A sua pesquisa

Ano de publicação
  • Este trabalho tem como ponto de partida a análise de propostas para formação do psicólogo. Busca contribuir para construção de uma história da psicologia, a partir das ideias e projetos para a constituição do psicólogo para sua inserção sobre a realidade. Através do referencial teórico-metodológico do materialismo histórico, recuperou-se dois momentos: a) o período de modernização vivido no Brasil ao longo dos anos 1950, quando psicólogos com propostas das mais diversas, se unem para regulamentar a profissão no País, um dos primeiros a ter uma lei para regulamentação profissional na área. Discute-se o movimento que levou a essa lei e a importância de se pensar a relação sociedade/ciência/universidade para definir projetos de formação. O cenário de industrialização vivido no Brasil marca o debate em várias esferas do trabalho. Por um lado, mostra que havia uma preocupação com a formação das mentalidades para o mundo do trabalho num momento de mudanças. Por outro, revela que o tipo de atividade praticada pelo psicólogo interessava ao desenvolvimento do mercado nacional; e b) um momento no qual os anos 1920 o Leste Europeu passa por transformações sociais e políticas com propósitos revolucionários. A discussão em torno da prática psicológica como determinada para uma realidade e a recuperação de uma filosofia da psicologia aparecem como ideias para se pensar o trabalho do psicólogo, o plano de construção de uma sociedade nova com base no socialismo mostra que foi necessário pensar num homem novo. As particularidades históricas neste trabalho, são analisadas a partir das próprias condições nas quais o debate veio a surgir. A formação do psicólogo mostrou ser uma preocupação para a constituição da prática e identidade profissional e, revelou que a atividade do psicólogo lida com concepções conservadoras e transformadoras, podendo assumir uma ou outra forma, como também, simultaneamente ambas

  • Este trabalho defende a tese de que, em seu desenvolvimento, a Escola de São Paulo de Psicologia Social operou um importante giro ideopolítico em relação àqueles seus trabalhos que datam até fins da década de 1980. Tal giro, gestado no período posterior ao fim do socialismo no leste europeu (1989) e na derrocada da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1991), concretizou-se no abandono ou transformismo de importantes fundamentos e categorias do materialismo histórico-dialético, tais como a estrutura e a dinâmica das classes (e da luta de classes), a centralidade do trabalho e a perspectiva de superação do capitalismo. A tese anunciada sustenta-se em pesquisa cujo objetivo foi o de historiar a Escola de São Paulo de Psicologia Social. O primeiro capítulo da exposição dos resultados alcançados por esta pesquisa inicia com uma discussão dos fundamentos metódicos que orientaram a sua realização, em que estão condensados: a) as discussões historiográficas (relativas à escrita da história) a partir de trabalhos de importantes historiadores da psicologia; b) os fundamentos do materialismo histórico-dialético que, sob a forma de uma filosofia da história, orientaram esta produção. No segundo capítulo, são analisados os primeiros desenvolvimentos da Escola de São Paulo de Psicologia Social, desde os primeiros trabalhos realizados por Silvia Lane e Alberto Abib Andery em comunidades nos anos 1960, passando pelas primeiras formulações críticas em relação à Psicologia Social estadunidense que ganham expressão nos escritos de Lane nos anos 1980, até sua síntese mais elaborada em Psicologia Social: o homem em movimento, obra organizada por Silvia Lane e Wanderley Codo e publicada em 1984 e cuja inspiração marxista, tanto em termos das categorias que constituem a compreensão do ser humano singular quanto em termos do sentido do projeto de transformação social, é notória. Este momento do desenvolvimento da Escola de São Paulo cede lugar a uma série de reformulações (pós 1989-1991), cuja principal expressão reside na apropriação dos autores neomarxistas Heller e Habermas. O livro Novas veredas da Psicologia Social, de 1994, organizado por Silvia Lane e Bader Sawaia, representa uma obra-síntese das novas formulações da Escola de São Paulo. Junto a outros escritos, a partir da década de 1990, este livro é objeto de análise do terceiro capítulo, que identifica, em termos dos fundamentos e das categorias da psicologia social, as reformulações operadas. Por fim, é dimensionado o sentido do projeto de transformação social que se deriva das reformulações das categorias e fundamentos da psicologia social, realizadas pela Escola de São Paulo pós 1989-1991

  • Este trabalho teve por objetivo principal o estabelecimento de possíveis pontos de aproximação e distanciamento entre a Teoria Histórico-Cultural de Lev Vigotski e uma das suas contemporâneas intelectuais mais destacadas conhecida como Reflexologia Soviética. Para alcançar este objetivo foi realizado um trabalho de revisão bibliográfica no intuito de dar visibilidade às trajetórias intelectuais e políticas de Vigotski e de três expoentes da Reflexologia Soviética: Ivan Séchenov, Vladimir Bechterew e Ivan Pavlov. Foram analisadas algumas das condicionantes filosóficas, científicas e ideológicas das produções intelectuais das duas escolas de pensamento tendo em vista a reunião de subsídios para o início da fase subseqüente da investigação. Esta consistiu numa análise de conteúdo quantitativa e qualitativa das referências feitas aos autores da Reflexologia Soviética nos textos presentes na publicação das Obras Escolhidas de Lev Vigotski. Foi possível concluir que a Reflexologia Soviética possui presença significativa nos textos reunidos nas Obras Escolhidas de Vigotski. Percebeu-se também que há mudanças qualitativas significativas nas menções de Vigotski aos reflexologistas, embora o conteúdo crítico relativo à negação reflexológica da atribuição de estatuto científico ao estudo da consciência tenha consistido num posicionamento constante nos textos colocados em análise neste trabalho. Além disso; constatou-se que as referências de Vigotski aos reflexólogos possuem um caráter fundamental nas conjecturas teóricas histórico-culturais, tendo em vista a constatação de que a presença dos reflexologistas é uma das mais expressivas dentre outras existentes na coletânea que foi objeto desta análise. Constatou-se que Vigotski parecia concordar com a afirmação reflexo lógica de que a aprendizagem reflexa consiste num dos fundamentos do desenvolvimento cognitivo, embora tenha destacado que, no caso específico do desenvolvimento humano, a utilização de signos verbais prepondera na estruturação dos processos cognitivos quando comparada às aprendizagens mais elementares e não mediadas culturalmente, típicas do condicionamento de respostas reflexas descritas pelos reflexologistas.

  • Esse trabalho insere-se na perspectiva da história da psicologia, e tem como objetivo desvelar a história da Gestalt-terapia e da Abordagem Gestáltica no Brasil. A pesquisa tem um caráter empírico, de cunho qualitativo, utilizando-se do método historiográfico. Partese de entrevistas semi-diretivas realizadas com alguns dos primeiros profissionais a trabalhar com esta abordagem no Brasil, aqui denominados primeiros atores , no eixo geográfico que compreende o estado de São Paulo e o Distrito Federal, mais especificamente Brasília. Essas entrevistas foram analisadas sob um olhar fenomenológico, e agrupadas em temas centrais, de modo a abordar a visão particular desses primeiros atores no sentido de compreender, a partir de suas percepções individuais, como chega; com quem chega e como se desenvolve a Gestalt-terapia no Brasil. Este trabalho contribui não apenas para elucidar o legado histórico da Gestalt-terapia, mas também para refletir sobre suas perspectivas sociais e politicas. Assim sendo e, a partir de um olhar crítico sobre as contribuições, possibilidades e perspectivas, o estudo corrobora com a solidificação dos estudos epistemológicos da abordagem gestáltica.

  • Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar as condições intelectuais, institucionais e pragmáticas que justificassem as práticas de saúde no Sanatório São Julião. O recorte temporal vai de 1941 a 1986, período que compreendeu a inauguração do São Julião como um Hospital Colônia ao ano em que o Governo Federal declarou os Hospitais Colônia inconstitucionais. A pesquisa se insere no campo da História da Psicologia e utiliza os conceitos da Memória Social, bem como os fundamentos da História Oral e da Análise Documental. Foram utilizadas fontes textuais primárias, disponíveis no Arquivo Municipal de Campo Grande (ARCA), no Arquivo do Hospital São Julião; e fontes orais, produtos de entrevistas a ex-pacientes e ex-funcionários do Sanatório São Julião. Os primeiros anos de funcionamento do Sanatório foi considerado satisfatório para os padrões da época, apesar da exclusão social, mesmo em âmbito institucional. Aos poucos a assistência médica tornou-se ineficiente, pela falta de recursos humanos e materiais, culminando com a precariedade do local. As análises dos recortes dos jornais sugerem que a sociedade campo-grandense, movida por certa visão social da Lepra, na mídia impressa, “amparou” os internados no Sanatório São Julião com doações de diversos gêneros, desde alimentos a valores altos, feitos por “generosos” campograndenses. A partir de 1970 a instituição foi sistematicamente reestruturada, porém, na ausência de políticas públicas, os recursos para a manutenção da instituição dependiam de doações, da caridade e filantropia. A partir da mídia impressa, a imagem que se formou da instituição foi associada a ideia de cuidado à saúde, ligada a práticas donativas e benevolentes. Intrinsicamente, deu-se ali, com a ajuda de voluntários, uma nova política de trabalho e cuidado em diversos níveis, que iam além da saúde do corpo, com desenvolvimento social e psíquico.

  • Este trabalho tem como objetivo compreender a História da Psicologia no Estado deGoiás a partir de sua relação de complementaridade com a Educação, contextualizando a penetração, o apogeu e o declino da Escola Nova no Estado, assim como as concepções, os discursos e as práticas psicológicas, oriundas desse movimento, sinalizando também a sua transição para uma proposta de cunho tecnicista. Para tanto, foi realizado, inicialmente, um estudo histórico-bibliográfico descrevendo e discutindo a Psicologia e a produção historiográfica da mesma no Brasil. Esse estudo possibilitou a compreensão da situação histórica da Psicologia no Brasil, apontando também alguns trabalhos mais recentes que contribuíram para a escrita da história dessa ciência nos diferentes Estados. Num segundo momento, buscou-se descrever e discutir a história da Psicologia em Goiás, alçando relação com educação. Esse momento está dividido em três partes. Na primeira parte foram descritas e analisadas as concepções, os discursos e as práticas psicológicas na Educação, anteriores ao advento da Escola Nova. Na segunda parte, buscou-se descrever e analisar a Psicologia em Goiás desde a inserção do ideário escolanovista até a sua consolidação e declínio. Numa terceira parte, procurou-se apresentar uma descrição e analise sobre o Ensino Tecnicista em Goiás, buscando sua relação com a Psicologia. A pesquisa revelou que as ideias da Escola Nova: 1. estiveram presentes em documentos oficiais desde 1916; 2: começaram a se intensificar a partir dos anos de 1920, sendo possível evidenciar, com mais clareza, sua relação com a Psicologia 3. tiveram sua máxima expressão, o apogeu, na era Vargas/Ludovico (1930-1945), principalmente após 1937, sendo a Revista Oficial de Instrução o mais importante impresso para sua disseminação nessa época, onde foram publicados vários artigos de autores goianos sobre Psicologia e Escola nova; 4. Após a era Vargas/ Ludovico, as ideias escolanovistas começam a perder sua força, o que pode ser evidenciado na diminuição de temas referentes a Escola Nova na segunda fase da Revista Oficial de Instrução, e o aumento de temas relacionados a técnica e aperfeiçoamento técnico. No final de 1950 até 1962, foi possível perceber, na terceira fase deste periódico, um esvaziamento ainda maior das ideias escolanovistas, e uma aumento expressivo de assuntos voltados para: a educação do adulto; os aspectos socioculturais da Educação; a educação dos excepcionais; o ensino da matemática; a preparação técnica dos professores por meio de programas de formação/especialização; a Psicologia dos excepcionais, os testes psicotécnicos como instrumentos para seleção de professores; os métodos de pesquisa em Psicologia.

  • Klaus Holzkamp (1927-1995) foi um psicólogo e professor universitário que desempenhou um papel importante no desenvolvimento da Psicologia Crítica Alemã (PCA), infimamente apropriada pela Psicologia brasileira. Sua teoria foi elaborada na República Federal da Alemanha em um contexto de Guerra Fria. Com investigações inicialmente no campo do construcionismo, o autor se apropriou do marxismo a partir de seu envolvimento com os movimentos estudantis que ganharam força durante a década de 1960. Com essa aproximação, Holzkamp rechaçou sua produção anterior e realizou uma crítica positiva a partir do que se tinha produzido na Psicologia. Neste sentido, temos como objetivo a apropriação da fase ulterior de sua obra. Mais especificamente, buscamos (a) identificar a relação de sua produção com o momento histórico e social no qual foi gestada; (b) compreender as inflexões teóricas operadas ao longo de sua obra; e (c) apropriar-se dos seus escritos a partir de 1983. Este recorte se dá em função da dificuldade de acesso às suas obras em outros idiomas que não o alemão. Conclui-se que a PCA consiste em uma importante expressão da Psicologia Crítica mundial, fruto de uma aproximação ao marxismo em um momento de acirramento de lutas sociais. Esta perspectiva possui diversas contribuições para a Psicologia brasileira, tanto pelas aproximações possíveis com movimentos teóricos latinoamericanos, quanto por sua capacidade explicativa fruto de um resgate crítico do conhecimento até então produzido

  • Este trabalho tem, como objetivo, descrever e analisar as produções e os conhecimentos de Enfermagem que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988, bem assim suas interfaces com os saberes Psi. Para isso, utilizamos, como fonte primária, textos que circularam na Revista Annaes de Enfermagem, no período selecionado. O recorte temporal se justifica, pois 1932 foi o ano de circulação do primeiro fascículo e 1988 foi o ano de implantação do SUS. A pesquisa se insere no campo da História das Ciências, na interlocução com a História da Enfermagem e a História da Psicologia à luz dos conceitos “estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento”. Metodologicamente, é uma pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Os resultados indicaram um número expressivo de publicações por autores anônimos; a predominância de autoria feminina; a relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; um espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções e um esforço de definição da profissão. As produções cumpriram a função de dar visibilidade à Enfermagem brasileira considerada moderna, ou seja, profissionalizada pelas escolas. Os Saberes Psi eram objetos de interesse daquele coletivo, que passou a divulgá-lo, no periódico, e a introduzi-lo nos currículos das Escolas de Enfermagem. Foram apropriados para compor o processo de conformação da enfermeira moderna por, pelo menos, três mecanismos, a saber: (1) o ensino de Psicologia voltado para a formação moral e comportamental da enfermeira; (2) o ensino de Psicologia para a capacitação da enfermeira na assistência ao doente, além da saúde do corpo, i.e., um cuidado social e psíquico e (3) o ensino de Psiquiatria para capacitar a enfermeira no cuidado com o doente mental. O interesse, nesse campo, foi ao encontro do estilo de pensamento Nightingaleano de formação da enfermeira considerada ideal para confluir com a conformação à Enfermagem moderna brasileira.

  • A partir da regulamentação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), em 2004/2005, o psicólogo figura como profissional essencial nas equipes dos serviços ofertados nesse campo. No entanto, existem indícios de que psicólogos trabalham na Assistência Social antes desse período. Essa inserção não foi sistematizada na literatura, não permitindo o estabelecimento de registros lineares dessa trajetória. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar o ingresso e a atuação do psicólogo nos serviços de Assistência Social em Natal/RN, bem como as atividades desenvolvidas por eles no período de 1972-2003. Esta delimitação temporal justifica-se porque Natal passou a ter psicólogo a partir de 1972, e 2003 foi o ano imediatamente anterior aos marcos de 2004/2005. A investigação se dividiu em duas etapas: documental e história oral. A primeira se deu por meio da consulta a 86 monografias do Setor de Documentação do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em que se buscou identificar quais eram os serviços que caracterizavam o campo assistencial e os indícios da presença dos psicólogos nesses espaços. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas com 13 psicólogos que trabalharam na Assistência Social, a fim de investigar sua atuação, as atividades desenvolvidas, o processo de inserção na área, entre outros aspectos. A análise do material foi feita com base em categorias temáticas, a partir de uma perspectiva histórica. Os resultados apontam para três grandes âmbitos de inserção dos psicólogos: o campo da excepcionalidade infantil, em que os psicólogos eram vinculados à Legião Brasileira de Assistência Social (LBA); o campo do menor, por meio da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM); e a ocupação de cargos de gestão e de coordenação em alguns programas assistenciais.

  • A linha de estudos em história da psicologia no Brasil é o campo de pesquisa em que se insere essa investigação sobre o processo de construção histórica do modelo de relação de ajuda do Centro de Valorização da Vida (CVV), durante a segunda metade do século XX. Partindo da análise de 321 boletins informativos, produzidos por essa instituição entre os anos de 1966 e 2000, procurou-se entender como os modelos de relação de ajuda da psicologia da época influenciaram o tipo de apoio psicológico que era oferecido por ela à população. Nesse sentido, tratou-se de compreender como essa organização não governamental - que trabalha com a prevenção de suicídio, por meio de atendimentos por telefone, pessoalmente e por carta - recorreu à ciência psicológica para formar e aperfeiçoar as capacidades de ajuda de seus voluntários. O CVV foi criado em fevereiro de 1962, na cidade de São Paulo, como parte da Campanha de Valorização da Vida e, em 1965, adquiriu personalidade jurídica, tomando-se Centro. Expandiu seu serviço para diversas cidades brasileiras e da América Latina, sendo que, atualmente, conta com cerca de 60 postos de atendimento. Para realização dessa pesquisa, utilizou-se uma metodologia historiográfica de cunho qualitativo, que seguiu estas etapas: 1)leitura dos boletins; 2)elaboração de quadros das atividades do CVV na sociedade brasileira; 3)delimitação das características da relação de ajuda; 4)leitura de fontes secundárias; 5)análise do processo de construçãohistórica do modelo de relação de ajuda; 6)reflexões sobre as influências dos modelos de relação de ajuda da psicologia no CVV; 7)escrita da dissertação. Nesse percurso, descobriu-se que, durante os quinze primeiros anos de existência, o CVV realizava uma atividade diretiva de ajuda, caracterizada por: 1)serviço de prevenção de suicídio por meio da valorização da vida, através da doação de amizade; 2)recurso a estudos e pesquisas científicas sobre ... suicídio para entender as pessoas que usavam seu serviço; 3)focalização dos problemas do indivíduo ajudado e não sua pessoa. Identificou- se também que, durante os anos de 1976 e 2000, o CVV passou a adotar um modelo não-diretivo de relação de ajuda (que perdura até hoje), influenciado pelas teorias da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers (1902-1987). A partir desse momento, a doação de amizade oferecida por seus voluntários deixou de focar os problemas dos indivíduos que procuravam seu serviço, e passou a levar em consideração a pessoa inteira deles. Por pessoa entendia-se o indivíduo nos seus aspectos mentais, emocionais e comportamentais, embora, na relação de ajuda, enfatizasse a importância de trabalhar os sentimentos. Mais especificamente, tratava-se do voluntário ser disponível para ouvir a pessoa que o procurava, adotando atitudes de autenticidade, compreensão empática e aceitação incondicional, confiando na natureza construtiva do ser humano erespeitando a liberdade do indivíduo fazer suas escolhas. Dessa forma, acreditava-se que o indivíduo poderia sair de suas máscaras, entrando no processo de vida plena e tomando-se a pessoa que é. Concluiu-se que o CVV recorreu principalmente à psicologia rogeriana como-um fundamento para seu trabalho, construí do na prática. Logo, seus voluntários se "apropriaram" de teorias dessa corrente psicológica, adequando-as ao seu contexto específico.

  • Esta pesquisa teve como objetivo conhecer e analisar a avaliação diagnóstica realizada por Helena Antipoff e seus colaboradores, na identificação das dificuldades escolares dos alunos das classes especiais de Belo Horizonte no período de 1929 a 1973. Esse recorte temporal se justifica pela sua chegada em Belo Horizonte (1929) e a criação do Centro Nacional de Educação Especial CENESP (1973), Órgão Central de Direção Superior, com a finalidade de promover em todo o território nacional, a expansão e melhoria do atendimento aos Excepcionais. Utilizouse pesquisa histórica baseada em fontes documentais primárias e secundárias, preservadas na Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, e no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA), situado na Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dados coletados foram organizados e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, tendo como referência a obra de Laurence Bardin. Procurou-se trazer para o campo de estudo da psicologia e da educação, especificamente para a educação especial, os questionamentos sobre o diagnóstico como processo de tomada de decisão que busca nas intervenções pedagógicas apropriadas o pleno desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Evidenciou-se que a finalidade classificatória da avaliação era a preconizada à época. No entanto, foram constatados indícios de que Helena Antipoff se mostrava crítica quanto à utilização dos testes psicológicos padronizados como instrumento de avaliação. Cunhou o conceito de inteligência civilizada, a partir de suas experiências com crianças e adolescentes russos, sustentava a ideia de que a inteligência natural era um conceito irreal e confusamente artificial. Quanto à educação das crianças anormais, considerava o diagnóstico como procedimento balizador para a escolha adequada dos métodos e técnicas de ensino, assim como um dispositivo pedagógico para atender às diferenças individuais. Verificou-se que o uso da avaliação diagnóstica na prática de Helena Antipoff mostrou-se eficaz como instrumento de identificação das dificuldades escolares além de favorecer a construção de atividades curriculares individualizadas.

  • A presente dissertação tem como objetivo estudar a obra de Marialzira Perestrello - médica, psicanalista e poeta. Visa também contribuir para a história da psicologia e da psicanálise no Brasil. Do levantamento de dados biográficos e da bibliografia (localizada e organizada a produção em livros, artigos em periódicos, capítulos de livros, prefácios e introdução de livros, um vídeo, além de apresentações orais), passamos para a leitura da obra da autora pesquisada, priorizando três interesses particulares, expressos por Marialzira Perestrello em entrevista à pesquisadora: vida de Freud, psicanálise, artes e literatura e história da psicanálise. Com isso, foi possível apresentar sua contribuição profissional não só à psicanálise. Destacam-se, na conclusão, de um lado sua contribuição à psicologia e, de outro, características que ressaltam de sua bibliografia.

  • Nesta investigação, a compreensão da trajetória de Waldir dos Santos Costa passou pelas instituições que contribuíram para sua formação como psicólogo e por seus espaços de atuação, ao implantar os primeiros serviços de Psicologia do Amazonas e se dedicar a favor da regulamentação da profissão neste estado, durante o período de 1973 a 2018, enquanto assumiu a gestão de instituições, exerceu o magistério e liderou movimentos associativos. Trata-se de um estudo biográfico, do qual as narrativas deste sujeito e de sua rede de sociabilidade foram fontes privilegiadas de pesquisa. Para interrogar os depoimentos e documentos garimpados em arquivos pessoais e várias instituições de guarda, buscamos pistas de sua presença profissional, acadêmica e de organização dos psicólogos da cidade de Manaus. Munidos deste material, recorremos a Halbwachs (2003), Bosi (2004) e Kotre (1997), por suas contribuições à compreensão da memória; Bourdieu (2006, 2010) e Certeau (2017), com o entendimento da construção de um campo de atuação e da história; Sirinelli (2006), em relação à concepção de geração; Alberti (2013, 2019), para a apreensão das narrativas, dentre outros autores. A arquitetura da tese contempla cinco capítulos, em que são interpretados dos aspectos de sua formação ao legado deixado por Waldir dos Santos Costa em sua rede de sociabilidade intelectual. O presente trabalho pretende contribuir para a preservação da memória deste protagonista e, sobretudo, para o conhecimento da história da Psicologia no Amazonas, ainda insuficiente em sua historiografia, que tem priorizado outros temas, objetos e regiões do país.

  • O objetivo principal deste estudo foi apresentar a trajetória da Psicologia Política no Brasil vista a partir de seus precursores e demais participantes. Tais personagens foram divididos em três gerações de pesquisadores considerando o grau de relacionamento acadêmico. As principais fontes de dados para tecer esse estudo foram investigação documental, entrevistas e genograma construído a partir de dados da Plataforma Lattes. Como procedimento investigativo trabalhamos a partir da história oral temática com a qual pudemos combinar as fontes escritas do conjunto documental (atas, cadernos, revistas, anais) com fontes orais (entrevistas). Os resultados da pesquisa apresentam como os personagens das três gerações examinadas consideram o desenvolvimento da Psicologia Política no Brasil num período de 16 anos

  • Esta dissertação traz uma análise documental sobre o ensino de arte no Complexo Educacional da Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais. Essa instituição foi fundada em 1939, por Helena Antipoff, psicóloga e educadora russa, com a ajuda de colaboradores. A pesquisa teve como objetivo verificar como foi o ensino de arte desenvolvido na instituição, entre as décadas de 1940 e 1950, com foco na identificação de uma rede de colaboradores que pudessem ter contribuído para que a educadora promovesse um movimento de integração entre arte e educação, em intercâmbio com os ideais escolanovistas. Este estudo teve como pressuposto que a relação estabelecida entre Antipoff e o artista-educador Augusto Rodrigues foi uma importante parceria para a concepção e execução do ensino de arte desenvolvido na Fazenda do Rosário. A parceria entre Antipoff e Rodrigues remonta à fundação da Sociedade Pestalozzi do Brasil (1945), fundada por Antipoff e colaboradores e da Escolinha de Arte do Brasil (1948), fundada por iniciativa de Rodrigues, outros artistas e apoio de Antipoff, no período em que a educadora atuou no Rio de Janeiro/Ministério da Saúde (1944-1949), sem desligar-se dos trabalhos desenvolvidos em Minas Gerais. Por meio de colaboradores, a maioria atuante nessas instituições, foi possível que Antipoff estabelecesse parcerias que lhe permitiram desenvolver um ensino de arte para atender tanto às crianças, adolescentes e adultos da comunidade local, quanto à formação de professores rurais. As fontes analisadas neste estudo são de diversos gêneros: escritos e manuscritos de Antipoff, correspondências trocadas com colaboradores e autoridades, jornais e periódicos institucionais, folders de divulgação de exposição de arte, fotos tiradas durante visitas de artistas-educadores, livro de registro de alunos e professores etc.. Os documentos consultados indicam uma movimentação em prol de se dinamizar os trabalhos de arte desenvolvidos na Fazenda, ora em cursos realizados na própria instituição, ora em convênios para atender aos professores em formação que se dirigiam ao Rio, na Escolinha de Arte e também na Pestalozzi do Brasil, onde Rodrigues também foi professor. Os resultados mostram que, no Rosário, houve a promoção de oficinas de trabalhos manuais, com uso da matéria-prima local, como: cerâmica, bambu, fibras naturais, carpintaria e entalhe em madeira; produção têxtil em teares manuais; assim como o desenvolvimento do teatro de bonecos, indicado como atividade recreativa, de uso pedagógico nas escolas. O ensino de arte na Fazenda do Rosário foi desenvolvido como possibilidade de formação humana e profissional, tanto para adultos, professores rurais, assim como para crianças e adolescentes. Nesse sentido, Antipoff empreendeu esforços para trazer artistas-educadores nacionais e estrangeiros que colaboraram para que a arte pudesse alcançar a comunidade local, trazendo melhores condições de vida e fazendo o ensino de arte multiplicar-se por meio da formação de professores para atuarem no ensino rural.

  • Esta pesquisa tem por objetivo realizar um estudo histórico da psicologia escolar na Secretaria Municipal de Educação – SME, da Prefeitura Municipal de São Paulo – PMSP. Sustentam esta elaboração os fundamentos da História do Presente, entendida como campo de estudo da história do século XX, a partir da década de 1930 e a proposta atual da Historiografia da Psicologia, especificamente na abrangência da abordagem social. Assim, procura responder ao desafio de se construir uma história crítica, articulando a história da psicologia e a da sociedade, evidenciando suas dimensões sociais e políticas. Documentos constituíram-se em matéria prima para a realização desse estudo histórico. A análise e interpretação do conjunto do material organizado permitiram a identificação de quatro períodos na atuação da psicologia na SME da PMSP e a elaboração de uma narrativa, na qual estão relacionados não só os dados entre si, mas também os dados com alguns dos acontecimentos que marcam a história do Brasil, da psicologia e da própria profissão de psicólogo. Além disso, a memória da autora esteve presente nos bastidores da pesquisa, desde que trabalhou como psicóloga escolar no Serviço de Psicologia Escolar dessa Secretaria, de 1978 até a sua extinção. Nessa perspectiva, o que se procura com este estudo é preencher uma lacuna no conhecimento dessa área, ou seja, oferecer um quadro de referências, que retrate não só as origens do Serviço de Psicologia Escolar no processo social e cultural da realidade brasileira, como as mudanças que nele ocorreram no período em que existiu, e no qual essa história pode encontrar seu sentido, não apenas de maneira circunscrita à Prefeitura de São Paulo, mas também como contribuição à história da psicologia no Brasil

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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