psicologia no Brasil. No segundo artigo foi realizada revisão integrativa para compreender o impacto desses caminhos na estrutura de trabalho na área – esses dois estudos apontaram que a Psicologia avançou e remodelou campos de atuação, ultrapassando limites da constituição original para atender demandas da sociedade. O terceiro artigo trouxe a caracterização do perfil sociodemográfico e ocupacional da profissão no Brasil, ressaltando a predominância feminina, uma média de idade superior a 41 anos, duas áreas de atuação com maior percentual de profissionais em ação: clínica e políticas públicas (social e saúde), e um crescimento constante do número de profissionais no Brasil. No quarto artigo, a investigação dos fatores psicossociais no trabalho em Psicologia no Brasil, destacou os principais fatores de risco à saúde: exigências quantitativas do trabalho, estresse, Burnout e conflito trabalho/família; e também fatores de proteção: possibilidades de desenvolvimento e significado do trabalho. Há diferenças nos fatores psicossociais entre Psicólogas/os Clínicos e Psicólogas/os Sociais e da Saúde. Por fim, o quinto artigo considerou as repercussões de características sociodemográficas e fatores psicossociais na capacidade para o trabalho, em profissionais de Psicologia no Brasil. Há alta autopercepção de capacidade para o trabalho, predominância de exigências mentais no trabalho, existem quadros de distúrbios emocionais leves e alergias, somados a afastamentos do trabalho, bem como maior capacidade para o trabalho nos participantes com mais de 45 anos. Ressaltou-se a necessidade de novos e contínuos estudos para investigar essas demandas, a fim de manter os profissionais da Psicologia saudáveis e produtivos, de modo a prolongar sua vida laboral com qualidade, e gerar fatores protetivos em sua capacidade para o trabalho. Intentou-se assim, criar uma base de dados para ações longitudinais e futuras comparações em estudos do campo da saúde ocupacional e sobre a Psicologia brasileira como um todo, considerando sua multiplicidade e as possibilidade de práticas simultâneas ou de redefinição de carreira dentro de especialidades da própria profissão, em que se possa, inclusive, mitigar os riscos desse trabalho e desenvolver políticas para a saúde e a qualidade de vida desses profissionais.
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Freud é frequentemente apontado como figura responsável pela “descoberta” ou “criação” do Inconsciente. Debruçando-se sobre o status questione da psicologia e filosofia no desenrolar e precedentes do século XIX nos países germanófonos, percebese que a questão do inconsciente é premente no interior de certos debates. O presente trabalho pretende estabelecer revisão bibliográfica panorâmica sobre os modos em que oconceito de inconsciente era utilizado nesse período, apontando diversas tradições nas quais o aparecimento da noção de inconsciente surge com propósitos distintos. A partir disso discute-se a noção de inconsciente em Freud, aspectos de sua concepção de ciência e o modo no qual sua obra se insere nesse contexto mais amplo, anterior, de discussão acerca do inconsciente. Identifica-se que a noção de inconsciente que perpassa as discussões no século XIX alemão são um desenvolvimento filosófico da polêmica entre determinismo e liberdade, com o inconsciente assumindo uma dessas duas posições: a de garantir a possibilidade de uma ciência determinista da psique ou a de garantir as condições de possibilidade para se afirmar a autonomia do sujeito. O presente trabalho analisa a teorização freudiana sobre o inconsciente, tendo esse contexto como panorama. Acreditamos ser importante para se discutir o lugar de Freud na história do desenvolvimento do conceito de inconsciente e o papel que este desempenha em sua obra
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Propomos construir uma cartografia do Sindicato dos Psicólogos do Estado do Rio de Janeiro, a partir das narrativas de pessoas que tiveram e/ou têm vínculos com este estabelecimento, além de pesquisa documental. As entrevistas foram realizadas com membros da antiga Associação Profissional de Psicólogos do Rio de Janeiro (1977) até os dias atuais (2010). Buscamos problematizar as forças macro e micropolíticas que atravessam este estabelecimento que “representa” os psicólogos em relação às questões trabalhistas e tem a função de “lutar por melhores condições de vida e de trabalho”. Pretendemos pensar este estabelecimento no qual perpassam várias forças constituintes e estão presentes diferentes instituições, acompanhando as implicações sócio-históricas e políticas por meio das linhas duras e flexíveis que participaram da sua formação (1962), do seu fechamento (1991) e da sua reabertura (1995). O objetivo é contribuir para a história da psicologia pensando algumas políticas e algumas práticas do Estado capitalista no contemporâneo que atravessam este estabelecimento. Além disso, problematiza-se a função que o psicólogo ocupa nesta engrenagem e como vai se articulando perante os entremeios de sua prática através da trajetória histórica de um de seus “representantes”. Foi utilizada a História Oral como metodologia e algumas ferramentas da Análise Institucional e da Filosofia da Diferença ao colocar em análise nossa implicação já que entendemos que o sindicato é também uma modulação de nossa profissão.
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Esta dissertação de mestrado teve como objetivo estudar o conceito de técnica nos trabalhos do psicólogo russo, Lev Semionovitch Vigotski (1896-1934), em obras publicadas entre os anos de 1924 e 1934, elucidando as relações que a técnica estabelece com o processo de desenvolvimento humano, seja por meio da arte, da relação com os meios de produção, da elaboração de técnicas externas (uso de ferramentas) direcionadas à ampliação da relação humana com o meio ambiente ou as técnicas internas (emprego de signos) direcionadas ao controle e ao aperfeiçoamento dos processos psíquicos. A totalidade das obras analisadas apresentam os atributos que possibilitam o que nós conceituamos por “Homo technicus vigotskiano”, a dimensão da técnica expressa de modo concreto na constituição da totalidade humana e no seu respectivo processo histórico de desenvolvimento. Tem-se em Vigotski uma “psicologia da técnica” alinhada aos preceitos materialistas e implicada na transformação da realidade concreta, alçando gradativamente o homem à novos modos de compreender o mundo e a sua própria existência.
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O objetivo desta pesquisa foi o de envestigar, em publicações realizadas por pesquisadores da Psicologia Sócio-Histórica e Educacional, quais as contribuições da Psicologia Sócio-Histórica a essa área. A pesquisa, de cunho bibliográfico, delimita como corpus de análise as produções do período de 2000 a 2005 de duas associações representativas da pesquisa na Psicologia Escolar/Educacional: a ANPEd e a ANPEPP. Constituem-se como objeto deste estudo, os grupos que têm assumido a fundamentação teórica da abordagem Sócio-Histórica, em especial a de Vygotsky e seus colaboradores, Luria e Leontiev. É do interesse desta pesquisa responder as seguintes perguntas norteadoras: a0 Como a Psicologia Sócio-Histórica é entendida nos vários trabalhos de pesquisa apresentados? b) Como a Psicologia Sócio-Histórica se articula com a análise de processos educacionais, quer nas pesquisas de cunho teórico quer nas pesquisas de campo? O levantamento bibliográfico identificou resumos e trabalhos na íntegra. A análise de conteúdo incidiu sobre onze textos completos na ANPEd e sobre vinte e um resumos da ANPEPP. Os resultados mostram uma significativa presença da abordagem Sócio-Histórica evidenciada pelo número de trabalhos, pelos autores, pela explicitação dos pressupostos teóricos e epistemológicos da abordagem. Mostra-se também a maneira explícita como os fenômenos psicológicos se articulam aos processos educacionais, evidenciando uma tendência de não separação entre a teoria e a prática e entre a Psicologia e a Educação. Palavras- chave: Psicologia Sócio-Histórica; Psicologia Escolar; Psicologia Educacional; ANPEd; ANPEPP
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Nesta pesquisa, construo uma narrativa sobre o laboratório de psicologia da Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, em São João del-Rei, entre 1953 e 1971, descrevendo-o como dispositivo. O dispositivo é uma rede composta de elementos discursivos e não-discursivos com função estratégica na delimitação de um campo do conhecimento, é um espaço de produção de discursos e gerador de redes sociais. O arquivo investigado é construído com correspondências, fotografias, registros contábeis, relatórios, livros de crônicas, laudos, aparelhos psicológicos e seus manuais. As fontes foram recolhidas no Centro de Documentação e Pesquisa em História da Psicologia, em São João del-Rei, e no Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa, em Barbacena, Minas Gerais. Na construção da narrativa, atento-me aos contextos de partida e de chegada dos aparelhos que compuseram o laboratório são-joanense. O contexto de partida é marcado pela institucionalização e difusão da psicologia experimental e pela emissão de documentos pontifícios que valorizam seu estudo em faculdades católicas. O contexto de chegada se caracteriza, no cenário nacional, pela aplicação da psicologia para a orientação e resolução de problemas de ordem psicopedagógica e, localmente, pela ação salesiana e pela aspiração de modernidade presente na cidade mineira. Os aparelhos foram adquiridos de instituições católicas da Itália e representam a psicologia experimental de tradição fisiológica, dedicada à percepção e à sensação. No laboratório são-joanense, a utilização desses aparelhos exemplifica a aplicação de um projeto científico de psicologia para a resolução de problemas escolares, a seleção profissional, a avaliação psicológica e os atendimentos clínicos individuais. Narro os antecedentes e o processo de compra e instalação do laboratório são-joanense: em 1955, a instalação do laboratório dinamizou os serviços de psicologia da faculdade salesiana. Em 1958, possibilitou a criação do Instituto de Psicologia e Pedagogia. Descrevo as denominações atribuídas a ele, os espaços ocupados, as finanças, as equipes e as redes sociais que perpassaram o dispositivo, ao longo do anos 1960. Em 1971, o laboratório é declarado obsoleto em correspondências internas, sobrepujados pela influência do referencial teórico estadunidense, fundamentado na teoria do comportamento operante. Sugiro a realização de novos estudos, para conhecer a história do laboratório a partir dos anos 1970 e aprofundar temáticas não focalizadas neste trabalho.
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O presente trabalho teve como objetivo investigar a história da Psicologia entre as décadas de 1930 e 1960 em São Paulo a partir da construção da trajetória profissional de Gioconda Mussolini. A metodologia consistiu na realização de entrevistas e conversas com participantes que, na época, foram estudantes e docentes no Curso de Psicologia da FFCL/USP, no levantamento e análise de documentos de domínio público colhidos nos centros de memória das instituições das quais Gioconda Mussolini participou. A relação dessa personagem com a Psicologia foi sendo construída desde sua formação e atuação profissional. Gioconda Mussolini foi professora normalista, bacharel em Ciências Sociais e Política na FFCL/USP e mestre em Ciências Sociais pela ELSP. Atuou como professora assistente de Sociologia e Antropologia na FFCL/USP, onde ministrou a disciplina Personalidade e Cultura para alunos do recém criado Curso de Psicologia. Foi membro-fundadora da antiga Sociedade de Psicologia de São Paulo, onde conviveu com personagens marcantes da história da Psicologia como Annita Cabral, Noemy da Silveira Rudolfer, Aniela Ginsberg e Virgínia Bicudo. Gioconda Mussolini teve acesso às mais variadas teorias, temas e bibliografias em Psicologia durante sua formação. Aplicou conceitos psicológicos, como personalidade, em seu trabalho docente e em suas pesquisas e publicações. Em suas publicações observou-se a utilização de conhecimentos provenientes da história, da geografia, da sociologia e da psicologia (sentimentos, motivação, atitudes, valores) para analisar as alterações produzidas no contexto da atividade pesqueira e de suas comunidades. Apesar de Gioconda Mussolini não figurar como um dos grandes nomes da Psicologia e/ou da Antropologia, o conhecimento sobre sua trajetória profissional e de suas produções permite identificar apropriações e interfaces da psicologia com outras ciências, proporcionando outras possibilidades de construção da história desta ciência.
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O presente trabalho tem como objeto de pesquisa a Casa do Índio, instituição criada em 1968, pela Fundação Nacional do Índio (Funai), localizada na Ilha do Governador, no Estado do Rio de Janeiro, com a finalidade de acolher indígenas que buscavam tratamento de saúde e apresentavam algum tipo de transtorno mental. A referida Casa foi a primeira de, aproximadamente, quarenta instituições para acolhimento dos indígenas, organizadas no período da ditadura militar no Brasil, vindo, posteriormente, a serem readequadas como Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casais), através da Portaria nº 1.801/2015, passando a compor o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena organizado a partir da lei nº 9.836 de 1999. Atualmente, existem espalhados pelo território brasileiro cerca de 66 Casais, sendo que no período da ditadura foram organizadas mais de 30 Casas do Índio. O objetivo da pesquisa é analisar como a Casa do Índio através da liderança de sua fundadora, a funcionária da Funai Eunice Cariry, se constituiu como um espaço de controle psicossocial de indígenas no período da ditadura empresarial-militar. Considera-se que a pesquisa sobre a Casa do Índio se configura no campo da Psicologia Social, visto que o referido lugar se desvela como um dispositivo onde indígenas, que se dirigiam à cidade, eram abrigados, esquadrinhados, classificados e capturados em uma trama de controle. A Casa do Índio na Ilha do Governador constitui, pois, um espaço importante também para a história da psicologia, visto ser organizada como um recinto de controle das condutas de indígenas no referido período. A perspectiva teórico-metodológica do presente trabalho está inserido no campo da historiografia, mais especificamente de uma história local, feita através da história dos dispositivos de controle psicossocial de índios. Em especial através dos referenciais metodológicos de Michel de Certeau e Kurt Danziger, que permitem considerar os riscos que interditam certos objetos de pesquisa, bem como apontam os caminhos para perceber sobre a formação de uma história da psicologia local e contra-hegemônica A Casa do Índio tem sido um espaço ignorado pela história oficial enquanto local em que uma página acinzentada dos saberes psi foi escrita e continua viva, pois se mantém em pleno funcionamento em uma limbo jurídico entre a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria Especial da Saúde Indígena (SESAI) e a fundadora da Casa, Eunice Cariry, em função desta questão o marco temporal da pesquisa é o ano de 1968 quando a instituição foi criada até os desdobramentos de sua transferência da Funai para a SESAI através da Lei. A pesquisa teve como principais fontes os documentos encontrados tanto através dos registros na imprensa, utilizando para esta finalidade a Hemeroteca Digital Brasileira, mas foi feito uso também dos documentos encontrados no Serviço de Gestão Documental da Funai ( Sedoc) em Brasília que arquiva documentos desde a criação da Funai em 1976. Considerando que Eunice Cariry foi uma personagem chave na criação da instituição, uma visita foi realizada na Casa do Índio para entrevista-la e conhecer a Casa. A análise empreendida sobre este espaço destinado ao asilamento de indígenas permitiu verificar história da psicologia na Casa do Índio e história da Casa do Índio na psicologia, visto que a relação entre índios e a psicologia tem se desenhado em contornos mais amplos do que apresentados pelos relatos oficiais.
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Os manuais de puericultura tiveram um papel importante na educação de mães e futuras mães brasileiras (principalmente as de classe social mais abastadas), que contavam com a orientação em diversas áreas: alimentação, principais cuidados de higiene com o bebê, principais doenças da infância e também aspectos relacionados ao comportamento e à educação dos filhos. O "Psychological Care of Infant and Child" (Watson & Watson, 1928) que foi o primeiro livro de Behaviorismo traduzido para o português brasileiro, publicado no país em 1934 e em 1941, tratava sobre a temática de criação de filhos. Esse trabalho visa avaliar a recepção das traduções do Psychological Care no Brasil e o impacto que essa obra teve na puericultura brasileira na primeira metade do século XX. O trabalho foi dividido em dois estudos. No primeiro apresentamos uma análise histórica do contexto do surgimento dessa tradução bem como algumas características do texto traduzido. Condições sociais responsáveis pelo desenvolvimento da puericultura, mudanças no mercado editorial brasileiros derivadas da crise de 1929 e o estabelecimento de uma cultura de educação de pais parecem ter promovido o investimento na tradução do livro e sua divulgação no país. Apesar dessa tradução ocupar uma posição privilegiada para a disseminação do Behaviorismo no Brasil. Problemas na tradução e eventuais avaliações críticas do autor do prefácio e das notas de tradução parecem ter entregado um livro menos behaviorista que seu original. No segundo estudo avaliamos se houve - e qual foi - o impacto da tradução do Psychological care em manuais de puericultura no Brasil, em meados do século XX. Identificamos que, a despeito dos problemas encontrados na tradução do livro e das críticas feitas pelo comentarista e escritor do prefácio, os conceitos e termos behavioristas do livro dos Watson foram influentes em manuais de puericultura no Brasil entre as décadas de 1930 e 1960, em especial, naqueles que abordavam aspectos psicológicos e comportamentais da criação de filhos.
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