A sua pesquisa
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Os conteúdos e temáticas discutidos pelos autores são múltiplos e respondem a demandas vivenciais, retratando as DIVERSIDADES DO SABER PSICOLÓGICO: REFLEXÕES TEÓRICAS E EMPÍRICAS, ao mesmo tempo, apresentam inquietações que se colocam como desafios emergentes para a formação e atuação dos profissionais de psicologia. Destaco que um dos fatores singulares e que merece destaque é efetivamente a diversidade da docência, em demonstrar a importante relação aluno- professor na construção do conhecimento coletivo no curso de psicologia do Centro Universitário UNIESP.
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Pensar os elementos que compõem uma Psicologia Decolonial perpassa pela compreensão dos engendramentos políticos, sociais, culturais, epistemológicos, práticos e éticos da Psicologia enquanto Ciência e Profissão. Engendramentos ruidosos, escancarados de tão explícitos, enquanto projeto de silenciamento dos modos de ser, pensar, sentir, agir e viver. Nesta pesquisa, se busca compreender como o Pensamento Decolonial pode contribuir para uma formação decolonizadora na Psicologia. Para responder a esse questionamento, foi definido como objetivo geral analisar as contribuições do Pensamento Decolonial à Psicologia para uma formação decolonizadora. Três objetivos específicos foram elencados para orientação da pesquisa: a) identificar as origens epistemológicas que estruturam a formação em Psicologia no Brasil; b) traçar os percursos do Pensamento Decolonial e suas aproximações com uma Psicologia ética, crítica e política; c) propor elementos decolonizadores à formação acadêmica, por meio de uma Psicologia Decolonial. Em termos metodológicos, a pesquisa assume o caráter qualitativo das pesquisas bibliográficas. As análises consideram as contribuições da perspectiva decolonial e, por este motivo, compreendem a necessidade de atentar para o caráter intercultural, interdisciplinar e dialógico entre os saberes hegemônicos e os subalternizados. Recorre-se à “Análise de Discurso Crítica” (ADC), um método de análise em pesquisas qualitativas, no qual não há uma única perspectiva discursiva, mas uma heterogeneidade de elementos em diálogo permanente. São discutidas nessa pesquisa, as origens epistemológicas da Psicologia no Brasil, com a importação de saberes e discursos hegemônicos oriundos da Europa e Estados Unidos, por uma certa elite social, com vista a construir uma sociedade modelo e padrão. As discussões acerca do percurso histórico da Psicologia enquanto ciência autônoma, com forte influência do positivismo e a regulamentação da profissão, ganham espaço à medida que se problematiza os fundamentos que alicerçam sua práxis. Os principais conceitos do Pensamento Decolonial, protagonizam um diálogo Norte-Sul e Sul-Sul, com perspectiva libertadora da hegemônica construção dos conhecimentos. As análises das publicações em diálogo com a perspectiva decolonial e a Psicologia, seu compromisso ético, crítico e político, apresentam proposições possíveis à formação profissional da psicóloga e do psicólogo. Nesse sentido, um fazer consequente, consciente e potente de uma prática implicada na transformação e não apenas na teorização vazia e distante das realidades locais.
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Este trabalho tem como objetivo conhecer e discutir a contribuição teórica de quatro intelectuais negras brasileiras para a construção de uma Psicologia Brasileira antirracista. Desenvolvo uma reflexão crítica para demarcar a existência e a possibilidade da produção de uma Psicologia Antirracista a partir das intelectuais Virgínia Leone Bicudo, Neusa Santos Souza, Isildinha Baptista Nogueira e Maria Aparecida Silva Bento. Acredito que recuperar as ideias destas intelectuais negras implica descobrir, reinterpretar e ressignificar a história da Psicologia brasileira, bem como refletir sobre as contribuições teóricas destas autoras e sobre o modo como foi construída uma política de circulação de determinados conhecimentos em detrimento de outros conhecimentos, política esta que passa a operar em direção do projeto de epistemicídio. Do mesmo modo, discuto sobre a importância de entendermos o quanto a colonialidade do poder se estrutura como uma matriz de inteligibilidade social, cultural e epistemológica, onde se consolidou no desenvolvimento das Ciências Humanas e, sobretudo, na Psicologia. Além disso, articulo, com reflexões e análises sobre os atravessamentos que as obras destas intelectuais negras brasileiras produziram em mim, por meio das escrevivências das minhas experiências enquanto psicólogo, professor e corpo negro. Desta maneira, relaciono as minhas reflexões, bem como as minhas vivências com a produção teórica das autoras, para se pensar sobre a emergência da construção de uma Psicologia Brasileira Antirracista, rompendo com a produção de um saber e de uma Psicologia que corrobore olhares dicotômicos, americo-eurocêntricos, haja vista que romper com as matrizes colonialistas e lógicas maniqueístas é poder fazer, existir e sonhar dentro deste sistema que nos sucumbe a todo o momento. Por fim, através do escreviver, me coloco como sujeito autor testemunhando uma Psicologia no qual o étnico-racial não seja apenas um elemento pontual e subalterno, mas que se faz presente no hoje, no amanhã e no sempre. Com isto, fazendo uso da produção intelectual destas quatros mulheres negras, a voz que se ergue está carregada de denúncia, de política, de raiva, de ódio, mas, também, de amor, afeto, desejo e esperança. É uma narrativa que cria. Que almeja a invenção e de produções de utopias possíveis.
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Esta dissertação investigou as possibilidades educativas do Estudo Dirigido no ensino de História como atividade de mediação, como recurso técnico-político para a construção de conceitos científicos a partir da apropriação do conhecimento histórico. A investigação contou com a aplicação e acompanhamento de uma sequência didática aplicada para o ensino médio em uma escola pública do município de Contagem - MG, com duração de um mês durante o ano de 2022. A utilização de atividade prática de mediação intelectualizada apontou para o fortalecimento de um processo de instrução robusto em termos pedagógico e didático – na perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica. Este trabalho atua com categorias da lógica dialética, movimento, desenvolvimento e contradição, a partir da atividade de instrução escolar com a perspectiva da ensinar conceitos científicos no campo da História. A Psicologia Histórico-Cultural foi utilizada para o desenvolvimento da análise das ações subordinadas do estudo dirigido visando compreender o processo de produção de sentidos e o desenvolvimento dos conceitos científicos. Os resultados da pesquisa indicaram que os conceitos científicos foram apropriados pelos estudantes, sendo a atividade um elemento de mediação determinante para o desenvolvimento da ação de verbalização intelectualizada de conceitos científicos históricos. As análises mostraram também que a partir do desenvolvimento de interações dos fatos históricos com categorias do quadro conceitual, elevaram o número de relações de codeterminação entre conceitos científicos e por isso contribuiu com a apropriação do conhecimento histórico. Na mesma medida, a atividade contou com intenso trabalho não material de planejamento e de problematização do professor, bem como a consolidação da realização pelos estudantes de textos dissertativos-argumentativos evidenciando sentidos históricos científicos corretos sobre a temática estudada.
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O cuidado psicológico à população LGBTI+ na atualidade é fruto de processos históricos de patologização e negligência no campo da medicina e da psicologia, somados a uma cultura ocidental homofóbica. Segundo a literatura, tais processos continuam exercendo influência em como a assistência psicológica é formulada e operacionalizada. Desse modo, o objetivo desta investigação é analisar como se dá a capacitação destes profissionais e identificar as recomendações para uma atuação profissional adequada. Para tal, foram realizados dois estudos, o primeiro se tratando de um estudo documental que analisa de que forma o cuidado psicológico com a população LGBTI+ é descrito e proposto por associações profissionais ao redor do mundo e o segundo, uma revisão integrativa de literatura que explora como tem se dado a capacitação dos psicólogos para atuar com essa população. O primeiro estudo demonstrou uma ênfase na conscientização do profissional sobre as contribuições históricas da Psicologia; a necessidade de autoavaliação do mesmo; a importância do desenvolvimento de uma postura profissional afirmativa e do envolvimento com a promoção de mudanças sociais e políticas. O segundo estudo explorou atitudes e competências profissionais no manejo com a população LGBTI+, avaliação de programas de treinamento específicos para o trabalho com esse grupo e a percepção dos clientes em relação às competências dos profissionais. Os trabalhos se complementam ao proporcionar um entendimento, sob perspectivas distintas, de como qualificar o cuidado psicológico à população LGBTI+.
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A dissertação apresenta a produção do conhecimento histórico sobre concepções de Educação Profissional para os menores desamparados que fundamentaram os discursos políticos de Helena Antipoff, no período de 1930 a 1935. A escolha temporal reflete o período que Helena Antipoff protagonizou a criação de várias instituições educacionais e mobilizou recursos por meio de palestras, conferências, artigos, seminários e relatórios. Os escritos publicados para esse fim definem o corpus de análise para a compreensão da problemática de pesquisa. A fundamentação teórico-metodológica deste trabalho é a Análise do Discurso Político de linha franco-brasileira, destacando as ferramentas conceituais de Foucault, Charaudeau e Berstein. Primeiramente, apresentamos a constituição da identidade de Helena Antipoff como sujeito político tendo como base os critérios de validação propostos por Charaudeau de legitimidade, credibilidade e autoridade. Em seguida, com base nos estudos teóricos e análises empreendidos, procurou-se conhecer, partindo da materialidade linguística presente no corpus selecionado, as concepções e os efeitos de sentido de Educação Profissional para os menores desamparados nos discursos políticos de Helena Antipoff. Nosso estudo, identificou a presença de formações discursivas higienistas, liberais, escolanovistas e republicanas na caracterização dos sujeitos menores desamparados e no projeto de Educação Profissional pensado para atender esses sujeitos. Ressaltamos que o projeto de Educação Profissional pensado por Helena Antipoff foi considerado no âmbito da pesquisa como importante vetor na identificação das culturas políticas que marcaram o período histórico estudado. Os discursos analisados apontam a aproximação da cultura política republicana em contraposição à cultura política varguista. Lembrando que o recorte histórico corresponde a um período de transição no cenário político brasileiro com o fim da República Velha e início da Era Vargas.
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Os profissionais praticantes da Psicologia então adjetivada Industrial, eram destinados a um conjunto de práticas para atração, identificação e análise dos comportamentos humanos que as definem como processos de Recrutamento & Seleção (R&S) de trabalhadores. Posteriormente, pesquisas mostraram a expansão da atuação na área para além das indústrias, contemplando empresas de setores diversos. A expansão agregou outras práticas como planejamento e acompanhamento de processos para promoção de saúde e segurança do trabalhador. As pesquisas da história da Psicologia no âmbito das empresas no Brasil mostram que esta diversidade de práticas foi, com o tempo, ganhando impulso e credibilidade sendo denominada Psicologia organizacional e do trabalho (POT). No estado do Espírito Santo (ES), o processo de industrialização ocorrido na década de 1960 inaugurou um amplo mercado de trabalho para estes profissionais nas décadas subsequentes, possibilitando criação, incorporação e consolidação de práticas culturais em uma história que até então não tinha sido contada. Esta tese conta uma parte dessa história e se circunscreve concomitantemente na área de atuação denominada POT, na história da Psicologia e na análise comportamental da cultura. O objetivo geral foi identificar, descrever e compreender as práticas culturais da área, seus agentes e como tais práticas foram aplicadas em algumas organizações do ES no período compreendido entre 1980 e 2010. Ela está dividida em três estudos, seus objetivos específicos, que têm como objetos: 1. Práticas culturais no estabelecimento da POT em empresas no Espírito Santo; 2. Práticas culturais de psicólogos empresários prestadores de serviço a empresas do Espírito Santo; 3. Práticas culturais da POT: Percepções dos trabalhadores de empresas do Espírito Santo. Foram participantes 38 psicólogos e 196 trabalhadores. Os dados foram fornecidos pelos participantes por meio das entrevistas semiestruturadas e questionários. Os dados qualitativos foram submetidos ao IRAMUTEQ gerando classes de relatos verbais que foram analisadas por fragmentos das narrativas e esquemas de contingências e metacontingências. Dados quantitativos foram submetidos a análise estatística descritiva e inferencial com o auxílio do software SPSS. O Estudo 1 gerou uma parte da história que agregará valor à Psicologia no Espírito Santo. As primeiras praticantes da POT adaptaram e sistematizaram manuais e políticas para (R&S), Treinamento & Desenvolvimento (T&D) e outros. Destacou-se também por meio das narrativas a importância de entender o quanto o ser humano está entrelaçado a outras vozes e, sobretudo, propor projetos a partir da estratégia das empresas, visando a integridade e o desenvolvimento do trabalhador. O Estudo 2 indicou que empresas prestadoras de serviços da POT podem ser rentáveis, mesmo ofertando apenas os produtos: R&S e T&D. Os dados indicaram a necessidade de investimento em formação sobre compreensão do mercado, visão de negócios e postura proativa no que tange a gestão empresarial. Por fim, o Estudo 3 trouxe a percepção dos trabalhadores de funções e setores diversos sobre as práticas inerentes aos subsistemas R & S e T&D. Os trabalhadores evidenciaram a importância de os praticantes da POT aperfeiçoarem suas práticas em R&S, no que concerne a fatores como, por exemplo, acolhimento e condução nos processos de seleção. Tais fatores, se bem trabalhados, possibilitam o entendimento do quanto são essenciais na consecução de tais práticas culturais. Embora os trabalhadores tenham considerado o T&D importante, relataram que a proposta, relevância e como impacta nos resultados não é clara. Nesse sentido, entende-se que os profissionais da POT podem, além de viabilizar o treinamento, declarar objetivamente a intenção e aplicação do saber convertidos em resultados.
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A pesquisa visa descrever e analisar o processo de institucionalização da Psicologia na Bahia, no contexto da ditadura militar, entre os anos de 1968 a 1980. Considerou-se: a influência que o contexto autoritário e as políticas de Estado para as áreas de educação e ciência exerceram sobre a formação e consolidação do curso de graduação em psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia; a recepção da Análise do Comportamento e da Psicanálise por parte da comunidade acadêmica, naquele contexto político; e, as lutas e mobilização dos discentes e docentes frente às políticas de Estado. Tratase de um estudo descritivo-analítico, que tem como referenciais teóricos os Estudos Sociais das das Ciências e a História da Psicologia. Adotam-se procedimentos metodológicos da História do Tempo Presente, utilizando-se da metodologia da História Oral e de Análise Documental para levantamento e análise de dados. Os resultados indicaram que as medidas adotadas pelo regime militar impactaram no processo de institucionalização e desenvolvimento da psicologia, enquanto campo disciplinar e profissional, na Bahia. As políticas educacionais implantadas pelos governos militares no âmbito da Educação produziram efeitos na demanda pela psicologia educacional, enquanto o interesse pela área industrial crescia a partir dos investimentos públicos que expandiram o polo industrial e tecnológico baiano. Houve uma prevalência da clínica, como área de estágio, em detrimento da área educacional e industrial. Demonstrou-se a forte influência do campo psiquiátrico sobre os rumos da psicologia, sob diversos âmbitos, inclusive formativos. Evidenciaram-se as condições sociais e políticas que possibilitaram a emergência da cultura psicanalítica na Bahia e sua influência na formação dos psicólogos, a partir da vinda dos psicanalistas argentinos, capitaneados por Emílio Rodrigué, e do psicanalista Carlos Pinto Corrêa, integrante do Círculo Brasileiro de Psicanálise de Minas Gerais. Destacou-se, no modo de recepção da Análise do Comportamento, o papel dos psicólogos formadores de análise do comportamento da Universidade de São Paulo na implantação do laboratório de Psicologia Experimental e na formação das primeiras gerações de docentes e analistas do comportamento da Bahia. Observou-se, ademais, que houve uma vigilância e tutela sistemática sobre a comunidade acadêmica de psicologia, que impactou na vida universitária e exigiu dos discentes e docentes da área organização da resistência para lidar com a tensão política e capacidade de enfrentamento na luta contra a ditadura militar. Tal cenário forjou um posicionamento político e socialmente ampliado entre os integrantes do movimento estudantil, naquele momento de intensa restrição e carências de toda ordem.
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A Psicologia no Brasil advém de contribuições heterogêneas para sua respectiva constituição, ao longo dessa jornada histórica, que influenciaram a conquista e o desenvolvimento da autonomia e regulamentação da profissão, por conseguinte, impactando na estruturação dos diversos campos de trabalho hoje existentes. Como são poucos os estudos e ações referentes à caracterização da profissão, e à saúde de psicólogas e psicólogos brasileiros, contar com a contribuição daqueles que estão atuando profissionalmente, se faz premente para entender a realidade do grupo ocupacional e os impactos da vida profissional nesses trabalhadores. Assim, a pesquisa objetivou: (i) apresentar antecedentes históricos que permitiram à Psicologia, ser-em-si, ciência e profissão no Brasil; (ii) descrever os impactos da constituição da ciência e da profissão na estrutura do trabalho em Psicologia; (iii) caracterizar o perfil sociodemográfico e ocupacional de psicólogas e psicólogos brasileiros; (iv) compreender os principais fatores psicossociais (de risco ou proteção) do trabalho em Psicologia no Brasil; e, (v) identificar as repercussões dos fatores psicossociais no trabalho e das características sociodemográficas na capacidade para o trabalho de profissionais de Psicologia no Brasil. O estudo foi conduzido no campo da Psicologia da Saúde Ocupacional e da abordagem da Psicossociologia do Trabalho, com método misto, por meio de revisões integrativas e estudos epidemiológicos. As análises quantitativas foram de corte transversal, com amostra da população de psicólogas e psicólogos Brasileiros, por meio da aplicação de protocolo online composto de três instrumentos (QSDO, COPSOQ e ICT). A tese foi construída em formato de artigos, sendo o primeiro uma revisão teórica para apresentar os caminhos desde a recepção e a percepção de saberes psicológicos até a constituição da regulamentação da Psicologia no Brasil. No segundo artigo foi realizada revisão integrativa para compreender o impacto desses caminhos na estrutura de trabalho na área – esses dois estudos apontaram que a Psicologia avançou e remodelou campos de atuação, ultrapassando limites da constituição original para atender demandas da sociedade. O terceiro artigo trouxe a caracterização do perfil sociodemográfico e ocupacional da profissão no Brasil, ressaltando a predominância feminina, uma média de idade superior a 41 anos, duas áreas de atuação com maior percentual de profissionais em ação: clínica e políticas públicas (social e saúde), e um crescimento constante do número de profissionais no Brasil. No quarto artigo, a investigação dos fatores psicossociais no trabalho em Psicologia no Brasil, destacou os principais fatores de risco à saúde: exigências quantitativas do trabalho, estresse, Burnout e conflito trabalho/família; e também fatores de proteção: possibilidades de desenvolvimento e significado do trabalho. Há diferenças nos fatores psicossociais entre Psicólogas/os Clínicos e Psicólogas/os Sociais e da Saúde. Por fim, o quinto artigo considerou as repercussões de características sociodemográficas e fatores psicossociais na capacidade para o trabalho, em profissionais de Psicologia no Brasil. Há alta autopercepção de capacidade para o trabalho, predominância de exigências mentais no trabalho, existem quadros de distúrbios emocionais leves e alergias, somados a afastamentos do trabalho, bem como maior capacidade para o trabalho nos participantes com mais de 45 anos. Ressaltou-se a necessidade de novos e contínuos estudos para investigar essas demandas, a fim de manter os profissionais da Psicologia saudáveis e produtivos, de modo a prolongar sua vida laboral com qualidade, e gerar fatores protetivos em sua capacidade para o trabalho. Intentou-se assim, criar uma base de dados para ações longitudinais e futuras comparações em estudos do campo da saúde ocupacional e sobre a Psicologia brasileira como um todo, considerando sua multiplicidade e as possibilidade de práticas simultâneas ou de redefinição de carreira dentro de especialidades da própria profissão, em que se possa, inclusive, mitigar os riscos desse trabalho e desenvolver políticas para a saúde e a qualidade de vida desses profissionais.
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Freud é frequentemente apontado como figura responsável pela “descoberta” ou “criação” do Inconsciente. Debruçando-se sobre o status questione da psicologia e filosofia no desenrolar e precedentes do século XIX nos países germanófonos, percebese que a questão do inconsciente é premente no interior de certos debates. O presente trabalho pretende estabelecer revisão bibliográfica panorâmica sobre os modos em que oconceito de inconsciente era utilizado nesse período, apontando diversas tradições nas quais o aparecimento da noção de inconsciente surge com propósitos distintos. A partir disso discute-se a noção de inconsciente em Freud, aspectos de sua concepção de ciência e o modo no qual sua obra se insere nesse contexto mais amplo, anterior, de discussão acerca do inconsciente. Identifica-se que a noção de inconsciente que perpassa as discussões no século XIX alemão são um desenvolvimento filosófico da polêmica entre determinismo e liberdade, com o inconsciente assumindo uma dessas duas posições: a de garantir a possibilidade de uma ciência determinista da psique ou a de garantir as condições de possibilidade para se afirmar a autonomia do sujeito. O presente trabalho analisa a teorização freudiana sobre o inconsciente, tendo esse contexto como panorama. Acreditamos ser importante para se discutir o lugar de Freud na história do desenvolvimento do conceito de inconsciente e o papel que este desempenha em sua obra
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O presente trabalho tem como objeto de pesquisa a Casa do Índio, instituição criada em 1968, pela Fundação Nacional do Índio (Funai), localizada na Ilha do Governador, no Estado do Rio de Janeiro, com a finalidade de acolher indígenas que buscavam tratamento de saúde e apresentavam algum tipo de transtorno mental. A referida Casa foi a primeira de, aproximadamente, quarenta instituições para acolhimento dos indígenas, organizadas no período da ditadura militar no Brasil, vindo, posteriormente, a serem readequadas como Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casais), através da Portaria nº 1.801/2015, passando a compor o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena organizado a partir da lei nº 9.836 de 1999. Atualmente, existem espalhados pelo território brasileiro cerca de 66 Casais, sendo que no período da ditadura foram organizadas mais de 30 Casas do Índio. O objetivo da pesquisa é analisar como a Casa do Índio através da liderança de sua fundadora, a funcionária da Funai Eunice Cariry, se constituiu como um espaço de controle psicossocial de indígenas no período da ditadura empresarial-militar. Considera-se que a pesquisa sobre a Casa do Índio se configura no campo da Psicologia Social, visto que o referido lugar se desvela como um dispositivo onde indígenas, que se dirigiam à cidade, eram abrigados, esquadrinhados, classificados e capturados em uma trama de controle. A Casa do Índio na Ilha do Governador constitui, pois, um espaço importante também para a história da psicologia, visto ser organizada como um recinto de controle das condutas de indígenas no referido período. A perspectiva teórico-metodológica do presente trabalho está inserido no campo da historiografia, mais especificamente de uma história local, feita através da história dos dispositivos de controle psicossocial de índios. Em especial através dos referenciais metodológicos de Michel de Certeau e Kurt Danziger, que permitem considerar os riscos que interditam certos objetos de pesquisa, bem como apontam os caminhos para perceber sobre a formação de uma história da psicologia local e contra-hegemônica A Casa do Índio tem sido um espaço ignorado pela história oficial enquanto local em que uma página acinzentada dos saberes psi foi escrita e continua viva, pois se mantém em pleno funcionamento em uma limbo jurídico entre a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria Especial da Saúde Indígena (SESAI) e a fundadora da Casa, Eunice Cariry, em função desta questão o marco temporal da pesquisa é o ano de 1968 quando a instituição foi criada até os desdobramentos de sua transferência da Funai para a SESAI através da Lei. A pesquisa teve como principais fontes os documentos encontrados tanto através dos registros na imprensa, utilizando para esta finalidade a Hemeroteca Digital Brasileira, mas foi feito uso também dos documentos encontrados no Serviço de Gestão Documental da Funai ( Sedoc) em Brasília que arquiva documentos desde a criação da Funai em 1976. Considerando que Eunice Cariry foi uma personagem chave na criação da instituição, uma visita foi realizada na Casa do Índio para entrevista-la e conhecer a Casa. A análise empreendida sobre este espaço destinado ao asilamento de indígenas permitiu verificar história da psicologia na Casa do Índio e história da Casa do Índio na psicologia, visto que a relação entre índios e a psicologia tem se desenhado em contornos mais amplos do que apresentados pelos relatos oficiais.
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Os manuais de puericultura tiveram um papel importante na educação de mães e futuras mães brasileiras (principalmente as de classe social mais abastadas), que contavam com a orientação em diversas áreas: alimentação, principais cuidados de higiene com o bebê, principais doenças da infância e também aspectos relacionados ao comportamento e à educação dos filhos. O "Psychological Care of Infant and Child" (Watson & Watson, 1928) que foi o primeiro livro de Behaviorismo traduzido para o português brasileiro, publicado no país em 1934 e em 1941, tratava sobre a temática de criação de filhos. Esse trabalho visa avaliar a recepção das traduções do Psychological Care no Brasil e o impacto que essa obra teve na puericultura brasileira na primeira metade do século XX. O trabalho foi dividido em dois estudos. No primeiro apresentamos uma análise histórica do contexto do surgimento dessa tradução bem como algumas características do texto traduzido. Condições sociais responsáveis pelo desenvolvimento da puericultura, mudanças no mercado editorial brasileiros derivadas da crise de 1929 e o estabelecimento de uma cultura de educação de pais parecem ter promovido o investimento na tradução do livro e sua divulgação no país. Apesar dessa tradução ocupar uma posição privilegiada para a disseminação do Behaviorismo no Brasil. Problemas na tradução e eventuais avaliações críticas do autor do prefácio e das notas de tradução parecem ter entregado um livro menos behaviorista que seu original. No segundo estudo avaliamos se houve - e qual foi - o impacto da tradução do Psychological care em manuais de puericultura no Brasil, em meados do século XX. Identificamos que, a despeito dos problemas encontrados na tradução do livro e das críticas feitas pelo comentarista e escritor do prefácio, os conceitos e termos behavioristas do livro dos Watson foram influentes em manuais de puericultura no Brasil entre as décadas de 1930 e 1960, em especial, naqueles que abordavam aspectos psicológicos e comportamentais da criação de filhos.
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