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Por ocasião de uma exposição fotográfica realizada na comunidade rural de Morro Vermelho (Caeté-MG / Brasil), retratando momentos das festas mais tradicionais e do cotidiano de seus moradores, coletamos depoimentos sobre as impressões destes ao observarem as fotos. Selecionamos trechos referentes ao processo de memória coletiva e os submetemos à análise fenomenológica. Enfocamos o trabalho da memória como sendo, essencialmente, de elaboração da experiência. Pudemos acompanhar a dinâmica do trabalho da memória e explicitar um campo de possibilidades de significados elaborados pelos sujeitos naquele contexto cultural específico. Pudemos apreender as estruturas da experiência juntamente ao significado afirmado a partir da identificação das seguintes modalidades de elaboração da experiência: a) apreciações, b) elaboração da experiência com referência coletiva, c) elaboração da experiência com referência pessoal.
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A resistência à opressão étnica e cultural obriga comumente a recuos para regiões que, de físicas, passam também a ser psíquicas e fantásticas. Os caminhos que a elas conduzem e a sua topografia encontram-se cifrados no imaginário social. O termo de origem banto “umbanda” denomina uma religião brasileira que reflete a história e a sociedade do país, possibilitando empiricamente o estudo desse imaginário. Este estudo objetiva aprofundar o conhecimento da verdade social brasileira, fazer justiça à memória de ancestrais e conhecer e reconhecer formas populares de reflexão ética e de cognição social. Os seus principais colaboradores foram Exus, que gentilmente concordaram em serem entrevistados. Os seus depoimentos e a observação participante de terreiros permitiram rastrear subterrâneos daquele imaginário.
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O caratê é uma prática de luta com origens incertas quanto ao tempo, mas com acentuado desenvolvimento na ilha de Okinawa do arquipélago nipônico. Doravante praticado às escondidas, tornou-se público no século XX através de Gichin Funakoshi. Funakoshi denominou-o karate-do, “o caminho das mãos vazias”, dando um caráter doutrinário à arte que deveria servir ao desenvolvimento da personalidade e não somente como mera forma de lutar. No Brasil, apesar do grande número de praticantes, a compreensão daquilo que era enfatizado por Funakoshi é dificultada pelas profundas lacunas culturais em relação aos japoneses. Procura-se fazer um resgate teórico das idéias psicológicas e morais próprias do caratê sob a luz dos paradigmas culturais de maior influência no pensamento de Funakoshi. Depreende-se claramente a influência do confucionismo e bushido, por sua vez influenciado pelo Zen-Budismo, que permitem compreender o pensamento de Funakoshi acerca da moralidade e atitude mental.
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Este trabalho pretende especificar como se trabalha metodologicamente a pesquisa que relaciona a questão de identidades pessoais e coletivas com o processo histórico vivido pela psicologia. Partimos inicialmente de uma reflexão teórica que procura estabelecer as relações entre identidade e história da psicologia, e posteriormente explicitamos o processo de pesquisa que se utiliza neste caso. Identidade será compreendida aqui na perspectiva teórica de Ciampa que a caracteriza como metamorfose. Para estudar a constituição histórica da identidade do psicólogo partimos de um enfoque dialético que analisa a história de vida de cada um dos profissionais inserida no contexto social, trabalhando a relação dos aspectos objetivos e subjetivos, passando a compor as tramas das relações entre estes indivíduos para entender a identidade coletiva e posteriormente analisar a formação da identidade da psicologia enquanto instituição.
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A subjetivação do ser humano ocorre em presença de muitos. Cada ser humano é a singularização da história de seus ancestrais. Na atualidade, surgem psicopatologias decorrentes da ruptura do indivíduo com a sua história, não só transgeracional, mas também com a história humana. O re-estabelecimento da memória é questão vital na recuperação de detenções no processo de vir a ser do indivíduo. A clínica do self nos apresenta diferentes modalidades de memória: 1. Memória representada: elementos que representam a história de uma pessoa, articulados pela suas angustias e desejos; 2. Memória inconsciente: aspectos que se revelam na situação transferencial desvelando o reprimido; 3. Memória do não acontecido: situações que são pressentidas no curso da vida e que assinalam as necessidades ontológicas; 4. Memória étnica: formas sensoriais que constituíram a fundação do self e que enraízam a pessoa em uma determinada etnia.
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O artigo aborda a emergência da história, da memória e das abordagens históricas na Alemanha do século XIX - cujo predomínio, no século XX, será da França. Das abordagens históricas francesas será considerada a psicologia histórica de Ignace Meyerson, no que diz respeito à história e à memória. Mas se história, memória e abordagens históricas emergem na virada do século, elas, no entanto, ganham relevo a partir da segunda metade do século XX, e se inserem em um panorama cuja produção apresenta novos temas e títulos, novas perspectivas teóricas e instituições científicas.
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O trabalho aborda a discussão das relações entre memória e história nas áreas da história da psicologia e da história da ciência. Num primeiro momento, aprofunda-se o estudo destas relações nas diversas perspectivas epistemológicas da historiografia moderna – sobretudo no que diz respeito à questão da produção do documento histórico. Num segundo momento, mostra-se a existência das referidas relações através de exemplos inerentes a trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela autora. Evidencia-se que a prática e a experiência quotidiana encurtam as distâncias entre os campos da história e da memória. Com efeito, a determinação explícita dos sujeitos históricos de preservar a memória das experiências vividas, permite a constituição de acervos importantes para a pesquisa historiográfica.
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Iniciaremos nesta revista a publicação do curso de introdução à historiografia da psicologia ministrado pelo Professor Doutor Josef Brožek no curso de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, da USP de Ribeirão Preto, em maio de 1996.
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Vladimir Solovyov (1853-1900), pensador russo, desenvolveu um sistema de pensamento, no qual não há distinção entre filosofia e religião, já que para ele não era possível enfocar o ser humano sem levar em conta a sua busca pelo divino. Solovyov nos auxilia a discutir a subjetividade humana a partir das concepções de historicidade e de sagrado como vértices organizadores do self. Neste trabalho, estaremos utilizando essas perspectivas a fim de discutirmos a subjetividade de Zé Leal, habitante do Morro Vermelho, Minas Gerais, usando entrevista feita por Prof. Dr. Miguel Mahfoud. Solovyov afirma que a singularidade de uma pessoa é a hipóstase da história da natureza humana. Zé Leal apresenta uma subjetividade em que essa perspectiva é flagrante. Nela o tempo é vivido existencialmente, de maneira que a história é sempre re-apresentada e resignificada pelas pessoas que fazem parte dela.
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O objetivo deste trabalho é o estudo das relações entre identidade pessoal e social, tempo e profecia assim como se delineiam em algumas obras de Padre Antônio Vieira. Escolhemos analisar a produção deste autor no período compreendido entre 1640 e 1661 e neste âmbito nos detemos sobre textos especialmente significativos no que diz respeito à afirmação das concepções acerca do homem, do tempo e da história. A análise enfoca as relações implicadas entre sentido do tempo e da história, horizonte escatológico, sentido da identidade pessoal e histórica do sujeito.
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Estudo de caso sobre um líder de uma comunidade rural tradicional que se diz empenhado na mudança do milênio. A apreensão do significado desse empenho para sua própria pessoa, sua comunidade e todo o mundo – assim como vivido e representado pelo sujeito – permite contemporaneamente apreender os horizontes temporais, espaciais e sociais em que se dá a elaboração da experiência. Os resultados da análise fenomenológica indicam que esse momento cultural suscita no sujeito uma concepção de identidade associada à participação na história universal através do empenho nesse momento histórico de “purificação radical”. A concepção do valor sagrado da história comunitária baseia-se na inserção na história bíblica, ao mesmo tempo que a concepção do valor político do empenho se baseia na participação da história política brasileira. Nessa visão político-religiosa a identidade pessoal e comunitária é tecida com caráter profético diante da história universal.
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O debate acerca do reconhecimento da alteridade por recém-nascidos tem tradicionalmente ocupado os esforços investigativos de diferentes teorias psicológicas. O presente artigo tenciona examinar duas posições prevalentes, discriminando-as no contexto da psicologia do desenvolvimento. De um lado, defende-se a hipótese de que bebês nascem num estado de indiferenciação com o ambiente e incapazes de discriminar entre estímulos internos e externos. Essa capacidade discriminatória estaria condicionada a um processo de construção progressiva e seria dependente de marcos específicos do desenvolvimento. De outro, sustenta-se que bebês nascem equipados com um senso de self rudimentar (self ecológico) e capazes de reconhecer o próprio corpo em ação como uma entidade organizada e diferenciada do ambiente. Dessa perspectiva, a habilidade para o reconhecimento da alteridade se daria muito precocemente na vida infantil. Após o exame dos principais argumentos que sustentam as posições citadas, pretende-se ainda descrever como promovem dois modos distintos de compreender a imitação neonatal.
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A psicologia enquanto atividade de conhecimento parece não incluir a questão da alteridade, pois, supostamente, quando conhecemos, não conhecemos um outrem, mas um objeto. Na história da psicologia teórica e experimental podemos destacar um problema, o qual portaria a questão da alteridade, e que nos serviria para reler a história da relação pesquisador e participante, a saber: o fenômeno das falsas lembranças. A psicologia experimental, ao considerar a falsa lembrança como uma falha do sistema de memória, estabelece uma relação sujeito-objeto característica da ciência natural, a qual não envolve a alteridade. Por sua vez, no tribunal torna-se importante poder distinguir o “perjúrio” de uma “falsa lembrança”. Ambas esferas colocam em cena um operador – o júri, o juiz, que julga o caráter de verdade ou falsidade dos comportamentos. Na história da psicologia esse ponto de vista sempre se estabeleceu como uma razão a posteriori, como, por exemplo, no behaviorismo e no gestaltismo.
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A subtração da alteridade a revela em suas especificidades existencial e essencial, respectivamente, pelo exame do esvaziamento no caso do karate-dô e pela redução fenomenológica. Este artigo se propõe a analisar a alteridade como um dos fundamentos da tradição existencial própria do karate-dô. Concomitantemente, explora aspectos do problema do alter ego e da empatia fenomenológica, tratados por Edmund Husserl e Edith Stein, de modo a acentuar as análises das vivências atuantes em determinados conteúdos produzidos por praticantes experientes de karate. Uma análise fenomenológica do esvaziamento introduz a questão da alteridade conforme se revela neste fenômeno em conteúdos investigados. A questão, conforme descortinada pela epoché, põe-se como análise fenomenológica da entropatia. Para concluir, são realizadas algumas distinções necessárias que precisam alguns limites da dissolução do outro num mesmo eu, sugerida em conteúdos examinados. Constata-se que a vivência de paroxismo intersubjetivo pontua um dos fenômenos fundamentais da dinâmica existencial do karate-dô.
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- Entre 1900 e 1999 (344)
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