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O objetivo deste artigo é estabelecer as relações entre práticas psicológicas e práticas de governo ou governamentalidade, conceituada por Michel Foucault como arte de “condução da conduta alheia”. O guia utilizado para se entender este trabalho genealógico são os cursos Segurança, Território, População e O Nascimento da Biopolítica. Trabalho prosseguido por Nikolas Rose, buscando atrelar de modo específico o surgimento dos saberes psicológicos aos modos liberais de governo. O ponto nevrálgico dessa história do governo se encontraria no século XVI, quando começam a proliferar os Manuais de Governo, fundamentados na Razão de Estado. Estes manuais não estariam mais baseados em dispositivos legais, mas na necessidade do disciplinamento e registro constante de inúmeros aspectos das vidas dos governados, caracterizando o “Estado de polícia”. Contudo, notadamente a partir do século XVIII, surgem novas tecnologias de governo, patrocinadas pelos pensadores fisiocratas e liberais. A população é vista como um ente natural do qual se deve governar, não mais intervindo em todos os detalhes como no “Estado de polícia”, mas acompanhando todas as suas flutuações livres. Aqui o governo se define como tecnocracia, no conhecimento científico dos movimentos naturais e espontâneos dos governados, investindo especialmente na gestão destes através da sua liberdade. Nestas novas formas de governo presentes nas sociedades democráticas contemporâneas, as práticas psicológicas teriam especial importância enquanto modo de gestão liberal pautada pelo esquadrinhamento de um grupo de variáveis da vida dos indivíduos e pela incitação a uma série de mecanismos de autorregulação e autogoverno.
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A prostituição infanto-juvenil tornou-se um fenômeno independente da adulta nos idos de 1990, tanto em nível nacional quanto internacional. Percebida sob os signos da gravidade e da urgência, suscitou denúncias, intervenções e saberes especializados. Na busca por compreender as condições de surgimento desses novos discursos, seus fundamentos e perspectivas hegemônicas acerca da prostituição infanto-juvenil, a presente dissertação percorre quatro etapas. Inicialmente, elabora uma genealogia das três principais fontes brasileiras sobre a exploração sexual na década de mil novecentos e noventa: documentos do CECRIA, a série de reportagens Meninas Escravizadas da Folha de S. Paulo e a CPI da Prostituição Infantil de 1993. Sob inspiração foucaultiana, elabora nova genealogia, agora sobre o sexo, em sua relação com o cristianismo, o direito e as ciências humanas e médicas. Visando a perceber novos olhares sobre a prostituição infanto-juvenil, em seguida ouve prostitutas adultas, uma militante dos direitos das prostitutas e também adolescentes envolvidas com o mercado sexual. A última etapa, de feições ensaísticas, constitui uma tentativa de vislumbrar possibilidades para uma sexualidade mais livre e de apontar trajetórias mais interessantes para a prostituição adulta e infanto-juvenil.
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