A sua pesquisa
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Nosso propósito ao elaborar esta tese é contribuir com o estudo da Psicologia Social no Brasil, mostrando que Silvia Tatiana Maurer Lane (1933-2006) teve importância relevante na formulação das bases teóricas de uma Psicologia Social Brasileira, adotada por psicólogos sociais, professores e pesquisadores. A atividade docente foi fundamental para a formação do pensamento da intelectual respeitada, tendo se desenvolvido por meio de uma postura crítica, permanente, à psicologia social de influência americana e aos métodos tradicionais de ensino. A PUC de São Paulo, instituição na qual trabalhou durante quarenta anos, proporcionou à Silvia um ambiente de liberdade intelectual que favoreceu o seu trajeto. Escolhemos para estudar a autora um caminho ainda não trilhado por outros pesquisadores que falaram a respeito da ilustre professora, conduzindo a nossa pesquisa, em especial, a partir dos documentos pessoais encontrados no acervo deixado na PUC de São Paulo sob a guarda do Núcleo de Estudos em História da Psicologia-NEHPSI, além de livros, entrevistas e biografias escritas por outros autores. A análise do percurso de Silvia nos mostrou conexões importantes entre o seu trabalho e o contexto sócio-histórico e revelaram o prestígio da professora no Brasil e no exterior. Para o estudo das ideias, tomamos por base um texto ainda não publicado, denominado: Caminhos percorridos , escrito pouco tempo antes da sua morte e cuja finalidade era preparar uma coletânea dos seus textos, publicados ou não, mas de difícil acesso. A leitura nos permitiu entender a estrutura dada por ela ao seu próprio pensamento. Constamos que a psicologia da linguagem, as bases teóricas para formulação de uma psicologia social brasileira, a psicologia comunitária, o processo grupal e a mediação emocional são temas que estão presentes ao longo de toda a obra, gerando pesquisas, textos, cursos e apresentações, recebendo ao longo do tempo, novos olhares e releituras que fizeram avançar a compreensão dos temas. A obra não se encerra com a sua morte, deixando espaço para novos estudos e textos a serem produzidos
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Propomos construir uma cartografia do Sindicato dos Psicólogos do Estado do Rio de Janeiro, a partir das narrativas de pessoas que tiveram e/ou têm vínculos com este estabelecimento, além de pesquisa documental. As entrevistas foram realizadas com membros da antiga Associação Profissional de Psicólogos do Rio de Janeiro (1977) até os dias atuais (2010). Buscamos problematizar as forças macro e micropolíticas que atravessam este estabelecimento que “representa” os psicólogos em relação às questões trabalhistas e tem a função de “lutar por melhores condições de vida e de trabalho”. Pretendemos pensar este estabelecimento no qual perpassam várias forças constituintes e estão presentes diferentes instituições, acompanhando as implicações sócio-históricas e políticas por meio das linhas duras e flexíveis que participaram da sua formação (1962), do seu fechamento (1991) e da sua reabertura (1995). O objetivo é contribuir para a história da psicologia pensando algumas políticas e algumas práticas do Estado capitalista no contemporâneo que atravessam este estabelecimento. Além disso, problematiza-se a função que o psicólogo ocupa nesta engrenagem e como vai se articulando perante os entremeios de sua prática através da trajetória histórica de um de seus “representantes”. Foi utilizada a História Oral como metodologia e algumas ferramentas da Análise Institucional e da Filosofia da Diferença ao colocar em análise nossa implicação já que entendemos que o sindicato é também uma modulação de nossa profissão.
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Considerando a dispersão teórica da psicologia com relação a seus fundamentos mais básicos, faz-se necessário retomar a discussão acerca dos fundamentos e assim sendo, a psicologia de Wilhelm Wundt se apresenta como alternativa à psicologia fisicalista aliada às neurociências atuais. Assim, esta pesquisa toma como objeto o sistema psicológico de Wilhelm Wundt a partir da obra Outlines of Psychology e toma como campo problemático a pertinência de seus conceitos à psicologia atual. Para tal, foram utilizados, além de Wundt, alguns autores clássicos da história da psicologia e da filosofia. O primeiro capítulo consiste em uma discussão acerca dos fazeres possíveis da história e da pertinência e impertinência de uma pesquisa em epistemologia e história da psicologia, bem como a proposição da história como palimpsesto e uma análise da psicologia como saber moderno e dos problemas que envolvem sua constituição e autonomia. O segundo capítulo consiste em um exame mais detalhado dos principais conceitos do sistema wundtiano, a saber, síntese criadora, processos volitivos, experiência imediata e processualidade da mente e busca contemplar a noção de vontade e criação no contexto do estudo da cognição. O terceiro capítulo, por sua vez, propõe abordar a atualidade do sistema wundtiano a partir dos conceitos apresentados no segundo capítulo. Por fim, esta dissertação de mestrado se apresenta mais como um convite, uma abordagem inicial de uma problemática muito maior.
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Esta tese objetiva construir uma narrativa sobre os primórdios da Psicologia do Esporte através da análise da inserção da Psicologia em periódicos de Educação Física dos anos 1930 a 1960. O texto discorre sobre as apropriações do saber psicológico, seus conceitos e teorias no universo dos primeiros periódicos da Educação Física no Brasil, caracterizando o percurso de construção de mais uma especialidade na Psicologia, a Psicologia do Esporte. Por se tratar de uma análise documental, investigamos fontes e documentos escritos, brasileiros e de domínio público, de caráter acadêmico apresentados em periódicos especializados ou governamental no formato de leis, decretos, estatutos. Analisamos tais documentos como práticas discursivas, pois envolvem diversos elementos, distribuídos de forma harmônica ou não, localizados historicamente, no tempo e no espaço, produzindo seus efeitos. A análise dos dados permitiu averiguar a construção de sentidos que os interessados em Educação Física fazem em relação ao campo psicológico. Concluímos que o percurso de construção da Psicologia do Esporte perpassa outros profissionais, como médicos, militares, educadores físicos e psicologistas, interessados em conhecer melhor os fenômenos humanos diante da prática de atividade física e dos esportes, caracterizando-se em duas fases, psicologia complementar (1930-1940) e prática psicológica (1950-1960). Sem dúvida, caracterizam uma construção gradativa da Psicologia do Esporte como a conhecemos hoje
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Essa dissertação tem como objeto de estudo e reflexão as histórias das práticas de intervenção de psicólogos no campo da educação. O psicólogo é o especialista convocado para solucionar os problemas da aprendizagem, legitimando uma formação referenciada no paradigma do sucesso, patologizando o processo educativo e produzindo novas modalidades de exclusão social e controle subjetivo. Diante da diversidade dos fenômenos contemporâneos que envolvem o trabalho na educação, a serviço de que está o trabalho do psicólogo na escola? Por política de individualização da subjetividade entende-se o que Guattari denominou de sistemas modelizantes de fabricação subjetiva. Analisamos algumas produções contemporâneas de subjetividades individualizadas, excessivamente massificadas no cotidiano escolar: a inclusão, o bullying, a medicalização e o burnout. A Análise Institucional foi a referência metodológica utilizada nessa dissertação, que associada a pesquisa histórica contribuiu na composição das linhas de produção do saber psicológico dentro do espaço escolar e na interlocução com diferentes teóricos - especialmente Foucault, Guattari, Boaventura e Frigotto. Problematiza-se a naturalização do saber psicológico na educação, através de um breve histórico do que a psicologia construiu neste campo. Na medida em que entendemos escola como uma instituição, afirmamos que há uma circulação de sentidos e simbolismos no cotidiano que remete a práticas historicamente institucionalizadas. A pesquisa de campo foi realizada no Programa Interdisciplinar de Apoio as Escolas (PROINAPE), vinculado a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME/RJ), que conta hoje com aproximadamente noventa psicólogos trabalhando em escolas desse município. O PROINAPE representa a reinserção de psicólogos intervindo diretamente na dinâmica cotidiana da escola. São descritas suas práticas, os tipos de demandas que atendem, para que são convocados e que contradições vivenciam. Por fim, quatro analisadores presentes nas práticas de intervenção dos psicólogos vinculados ao PROINAPE, são levantados e discutidos. Conclui-se que a produção de subjetividades individualizadas está relacionada a um projeto de sociedade, que necessita da educação para reprodução de sua lógica. O psicólogo que atua na educação é um profissional implicado politicamente nesse cenário. No entanto, apontamos os desvios, as disrupturas, as tensões e equívocos, que constituem o campo privilegiado de intervenção do psicólogo com vistas à transformação da lógica social e econômica dominante.
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A contribuição de Christian Wolff (1679-1754) para a história da psicologia, particularmente de sua Metafísica Alemã (1720), ainda é significativamente mal compreendida tanto no panorama geral da historiografia da psicologia quanto na literatura especializada no pensador. Tendo isto em vista, o objetivo do presente estudo é descrever e analisar a concepção wolffiana de psicologia presente na Metafísica Alemã. Após uma breve contextualização histórica, é oferecida uma descrição dos conteúdos empíricos e racionais da disciplina, incluindo sua relação com as demais matérias da metafísica. Em seguida, propõe-se uma análise baseada em questões levantadas pela literatura secundária. Em geral, defende-se a existência de uma importância especial da Metafísica Alemã dentro do pensamento psicológico de Wolff, independentemente de seus demais escritos psicológicos, assim como sua relevância para o desenvolvimento, já no século XVIII, de uma noção de psicologia científica, contrariando teses tradicionais em historiografia da psicologia.
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Encontrando nas leituras do Sermão da Sexagésima de Antonio Vieira (1608-1697) princípios propostos para a arte da oratória que também são reconhecidos nos escritos de Constantin Stanislavski (1863-1938) para a arte da interpretação de atores, parte-se nesse trabalho para a verificação de onde estariam as bases que fundamentam tais princípios em Antonio Vieira e se tais bases estariam, de alguma forma, relacionadas aos trabalhos em teatro de Constantin Stanislavski. Utilizando o que se denomina método comparativo direto entre princípios que constituem as artes da palavra, no caso a oratória religiosa e a representação teatral, chegou-se até os escritos dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola que em suas propostas estabelecem recursos que eram usados como instrumento no desenvolvimento da arte da oratória jesuítica. Com o apoio da tese de Mario Iannaccone, chegou-se ao importante texto do cineasta Sergei Einseinstein, Teoria geral da Montagem, que nos ajudou a compreender como tais princípios dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola também se encontram presentes na arte do teatrólogo russo do século XX. Reconhecendo a importância da elaboração da palavra nestas artes, da oratória e da interpretação teatral, e percebendo que tal palavra se propõe em ambos os casos a uma transformação psíquica de seus ouvintes, respectivamente a conversão nos sermões e a catarse no teatro, verificou-se como tal palavra deve ser elaborada a partir dos princípios que esses autores propõem. Para tanto, foin estudado em Marina Massimi as concepções dos dinamismos psíquicos que fundamentam os autores jesuítas em suas propostas de construção da palavra para suas pregações. Inspirados em Margarida Vieira Mendes, especialista em Antonio Vieira, foram recortados alguns itens que ela indica como constitutivos do Sermão da Sexagésima e foi estabelecido um breve roteiro que ajudou a compreender de forma direta as semelhanças que serão verificadas quanto às artes da oratória nos pregadores dos séculos XVI e XVII e do teatro em Constantin Stanislavski. Por fim, analisando os dados obtidos, chegou-se a algumas conclusões destas semelhanças quanto a paralelos de raízes filosóficas e quanto à compreensão dos dinamismos psíquicos humanos, percebendo o porquê de tais práticas conseguirem atingir e transformar o psiquismo de suas audiências.
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A contribuição de Christian Wolff (1679-1754) para a história da psicologia, particularmente de sua Metafísica Alemã (1720), ainda é significativamente mal compreendida tanto no panorama geral da historiografia da psicologia quanto na literatura especializada no pensador. Tendo isto em vista, o objetivo do presente estudo é descrever e analisar a concepção wolffiana de psicologia presente na Metafísica Alemã. Após uma breve contextualização histórica, é oferecida uma descrição dos conteúdos empíricos e racionais da disciplina, incluindo sua relação com as demais matérias da metafísica. Em seguida, propõe-se uma análise baseada em questões levantadas pela literatura secundária. Em geral, defende-se a existência de uma importância especial da Metafísica Alemã dentro do pensamento psicológico de Wolff, independentemente de seus demais escritos psicológicos, assim como sua relevância para o desenvolvimento, já no século XVIII, de uma noção de psicologia científica, contrariando teses tradicionais em historiografia da psicologia.
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O objetivo do presente trabalho é comparar as definições de objeto e método nos projetos de psicologia experimental de Wilhelm Wundt e Edward Titchener. Tendo em vista as aproximações equivocadas entre os autores presentes nos manuais de psicologia e a escassez de estudos mais sistemáticos acerca da obra de Titchener, em especial no cenário nacional, as comparações entre as idéias de ambos, disponíveis na literatura secundária, ainda não foram suficientes para demonstrar as diferenças entre suas propostas. Frente a este panorama, propõe-se uma comparação das definições de objeto e método da psicologia, especificamente nas obras que representam o período de maturidade das idéias de Wundt, com aquelas que caracterizam a expressão clássica do estruturalismo de Titchener. A tese central é que, em função dos distintos pressupostos teóricos, as noções de experiência humana e do domínio do psíquico adquirem um diferente significado no pensamento de cada autor, configurando com isso diferentes objetos de estudo para a psicologia e, consequentemente, uma diferente compreensão acerca das possibilidades e limites do método experimental.
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O presente trabalho tem como objetivo abordar a forma como se constelaram as angústias de influência para que Winnicott se tornasse o autor que conhecemos em resumo, como se passou a autorização de Winnicott. Suponho que a obra escrita de um autor é a ponta visível de um processo que denominei autorização; a ideia é que todo autor lida, em alguma medida, com angústias associadas à significação que o escrever e/ou o ser-autor assumem para ele. Essa autorização conflui, do ponto de vista assumido aqui, com um reconhecimento e uma afirmação de si perante os pares e as figuras de autoridade que retomam, na chave do grupo de destino da escrita do autor, as questões que a criança tem na fase edípica; tal leitura remonta em muito ao tema da angústia de influência, trabalhada por Harold Bloom, e ao testemunho que Ronald Britton oferece da mesma problemática em relação ao meio psicanalítico. No caso singular de Winnicott, considero o processo de autorização como estando muito relacionado à busca por autenticidade; esta, por sua vez, é entendida como associada ao próprio reconhecimento da existência e da legitimação das formas singulares de afirmação do autor. À sua maneira, Winnicott parece colocar em novos termos a questão em torno da autoridade, na medida em que subverte a problemática da submissão a uma lei maior que funcionaria como tabu a questão passaria por criar uma via própria, singular, por equacionar os imperativos estabelecidos, mas, nesse mesmo gesto de reconhecimento, ele incute uma inovação. A formulação final a que chego, tendo em vista esses aspectos, é que a liberdade de leitura ou a incorporação criativa da tradição ocupam em Winnicott o lugar que a infelicidade cotidiana ou a aceitação da castração assumem em Harold Bloom; na autorização winnicottiana, a liberdade e a idiossincrasia parecem ocupar o lugar que, na triangulação edípica, compete ao pai formulação certamente paradoxal, mas que busca fazer justiça ao pensamento do autor.