A sua pesquisa
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O ensino de Psicologia no Brasil foi fundamentalmente modificado pelo reconhecimento da profissão de psicólogo, em 1962, e pela reforma universitária que organizou as universidades em departamentos, na mesma década. O ensino de Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) remonta aos anos 1940, na antiga Faculdade de Filosofia. Um curso de graduação em psicologia foi criado apenas em 1973. A partir da coleta de dados documentais e depoimentos de personagens que testemunharam e atuaram nos eventos em questão, este trabalho narra a história do ensino de Psicologia na UFRGS, da instalação do Departamento de Psicologia em 1971 à criação do Programa de Pós-graduação em 1988. O histórico do ensino de Psicologia na UFRGS reflete as condições legais e burocráticas que pautaram o Departamento e seus órgãos, e as mudanças do corpo docente. A pós-graduação qualificou o ensino de graduação graças a pesquisa sistemática, titulação do corpo docente e programas de bolsas. Assim, o desenvolvimento do ensino de psicologia na UFRGS completou um ciclo, iniciando em cátedras e culminando num modelo departamental de integração entre ensino e pesquisa.
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Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise sobre a inserção dos saberes psicológicos na formação de professores primários do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, no período de 1932 a 1938, buscando compreender de que forma a psicologia - com todas as suas diversidades e atravessamentos - atrelava-se à crescente industrialização e aos projetos de modernização do país, estabelecendo-se como um dispositivo legitimador de uma nova concepção de homem. Como fundamentação teórico-metodológica, utilizou-se uma análise sócio-histórica, procurando verificar não exatamente o aparecimento dos saberes psicológicos e suas teorias, mas sua penetração nos discursos educacionais e no próprio cotidiano das escolas. Foi realizada uma pesquisa documental em diversos arquivos: arquivo Lourenço Filho e arquivo Anísio Teixeira, no CPDOC/FGV - RJ, e nos arquivos do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Foram analisados programas de diversas matérias, dentre elas: psicologia educacional, psicologia da aprendizagem, psicologia diferencial e psicologia geral. Pôde-se constatar que, além das cadeiras específicas de psicologia, esta se encontrava presente nos programas das demais matérias, como um item fundamental para o processo educativo. Estabelecia-se, na formação de professores do Instituto de Educação, uma ampla propagação dos saberes psicológicos que se apresentavam de forma "camuflada" nos programas escolares, através de concepções sobre a infância, sobre o comportamento, a estruturação do ato de pensar e aprender, enfim, a psicologia ditava verdades sobre o funcionamento humano - a normalidade legitimada pelo discurso científico. A nova organização escolar, estabelecida a partir de preceitos da escola nova, divulgava e difundia a psicologia como um campo de fundamental importância para adaptação dos meios/métodos educacionais à realidade vigente: segundo estes preceitos, a educação seria social nos fins e psicológica nos meios - esquadrinhava os corpos por suas individualidades, e os ordenava transformado-os em uma massa uniforme -, estando voltada para a formação de sentimentos, valores e ideais de um novo homem brasileiro.
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O propósito deste trabalho foi examinar, de um ponto de vista histórico, as relações existentes entre modernização urbana e o desenvolvimento da Psicologia em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Considerando as mudanças ocorridas no espaço, na cultura, e na vida cotidiana, descrevemos a inserção da Psicologia nas seguintes instituições: 1) Escola Normal de Natal, Ateneu norteriograndense e a Escola Doméstica; 2) instituições médicas que desenvolveram na cidade o uso de tecnologias psicológicas como os testes de inteligência, principalmente os centros psiquiátricos; 3) A Escola de Serviço Social, primeira instituição de ensino superior regular do Rio Grande do Norte, que introduziu o ensino de Psicologia durante o período de 1945-1965 como disciplina acadêmica de preparação universitária; 4) O Centro de Psicologia Aplicada, primeira instituição psicológica do estado, criada em 1965, que desempenhou um importante papel na disseminação da tecnologia psicológica (testes de inteligência e personalidade, orientação vocacional, psicodiagnóstico e seleção profissional). O processo de modernização da cidade, na década de oitenta, passou a se configurar como uma "urbanização turística", transformando Natal em uma "Cidade do Prazer", em que o hedonismo e o narcisismo passaram o ser os valores determinantes do novo estilo de vida do natalense. Neste contexto foi criado o curso de Psicologia da universidade Federal do Rio Grande do Norte. A abordagem hegemônica no treinamento profissional do curso era a Psicologia humanista de Carl Rogers, uma abordagem acrítica e não-histórica. A instalação de Shopping Centers e redes internacionais de supermercado anunciavam o início de uma moderna cultura de consumo em Natal. O processo alienante de subjetivação que os meios de comunicação de massa introduziram na cidade foram reforçados pela prática psicológica acrítica predominante.
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Esta pesquisa busca traçar as rotas pelas quais deu-se a incorporação de categorias psicológicas na construção histórica da infância criminalizada no caso brasileiro. Ao reconstruir este percurso, defende-se a tese de que a emergência de determinados saberes psicológicos no Brasil foi estruturante nessa construção no período analisado, que compreende a Primeira República. Sob essa premissa, é analisado o lugar de categorias psicológicas na constelação que demarcou o discurso sobre a infância criminalizada, pretendendo-se assim apontar marcas da sedimentação de tais categorias. Para tanto, foi necessário investigar como o controle social de numerosas crianças gerou uma norma própria ao grupo classificado como objeto de ciência. A pesquisa indicou que o objeto infância criminalizada não é unívoco ao ser delineado nas sentenças jurídicas, nas medidas policiais, no diagnóstico psiquiátrico ou nos projetos pedagógicos. Procurou-se descrever a dispersão desses objetos durante a Primeira República, apreender os interstícios que os distinguem e apontar o jogo múltiplo de categorias psicológicas nessa dispersão. Nesse rumo, procurou-se também enfatizar em que medida o discurso psicológico foi permeável a opções filosóficas ou morais, e atravessado radicalmente pela prática política.