A sua pesquisa
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A Psicologia no Brasil advém de contribuições heterogêneas para sua respectiva constituição, ao longo dessa jornada histórica, que influenciaram a conquista e o desenvolvimento da autonomia e regulamentação da profissão, por conseguinte, impactando na estruturação dos diversos campos de trabalho hoje existentes. Como são poucos os estudos e ações referentes à caracterização da profissão, e à saúde de psicólogas e psicólogos brasileiros, contar com a contribuição daqueles que estão atuando profissionalmente, se faz premente para entender a realidade do grupo ocupacional e os impactos da vida profissional nesses trabalhadores. Assim, a pesquisa objetivou: (i) apresentar antecedentes históricos que permitiram à Psicologia, ser-em-si, ciência e profissão no Brasil; (ii) descrever os impactos da constituição da ciência e da profissão na estrutura do trabalho em Psicologia; (iii) caracterizar o perfil sociodemográfico e ocupacional de psicólogas e psicólogos brasileiros; (iv) compreender os principais fatores psicossociais (de risco ou proteção) do trabalho em Psicologia no Brasil; e, (v) identificar as repercussões dos fatores psicossociais no trabalho e das características sociodemográficas na capacidade para o trabalho de profissionais de Psicologia no Brasil. O estudo foi conduzido no campo da Psicologia da Saúde Ocupacional e da abordagem da Psicossociologia do Trabalho, com método misto, por meio de revisões integrativas e estudos epidemiológicos. As análises quantitativas foram de corte transversal, com amostra da população de psicólogas e psicólogos Brasileiros, por meio da aplicação de protocolo online composto de três instrumentos (QSDO, COPSOQ e ICT). A tese foi construída em formato de artigos, sendo o primeiro uma revisão teórica para apresentar os caminhos desde a recepção e a percepção de saberes psicológicos até a constituição da regulamentação da Psicologia no Brasil. No segundo artigo foi realizada revisão integrativa para compreender o impacto desses caminhos na estrutura de trabalho na área – esses dois estudos apontaram que a Psicologia avançou e remodelou campos de atuação, ultrapassando limites da constituição original para atender demandas da sociedade. O terceiro artigo trouxe a caracterização do perfil sociodemográfico e ocupacional da profissão no Brasil, ressaltando a predominância feminina, uma média de idade superior a 41 anos, duas áreas de atuação com maior percentual de profissionais em ação: clínica e políticas públicas (social e saúde), e um crescimento constante do número de profissionais no Brasil. No quarto artigo, a investigação dos fatores psicossociais no trabalho em Psicologia no Brasil, destacou os principais fatores de risco à saúde: exigências quantitativas do trabalho, estresse, Burnout e conflito trabalho/família; e também fatores de proteção: possibilidades de desenvolvimento e significado do trabalho. Há diferenças nos fatores psicossociais entre Psicólogas/os Clínicos e Psicólogas/os Sociais e da Saúde. Por fim, o quinto artigo considerou as repercussões de características sociodemográficas e fatores psicossociais na capacidade para o trabalho, em profissionais de Psicologia no Brasil. Há alta autopercepção de capacidade para o trabalho, predominância de exigências mentais no trabalho, existem quadros de distúrbios emocionais leves e alergias, somados a afastamentos do trabalho, bem como maior capacidade para o trabalho nos participantes com mais de 45 anos. Ressaltou-se a necessidade de novos e contínuos estudos para investigar essas demandas, a fim de manter os profissionais da Psicologia saudáveis e produtivos, de modo a prolongar sua vida laboral com qualidade, e gerar fatores protetivos em sua capacidade para o trabalho. Intentou-se assim, criar uma base de dados para ações longitudinais e futuras comparações em estudos do campo da saúde ocupacional e sobre a Psicologia brasileira como um todo, considerando sua multiplicidade e as possibilidade de práticas simultâneas ou de redefinição de carreira dentro de especialidades da própria profissão, em que se possa, inclusive, mitigar os riscos desse trabalho e desenvolver políticas para a saúde e a qualidade de vida desses profissionais.
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Os manuais de puericultura tiveram um papel importante na educação de mães e futuras mães brasileiras (principalmente as de classe social mais abastadas), que contavam com a orientação em diversas áreas: alimentação, principais cuidados de higiene com o bebê, principais doenças da infância e também aspectos relacionados ao comportamento e à educação dos filhos. O "Psychological Care of Infant and Child" (Watson & Watson, 1928) que foi o primeiro livro de Behaviorismo traduzido para o português brasileiro, publicado no país em 1934 e em 1941, tratava sobre a temática de criação de filhos. Esse trabalho visa avaliar a recepção das traduções do Psychological Care no Brasil e o impacto que essa obra teve na puericultura brasileira na primeira metade do século XX. O trabalho foi dividido em dois estudos. No primeiro apresentamos uma análise histórica do contexto do surgimento dessa tradução bem como algumas características do texto traduzido. Condições sociais responsáveis pelo desenvolvimento da puericultura, mudanças no mercado editorial brasileiros derivadas da crise de 1929 e o estabelecimento de uma cultura de educação de pais parecem ter promovido o investimento na tradução do livro e sua divulgação no país. Apesar dessa tradução ocupar uma posição privilegiada para a disseminação do Behaviorismo no Brasil. Problemas na tradução e eventuais avaliações críticas do autor do prefácio e das notas de tradução parecem ter entregado um livro menos behaviorista que seu original. No segundo estudo avaliamos se houve - e qual foi - o impacto da tradução do Psychological care em manuais de puericultura no Brasil, em meados do século XX. Identificamos que, a despeito dos problemas encontrados na tradução do livro e das críticas feitas pelo comentarista e escritor do prefácio, os conceitos e termos behavioristas do livro dos Watson foram influentes em manuais de puericultura no Brasil entre as décadas de 1930 e 1960, em especial, naqueles que abordavam aspectos psicológicos e comportamentais da criação de filhos.
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Klaus Holzkamp (1927-1995) foi um psicólogo e professor universitário que desempenhou um papel importante no desenvolvimento da Psicologia Crítica Alemã (PCA), infimamente apropriada pela Psicologia brasileira. Sua teoria foi elaborada na República Federal da Alemanha em um contexto de Guerra Fria. Com investigações inicialmente no campo do construcionismo, o autor se apropriou do marxismo a partir de seu envolvimento com os movimentos estudantis que ganharam força durante a década de 1960. Com essa aproximação, Holzkamp rechaçou sua produção anterior e realizou uma crítica positiva a partir do que se tinha produzido na Psicologia. Neste sentido, temos como objetivo a apropriação da fase ulterior de sua obra. Mais especificamente, buscamos (a) identificar a relação de sua produção com o momento histórico e social no qual foi gestada; (b) compreender as inflexões teóricas operadas ao longo de sua obra; e (c) apropriar-se dos seus escritos a partir de 1983. Este recorte se dá em função da dificuldade de acesso às suas obras em outros idiomas que não o alemão. Conclui-se que a PCA consiste em uma importante expressão da Psicologia Crítica mundial, fruto de uma aproximação ao marxismo em um momento de acirramento de lutas sociais. Esta perspectiva possui diversas contribuições para a Psicologia brasileira, tanto pelas aproximações possíveis com movimentos teóricos latinoamericanos, quanto por sua capacidade explicativa fruto de um resgate crítico do conhecimento até então produzido
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Este estudio tiene como objetivo llevar a cabo un análisis de las redes de colaboración científica que se organiza a partir del desarrollo de la investigación historiográfica de la psicología en América Latina. Para ello, se toma como corpus empírico la producción académica de los investigadores que son miembros de la Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicología (RIPeHP). Se emplean herramientas bibliométricas para mapear las redes y establecer indicadores de colaboración científica. Específicamente se hace uso del análisis de coautoría para identificar las comunidades académicas visibles y ocultas que se conforman a partir de las dinámicas de investigación historiográfica en la región. La creación de la Red fue en parte posible por la iniciativa de investigadores del grupo de trabajo en historia de la Sociedad Interamericana de Psicología (SIP). Este año la SIP celebra setenta años de historia desde su creación en el año 1951. En el caso particular de este estudio, exponemos información relevante al interior de la investigación historiográfica y se discute el papel de la SIP en fomentar y contribuir al fortalecimiento de la historia de la psicología latinoamericana.
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Este trabalho é fruto de uma investigação histórica sobre as condições da emergência do grupo do Setor de Psicologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais, bem como o desenvolvimento de suas atividades. Tomamos como abordagem metodológica a análise documental, além de entrevistas, com foco no período 1964-1994, estando este marcado por uma grande repressão política que, todavia, não silenciou um debate crítico, o que levou o Setor a ter uma grande contribuição para a institucionalização e fortalecimento da Psicologia Social no Brasil. O intuito é examinar a proposição do Setor a partir das disciplinas ofertadas e entender a diversidade de seus temas, o intercâmbio de pesquisadores e alunos com outras universidades, além da internacionalização desse projeto, incluindo grupos franceses, enfatizando a sua contribuição para a disseminação e consolidação da Psicossociologia.
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Resumo Este artigo discute a gênese da psicotécnica nas décadas de 1920 a 1940, analisando, de forma comparada, três cursos de psicotécnica ministrados em São Paulo: por Roberto Mange, no Liceu de Artes e Ofícios, em 1926, e na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, em 1934; e por Henri Piéron, na Escola Normal de São Paulo, em 1926. A análise aqui envidada questiona a associação causal entre psicotécnica e taylorismo, que coloca o nome de Mange ao mesmo tempo como precursor e impulsionador das ideias de Taylor no Brasil. Além disso, ela mostra que, embora estes cursos respondam a projetos locais voltados à indústria e educação, eles expressam também a materialização de um projeto global, construído sobre ferramentas estatísticas, equipamentos padronizados e circulação internacional de textos e intelectuais, com implicações para a historiografia da psicologia no período.
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Neste artigo, apresenta-se um breve enquadramento histórico das abordagens científicas, médicas e psicológicas sobre as transexualidades, tecendo um conjunto de considerações sobre a forma como tal enquadramento foi fundacional da noção de patologia associada às pessoas trans e como tem sido responsável pela manutenção da patologização destes indivíduos no imaginário coletivo. Para atingir tal objetivo, é desenhado um mapa cronológico dos acontecimentos que têm vindo a marcar, ao longo da história, o estudo e a intervenção com as pessoas trans a partir do modelo biomédico, referenciando algumas das personalidades que, no contexto ocidental, tiveram responsabilidade nesta visão biomédica das pessoas trans. No final deste trabalho, apresenta-se a discussão em torno da (des)patologização das transexualidades a partir do surgimento do paradigma centrado nos direitos humanos das pessoas trans e em propostas de autodeterminação dos seus corpos e identidades.
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O artigo retrata a história inédita do Boletim da Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo , publicado entre 1962 e 1971. Trata-se da primeira publicação científica da Clínica Psiquiátrica, substituída pela Revista de Psiquiatria Clínica , existente até os dias de hoje. O Boletim é uma valiosa fonte de pesquisa histórica, que retrata uma década da psiquiatria brasileira. Seu conteúdo é composto por trabalhos variados: testes de medicação, discussões teóricas, notícias da época e questões institucionais da formação da psiquiatria e de áreas correlatas como a psicologia e a psicanálise. A chegada das medicações, a busca pela padronização dos diagnósticos e textos ensaísticos são parte desse conteúdo.
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Este artigo apresenta a emergência e a história dos estudos de gênero na psicologia a partir da consideração sobre a relevância de usar a noção de” gênero” como categoria de análise histórica para pensar o campo disciplinar da psicologia. Isto nos possibilita compreender os efeitos teóricos, metodológicos e epistemológicos na produção de conhecimento. A partir de uma pesquisa bibliográfica realizada na base de dados SciELO, foram analisados 153 artigos de três periódicos da psicologia. Estes, com seus 402 autores(as) e 191 instituições, foram agrupados em 15 categorias temáticas. Uma análise quali-quantitaviva encontrou resultados que apontam para desigualdades de gênero na autoria dos artigos e uma presença marcante das universidades públicas entre as instituições que mais publicam na área. A psicologia, quando debate gênero, o faz por meio de discussões temáticas de campos de conhecimento tradicionais - como saúde, educação e trabalho, típicos da segunda onda do feminismo. As questões identitárias e sobre sexualidades se destacam em produções mais recentes. Da articulação entre gênero e psicologia com foco nas discussões teórico-epistemológicas, constatamos que, embora haja publicações que apontem críticas à psicologia questionando o uso descritivo de gênero, bem como à objetividade do conhecimento e à universalidade do sujeito, ainda se verificam dificuldades em sair do lugar androcêntrico, etnocêntrico e cisheteronormativo que caracteriza a produção psicológica. O estudo aponta a necessidade de maior sensibilização e ampliação de espaços de discussão entre gênero e psicologia para que se possa resistir às invisibilidades ainda tão persistentes nesse campo disciplinar de conhecimento.
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