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  • O presente artigo aborda o mito da origem da liberdade em Nise da Silveira a partir de histórias de sua infância, de seu apelido Caralâmpia - inspirador de Graciliano Ramos para compor A Terra dos Meninos Pelados - e de seu nome, retirado dos sonetos de Cláudio Manuel da Costa. As originais contribuições de Nise da Silveira no campo da saúde mental passam a ser vistas pelos grupos que dela se aproximaram como frutos de sua genialidade, encontrando explicações nos relatos autobiográfi cos de Nise da Silveira, consagrados por seus (per)seguidores. O campo da saúde mental no Brasil abrange dois períodos: o da campanha prómanicomial, de 1829 até as primeiras décadas do século XX; e o da campanha antimanicomial, que tem seu marco inicial no Movimento de Trabalhadores de Saúde Mental, em 1978. Entre um movimento e outro, os trabalhos desenvolvidos nas décadas de 1930, 40 e 50 do século XX fi cam esquecidos e os autores desse período passam a ser designados pioneiros, instaurando uma variante da busca do mito das origens.

  • O artigo analisa a influência das concepções tradicionais da Psicologia nas falas de educadores e alunos sobre o fracasso escolar na atualidade. Para tanto, faz uma breve revisão da psicometria e da teoria da carência cultural como representantes da concepção ideológica que centra no indivíduo e no "ambiente" as causas do fracasso. Posteriormente, analisa criticamente trechos de entrevistas com educadores e alunos de uma escola pública municipal, ilustrativos da repercussão dessa concepção, em suas diversas nuances, no pensar e fazer pedagógico. Por último, reflete sobre as aproximações e rupturas da Psicologia com a ideologia, apresentando os princípios da Psicologia Histórico-cultural e sua contribuição à compreensão dos fenômenos escolares.

  • Este artigo persegue o conceito de consciência na obra de Vigotski, o principal problema de sua psicologia. Resume a importância do contexto sociopolítico da União Soviética para o desenvolvimento de sua teoria, que se iniciou com influências da reflexologia e do pavlovismo, integrando progressivamente os amplos conhecimentos do autor (nas artes, na filosofia clássica e marxista) até a neuropsicologia e a psicologia experimental. Através da leitura de trabalhos produzidos de 1924 a 1934, este artigo revisa as ocorrências semânticas da palavra consciência, identificando seus fundamentos monistas e materialistas, extraindo seus sentidos principais e incluindo o conceito no enfoque histórico-cultural. O conceito é desmembrado em suas três acepções basilares (processo de tomada de consciência da realidade externa e interna; atributo de conteúdos e processos psicológicos; sistema psicológico) que se articulam, produzindo um dos fundamentos da psicologia geral vigotskiana e articulando neuropsicologia, ética e ontologia.

  • O presente artigo tem como objetivo discutir as modificações nas formas de compreensão e de enfrentamento da loucura na passagem do Império para a República, levando-se em conta a influência das teorias raciais importadas da Europa a partir de 1870. A adoção desses modelos teóricos cumpriu uma série de funções sociais e políticas referente a um projeto de nação. Neste contexto, as manifestações da loucura passaram a ser associadas à doença, à degeneração e ao risco e sofreram variadas medidas de opressão justificadas "cientificamente". Até hoje, as interpretações científicas do problema da "doença mental" continuam localizando a enfermidade no paciente. Ao reduzir a doença e a sua causa a uma problemática exclusivamente pessoal, sem que se considere o contexto socioeconômico e político da sua emergência, estas explicações configuram-se como ideologia.

  • Apresenta-se o trabalho pioneiro no Brasil, na área da Psicologia Social, de Dante Moreira Leite, consignado em três obras: O Caráter Nacional Brasileiro, Psicologia Diferencial e Psicologia e Literatura. Nessas obras examinam-se em particular os tópicos relações interpessoais, caráter nacional e vinculações entre Literatura e Psicologia. Apresentam-se também, brevemente, o Autor em suas atividades de professor, pesquisador, escritor, tradutor e administrador acadêmico.

  • A repercussão do movimento fenomenológico na história da psicologia pode ser notada pelas persistentes tentativas de transposição do caráter eidético da fenomenologia para a análise sistemática de empiria. Nesse sentido, o conceito de redução fenomenológica, descrito pelo filósofo Edmund Husserl (1859-1938) e operacionalizado para a pesquisa psicológica, foi retomado como meio para investigar as tentativas de transição entre filosofia e psicologia. A revisão inclui três modelos de transposição metodológica, a saber: psicologia empírico-fenomenológica, fenomenologia experimental e neurofenomenologia. O trabalho enfatiza as diferenças epistemológicas entre modelos hermenêuticos e naturais no trabalho com dados de primeira pessoa. Conclui-se que um aprofundamento das discussões sobre as influências da fenomenologia à ciência psicológica seria oportuno e viável através do estudo da história desta intersecção.

  • A elaboração inicial do conceito de condicionamento operante e do delineamento experimental de sujeito único define as bases do sistema explicativo skinneriano em meados de 1930. Todavia, essas formulações não foram imediatamente aceitas. Com o objetivo de compreender os motivos envolvidos nesse episódio da história inicial da Análise do Comportamento, discutimos três eventos históricos, quais sejam: a) as dificuldades enfrentadas por Skinner após o seu pós-doutorado; b) a recepção ao seu primeiro livro, The Behavior of Organisms; c) a disputa com outros modelos explicativos do comportamento. Uma história constituída por determinantes de natureza motivacional, institucional, emocional, econômica e pelas dificuldades de ir na contramão de tendências dominantes na Psicologia Experimental norte-americana é o que se conclui na presente investigação.

  • Por clínica fenomenológica define-se a influência do método de Husserl nos tratamentos psicológicos. A presente exposição aborda: (1) a filosofia do conceito de existência, definida como cuidado de si, e de método fenomenológico, definido como estudo da consciência; (2) as polêmicas transformações sofridas pelo método fenomenológico para a análise da existência; e (3) a extensão da análise da existência para a psicoterapia como clínica fenomenológica. O estudo contrasta descrições do processo terapêutico existencial entre 1958 e 2007. Quanto às evidências empíricas, a resistência tradicional ainda é presente, mas com certa abertura. Aliás, os resultados das pesquisas são favoráveis. Nessa história, o método fenomenológico vem perdendo foco e a análise existencial movendo-se para uma abordagem psicoterapêutica mais integrada.

  • O presente artigo discute alguns elementos históricos da relação entre Psicologia e Educação no Brasil, enfatizando sua dimensão prática e teórica. Ou seja, apresenta a Psicologia Escolar e os fundamentos que subsidiam essa prática, assim como a produção intelectual decorrente. Ao mesmo tempo, discute os limites e dificuldades presentes nesse processo durante os últimos 20 anos, indicando a importância da área no cenário político social brasileiro e suas direções futuras.

  • O presente trabalho procura desenvolver uma reflexão crítica sobre o processo de condenação do magnetismo animal. Partindo de uma crítica às versões lineares e progressistas da história da Psicologia, nas quais o magnetismo é excluído ou pouco explorado, o artigo busca atingir dois objetivos. Primeiramente, questionar alguns dos pressupostos típicos das versões históricas dominantes, como a idéia de que o magnetismo não teria resistido às exigências da metodologia científica. Em segundo lugar, oferecer uma alternativa de compreensão deste processo calcada na idéia de que a rejeição ao magnetismo animal ocorreu, em parte, devido à oposição de princípios epistemológicos existente entre este e o projeto moderno de ciência. O artigo é concluído destacando o caráter acidental do nascimento do espaço psicológico a partir desta condenação, a diversidade de razões nela presentes e questiona a noção de progresso típico ao projeto moderno de ciência que inspirou o nascimento da Psicologia.

  • O trabalho de Watson sobre o pensamento foi tratado inadequadamente por muitos intérpretes, gerando uma lacuna na interpretação histórica visto que Watson exerceu ampla influência sobre a Psicologia. Nosso objetivo é sanar parte deste problema esclarecendo as principais posições de Watson sobre pensamento. Nossa hipótese é que a teoria watsoniana sobre o pensamento como hábito é uma forma de referencialização materializante influenciada pela desmetafisicização do pensamento Ocidental proveniente do Iluminismo. Admitimos que a teoria de Watson reproduziu premissas do erro de categoria cartesiano. Assumimos também que a prioritária associação entre pensamento e linguagem watsoniana denuncia influências indiretas da tradição filosófica grega clássica.

  • O texto da história da psicologia é um intertexto e o método de pesquisa dessa disciplina dirige-se para a elucidação desse intertexto. O historiador da psicologia trata com textos de psicólogos, filósofos e historiadores das culturas e das idéias. Começa investigando um texto de um psicólogo e aprofunda e amplia seu exame com o estudo de textos filosóficos e históricos que freqüentemente permanecem silenciosos no texto do psicólogo. Seguindo esse método, narra as reconstruções racionais (as analogias conceituais entre o texto do psicólogo e o pré-texto filosófico) e as revoluções psicológicas (ao inserir as reconstruções racionais nos seus contextos cultural e intelectual) que constituem o memorial da psicologia. Os casos Wilhelm Wundt por Kurt Danziger, e Edward C. Tolman por Laurence Smith são apresentados para ilustrar concretamente nossa caracterização da história da psicologia; e, também, para mostrar como escorregos e omissões intertextuais conduzem a equívocos e simplificações surpreendentes, que não poupam os melhores historiadores.

  • Wertheimer realizou um experimento que era explicado seguindo-se fatores holísticos gestálticos, e isto há mais de noventa anos. Apesar disso, estudos recentes demonstram a vivacidade desse tipo de explicação. Basicamente, ao se observar coisas do mundo, observa-se suas formas ou melhor suas Gestalten. A seguir, pode-se dividir essas Gestalten em partes. Porém cada parte será sempre parte daquela Gestalt que lhe deu inicio e não um elemento constituinte básico. A teoria da Gestalt não é exclusivamente psicológica, como o demonstraram principalmente Wertheimer, Köhler e Koffka. Iniciou-se com um experimento sobre a visão de movimentos correspondendo a estímulos estáticos, mas continuou propondo-se inclusive, de um lado, uma Gestalt física formada da corrente elétrica gestálticas dentro de um condutor ou, de outro, uma Gestalt sociológica formada de muitos seres humanos, como o dançar de pares ao som de um samba realizado por um grupo de músicos.

  • Trata-se de uma revisão dos textos psicossociais citados por Freud em Psicologia de massas e análise do eu. O objetivo é propor ao leitor algum conhecimento desses textos que já se perdem no tempo. São referidos textos de Wilfred Trotter, William MacDougall, Gustave Le Bon e Gabriel Tarde. Alude-se também a Durkheim, autor não citado por Freud, mas cuja referência permite contrastar uma visão psicologizante do fenômeno social, que é a de Freud e dos autores que ele cita, com um aporte em que o social é visto como independente do psicológico.

  • A ocupação de lugares acadêmicos e institucionais denota a expansão da Análise do Comportamento, entre as décadas de 1940 e 1950. Todavia, é a partir desse momento que a imagem de isolamento da ciência skinneriana é difundida entre adeptos e críticos da área. Neste artigo, esse ambíguo cenário foi analisado por meio do exame histórico da fundação do primeiro periódico da Análise do Comportamento: o Journal of the Experimental Analysis of Behavior (JEAB). O argumento apresentado é de que a fundação do JEAB denota episódio emblemático de um fenômeno perene na história da Análise do Comportamento, a saber, sua ininterrupta expansão institucional e científica seguida de sua crescente representação de isolamento na comunidade científica.

  • O artigo propõe uma revisão teórica da contribuição de C. G. Jung na história da psicologia e no rol das ciências humanas. O percurso adotado desenvolve o conceito de equação pessoal e a relevância do mesmo na teoria sobre os tipos psicológicos. Elucida, ainda, como esse pressuposto se insere em uma epistemologia e método da psicologia analítica, a partir dos princípios formulados por Jung. Conclui-se que o fazer nas ciências humanas, sob o prisma desse enfoque, está atrelado a um método que respeite a subjetividade do pesquisador e a integridade do sujeito de pesquisa, imbuído de princípios epistemológicos, tais como estrutura da psique, finalismo e sincronicidade e permeado por uma linguagem simbólico-metafórica que reúne imagem e palavra em narrativas de significado.

  • A Neuropsicologia se concentra em disciplinas oriundas da interface entre a neurociência e a psicologia cognitiva, e sua pesquisa converge da relação entre o cérebro e o comportamento. Como se tem observado em diversos centros de referência no Brasil, a difusão da Neuropsicologia vem ocorrendo de maneira vertiginosa, embora o estabelecimento de diretrizes de educação e treinamento ainda se encontrem despadronizados. O presente artigo descreve o desenvolvimento histórico da Neuropsicologia, enfocando seus fundamentos teóricos e metodológicos, sua condição regulatória atual, além de perspectivas futuras na criação de diretrizes para capacitação profissional. Pesquisas vêm demonstrando uma tendência em caracterizar a atividade do neuropsicólogo nos mais diversos locais nos quais a neuropsicologia é ensinada, praticada e difundida. No Brasil, faz-se necessária uma taxonomia acerca do ofício do profissional especialista em neuropsicologia, seja em relação à sua formação ou sua atuação profissional.

  • Este trabalho tem como objetivo principal apresentar uma história da Psicologia Social no Rio de Janeiro no período compreendido entre as décadas de 60 e 90. Iniciamos este trabalho discutindo a crise no campo da Psicologia Social que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos a partir de meados dos anos 60. No Brasil, a crise começou a ter desdobramentos apenas na década de 70. Iniciava-se a crítica a Psicologia Social cognitiva norte-americana e a busca de novas teorias, metodologias e interlocutores no campo da Psicologia Social. No Rio de Janeiro, o principal representante desta perspectiva foi Aroldo Rodrigues. Sua principal opositora foi Silvia Lane. Em Minas Gerais, O Setor de Psicologia Social foi outro importante eixo de oposição. Ao longo da tese, buscamos compreender como alguns enunciados presentes nos anos 60 e 70, entre os movimentos de resistência como o CPC da UNE, o Tropicalismo e a Teologia da Libertação, como crítica e alternativa aos ditames positivistas. Era necessária uma Psicologia Social que permitisse pensar a realidade social brasileira. As categorias universalizantes da Psicologia Social norte-americana, que pensavam o homem fora da história e da cultura, passaram a ser objeto de crítica. Como afirmamos, buscamos apresentar uma história da Psicologia Social no Rio de Janeiro no período histórico já definido anteriormente. Para isso, além do levantamento de referências sobre o tema fizemos entrevistas com vários dos personagens que participaram desta mesma história, como professores, pesquisadores e alunos.

  • A Epistemologia Genética de Jean Piaget é uma das teorias mais importantes acerca do conhecimento. Esta teoria tem influência determinante nos sistemas de educação pública de diversos países, incluindo o do Brasil. Apesar da grande quantidade de publicações sobre os mais diversos aspectos desta teoria, é bem menor o volume de trabalhos sobre sua história, e menor ainda sobre a formação de seu método de pesquisa, o Método Clínico. A presente pesquisa tem por objetivo mostrar o início da gênese do método de Piaget, especialmente no período entre 1920 e 1922. Para tal, foram localizados os protocolos de pesquisa do próprio Piaget disponíveis nos Archives Jean Piaget, em Genebra. Os documentos foram fotografados e analisados, o que inclui sua leitura e identificação das informações mais relevantes. Os dados obtidos foram convertidos em resumos, quadros e gráficos. A narrativa construída para mostrar a forma como Piaget construiu seu método é baseada nos pressupostos teóricos propostos por Bruno Latour e a Teoria Ator-Rede. Nele, são recusadas histórias que tomam o cientista por herói ou a submissão de seus trabalhos a meros constrangimentos sociais, para produzir uma história onde humanos e não-humanos tem uma ação, e é a ação destes que compõe a história da gênese do Método. A análise dos protocolos permitiu a divisão do intervalo entre janeiro de 1920 e dezembro de 1922 em três partes. No primeiro período, ainda trabalhando em Paris, Piaget utiliza os resultados obtidos da padronização francesa do teste de Burt, uma tarefa designada a ele por Simon, para obter novos dados sobre o raciocínio. No segundo período, Piaget inicia a modificação de testes e provas psicológicas correntes à sua época para expandir suas pesquisas, se valendo de um novo inquérito já semelhante ao que seria utilizado no Método Clínico. No terceiro período, que se passa integralmente em Genebra, Piaget tem uma explosão criativa com vários métodos originais. Neste período também se observa um direcionamento de pesquisa muito mais claro e preciso. O trabalho conclui que são necessários mais estudos para a utilização dos pressupostos filosóficos da Teoria Ator-Rede nos estudos em história da psicologia, que Piaget foi fortemente influenciado pelo contato com o teste de Burt, o que possibilitou ao genebrino aliar seus estudos sobre lógica e as técnicas de observação que aprendera em seu treinamento como biólogo com a psicologia experimental, e que estas alianças permitiram a criação do Método Clínico. Este, por sua vez, é resultado de uma incorporação acumulativa de técnicas, tanto originais quanto adaptadas, desenvolvidas por Piaget ao longo de um tempo de maturação.

  • Esta pesquisa busca traçar as rotas pelas quais deu-se a incorporação de categorias psicológicas na construção histórica da infância criminalizada no caso brasileiro. Ao reconstruir este percurso, defende-se a tese de que a emergência de determinados saberes psicológicos no Brasil foi estruturante nessa construção no período analisado, que compreende a Primeira República. Sob essa premissa, é analisado o lugar de categorias psicológicas na constelação que demarcou o discurso sobre a infância criminalizada, pretendendo-se assim apontar marcas da sedimentação de tais categorias. Para tanto, foi necessário investigar como o controle social de numerosas crianças gerou uma norma própria ao grupo classificado como objeto de ciência. A pesquisa indicou que o objeto “infância criminalizada não é unívoco ao ser delineado nas sentenças jurídicas, nas medidas policiais, no diagnóstico psiquiátrico ou nos projetos pedagógicos. Procurou-se descrever a dispersão desses objetos durante a Primeira República, apreender os interstícios que os distinguem e apontar o jogo múltiplo de categorias psicológicas nessa dispersão. Nesse rumo, procurou-se também enfatizar em que medida o discurso psicológico foi permeável a opções filosóficas ou morais, e atravessado radicalmente pela prática política.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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