A sua pesquisa
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A Escolologia, definida como a ciência da escola, é uma proposta da educadora e psicóloga russo-brasileira Helena Antipoff, desenvolvida na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, nos anos de 1930, tendo por objeto de estudo a escola e tudo relacionado a ela. Por meio de uma investigação documental, analisaram-se os conceitos e fundamentos teórico-metodológicos que deram origem à proposta, a saber: a perspectiva do movimento da Educação Nova, em que a criança é colocada no centro do processo pedagógico; a psicologia da criança; a pedagogia experimental de Édouard Claparède, e o método de experimentação natural de Alexander Lazursky. Antipoff inovou elegendo a escola como unidade psicossociológica, considerando-a como uma totalidade com múltiplos fatores que, em conjunto, poderiam influenciar os processos de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, como o meio familiar, social, cultural, econômico; a escolha dos métodos pedagógicos, e a organização da gestão escolar. Os estudos escolológicos inseriram, na formação dos professores, o uso de métodos científicos de investigação visando tornar a pedagogia uma ciência experimental.
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O artigo apresenta a história da criação e revisão do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP), com ênfase nas discussões e deliberações tomadas nos Congressos Nacionais da Psicologia (CNP), Fórum de Ética, sessões Plenárias e Assembleias do Sistema Conselhos de Psicologia. Foram incluídos neste resgate histórico novos elementos sobre a origem do Código e sobre o contexto sócio-político vivenciado pelo país e pela profissão à época de cada revisão. Informações advindas de artigos disponíveis em bases de dados científicas, publicações e documentos internos dos Conselhos, indicam que o texto do Código se tornou mais generalista do que as versões anteriores, passível de aplicação em contextos variados de atuação, e que a escuta das(os) psicólogas(os) foi importante para suas modificações ao longo do tempo.
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O objetivo deste artigo é demonstrar de que maneira o pensamento psicanalítico de Melanie Klein foi introduzido e difundido no Brasil, e, simultaneamente, apresentar a relação entre as ideias de Melanie Klein e o desenvolvimento da psicanálise de crianças no país. A partir de uma investigação histórica, fundamentada em análise documental e entrevistas com pioneiros da psicanálise, identificou-se que a transmissão das ideias kleinianas por intermédio da psicanálise de crianças no Brasil, iniciada na década de 1930, passou por três etapas: 1) Das primeiras referências às práticas de higiene mental escolar, 2) O surgimento da prática clínica e 3) A consolidação da psicanálise de crianças e da matriz kleiniana. Conclui-se que a apropriação das ideias kleinianas no Brasil transitaram de uma reprodução canônica, com pouca ou nenhuma inovação no início, em direção ao desenvolvimento de um pensamento clínico original com a introdução de inovações teóricas e técnicas.
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Este texto apresenta e discute o encontro de uma pesquisadora em psicologia com uma terra indígena Guarani M’byá, localizada no norte do estado de Santa Catarina. Os pressupostos teórico-metodológicos, inspirados na etnografia e na perspectiva bakhtiniana de análise dialógica do discurso, possibilitaram a experiência de encontro em que se reconhece a alteridade na produção de conhecimentos em pesquisa. Compreendemos que as memórias Guarani M’bya, embora sobreviventes a processos de apagamentos, permanecem sendo praticadas na relação com o território, incorporadas e ocorrendo em condição de movimento. Como resultado da experiência realizada com vestígios, reconhecemos diferentes faces da colonialidade que se reafirmam contemporaneamente e confrontos com os modos de viver ocidentalizados. Identificamos a necessidade de a psicologia deslocar-se do olhar eurocêntrico. E, por fim, desde o contato com os modos de vida do povo Guarani M’byá, apontamos algumas pistas para um porvir humano.
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Este artigo tem como objetivo traçar, a partir de revisão de literatura, um panorama histórico e teórico da complexa interface entre psicologia, saúde mental e religião islâmica. Revelado no século VII, o Islã viveu, entre os séculos VIII e XIV, a sua chamada Era de Ouro, um período profícuo para o desenvolvimento de diversas áreas da ciência. Entre elas, destacaremos nesse texto as contribuições dadas por muçulmanos ao que nomeamos como psicologia e psiquiatria, bem como algumas concepções psicológicas oriundas da própria cosmologia islâmica, acionadas séculos depois por Frantz Fanon em seus escritos psiquiátricos datados da década de 1950. Argumenta-se que o conhecimento desses saberes psicológicos silenciados está em sintonia com a discussão decolonial, sendo uma pauta especialmente pertinente se considerarmos a urgência de se pensar a religião, o religioso e a expansão do lugar das religiosidades-espiritualidades na psicologia contemporânea.
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Revisitamos a história da Psicologia Social Comunitária (PSC) no Brasil e analisamos a ausência de menções aos trabalhos produzidos pela Universidade de São Paulo (USP). Partindo da pesquisa histórica com fontes bibliográficas, buscamos responder à seguinte pergunta: qual a contribuição da USP para o campo da PSC brasileira? Os resultados mostraram que existe o desenvolvimento de uma “escola uspiana”, no Campus do Butantã, desde a década de 1970. Identificamos três períodos, ou gerações de pesquisadoras(es) (1970-1990, 1990-2010 e 2010-atual), e apontamos conceitos próprios ou desenvolvidos por essa tradição, tais como: comunidade de destino, enraizamento, humilhação social, cenas sociais e vulnerabilidades pessoal, social e programática. Concluímos que a escola uspiana vem se consolidando no campo da PSC e, devido sua larga tradição, tem oferecido contribuições significativas para a disciplina, ainda que pouco notada pela literatura disponível.
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Este trabalho trata da difusão do paradigma das representações sociais no Brasil. Seu objetivo foi descrever a progressão desse fenômeno e teorização nos últimos 40 anos (1982 a 2021). Trata-se de um estudo de revisão histórica de trabalhos sobre representações sociais, realizada em duas etapas: 1) revisão de teses e dissertações defendidas em programas de pós-graduação no Brasil e; 2) revisão de artigos científicos publicados por autores brasileiros. Foram analisados os títulos de 4.010 trabalhos de pós-graduação (1.087 teses e 2.930 dissertações) e 2.466 de artigos científicos, com o auxílio do IRaMuTeQ. Pode-se concluir, ao considerar o lugar da expressão “representação social” nos títulos dos trabalhos, que ao longo desses 40 anos houve pouco avanço teórico no contexto brasileiro. As representações sociais são abordadas como um fenômeno, ou seja, ligadas a estudos com interesses pragmáticos, em especial, para resolução de problemas sociais e nos campos da saúde e da educação.
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Obra resenhada: Goulart, I. B. Psicologia da Educação em Minas Gerais segundo a narrativa dos principais atores – 1927 a 1990. Artesã.
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Este artigo objetiva identificar, contextualizar e analisar evidências e impacto do evolucionismo darwiniano na obra de Sigmund Freud, na literatura especializada nacional nas últimas duas décadas. Uma revisão sistemática da literatura foi empreendida, em conformidade com as orientações metodológicas PRISMA, valendo-se, para tanto, de palavras-chave selecionadas, posteriormente empregadas na pesquisa conduzida em sete bases de dados distintas. Após seleção, chegou-se a uma amostra final composta por dezesseis artigos de relevância. De acordo com os resultados, evidencia-se: evolucionismo darwiniano como um recurso na escrita da obra freudiana; utilização da história evolutiva ou história filogenética como justificativa das elaborações de Freud; teoria darwiniana como meio para compreensão da origem de sintomas e estados psíquicos; uso da figura representativa de Darwin.
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This essay examines the development and social commitment of Social Representations Theory (SRT) in Brazil over 64 years (1961-2025), focusing on its appropriation and re-elaboration by academia, especially in Social Psychology and Education. The reflection highlights the role of SRT as a critical and transformative tool, capable of unveiling social realities and, particularly, contributing to analyses of subjectivities within the fields of education and health. The manuscript also explores how Brazilian studies in social representations have been solidified through research groups and associations, driving a movement of intellectual resistance and scientific innovation. Finally, it reinforces the ethical-political commitment of SRT in Brazil, which aims not only to understand but also to transform unjust social structures, with a fundamental emphasis on education as a path to social change.
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A psicanalista russa Sabina Spielrein elaborou uma teoria original e adotou uma perspectiva inovadora na psicanálise, ao vincular hipóteses psicanalíticas ao conhecimento proveniente de outras fontes, como a neurologia e a linguística. Apesar de ter permanecido durante um longo período no esquecimento, nos últimos anos a importância de sua contribuição tem sido reconhecida. A partir de seu encontro com Jean Piaget, no Instituto Jean Jacques Rousseau, estabeleceu um diálogo muito significativo para a formulação de sua teoria . Ao que tudo indica, esse diálogo teve um papel importante também na teoria psicológica elaborada por Piaget na década de 1920, fato pouco conhecido e investigado na história da psicologia e da psicanálise. O objetivo deste artigo é regatar um pouco da história do encontro entre os dois autores, esclarecendo o contexto em que ele ocorreu e abordando alguns aspectos da sua interlocução teórica.
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O ensino de história da psicologia é uma área ainda incipiente no contexto brasileiro. Este trabalho apresenta uma modalidade inovadora para o campo, ao mesmo tempo que produz extensão e difusão da cultura científica. Trata-se da criação de verbetes em contexto de graduação e sua posterior publicação em uma enciclopédia eletrônica de tipo wiki, a WikiHP. Esta é parte do programa de extensão Portal História da Psicologia, que alia a produção de verbete a outros produtos de extensão. A iniciativa tem se mostrado bem-sucedida e sua experiência pode ser replicada e adaptada para o ensino de outras ciências.
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Neste artigo, realiza-se um estudo historiográfico sobre o psiquiatra Heitor Péres, quem, dentre outras funções assumidas no serviço público, dirigiu a Colônia Juliano Moreira entre 1946 e 1956. A pesquisa teve como interesse principal investigar suas contribuições na área da praxiterapia, isto é, o uso de ocupações terapêuticas no âmbito da assistência psiquiátrica. Heitor Péres foi um grande entusiasta do que denominou praxiterapia integral. Sua trajetória profissional auxilia a compreender o lugar desta prática no campo da medicina psiquiátrica no Rio de Janeiro. As conclusões deste estudo sugerem o emprego paralelo de teorias organicistas e métodos de tratamentos com base nas ocupações terapêuticas em sua prática profissional. A trajetória de Heitor Péres ajuda a problematizar a leitura histórica que se tem feito da psiquiatria brasileira das décadas de 1940 e 1950, assim como a desmistificar a ideia de que a praxiterapia era percebida neste contexto como um método de tratamento inferior àqueles de base organicista.
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Este estudio tiene como objetivo llevar a cabo un análisis de las redes de colaboración científica que se organiza a partir del desarrollo de la investigación historiográfica de la psicología en América Latina. Para ello, se toma como corpus empírico la producción académica de los investigadores que son miembros de la Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicología (RIPeHP). Se emplean herramientas bibliométricas para mapear las redes y establecer indicadores de colaboración científica. Específicamente se hace uso del análisis de coautoría para identificar las comunidades académicas visibles y ocultas que se conforman a partir de las dinámicas de investigación historiográfica en la región. La creación de la Red fue en parte posible por la iniciativa de investigadores del grupo de trabajo en historia de la Sociedad Interamericana de Psicología (SIP). Este año la SIP celebra setenta años de historia desde su creación en el año 1951. En el caso particular de este estudio, exponemos información relevante al interior de la investigación historiográfica y se discute el papel de la SIP en fomentar y contribuir al fortalecimiento de la historia de la psicología latinoamericana.
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Este trabalho é fruto de uma investigação histórica sobre as condições da emergência do grupo do Setor de Psicologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais, bem como o desenvolvimento de suas atividades. Tomamos como abordagem metodológica a análise documental, além de entrevistas, com foco no período 1964-1994, estando este marcado por uma grande repressão política que, todavia, não silenciou um debate crítico, o que levou o Setor a ter uma grande contribuição para a institucionalização e fortalecimento da Psicologia Social no Brasil. O intuito é examinar a proposição do Setor a partir das disciplinas ofertadas e entender a diversidade de seus temas, o intercâmbio de pesquisadores e alunos com outras universidades, além da internacionalização desse projeto, incluindo grupos franceses, enfatizando a sua contribuição para a disseminação e consolidação da Psicossociologia.
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La historia de la psicología es un campo de investigación nuevo en América Latina, pero está en pleno desarrollo. La Revista Puertorriqueña de Psicología (reps) atestigua este hecho cuando vemos que hay pocos artículos sobre este tema desde su fundación en 1981. Sin embargo, en el 1993-94 se publicó un número especial sobre la historia de la psicología en Puerto Rico con 12 artículos, seguido por una segunda publicación especial en el 2006 con más de 20 artículos. A partir de estos dos números especiales, hay una presencia constante, aunque reducida, de artículos historiográficos. El objetivo de este trabajo fue hacer una investigación ex-post-facto, histórica, en la cual evaluamos todos los artículos (n = 69) sobre historia de la psicología en la reps, a fin de analizar su contenido, distribución de las autorías (n = 54), género y las instituciones de procedencia. Los principales resultados apuntan que hay una concentración de publicaciones historiográficas de un número reducido de autorías y de pocas instituciones de Puerto Rico. En relación al contenido, los temas más frecuentes fueron las categorías “personajes”, “organización profesional” y “enseñanza de Psicología”, lo que sugiere una historiografía involucrada con la institucionalización de la disciplina psicológica.
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Este trabajo tiene como objetivo reflexionar sobre el papel del estudio histórico en la psicología y revisar el curso de las ideas psicológicas desde el siglo XIX hasta principios del siglo XX en Brasil, desde la perspectiva de que, aunque tiene su propia singularidad, su historia es similar a la de otros países latinoamericanos, forjada en el proceso de colonización. El método utilizado es una revisión bibliográfica sobre dos temas que se cruzan, la historia de Brasil y la historia de la psicología en el país. Presenta la llamada "psicología tomista" en la época colonial y su progresiva sustitución por la psicología científica, es decir, el paso del discurso religioso sobre el alma por el nuevo discurso médico-científico. Sin embargo, ese discurso se manifiesta con fuerza y retoma una parte de su espacio a principios del siglo XX bajo el disfraz de "neotomismo", mostrando una bifurcación en la enseñanza y la práctica de la psicología en la primera mitad del siglo. Se concluye en la consideración del surgimiento de este debate desde finales del siglo XIX, y aún en el XXI, a través de la llamada psicología cristiana.
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O presente artigo consiste em uma reflexão de natureza historiográfica sobre o percurso da Revista Estudos e Pesquisas em Psicologia, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IP-UERJ), por ocasião do 20º aniversário (2001-2021) do periódico. Por meio de análise documental das edições regulares (excetuando os dossiês temáticos) e de entrevistas com três ex-editoras-chefe, são analisados, em especial: o contexto de criação do periódico, no início dos anos 2000; as transformações no processo editorial, decorrentes tanto das injunções das políticas científicas de avaliação de periódicos pela CAPES, quanto da maciça migração das publicações científicas para o meio eletrônico; os impactos da crise sistêmica de financiamento da universidade pública (notadamente, as especificidades do contexto uerjiano) na segunda metade da década de 2010. Deste modo, reflete-se tanto sobre as especificidades da trajetória da Estudos e Pesquisas em Psicologia, quanto sobre os sentidos e desafios envolvidos no fazer editorial no cenário contemporâneo.
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Este artigo analisa as condições e efeitos históricos da realização do VI Congresso Interamericano de Psicologia (VI CIP)no Rio de Janeiro (1959). Durante o final da década de 1950, o Brasil vivia um período de euforia desenvolvimentista nosplanos econômico e cultural e de emergência de uma nova imagem do Brasil para o mundo. Foi também um período marcadopela criação dos primeiros cursos de graduação em Psicologia (a partir de 1953), bem como das negociações políticas queculminaram na regulamentação legal da profissão de psicólogo (1962). As fontes consultadas foram os Anais do VI CIP,contendo listas de participantes e resumos dos trabalhos apresentados, bem como publicações de imprensa que retratavama cobertura midiática do congresso. O VI CIP teve 409 congressistas provenientes de 13 países, sendo 254 mulheres e151 homens, além de 4 pessoas não identificadas. Percebe-se que a realização do VI CIP foi um marco de impulso para aPsicologia enquanto profissão emergente no Brasil, ao mesmo tempo que a repercussão pública do evento contribuiu tanto paraa visibilidade desta ciência no meio interno, quanto para a divulgação da produção psicológica brasileira a nível continental.