A sua pesquisa
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Esta tese tem como objetivo fornecer subsídios para a construção e instalação da Psicologia Econômica no Brasil, partindo-se da hipótese de que o conhecimento deste campo possa despertar o in teresse por ele e facilitar a constituição de uma rede de pesquisadores com colaboração interdisciplinar. Desenvolvida a partir de uma perspectiva histórica, adota o método analítico-descritivo. A apresentação da área, situada na interface Psicologia-Economia, tem início com uma visão panorâmica da situação atual nos países em que se encontra constituída. A seguir, percorre-se suas origens e principais modelos, elaborados por autores contemporâneos, a partir de obras que se destacam dentro dela. A perspectiva histórica, definições da disciplina e três conceitos básicos racionalidade, comportamento econômico e tomada de decisões estão presentes em todo o trabalho. Os dois últimos capítulos oferecem propostas: a primeira é um modelo que se pretende que contribua para a investigação das decisões econômicas, fundamentado em teorias e observações psicanalíticas, com foco sobre a polaridade ilusão e pensar, que repousa na concepção do mundo emocional que sobrepõe-se à razão; a segunda proposta discute possíveis modos de inserção da Psicologia Econômica no Brasil, com ênfase sobre a importância de proporcionar-se condições para informar a população acerca de seu comportamento econômico e maneiras como decisões são tomadas neste âmbito, que contemplaria tanto dados sobre a Economia, como conhecimentos sobre nosso funcionamento psíquico, com o objetivo de favorecer a apropriação, por parte de todos os segmentos, das escolhas que fazem. Ainda dentro esta perspectiva, sugere-se que a reunião destes dados possa expandir as premissas que sustentam inúmeras políticas econômicas, de modo a torná-las mais condizentes com nossa realidade externa e psíquica
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O debate entre dois teóricos de grande relevância para a história da Psicologia da Educação Henri Wallon (1879-1962) e Jean Piaget (1896-1980) - é examinado, buscando identificar suas controvérsias e situá-las em seus respectivos contextos históricos e científicos no período entre 1920 e 1960, no qual ambos os autores disputavam a hegemonia no campo de conhecimento da Psicologia Genética francófona. Atenção especial é dada à controvérsia sobre a origem e formação da função simbólica, tendo em vista seu valor heurístico para a compreensão das semelhanças e diferenças entre as respectivas posições teóricas acerca do desenvolvimento do pensamento na criança e no adulto. Utilizamos da metodologia de estudo teórico e histórico para selecionar e analisar as fontes de pesquisa, nosso olhar sendo, preferencialmente, o da história internalista mas, por vezes, complementado com as perspectivas da história- construção e da história-crítica. Verificou-se que o debate Piaget Wallon foi marcado por uma dinâmica de descompasso entre as críticas e o estágio de desenvolvimento teórico de cada autor e, quando da explicação da passagem entre a inteligência sensório- motora ou das situações para o pensamento representativo, observou-se um deslocamento dessa temática para temáticas periféricas, tais como a continuidade ou não nesta passagem, o valor dos aspectos sociais, maturacionais etc. No que concerne à explicação sobre a gênese da representação, Wallon enfatiza o percurso que vai do corpo, da função tônica, das emoções, passando pelo simulacro e pela imitação. Já Piaget procura compreender esse processo como a complexificação dos esquemas sensório-motores e da dinâmica entre assimilação e acomodação, identificadas através da imitação e do jogo. Ambos o autores concordam que o surgimento da representação será a marca da presença de uma função simbólica, definida como a capacidade de evocar objetos ausentes através da representação mental, relacionando objeto real, signo e significado. Concordam, igualmente, que, para que se instale a função simbólica, será necessária a reatualização das experiências iniciais, que vão culminar nos esquemas sensório-motores ou na inteligência das situações, através de uma assimilação e acomodação dupla ou da sublimação da intuição espacial no nível representacional. Para ambos, há diferenças estruturais entre uma a inteligência prática e a inteligência representacional, mas há integração e preparação funcional. Diversos fatores explicam as discordâncias entre Piaget e Wallon ao longo de quase quatro décadas: objetivos, horizontes teóricos e objetos de interesse diversos em cada autor, ii problemas lingüísticos, etc. De modo especial, assinalamos que os programas de investigação protagonizados por cada autor eram diferenciados. O programa de pesquisa de Piaget visava a compreensão dos processos que permitem a construção progressiva do conhecimento no sujeito epistêmico, enquanto Wallon pretendia focalizar especialmente o sujeito psicológico em sua totalidade emocional e cognitiva. Em conseqüência, permanecerá o fato de Piaget e Wallon possuírem concepções diversas frente à representação. No primeiro ela é um aspecto do ato de conhecimento dirigindo- se, especialmente, para objetos do conhecimento e sendo instrumento desse processo cognitivo. No segundo é entendida como um elemento na interação com o outro, elemento carregado de emoção, visando mobilizar e aproximar-se do outro com fins de produzir um eu diferenciado e autônomo: a pessoa. A investigação do debate sobre a controvérsia da formação do pensamento simbólico serviu-nos de instrumento para um maior conhecimento das trajetórias singulares destes dois autores, esclarecendo um importante momento da história da Psicologia ainda pouco investigado. Acreditamos que tais conhecimentos possam nos ser úteis para entender suas idéias em outros campos e noutros contextos, como a Epistemologia e a Educação.
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Inserido na linha de pesquisa Formação e Profissionalização Docente e movido pela necessidade de sistematização da história da psicologia em Goiás, o trabalho objetivou, partindo de uma perspectiva historiográfica, reconstituir os saberes, as práticas e os discursos psicológicos que contribuíram para a constituição da psicologia científica em Goiás. Para o alcance desse objetivo, procurou-se compreender as raízes da psicologia no Brasil nos períodos colonial e imperial, assim como o processo de desenvolvimento dessa ciência no interior de áreas como a medicina e a educação. Esses estudos foram orientados por uma perspectiva teórica que apreende a psicologia sob um olhar crítico, adotando como referencial os trabalhos desenvolvidos por MASSIMI e PATTO. O trabalho consistiu em uma reconstrução da produção historiográfica no campo da psicologia brasileira, bem como na análise de fontes documentais dos séculos XIX e XX, que possibilitaram a apreensão de saberes e conhecimentos psicológicos em Goiás. A pesquisa evidenciou que tais saberes que constituem o ponto de partida da historiografia da psicologia no Estado, estavam presentes desde o século XIX e consideravam os aspectos psíquicos a partir tanto de concepções inatistas quanto ambientalistas e interacionistas. O trabalho permitiu compreender que a psicologia, ao longo de sua constituição em Goiás, esteve relacionada à medicina e educação. A relação medicina-psicologia evidenciou-se na produção de conhecimentos referentes ao controle dos comportamentos individuais através da purificação e higienização dos espaços sociais. Porém, foi no terreno educacional que a psicologia encontrou maior espaço para o seu desenvolvimento, colaborando fundamentalmente para a formação de professores, especialmente por meio das discussões e proposições de novos métodos pedagógicos no interior das escolas normais, que muito contribuíram para a difusão das teorias psicológicas, especialmente as que caracterizam a Escola Nova. Pode-se dizer que os conhecimentos psicológicos foram fundamentais na difusão de uma nova concepção de educação, de criança e de sociedade, concepções estas que iam ao encontro do modelo de homem idealizado pelos projetos de modernização da sociedade e da cultura de Goiás, até a década de 1950.
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O êxodo das massas de agricultores provenientes da Itália, sobretudo do Vêneto, e instalados no final do século XIX no interior do Estado de São Paulo, e as diversas etapas de tal processo na formação da identidade ítalo-brasileira constitui o cenário de nossa pesquisa. Tal fenômeno exige indagar sobre o significado do “deixar a pátria” de origem e revisitar os lugares constitutivos da cultura camponesa dos imigrantes. Nosso objetivo é o estudo das cartas dos imigrantes vênetos e dos seus descendentes, visando colher os fragmentos de elos que perpassam as gerações e veiculam os valores de pertença cultural, no que se refere a determinado modo de vida familiar, ao processo de integração e de assimilação dos costumes brasileiros e à atual tentativa de resgate da identidade ítalo-brasileira. O método de análise utilizado é inspirado na fenomenologia de Edith Stein e busca apreender, a partir das estruturas de vivências pessoais e comunitárias, as experiências humanas de enraizamento/desenraizamento transmitidas pelos envolvidos na relação epistolar. O método fenomenológico possibilita reconhecer os pontos essenciais das narrativas em dois pólos importantes, seja na perspectiva interna das vivências dos sujeitos, bem como na dimensão inter-subjetiva. Analisamos, desse modo, as possíveis conexões entre duas distintas realidades: uma referente às correspondências trocadas entre os imigrantes vênetos do Brasil e Itália, e a outra referente às atuais correspondências, sobretudo dos habitantes da ex-colônia de Cascalho no município de Cordeirópolis-SP, que tem permitido aos descendentes a reconstrução da história familiar e constituído em estímulo para a preservação das raízes culturais e do valor das genealogias. Além das cartas, a pesquisa se baseia na leitura da bibliografia referente à imigração italiana no Brasil. Os resultados obtidos revelam a força comunicativa e evocativa do epistolário daquela comunidade de agricultores; mostram os aspectos dinâmicos dos relacionamentos e a busca das novas gerações pelas raízes; e as estruturas das vivências dos indivíduos e da comunidade.
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O objetivo do presente trabalho é analisar a constituição do projeto de uma psicologia científica na obra de Wilhelm Wundt. Tendo em vista as inúmeras falhas e lacunas na literatura secundária, propõe-se uma nova interpretação de seu pensamento, amparada principalmente no exame de fontes primárias, envolvendo tanto suas obras oficiais quanto materiais inéditos do ¿Espólio-Wundt¿ da Universidade de Leipzig. A tese central é a de que o projeto wundtiano de uma psicologia científica só pode ser adequadamente compreendido se levarmos em consideração os interesses e os pressupostos filosóficos que o fundamentam. Em outras palavras, demonstra-se que a psicologia de Wundt não pode ser separada de seu projeto filosófico, do qual ela é uma parte essencial. Argumenta-se que somente dentro desta perspectiva é possível compreender a ruptura teórica operada por Wundt em relação ao seu projeto psicológico inicial ¿ ruptura esta que permanece mal explicada, quando não ignorada na literatura secundária ¿, assim como a evolução e o amadurecimento posterior de seu sistema de psicologia. Finalmente, discutem-se a questão da unidade teórico-conceitual de seu projeto final e os limites do mesmo.