A sua pesquisa

Tipo de recurso
  • Esta pesquisa tem por objetivo realizar um estudo histórico da psicologia escolar na Secretaria Municipal de Educação – SME, da Prefeitura Municipal de São Paulo – PMSP. Sustentam esta elaboração os fundamentos da História do Presente, entendida como campo de estudo da história do século XX, a partir da década de 1930 e a proposta atual da Historiografia da Psicologia, especificamente na abrangência da abordagem social. Assim, procura responder ao desafio de se construir uma história crítica, articulando a história da psicologia e a da sociedade, evidenciando suas dimensões sociais e políticas. Documentos constituíram-se em matéria prima para a realização desse estudo histórico. A análise e interpretação do conjunto do material organizado permitiram a identificação de quatro períodos na atuação da psicologia na SME da PMSP e a elaboração de uma narrativa, na qual estão relacionados não só os dados entre si, mas também os dados com alguns dos acontecimentos que marcam a história do Brasil, da psicologia e da própria profissão de psicólogo. Além disso, a memória da autora esteve presente nos bastidores da pesquisa, desde que trabalhou como psicóloga escolar no Serviço de Psicologia Escolar dessa Secretaria, de 1978 até a sua extinção. Nessa perspectiva, o que se procura com este estudo é preencher uma lacuna no conhecimento dessa área, ou seja, oferecer um quadro de referências, que retrate não só as origens do Serviço de Psicologia Escolar no processo social e cultural da realidade brasileira, como as mudanças que nele ocorreram no período em que existiu, e no qual essa história pode encontrar seu sentido, não apenas de maneira circunscrita à Prefeitura de São Paulo, mas também como contribuição à história da psicologia no Brasil

  • A presente dissertação tem como objetivo contribuir para a história da Psicologia Social brasileira, através da análise da obra Introdução à Psicologia Social, de Arthur Ramos de Araújo Pereira (1903 - 1949), pertencente à produção bibliográfica na área, na década de 1930. Arthur Ramos, além médico e antropólogo, foi um estudioso em diversas áreas principalmente em psicanálise e psicologia, o que o levou a ministrar, em 1935, aulas de psicologia social na recém formada Universidade do Distrito Federal, então no Rio de Janeiro, cujo resultado foi, em 1936, o livro aqui analisado. Além de uma biobibliografia do autor, o texto traz a análise realizada, que incidiu principalmente sobre os temas selecionados para compor o livro e sua relação com as pesquisas e livros que eram produzidos à época, através de um estudo das referências bibliográficas, que por serem numerosas, colocam o livro na categoria de compêndio. Considerações sobre a década encerram o trabalho, mostrando Arthur Ramos como um médico "interessado no comportamento humano" (Ramos, 1945) e um "intelectual de sua época" (Miceli, 1979), sendo portanto, sua maior contribuição para a área, a difusão, em língua portuguesa, do conhecimento produzido até então, especialmente pela psicologia social norte-americana. Assim sendo, procurei investigar a importância de tal livro e de seu escritor para uma época quando o objeto de estudo e da psicologia social ainda não estava definido e, por isso, não havia uma definição clara quanto a que área ela pertencia: psicologia ou sociologia. Estou certa de que este estudo que realizei é apenas introdutório, pois ainda há várias questões a serem respondidas em relação às contribuições do livro e do autor para esta área.

  • O propósito deste trabalho é o de lançar a psicologia humanista brasileira no debate contemporâneo sobre as questões atuais dos processos de subjetivação. Ciente dos riscos que aguarda qualquer um que queira considerar a psicologia humanista de um modo geral - tendo em vista, evidentemente, a pluralidade de autores que declaradamente participam dessa vertente teórica - achei mais prudente considerar os escritos de um autor específico. Desse modo, nesta tese, discutirei em particular a proposta de Carl Rogers. Pretendo fazer algumas considerações históricas sobre a proposta clínico-teórica desse autor no contexto das psicologias existentes no Brasil. A tese principal que mais adiante estará sendo apresentada é de que essa proposta clínica e teórica de psicologia está, desde o seu surgimento, comprometida tanto com esforços de moralização e normalização da conduta dos indivíduos, através do exercício de formas de subjetivação que aliam sujeição e disciplina, quanto com propostas e esforços buscando a emancipação e a liberdade; estes dois pólos contraditórios caracterizam os indivíduos que vivem no mundo moderno e contemporâneo, entre os quais nos debatemos, tendendo, ora para a sujeição, ora para a liberdade. Desenvolvo minhas reflexões em torno da idéia das resistências que os sujeitos elaboram para fazer face aos processos de normalização e de disciplinarização. Em síntese, o trabalho, que será aqui apresentado visa à realização de uma revisão do contexto histórico e cultural que possibilitou o surgimento da psicologia humanista e da concepção de homem que sustenta, particularmente, a proposta rogeriana. Penso ser indispensável trabalhar essas questões, antes mesmo de nos aprofundarmos em quaisquer outras discussões dentro dessa abordagem em psicologia.

  • A renovação da historiografia intelectual sobre a antiga Companhia de Jesus (1540-1773) tem enfocado suas subestimadas, porém complexas, relações com os saberes renascentistas. Objetiva-se, com este estudo, analisar o uso da analogia da medicina da alma em algumas obras de influentes jesuítas dos séculos XVI e XVII, atuantes no contexto europeu e nas missões portuguesas. O exame do uso desta antiga analogia permite repensar os fundamentos, as relações com outros saberes do período e a operacionalidade de um sistema de convenções que nomeava atividades em concordância com a longa tradição médica do humoralismo e com a concepção de alma aristotélico-tomista. Foi realizado um levantamento de obras em que ocorre a analogia da medicina da alma em acervos brasileiros, franceses, italianos e portugueses que incluem fontes de medicina, teologia, pedagogia e manuais de retórica dos séculos XVI e XVII. Esta pesquisa resultou na localização de regras, diretórios, manuais e tratados práticos, além de cartas e sermões de jesuítas que se utilizam do termo medicina da alma. São textos fundamentais como os do fundador da Companhia, Inácio de Loyola; de seu grande colaborador, Juan Polanco; do cardeal Roberto Bellarmino; do retórico francês, Louis Richeome; do teólogo de Louvain, Léonard Lessius; do superior da ordem, Claudio Acquaviva; do procurador geral das Índias, Estevão Castro, e de missionários no Brasil, como José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e o célebre sermonistaAntônio Vieira. Em síntese, os diferentes empregos que estes autores fizeram da analogia da medicina da alma apresentam significações distintas que se superpõem e se complementam. O uso desta analogia evidencia, por um lado, a posição jesuítica nos debates do período acerca da natureza da alma que, sem contradizer a premissa de imaterialidade e de imortalidade de sua substância, fundamenta uma explicação coerente dos complexos processos da .. vida humana. Por outro lado, o múltiplo e complementar uso da analogia produz significações que permitem defender e legitimar práticas modificadoras de funções e movimentos atribuídos à alma. A analogia da medicina da alma confere a autoridade e a atualidade convenientes às diversificadas ações jesuíticas do período, que incluíam uma incipiente atenção à natureza e ao desejo individuais, cuidados com a alimentação, a observância da ordem nos corpos ou o eventual tratamento de enfermidades, indisposições e atribulações; abrangiam a administração de imagens persuasivas, consolatórias, pedagógicas, e, sobretudo, asseveravam o uso da palavra e de seus efeitos transformadores.

  • O objeto desta pesquisa são as idéias e as práticas de assistência ao idoso no Lar Padre Euclides de Ribeirão Preto/SP, nas décadas de 1910 a 1950. O Lar Padre Euclides foi fundado em 1919 sob a denominação de Asilo de Mendicidade de Ribeirão Preto, por Padre Euclides Gomes Carneiro. Entende-se a assistência no Lar como uma prática apoiada em idéias psicológicas acerca dos assistidos, motivada pela demanda de um contexto sócio-cultural específico. Através da reconstrução da história e do contexto de inserção da instituição, buscou-se compreender a concepção, a estruturação e o desenvolvimento de sua proposta assistencial e da sua trajetória do passado ao presente. A coleta de documentos foi iniciada na própria instituição, na Biblioteca Padre Euclides e no Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. Posteriormente foram visitados em São José do Rio Pardo/SP o Asilo de Inválidos e o Museu Riopardense, e em Botucatu/SP o Asilo Padre Euclides e o Centro Cultural. Os asilos destas duas localidades foram também fundados por Padre Euclides. A análise descritiva e crítica dos documentos (relatórios anuais, estatutos, atas, regulamentos, notícias de jornais, fotografias) seguiu a orientação teórica e metodológica da Micro-História. O trabalho é inicialmente composto pelas narrativas histórica acerca da vida de Padre Euclides e das obras criadas por ele, e da origem e desenvolvimento do Lar Padre Euclides de Ribeirão Preto/SP, enfatizando-se as práticas de assistência voltadas ao oferecimento de moradia, trabalho e vida religiosa aos assistidos. Segue-se a descrição e caracterização das idéias acerca dos assistidos, ressaltandose a idéia dos “verdadeiramente necessitados". A partir da análise das principais fontes de receita e despesas da instituição, evidenciaram-se aspectos específicos do relacionamento do Lar com a comunidade, sendo estes responsáveis pela permanência da obra no presente. A reconstrução da história do Lar Padre Euclides, nas décadas de 1910 a 1950, possibilitou também a compreensão da sua realidade atual, do reconhecimento de elementos de continuidade entre o presente e a origem da instituição.

  • As idéias psicológicas foram introduzidas no estado do Rio Grande do Sul com a criação das primeiras instituições de ensino superior no final do século XIX. Entre elas se destacam a Faculdade de Medicina (1898) e a Faculdade de Direito (1900). Esta tese teve como objetivos principais descrever as idéias psicológicas presentes nestas duas faculdades, e investigar a relação da ciência psicológica com os demais campos de conhecimento. Foram pesquisados os acervos das bibliotecas das respectivas faculdades, bem como os arquivos históricos do estado e da cidade de Porto Alegre. Os livros e teses encontrados foram catalogados e listados quanto a sua procedência, data de publicação e área temática principal. A pesquisa nos arquivos históricos auxiliou na descrição do contexto sócio-cultural no qual estas faculdades se desenvolveram através do exame da legislação e dos jornais da época. Todos os documentos foram analisados com base nas abordagens da História das Idéias Psicológicas e da História das Ciências. Identificaram-se seis categorias utilizadas na análise dos dados, a saber, “Idéias psicológicas e concepções de higiene no contexto sul-rio-grandense", Concepções de adoecimento mental e a constituição da Psiquiatria no Rio Grande do Sul", Criminologia, identidade e o estabelecimento de normas na sociedade sul-rio-grandense", Saúde pública e cuidados com a infância: Primeiras experiências em higiene escolar"; Estratégias de diagnóstico e de tratamento das doenças mentais nas perspectivas da Psiquiatria e Neurologia sul-rio-grandense" e A relação do homem com o ambiente: Primeiras experiências da aplicação da teoria psicossomática na Medicina do Rio Grande do Sul". Os resultados foram analisados em suas similaridades e especificidades com outras investigações a respeito da História das Idéias Psicológicas no Brasil e compõem um levantamento das idéias psicológicas no Rio Grande do Sul entre 1890 e 1950.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)