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O texto descreve a trajetória de Jean Piaget e sua contribuição em três importantes institutos de estudo da psicologia. São eles: o Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR), Bureau Internacional de Educação (BIE), e o Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). No primeiro, as pesquisas de Piaget contribuíram para o conhecimento dos estágios do pensamento da criança, além de ter sido o responsável pela transformação de instituto em uma instituição puramente científica e, atuando como diretor, ter separado a psicologia da pedagogia. No segundo, Piaget mostra-se como um pesquisador engajado politicamente. O CIEG, por fim, foi uma criação do próprio Piaget, sendo um lugar de intercâmbio de informações de especialistas de diversas áreas visando o aprofundamento em pesquisas e estudos. É neste instituto que Piaget conclui, finalmente, sua teoria. O texto também aborda as mudanças ocorridas em cada um desses institutos, em relação tanto à estrutura quanto aos objetivos principais, ao longo dos anos.
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O artigo apresenta uma entrevista realizada com uma paciente do Instituto Municipal Philippe Pinel a partir da experiência de desinstitucionalização de pacientes de longa permanência nesta instituição. Traz um pequeno histórico da História Oral, apresentando-a como uma metodologia de pesquisa primordial de resgate de narrativas esquecidas dos pacientes há muito institucionalizados. Neste âmbito, a História Oral promove a valorização dos relatos daqueles que vivenciam o processo de mortificação promovido pelo manicômio. Conclui utilizando noções trazidas por Bourdieu, Basaglia e Foucault, de modo a potencializar as narrativas fragmentadas, a encontrar na instituição o poder de mortificar e, sobretudo, a reconhecer a resistência que encontramos à cronificação, por parte do pacientes “institucionalizados”.
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Contrariando o modo como se costumava pensar na psicologia clássica, veremos que o afeto não é apenas um colorido que se acrescenta ao agente cognitivo, mas o próprio formador do sujeito, enquanto afecção de si por si. Em suas pesquisas sobre a consciência, Francisco Varela se depara com um domínio pré-pessoal, coexistente aos fluxos de consciência enquanto tal. Esse domínio, que é o das tonalidades afetivas, se cola à própria subjetividade. O afeto como nível pré-reflexivo faz parte de uma dinâmica, denominada por Varela e Natalie Depraz ‘dinâmica da dobra’. Essa dinâmica opera uma transição do nível pré-reflexivo ao reflexivo, do pré-atento ao atento, do pré-egológico ao egológico. Essa dobra possui um duplo eixo, um que se baseia na emergência da reflexão nela mesma e que conduz ao conteúdo cognitivo; outro que se baseia na auto-afecção e que conduz a predisposições básicas e a uma gama específica de emoções. A auto-afecção será atravessada pela alteridade, sendo, a valência afetiva, a manifestação mais imediata dessa alteridade, e que dará nascimento a disposições básicas. Desse modo, é o afeto que funda a cada momento a emergência da consciência. Há nesse ponto de vista uma avaliação primordial constitutiva da experiência e não uma neutralidade primária.
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No Brasil, a partir dos anos 70, percebemos uma crescente mobilização por parte dos trabalhadores em saúde mental e de familiares de usuários de serviços psiquiátricos em prol de modificações na assistência aos que passam pela experiência da loucura. O projeto de lei 3.647/89 do Deputado Paulo Delgado propunha a saída dos internados dos hospitais psiquiátricos, promovendo a extinção progressiva dos manicômios. Em 2001, foi aprovado um substitutivo a este projeto, a lei 10.216, dispondo sobre os direitos de portadores de transtornos mentais. Mesmo não contemplando integralmente o projeto inicial, esta lei e outras políticas públicas em saúde mental têm avançado na implementação de serviços substitutivos ao internamento asilar, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT). As atividades, o convívio com os internos e demais serviços substitutivos levaram à implementação de residências para egressos de hospitais psiquiátricos antes mesmo da aprovação da lei em âmbito nacional e da Portaria Ministerial nº 106/00, que regulamenta os Serviços Residenciais Terapêuticos. Em Campinas/SP, por exemplo, a primeira residência para pacientes psiquiátricos foi inaugurada em 1991. O processo de Reforma Psiquiátrica brasileiro visa a desinstitucionalizar a loucura, ou seja, a extinguir a lógica manicomial vigente, mesmo fora dos muros asilares. Nesse sentido, não basta acabar com os manicômios; é importante trabalhar no sentido de permitir que os loucos transitem e utilizem espaços outrora a eles proibidos: parques, ruas, lojas, etc, ou seja, desmanchar todo e qualquer preconceito e isolamento em relação aos que passam pela experiência da loucura, desmontando também os “manicômios invisíveis”.
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Este trabalho procura analisar historicamente o conceito de infância no Brasil e como a representação infantil passou de um papel secundário no sistema colonial a foco das preocupações no século XIX, através da atuação dos médicos higienistas. A partir da análise das teses de doutoramento da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro que discorrem sobre a criança, produzidas no período de 1832 a 1930, procuramos investigar de que maneira a construção e disciplina do corpo infantil se refletem no desenvolvimento de uma ciência psicológica. Neste percurso, deparamo-nos com discussões sobre temas que englobam não apenas o corpo, mas também a compreensão da alma infantil, sob a influência do paradigma científico e das teorias evolucionistas vigentes à época. Além disso, associada à imagem infantil, também encontramos a importância da mulher - enquanto mãe e ama - como mantenedora da família, constituindo uma nova moldagem também da figura feminina.
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The first laboratories of psychology established in Brazil were organized in the early twentieth century by professionals trained in medical schools or in education. These laboratories, linked to mental health hospitals or to normal schools, followed guidelines suggested by Edouard Claparède, from the Laboratory of Psychology of the University of Geneva, and by Alfred Binet, from the Laboratory of Psychology of the University of Paris (Sorbonne). Besides replicating experimental studies done in Europe, their purpose was to study the psychological characteristics of the population attended by the mental health or educational systems. The themes explored by the researchers were the comparison of psychological processes in normal and mentally troubled individuals, or the study of the mental development of school-age children. The meaning of the word "laboratory" became associated with applied psychology, and with the adaptation to the Brazilian population of mental tests elaborated in other countries (mainly in France). Around the 1940s and 1950s, with the establishment of the teaching of psychology in higher learning institutions, research in the area expanded. Two authors are mainly responsible for this expansion: Lourenço Filho (1897-1970), and Helena Antipoff (1892-1974). Their work, still inspired by Claparède and Binet, contributed to the development of important lines of research in psychology in Brazil, with a lasting influence on subsequent generations of psychologists. From the 1960s onwards, with the regulation of the profession of psychologist, formal university programs increased strongly, and, in the 1980s and 1990s, a comprehensive system of graduate programs in psychology was established, contributing to the professionalization of research in the field.
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Este artigo discute concepções sobre o ser humano e sobre a sociedade difundidas pelo jornal religioso Selecta Catholica, editado por D. Antônio Ferreira Viçoso, publicado no estado de Minas Gerais, Brasil, nos anos de 1846 e 1847. O jornal, entendido como estratégia para educação da população, tinha os objetivos de reformar costumes, promover a fé católica e combater idéias materialistas, panteístas e racionalistas, estas vistas como origem de enfermidades e de violência social. Em contraposição a esses ideais, encontramos a idéia de ser humano como pessoa, definido como corpo individual e social, sendo a sociedade concebida de forma análoga como pessoa moral.
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O presente artigo apresenta uma reflexão epistemológica relacionando a fenomenologia às ciência humanas, com particular atenção à ciência psicológica. Apresenta a estrutura da pessoa humana em suas diversas dimensões (corpo, psique e espírito) bem como em sua intersubjetividade constitutiva, reveladas pela análise das vivências. Propondo-a como estrutura do sujeito do conhecimento, evidencia ser a estrutura do próprio pesquisador. Decorrem daí tanto questões éticas sobre a abordagem do sujeito humano em sua peculiar complexidade, quanto questões éticas relativas ao próprio desenvolvimento de pesquisas científicas. A antropologia filosófica figura como condição de possibilidade de relações fecundas entre pesquisa científica e postura ética.
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A presente pesquisa revelou que alguns meios para lidar com o sofrimento no trabalho envolvem a adoção consciente, por parte do trabalhador, de certas técnicas voltadas para a sua própria interioridade. Diferem das estratégias coletivas de defesa, elucidadas pela Psicodinâmica do Trabalho, por envolverem a construção consciente de sentido para experiências angustiantes e ansiedade; senso de valorização do sofrimento e das vivências dolorosas com vítimas agonizantes ou fatais; dessensibilização e busca de nova relação consigo mesmo no trabalho. Resultam de formas de subjetivação, dinamizadas na exterioridade dos indivíduos e re-elaboradas na interioridade mediadora do contato com o real do trabalho.
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O presente artigo apresenta uma análise de relatórios, laudos e pareceres profissionais constantes de processos judiciais envolvendo crianças e adolescentes em situação de abandono, nos anos de 1968 a 1984, em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, Brasil. Nessa análise procurou-se traçar tanto um panorama da situação de abandono de crianças e adolescentes, conforme aparecem nos documentos, quanto identificar idéias psicológicas relacionadas ao tratamento de crianças e adolescentes no âmbito da justiça em Belo Horizonte. Ao final, levantam-se alguns temas para o estudo da participação da psicologia no trato das questões relativas a crianças e adolescentes em Minas Gerais.
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O presente estudo é uma breve incursão sobre o conceito e a função da memória em diferentes etapas da história das idéias psicológicas. O interesse histórico concentra-se no debate conceitual de memória como experiência de recordar para memória como desempenho de aprendizagem. A ênfase do argumento está no retorno à memória como experiência de recordar em estudos contemporâneos de memória autobiográfica. Memória autobiográfica é então definida como a recordação consciente de uma experiência pessoalmente vivida ou testemunhada, acompanhada de um senso de re-experiência do evento original, e da crença de que o episódio realmente aconteceu. Essa abordagem fenomênica recupera a experiência das qualidades como aquilo que permite a um indivíduo distinguir entre a lembrança de um evento passado e outros estados conscientes como o sonho e a imaginação. O estudo ressalta a contribuição cognitivista em trazer novamente ao centro da pesquisa psicológica a evidência da primeira pessoa (qualidades fenomênicas).
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Discutem-se as contribuições de Edith Stein para compreensão da relação pessoa-comunidade. Adotando o método fenomenológico, a estrutura da pessoa humana – nas suas dimensões corpórea, psíquica e espiritual – é explicitada de forma orgânica e interdependente por Stein, reconhecendo a relação propriamente comunitária como elemento essencial no processo de formação pessoal. Comunidade vem considerada não apenas como agrupamento humano, mas estruturalmente como um tipo de relação interpessoal, marcada pelo posicionamento da pessoa a partir do uso da razão e liberdade. A comunidade é considerada em analogia à pessoa humana, sendo essencial para sua definição e para a apreensão de seus aspectos originais, o reconhecimento e o posicionamento das pessoas. A relação pessoa-comunidade é essencialmente uma relação de interdependência constitutiva, onde os aspectos ativo e passivo da pessoa e da comunidade são necessários no processo de tornarem-se si mesmas, o que só pode acontecer a partir de uma abertura recíproca.
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A psicologia constituiu-se, ao longo dos anos, como um fórum privilegiado para o estudo das diferenças entre homens e mulheres, apoiando-se em explicações que vão desde o domínio da biologia até às relações de poder entre os géneros. Para uma clara compreensão dos estudos de género e das posturas feministas na psicologia torna-se necessário organizar a produção realizada ao longo dos tempos. Com este objectivo em mente apresentam-se três grandes períodos. O primeiro em que a figura feminina se encontra ausente ou é concebida como inferior. Um segundo período em que acede a um lugar de maior destaque, embora os pressupostos tradicionais se mantenham. Finalmente, a actualidade, em que novos horizontes se abrem, questionando as perspectivas tradicionais, afirmando a necessidade de acentuar a vertente social e política com consequências ao nível da investigação e intervenção.
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Este texto é uma reflexão teórica que procura definir o tipo de conceito que se expressa com o termo subjetividade e a pesquisa que ele possibilita. Propõe que subjetividade não seja um conceito construído a partir de uma relação tipo sujeito-objeto, mas sim a partir do interior de uma relação intersubjetiva. Objetividade e subjetividade opõem-se assim como ciência e consciência. É possível uma pesquisa da subjetividade, mas ela será necessariamente pesquisa-intervenção, envolvendo sujeitos, pesquisador e leitores, e sua objetividade não é a de uma epistemologia positivista e sim a do consenso e do senso crítico.
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Este trabalho apresenta a lúcida análise de Romano Guardini sobre a forma de pensar da época moderna indicando além de seus avanços e limites, as implicações para a concepção de homem e de cultura que dela nasceu. As conseqüências dessa nova imagem que o homem adquiriu de si e do mundo são paradoxais: de um lado a autonomia conquistada pelo extraordinário progresso científico e, de outro, a falta de lucidez no uso do poder adquirido, que decorre na grande vulnerabilidade do homem e do mundo contemporâneos. A necessidade de orientação e formação humanas apresenta-se cada vez mais premente e, para tanto, o autor apresenta indicações valiosas, fundamentadas no seu conceito de pessoa.
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In Memoriam Sílvia Tatiana Maurer Lane (1933-2006)
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- Artigo de periódico (1.828)
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- Entre 1900 e 1999 (448)
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Entre 2000 e 2025
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- Entre 2000 e 2009 (1.172)
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