A sua pesquisa
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Silvia Lane: uma obra em movimento celebra a memória viva de Silvia Lane.Os(as) autores(as) compartilham os ensinamentos da psicologia social laneana: a inclusão do método dialético e do materialismo histórico rompendo os raciocínios lineares, dicotômicos e deterministas, afirmando a potência dos movimentos coletivos e singulares de transformação; a consideração crítica do contexto sócio-histórico de homens e mulheres; a compreensão de que o sofrimento ético-político é produzido pela desigualdade social; e principalmente que o pesquisador-produto-histórico parte de uma visão comprometida de mundo e de homem, na qual não há possibilidade de se gerar um conhecimento "neutro" nem um conhecimento do outro que não interfira na sua existência, conforme Lane, em "A psicologia social e uma nova concepção para a psicologia".
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Este é um livro de celebração. Temos muito a comemorar: 50 anos da existência de um Programa que foi, no Brasil, o 1º Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Educação e o 2º em Educação. Na PUC-SP, teve papel fundamental na origem da Pós-Graduação pois a partir da sua criação, em 1969, começou a organizar-se o setor de Pós-Graduação Stricto Sensu da PUC-SP que conta hoje com mais de 30 Programas.
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Este é um livro de celebração. Temos muito a comemorar: 50 anos da existência de um Programa que foi, no Brasil, o 1º Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Educação e o 2º em Educação. Na PUC-SP, teve papel fundamental na origem da Pós-Graduação pois a partir da sua criação, em 1969, começou a organizar-se o setor de Pós-Graduação Stricto Sensu da PUC-SP que conta hoje com mais de 30 Programas.
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Este artigo tem a finalidade de expor o percurso histórico da Psicologia no Brasil na perspectiva da tridimensionalidade do tempo, entendendo que a apreensão de sua concreticidade implica a compreensão do passado, que estrutura o presente e se projeta para o futuro. A compreensão da historicidade da Psicologia no Brasil como construção social, neste texto, tem como foco a análise das contradições que estiveram presentes nos diversos períodos, como condição para a compreensão das possibilidades de superação que permitiram saltos de qualidade no desenvolvimento da Psicologia, quer como conhecimento, quer como prática. Serão apresentadas, para cada período da história da Psicologia no Brasil, uma breve descrição de suas características e a análise de algumas produções, sejam elas teóricas, sejam práticas, que revelam suas contradições, sobretudo o confronto das concepções coexistentes em um mesmo tempo histórico, que demonstram o processo constitutivo dos saberes psicológicos e da Psicologia no Brasil a partir de distintos posicionamentos sociopolíticos e epistemológicos. Busca-se contribuir para a compreensão da constituição da Psicologia no Brasil a partir da dinâmica engendrada pelas e nas contradições históricas dessa área do saber, entendida como construção eminentemente social.
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O presente artigo objetiva apresentar dados sobre como as professoras e as alunas se recordam e interpretam o IEEP em seus vários aspectos. O referencial teórico-metodológico está assentado nos estudos de Bosi. Foi realizada, primeiramente, uma pesquisa documental, com a finalidade de ancorar as narrativas dos sujeitos, professoras e alunas do IEEP; em seguida, foram coletados os dados sobre como as professoras se recordam e interpretam o IEEP em seus vários aspectos, a partir de entrevistas semiestruturadas. Os resultados demonstram que o IEEP era um espaço de estudo, que visava garantir rigorosamente a aprendizagem dos conteúdos, mas também era um espaço alegre de convívio. È importante destacar que as entrevistadas se mostram saudosas do clima educacional do IEEP posto que a escola proporcionou a elas formação de qualidade, que lhes permitiu ingressar no mercado de trabalho com condições de bem exercê-la, bem como proporcionou conteúdos articulados com a prática, lazer, inserção cultural e amizades, enfim, uma formação completa, tão propalada nas teorias educacionais em voga.
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Uma biografia científica é geralmente escrita com o objetivo de interpretar tanto o caráter mutante da prática científica quanto as características individuais dos cientistas. Pela identificação dos interesses pessoais de cientistas pode ocorrer uma mudança no modo como a ciência é entendida. O objetivo do presente trabalho é analisar o desenvolvimento da ciência e da psicologia no Brasil tendo a biografia científica de Carolina Bori como ponto de partida. Escrever sobre Carolina Martuscelli Bori é escrever sobre uma pesquisadora que teve um grande impacto sobre o desenvolvimento científico no Brasil. Pode-se dizer que mesmo depois de sua morte a memória de Carolina Bori influencia pesquisas, planejamento de cursos, debates sobre ciência, etc. Exemplos disso incluem os pelo menos 11 artigos sobre ela, escritos entre 2004 e 2012. Além disso, ela já havia sido homenageada com uma edição especial da revista Psicologia USP. Para atingir este objetivo, foi necessário reunir informações sobre ela disponíveis nesses materiais, em depoimentos de uma sobrinha dela, uma funcionária da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e de 15 pesquisadores de diferentes áreas que trabalharam com ela. Utilizou-se, também, cartas pessoais que ela trocou com o psicólogo estadunidense Fred S. Keller (1899-1996), que se tornou um mestre e amigo pessoal, bem como nos artigos assinados por ela. Carolina Martuscelli nasceu em São Paulo em 4 de janeiro 1924 e era a filha mais velha de suafamília, entre outros quatro filhos. Seu pai era italiano e sua mãe era brasileira. Frequentou uma escola alemã desde os seis anos de idade e formou-se como professora. Como pedagoga, estudou motivação do ponto de vista Gestalt sob orientação de Tamara Dembo durante seu mestrado nos Estados Unidos, e com Annita Cabral durante seu doutorado, no Brasil. No início de 1950, Carolina se casou com um italiano, cujo nome de família ela assumiu e com quem teve um filho. Eles se divorciaram alguns anos após o nascimento de seu filho, mas ela manteve o nome de casada. Depois de um problema pessoal com a chefe da cadeira onde trabalhava, Carolina Bori foi afastada da universidade. Na ocasião, Bori foi convidada para coordenar o departamento de psicologia do curso de pedagogia em Rio Claro. Durante esse tempo, ela foi aluna de Fred S. Keller, e, juntos, escreveram os primeiros trabalhos em um campo que desenvolveram no Brasil e que alguns psicólogos ofereceram resistência. Em 1962, ela foi convidada para criar e coordenar o departamento de psicologia da Universidade de Brasília, na capital brasileira recém-fundada. O curso, com base na experimentação e técnicas comportamentais, começou em 1964, mas em 1965 o governo militar invadiu a universidade e o departamento foi extinto. Com isso, Bori voltou à USP e se tornou a principal pesquisadora no campo da Instrução Programada e PSI no país. Em 1969, ela se submeteu ao concurso de livre-docência, no entanto, devido a rivalidades políticas,seu certificado foi negado. Ela também orientou teses de mestrado e doutorado, dirigiu sociedades científicas que lutaram por melhores condições de ensino e pesquisa no país, contribuiu para o reconhecimento legal da Psicologia no Brasil e foi fundamental para a criação do sistema de ciência e tecnologia brasileira. A partir da biografia científica de Bori pode-se observar uma série de características da ciência e da psicologia no Brasil e como algumas preocupações pessoais e problemas podem levar ao desenvolvimento do campo.
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Neste trabalho utilizamos os sermões do século XVII, de autoria do jesuíta Antônio Vieira (1608-1697), como de fonte de investigação. Nosso objetivo foi indicar saberes psicológicos nestes documentos. Inicialmente, pressupomos que o autor se apropriou da psicologia filosófica aristotélica da época. Analisamos 208 sermões onde foram catalogados e categorizados excerto com ideias ou termos do léxico aristotélico-tomista (tais como memória, imaginação, sentidos internos, sentidos externos, potências da alma, percepção, paixões, abetos, apetites, reminiscência, razão, alma racional, alma sensitiva, alma vegetativa, espírito, vontade, livre arbítrio, etc.). Observamos que os sermões se utilizam da denominada scientia de anima (ciência da alma) do Curso Conimbricense (manual escolar para ensino de filosofia baseado em comentários às obras aristotélicas). A scientia de anima (ciência da alma) é uma área de conhecimento constituída nos séculos XVI e XVII e que produz um modelo psicológico e antropológico (indicando teoria da percepção, das emoções e da cognição). Indicamos também a utilização da retórica como uma teoria dos abetos e instrumento para intervir e organizar a interioridade humana. Observamos também a influência dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola, que são a base de uma teoria da imaginação e da reminiscência e de autorreflexão. Assim, os sermões são uma fonte de estudo que indica da presença de uma "psicologia" nos séculos XVII e XVII.
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A cultura ocidental concebeu a interioridade do ser humano de vários modos segundo o clima cultural e o período histórico. No período colonial, a oratória religiosa oferece uma rica matriz para o estudo de saberes psicológicos veiculados na época. A cultura do século XVII, rotulada como barroco é uma cultura de persuasão, sendo a pregação religiosa o meio de comunicação de massa privilegiado. O objetivo desta dissertação é geral realizar uma reconstrução histórica dos saberes psicológicos contidos nos sermões do jesuíta Antônio Vieira (1608-1697). Procuramos descrever e analisar os conceitos de imaginação e memória e outros conceitos a eles relacionados. Utilizamos como fonte primária a obra de sermões publicada pelo jesuíta em edição moderna. A partir de elementos teóricos retirados seja da História Cultura, seja da História da psicologia, buscamos identificar o contexto de produção e as apropriações feitas pelos sujeitos dos conceitos evidenciados. A leitura dos sermões foi feita a partir da hipótese da unidade teológico-retórico-política de sua matriz sacramental proposta por Alcir Pécora. Os sermões estão embebidos em uma matriz epistêmica de orientação aristotélico-tomista. Trata-se de uma psicologia filosófica que remonta ao mundo helênico, porém no século XVII é perpassada pelo humanismo e cristianismo. Nesta concepção há tanto uma visão de homem (uma antropologia filosófica cristã), como um modelo de funcionamento do que poderíamos chamar de psiquismo, identificado com o termo alma. Segundo o pressuposto da época, potências internas e externas, paixões, apetites, vontade, intelecto e espírito são os elementos que compõem a alma. Imaginação e memória tem influência preponderante nesta dinâmica e no processo persuasivo.
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Os elos entre Direito e Psicologia são antigos, embora sua estruturação em moldes científicos tenha se dado apenas a partir do século XIX, na interface dos estudos dos saberes psicológicos com as doutrinas da lei criminal. Desse liame pontual, a conexão interdisciplinar se desenvolveu em vários outros ramos, sendo hoje vasto o campo de pesquisa. O presente trabalho visa abordar as relações entre os saberes psicológicos suscitados em material produzido na Faculdade de Direito de São Paulo no período crítico do nascimento da psicologia científica no Brasil e sua relação com os conceitos de Direito Natural vigentes à época. A escolha do Direito Natural, é em virtude deste ser mais adequado à análise psicológica, interessando ao estudo o embasamento filosófico/psicológico do Direito e não as leis em específico. O período estudado coincide com a Primeira República no Brasil. Neste momento há alterações significantes no contexto educacional, onde várias reformas promovem a transição do ensino clássico para uma matriz pragmático-científica; e no contexto dos saberes psicológicos, tendo em vista que a psicologia filosófica está em momento de transição de pensamentos da escola sensualista francesa, do empirismo e do ecletismo espiritualista para uma tradição positivista. No contexto jurídico se apresenta a Constituição de 1891, promulgada pela constituinte após breve governo de exceção dos militares, sendo este um período de instabilidade político-jurídica. Foram encontradas como objeto três teses. Duas são de José de Alcântara de Machado D'Oliveira, sendo estas "A embriaguez e a responsabilidade civil" e "Ensaio Médico-Legal sobre o hypnotismo" e a outra de Candido Motta, denominada "Classificação dos criminosos". Os métodos utilizados na análise dos dados foram a Historiografia da Psicologia Científica e a análise conceitual dos documentos através dométodo da História Cultural. Os dados atuais permitem dizer que há apropriação dos principais conceitos de filosofia positivista da época, inclusive a eugenia spenceriana/lombrosiana no caso de Candido Motta, cuja tese visa ser uma manual de consulta na classificação do criminoso. Jose D'Oliveira busca lançar nova luz sobre um problema recorrente da época e relevante ainda hoje - a embriaguez e a responsabilidade civil - e sobre o hipnotismo, com um viés igualmente científico-positivista. As concepções de Direito Natural se apresentam em momento de transição entre uma visão majoritariamente tomista, em que o Direito Natural está em conexão com o divino, para uma concepção antropológico-científica, onde este deriva da vivência dos povos. É possível discutir, com base nos dados coletados e analisados, que há consonância entre as concepções de Direito Natural e os saberes psicológicos utilizados pelos autores. Predomina a transição para modelos positivistas, visando incorporar as descobertas das ciências naturais. Os modelos baseados em concepções mais humanísticas, religiosas e filosóficas, segundo o positivismo de Comte, estariam no estado 'metafísico' da humanidade, sendo necessária adoção das teorias condizentes com o terceiro e último estado, o 'científico'. As concepções que eram predominantemente metafísicas começam a se estruturar como organicistas neste momento, antes de se configurarem como psicologizantes em momento posterior.
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Encontrando nas leituras do Sermão da Sexagésima de Antonio Vieira (1608-1697) princípios propostos para a arte da oratória que também são reconhecidos nos escritos de Constantin Stanislavski (1863-1938) para a arte da interpretação de atores, parte-se nesse trabalho para a verificação de onde estariam as bases que fundamentam tais princípios em Antonio Vieira e se tais bases estariam, de alguma forma, relacionadas aos trabalhos em teatro de Constantin Stanislavski. Utilizando o que se denomina método comparativo direto entre princípios que constituem as artes da palavra, no caso a oratória religiosa e a representação teatral, chegou-se até os escritos dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola que em suas propostas estabelecem recursos que eram usados como instrumento no desenvolvimento da arte da oratória jesuítica. Com o apoio da tese de Mario Iannaccone, chegou-se ao importante texto do cineasta Sergei Einseinstein, Teoria geral da Montagem, que nos ajudou a compreender como tais princípios dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola também se encontram presentes na arte do teatrólogo russo do século XX. Reconhecendo a importância da elaboração da palavra nestas artes, da oratória e da interpretação teatral, e percebendo que tal palavra se propõe em ambos os casos a uma transformação psíquica de seus ouvintes, respectivamente a conversão nos sermões e a catarse no teatro, verificou-se como tal palavra deve ser elaborada a partir dos princípios que esses autores propõem. Para tanto, foin estudado em Marina Massimi as concepções dos dinamismos psíquicos que fundamentam os autores jesuítas em suas propostas de construção da palavra para suas pregações. Inspirados em Margarida Vieira Mendes, especialista em Antonio Vieira, foram recortados alguns itens que ela indica como constitutivos do Sermão da Sexagésima e foi estabelecido um breve roteiro que ajudou a compreender de forma direta as semelhanças que serão verificadas quanto às artes da oratória nos pregadores dos séculos XVI e XVII e do teatro em Constantin Stanislavski. Por fim, analisando os dados obtidos, chegou-se a algumas conclusões destas semelhanças quanto a paralelos de raízes filosóficas e quanto à compreensão dos dinamismos psíquicos humanos, percebendo o porquê de tais práticas conseguirem atingir e transformar o psiquismo de suas audiências.
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Criação de arquivo epistolar do neurofisiologista Miguel Rolando Covian: Um registro histórico-contextual. 2013. Dissertação (Mestrado) Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, 2013. Eneida Nogueira Damasceno - Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo - USP - SP Marina Massimi (orientadora) - Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo - USP - SP Miguel Rolando Covian (1913-1992) foi um neurofisiologista argentino, discípulo de Bernardo Houssay, que chegou ao Brasil em 1955 para dirigir o Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. À frente deste Departamento, projetou-o como um dos mais renomados centros de investigação científica da América Latina, elevou-o a um reconhecimento de nível internacional, um centro de excelência em pesquisa no Brasil e no mundo. O objetivo deste trabalho é organizar e catalogar a correspondência epistolar e institucional do Professor Doutor Miguel Rolando Covian. Essa correspondência, contendo um total de 1.546 cartas, foi encontrada na sala de Covian depois de sua morte e guardada. A realização desta pesquisa levou-nos à descoberta de um testamento, deixado por Covian revelando sua vontade de que o material pertencesse à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto após sua morte. Este trabalho consiste em: 1) classificar e organizar por assunto tal correspondência, de modo a assegurar sua conservação e preservação enquanto documentos históricos ainda protegidos pela Legislação Federal, cuja acessibilidade estará a cargo da instituição que a guarda. 2) Evidenciar a variedade de assuntos contidos nestas missivas, concernentes a diversas áreas do conhecimento humano, principalmente as relativas à História das Ciências, com destaque para a História da Psicologia, da Medicina e da Educação. Isso nos leva a contribuir para a pesquisa disponibilizando fontes primárias devidamente classificadas, catalogadas e preservadas. Trata-se de uma pesquisa documental, na qual se utilizou o método descritivo, sendo a narrativa o estilo da escrita. A escolha do modo narrativo é justificada pelo fato de permitir uma amplitude de informações que não seria possível em uma descrição pontual. Essa opção nos levou a um cuidado com a fidelidade da narração, de forma que a transposição da linguagem não alterasse significativamente a forma original do diálogo contido nas cartas. No decorrer do trabalho observou-se a necessidade de oferecer uma síntese do contexto histórico do período no qual se deu essa correspondência (1955-1985), para este fim procedeu-se a uma pesquisa com a utilização do método histórico, que resultou em capítulos contendo sínteses contextuais relevantes para o entendimento do conteúdo das missivas, assim como uma breve biografia de Covian e outra de seu mestre Bernardo Houssay, a pessoa com quem ele mais se correspondia. Considerando que a correspondência de Miguel Rolando Covian está sendo entregue higienizada, organizada e catalogada, como base para sua preservação; que a descrição em forma de narrativa dos assuntos contidos sinaliza particularidades de acontecimentos relatados, bem como sentimentos e emoções demonstradas nos textos originais; que as apresentações biográficas e a contextualização apresentam o universo relatado nas correspondências e que este material encontra-se agora passível de ser arquivado, preservado e disponibilizado de acordo com as regras estipuladas pela Legislação vigente e pela instituição que o guarda, concluímos que nossos objetivos foram alcançados.
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As mutações da sociedade atual e a aceleração do tempo histórico levam a um impulso de coesão com e no passado, de arraigo às origens, buscando pistas de identidade contidas nesse passado coletivo. Os fenômenos da globalização parecem conduzir a uma necessidade de enraizamento e de continuidade; necessidades preenchidas pela memória. Esta, na perspectiva de Maurice Halbwachs, possui ao mesmo tempo um caráter individual e um coletivo, sendo, em parte, modelada pela família e pelos grupos sociais. Revela tanto aspectos da identidade pessoal como social e aponta qual lugar os indivíduos e os grupos ocupam na sociedade. A tradição judaica é a tradição da memória por excelência e a história do povo judeu ilustra os mecanismos da memória e da lembrança. Nesta tradição os rituais e os relatos são canais que transmitem a memória através dos tempos. O objetivo desta pesquisa foi estudar como membros e familiares de uma comunidade judaica vivem a memória coletiva e o que isso significa em suas vidas cotidianas, visando apreender o processo de construção da identidade individual. Entrevistamos 13 pessoas, de cinco famílias diferentes, descendentes de judeus que imigraram para o Brasil. O contato foi proporcionado pela Sociedade Israelita de Ribeirão Preto. Para entrevistar, utilizamos o método da história oral, uma narrativa linear e individual do que os participantes consideram significativo. Neste método, a memória é uma forma de evidência histórica e deve ser analisada como tal. Considerando que na memória as pessoas constroem um sentido do passado, a reflexão ocupa um lugar fundamental para a ressignificação deste passado recordado. As entrevistas, gravadas e transcritas, são apresentadas na íntegra. Os participantes são categorizados em grupos, por família e grau de parentesco. Família 1: Maria (filha), Fernando (neto) e Calebe (neto); Família 2: Patrícia (filha) e Iracy (neta); Família 3 : Antônio (filho), Josy (neta) e Alex (neto); Família 4: Vânia (filha) e Talita (neta); Família 5: Zélia (filha), Daniel (neto) e Raquel (neta). Os nomes são fictícios visando preservar sua identidade. Nas entrevistas notamos uma riqueza pela diversidade e semelhança: são pessoas da mesma família ou de famílias diferentes, que percebem e elaboram a experiência de suas famílias de modos distintos, particulares, complementares e às vezes parecidos, que enriquece a análise e favorece a reflexão, servindo de modelo para alguns aspectos da vida. Também percebemos um processo de construção da identidade: necessidade de contar ou silenciar; como enfrentam eventos traumáticos; como preservam ou não a religião e as tradições; as mudanças ao longo das gerações; a relação com o trabalho e o meio em que vivem; os valores herdados e transmitidos para as próximas gerações, entre outros aspectos que surgiram nas narrativas. O conceito de memória coletiva iluminou a maneira de olharmos para os participantes e seus relatos. Possibilitou que notássemos o que ficou do passado no grupo estudado e o que o grupo fez com o passado. Mais do que conclusões ou pressupostos, alertamos que as entrevistas possuem infindáveis conteúdos para serem explorados e apenas alguns destes aspectos foram abordados neste estudo.
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