A sua pesquisa
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Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) é classificado pela historiografia literária como um escritor pré-modernista pela sua atualidade no uso de uma linguagem inovadora, anti-academicista, e pelos seus esforços em ratificar os efeitos das situações políticas, econômicas e sociais das duas décadas do século XX. Diferente da posição cientificista adotada pelos literatos do fim do século XIX, o autor não se absteve da sua própria condição humana, construindo um verdadeiro painel da sua existência. Ao matizar sua trajetória pessoal com a construção romanesca, Lima Barreto criou uma literatura completa e autêntica que fornece aos estudiosos, um campo vasto de onde procedem diversificadas linhas de pesquisa, como a sociológica, a histórica, a psicológica, a autobiográfica e a lingüística, entre outras. Diante desse complecxo quadro temático, a crítica sobre a obra do autor se viu dividida em duas correntes analíticas antagônicas: aqueles que julgavam a obra barretiana menor por ser pessoal demais e os que a enalteciam pelo seu aspecto autobiográfico. Em nosso trabalho, os esforços foram direcionados para que não tomássemos partido de nenhuma posição em particular, pelo contrário, tentamos criar um campo neutro que unisse tanto a abordagem sócio-histórica como os aspectos autobiográficos; assim, proporcionando uma leitura imparcial das perspectivas da obra de Lima Barreto.
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Vinculado ao projeto Americanismo e Educação, o estudo teórico Psicometria e Educação: a obra de Isaías Alves insere-se na dialética do americanismo como processo educacional e, ao mesmo tempo, produto educacional. Empreende um exame das raízes da psicometria, bem como estuda o desenvolvimento inicial da psicometria no Brasil, sua relação com a educação e seus desdobramentos na obra de Isaías Alves. Muitos autores vinculam o início da psicometria ao advento da Escola Nova. A tese defendida retoma a discussão sobre a origem e difusão da psicometria no Brasil, reconhecendo-a como não dependente, na obra de Isaías Alves, ao movimento da Escola Nova. No que tange ao exame do pensamento de Isaías Alves, efetuou-se uma revisão bibliográfica prévia, a partir da qual foram privilegiados alguns títulos em função da pertinência ao tema. Foram consultadas as principais obras de Isaías Alves sobre psicometria e educação, bem como outras obras e artigos que versam sobre o assunto. Observa-se que a história da psicometria, no mundo, parece confundir-se com a história da psicologia experimental. A psicometria, no Brasil, tem suas origens na medicina, no trabalho formal e nas propostas de reorganização escolar. Como no restante do mundo, a psicometria brasileira se expande a partir dos testes de inteligência. Conclui-se que Isaías Alves expressa a filosofia do americanismo, no Brasil, de forma diferenciada e independente do movimento escolanovista, pela sua defesa das idéias de disciplina, nacionalismo integralista, reorganização das classes vinculada à educação tradicional, profissional, cívica e moral. Por esta razão, entende-se que a psicometria de Isaías Alves não está comprometida com a Escola Nova.
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O objetivo desta pesquisa foi o de envestigar, em publicações realizadas por pesquisadores da Psicologia Sócio-Histórica e Educacional, quais as contribuições da Psicologia Sócio-Histórica a essa área. A pesquisa, de cunho bibliográfico, delimita como corpus de análise as produções do período de 2000 a 2005 de duas associações representativas da pesquisa na Psicologia Escolar/Educacional: a ANPEd e a ANPEPP. Constituem-se como objeto deste estudo, os grupos que têm assumido a fundamentação teórica da abordagem Sócio-Histórica, em especial a de Vygotsky e seus colaboradores, Luria e Leontiev. É do interesse desta pesquisa responder as seguintes perguntas norteadoras: a0 Como a Psicologia Sócio-Histórica é entendida nos vários trabalhos de pesquisa apresentados? b) Como a Psicologia Sócio-Histórica se articula com a análise de processos educacionais, quer nas pesquisas de cunho teórico quer nas pesquisas de campo? O levantamento bibliográfico identificou resumos e trabalhos na íntegra. A análise de conteúdo incidiu sobre onze textos completos na ANPEd e sobre vinte e um resumos da ANPEPP. Os resultados mostram uma significativa presença da abordagem Sócio-Histórica evidenciada pelo número de trabalhos, pelos autores, pela explicitação dos pressupostos teóricos e epistemológicos da abordagem. Mostra-se também a maneira explícita como os fenômenos psicológicos se articulam aos processos educacionais, evidenciando uma tendência de não separação entre a teoria e a prática e entre a Psicologia e a Educação. Palavras- chave: Psicologia Sócio-Histórica; Psicologia Escolar; Psicologia Educacional; ANPEd; ANPEPP
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O trabalho desenvolvido pretende contribuir para a compreensão de um autor/personagem da psicologia social. Analisamos e acrescemos conhecimento sobre George Herbert Mead e os desdobramentos de sua teoria psicosocial. Para este propósito trabalhamos em duas vertentes básicas: primeiro, através da abordagem social em história da psicologia, confrontamos a vida de Mead com momentos de constituição da psicologia à sua época, colocando em relevo aspectos centrais desta interlocução nem sempre identificados. Correlacionamos a história de Mead com questões sociais, políticas, econômicas e científicas de sua época; informações sobre o que se passava no plano das relações interpessoais ao tempo em que elaborava sua teoria, assim como suas conexões com práticas e valores culturais específicos foram contemplados. A segunda vertente decorre de uma incursão na literatura que perpassa por temáticas concernentes aos estudos meadianos, para o que priorizamos os trabalhos dos sociólogos Peter Berger e Thomas Luckmann e do filósofo Jürgen Habermas. Pretende-se assim contribuir para a história da psicologia social e difundir os conceitos científicos meadianos, tornando-os mais acessíveis aos estudiosos da psicologia social
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Este trabalho procura analisar historicamente o conceito de infância no Brasil e como a representação infantil passou de um papel secundário no sistema colonial a foco das preocupações no século XIX, através da atuação dos médicos higienistas. A partir da análise das teses de doutoramento da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro que discorrem sobre a criança, produzidas no período de 1832 a 1930, procuramos investigar de que maneira a construção e disciplina do corpo infantil se refletem no desenvolvimento de uma ciência psicológica. Neste percurso, deparamo-nos com discussões sobre temas que englobam não apenas o corpo, mas também a compreensão da alma infantil, sob a influência do paradigma científico e das teorias evolucionistas vigentes à época. Além disso, associada à imagem infantil, também encontramos a importância da mulher - enquanto mãe e ama - como mantenedora da família, constituindo uma nova moldagem também da figura feminina.
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Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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Com a grande especialização e segmentação do campo psicologia, a história vem se tornando um grande ponto de encontro: o lugar onde descobrimos que apesar das nossas diferenças temos raízes em comum. A função da pesquisa histórica é registrar nossos fundamentos, preservar nossa memória, e analisar nossos acertos e erros. Com estes propósitos foi fundado, em 1965, os Arquivos Históricos da Psicologia Americana. Trata-se de um acervo considerável de equipamentos de laboratórios, filmotecas, manuscritos, e uma grande biblioteca de livros raros. Este texto é um relato do meu trajeto até a Universidade de Akron, Ohio, EUA, para visitar os Arquivos, passando antes por três importantes universidades americanas: Stony Brook em Long Island, NY; Bryn Mawr College na região metropolitana de Filadélfia, PA; e The Michigan University, em Ann Arbor. Na descrição dos meus contatos com essas universidades, estabeleço paralelos entre a organização de pesquisa em psicologia no Brasil e nos EUA, com atenção ao desenvolvimento da pesquisa em história.
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O objetivo deste trabalho consiste em compreender as concepções presentes na obra de Machado de Assis que dizem respeito à relação entre psique e comportamento. Para isso, selecionamos alguns contos, romances ou fragmentos de sua obra que se referem ao tema. Consideramos três diferentes níveis em que as idéias se encontram presentes na obra: nas descrições de estados subjetivos das personagens; nas exposições feitas pelos narradores e personagens acerca de motivos psicológicos; na estrutura da trama. As análises foram realizadas com base em alguns temas que se mostraram de grande importância na obra de Machado: em primeiro lugar, na relação entre consciente e inconsciente; em segundo, na noção de caráter; em terceiro lugar, na relação dinâmica homem-mundo, interior-exterior, consciência-circunstância. Buscamos ainda confrontar as idéias presentes na obra de Machado com a de outros pensadores, sobretudo psiquiatras e filósofos do século dezenove, a fim de contextualizar sua obra no âmbito cultural e intelectual de seu tempo. Ao se traçar tais relações, podemos contribuir para uma visão mais rica e complexa dos saberes psicológicos no Brasil no fim do séc. XIX e levantar algumas hipóteses sobre o posicionamento de Machado frente às idéias de seu tempo. Como resultado, destacamos o modo como o escritor desenvolve e articula em sua ficção a noção de inconsciente. Além disso, sua obra mostra-se um terreno privilegiado para uma representação mais complexa eunitária do ser humano, não apenas como ser psicológico, mas também como ser social, histórico, político, moral, biológico, em suma: o homem vivente. A ficção, justamente por mostrar as personagens no tempo e no espaço, revela como a consciência e os comportamentos se dão na dinâmica entre homem e mundo, e entre o homem e os outros homens. Além disso, Machado de Assis refletiu em sua obra a relação entre linguagem e a consciência. E foi mais longe ao explorar os limites da linguagem para se descrever a interioridade humana.
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