A sua pesquisa

  • A presente dissertação tem como objetivo estudar a obra de Marialzira Perestrello - médica, psicanalista e poeta. Visa também contribuir para a história da psicologia e da psicanálise no Brasil. Do levantamento de dados biográficos e da bibliografia (localizada e organizada a produção em livros, artigos em periódicos, capítulos de livros, prefácios e introdução de livros, um vídeo, além de apresentações orais), passamos para a leitura da obra da autora pesquisada, priorizando três interesses particulares, expressos por Marialzira Perestrello em entrevista à pesquisadora: vida de Freud, psicanálise, artes e literatura e história da psicanálise. Com isso, foi possível apresentar sua contribuição profissional não só à psicanálise. Destacam-se, na conclusão, de um lado sua contribuição à psicologia e, de outro, características que ressaltam de sua bibliografia.

  • Esta pesquisa tem por objetivo realizar um estudo histórico da psicologia escolar na Secretaria Municipal de Educação – SME, da Prefeitura Municipal de São Paulo – PMSP. Sustentam esta elaboração os fundamentos da História do Presente, entendida como campo de estudo da história do século XX, a partir da década de 1930 e a proposta atual da Historiografia da Psicologia, especificamente na abrangência da abordagem social. Assim, procura responder ao desafio de se construir uma história crítica, articulando a história da psicologia e a da sociedade, evidenciando suas dimensões sociais e políticas. Documentos constituíram-se em matéria prima para a realização desse estudo histórico. A análise e interpretação do conjunto do material organizado permitiram a identificação de quatro períodos na atuação da psicologia na SME da PMSP e a elaboração de uma narrativa, na qual estão relacionados não só os dados entre si, mas também os dados com alguns dos acontecimentos que marcam a história do Brasil, da psicologia e da própria profissão de psicólogo. Além disso, a memória da autora esteve presente nos bastidores da pesquisa, desde que trabalhou como psicóloga escolar no Serviço de Psicologia Escolar dessa Secretaria, de 1978 até a sua extinção. Nessa perspectiva, o que se procura com este estudo é preencher uma lacuna no conhecimento dessa área, ou seja, oferecer um quadro de referências, que retrate não só as origens do Serviço de Psicologia Escolar no processo social e cultural da realidade brasileira, como as mudanças que nele ocorreram no período em que existiu, e no qual essa história pode encontrar seu sentido, não apenas de maneira circunscrita à Prefeitura de São Paulo, mas também como contribuição à história da psicologia no Brasil

  • O objetivo do presente estudo foi investigar em que circunstâncias ocorreu a inserção dos primeiros psicólogos nos serviços públicos de saúde do Estado do Espírito Santo, contribuindo para a História da Psicologia, da Psiquiatria e da Saúde Pública. Nesse sentido, foram descritos: a situação da psiquiatria local, através do detalhamento do tipo de tratamento dispensado pelos psiquiatras aos pacientes do Hospital Colônia Adauto Botelho e do Pronto Socorro Psiquiátrico de Cachoeiro de Itapemirim antes da entrada dos primeiros psicólogos nesses serviços; a parceria estabelecida entre psiquiatras e psicólogos a partir do encaminhamento destes para aquelas instituições; o tratamento dispensado pelos psicólogos aos usuários dos serviços e as alterações nas instituições psiquiátricas com inserção da nova categoria profissional. Dois psiquiatras, três psicólogos e uma auxiliar de enfermagem responderam a uma entrevista semi-estruturada. Além disso, foram analisados documentos da época cedidos pela Secretaria de Saúde do Estado ou localizados no Arquivo Público do Espírito Santo. Os resultados indicaram, entre outras coisas, que a inserção dos primeiros psicólogos nos serviços públicos de saúde do Espírito Santo ocorreu a partir de 1976, dentro de um contexto local e amplo de críticas dirigidas à noção de loucura e à terapêutica oferecida aos considerados loucos e, mesmo, às injustiças sociais de uma forma geral. Nota-se, dessa forma, uma originalidade nas ações colocadas em funcionamento naquele momento. Esta é uma história que interessa à área de uma forma geral, na medida em que se conecta com os mais diversos acontecimentos.

  • Esta tese de doutoramento trata da história da Psicologia da Educação no Brasil pela análise de documentos do curso normal de uma escola confessional católica da cidade de São Paulo, nos anos de 1941 a 1961, para compreender de que forma se apresentava, em termos de conteúdos e métodos, nos Pontos de Exame das disciplinas Psicologia, Pedagogia e Psicologia e Pedagogia, na perspectiva da pesquisa sócio-histórica em Psicologia. Para tal, são abordados temas tais como a história da Psicologia no Brasil, mais especificamente as relações entre Psicologia da Educação, escolas normais e escolas normais confessionais católicas; gênero e magistério; aspectos políticos, econômicos e legais do período estudado e metodologia da pesquisa documental. Os indicadores teóricos e de campo direcionaram nossas conclusões no sentido de ter sido a Psicologia da reeducação ensinada nas disciplinas Psicologia, Pedagogia e Psicologia e Pedagogia, do curso normal estudado, reflexo daquilo que se entendia como Psicologia Educacional na época, mesclada a conteúdos confessionais que influenciaram a abordagem de algumas teorias psicológicas, em especial a psicanálise, oferecendo importante contribuição para a disseminação das idéias sobre a psicologia educacional e a Psicologia como ciência, possibilitando às alunas uma formação sólida na área, capaz de fornecer-lhes subsídios para a vivência dos papéis de mães e esposas, além de professoras primárias

  • Nossa proposta, neste trabalho, foi mostrar a construção do humano na História da Psicologia com a integração das abordagens internalista/externalista de historiar - desafio contemporâneo da Psicologia - que só se tornou viável em função da mudança do Paradigma da Simplificação para o Paradigma da Complexidade, representante do modelo científico atual. O caminho que percorremos foi apresentar o humano na visão histórica internalista, depois na externalista para, posteriormente a um exame do novo paradigma, apresentá-lo na perspectiva da integração entre as duas abordagens. Utilizamos os método Histórico e Comparativo em nosso percurso.

  • Esta pesquisa é uma investigação dos caminhos seguidos por Edward Bradford Titchener para a elaboração de uma proposta de psicologia, apontando acordos e desacordos entre Titchener e seus contemporâneos alemães e americanos. Por meio da análise do seu Text-Book e alguns dos seus artigos, objetivou-se entender a metodologia titcheneriana e legitimar seu eixo intelectual na história da psicologia. Realizou-se uma discussão entre a fisiologia experimental inglesa e alemã sobre a natureza perceptiva do espaço a fim de mostrar que o panorama contextual das tradições empíricas e continentais entrelaça tanto a formulação da psicologia experimental alemã, quanto da psicologia experimental titcheneriana. Questiona-se, então, o modo como o autor é tratado pela historiografia moderna, procurando localizar a perspectiva histórica que construiu a imagem titcheneriana na memória da psicologia. Esta pesquisa pretende contribuir, portanto, com uma historiografia crítica, estabelecendo outro enfoque para o papel de Edward B. Titchener na história da psicologia

  • O objetivo deste trabalho é construir uma história que promova a visão da participação das mulheres na constituição do espaço psi no Rio de Janeiro. Para tanto, optamos por investigar as atividades e a inserção das mulheres em uma instituição relevante para a Psicologia em seu período de autonomização. A instituição estudada foi o Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), da Funadação Getulio Vargas (FGV), no período que vai desde sua fundação, agosto de 1947, até o final da década de 1970. Utilizamos como fonte dados coletados nos Relatórios Anuais do ISOP e entrevistas realizadas com pessoas que atuaram no Instituto durante o período estudado. Assim, buscamos aliar o entendimento do momento vivido pela Psicologia com os modos de se ver e pensar a inserção da mulher na sociedade. O referencial teórico utilizados vai de autores brasileiros como Ana Maria Jacó-Vilela, Paulo Rosas, Antônio Gomes pena a estrangeiros como Aldo Carotenuto, Bosch Fiol e Ferrer Pérez, que contribuem com as pesquisas e relatos para a configuração da história da Psicologia. Além destes, autores que permeiam nossa perspectiva de gênero como Judith Butler, Thomas Laqueur e Margareth Rago. A aliança de perspectivas destes diversos autores aos dados coletados produziram uma análise que promoveu a emergência de diversos fatores que influenciaram a visibilidade feminina na história da Psicologia. Acreditamos que este trabalho possa contribuir para a ampliação do campo de estudos femininos na história da Psicologia, quiçá da ciência brasileira

  • A presente tese tem objetivo contribuir para a história da Psicologia Social no Brasil a partir da análise da produção bibliográfica deixada por Aniela Meyer Ginsberg, profissional e pesquisadora na área entre 1936 a 1984. Além da bibliografia análise de conteúdo foi feita sobre o conjunto de sua obra escrita, localizada e organizada para esta tese, é que abrange artigo, resenhas críticas, capítulos de livros, livros, projetos de pesquisa, resumos apresentados em congressos complementada pela análise de monografia, dissertações e teses orientadas por ela e da relação de dissertações e teses (de doutorado e de livre docência) de cujas bancas de defesa participou. Entrevistas com colegas e ex-alunos da doutora Aniela foram ainda realizadas, para esclarecimento de aspectos levantadas ao longo da análise. Foi possível destacar o que poderia ser considerado profissional e cientificamente significativo no que se refere à contribuição de Doutora Aniela à psicologia brasileira. Conclui-se destacando ainda seu papel como educadora.

  • Os 17 aparelhos que se encontraram sob o cuidado do Núcleo de Estudos em História da Psicologia da PUC-SP (NEHPSI) foram doados, em 2004, por Pe. Salesiano João Modesti, de Araras SP. Seu achado resulta da pesquisa de doutorado de Iolanda Brandão sobre Os Salesianos na Psicologia Brasileira , defendida no Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social dessa Universidade. Trazidos da Itália no início dos anos 1950, os aparelhos eram então utilizados para ensino, pesquisa e prestação de serviços psicotécnicos. Depois de uma primeira exposição realizada na PUC-SP, o NEHPSI tem sido convidado a repeti-la em instituições de ensino e profissionais, tendo realizado exposições na UNICAMP, na Universidade São Marcos, na Universidade Federal de São João del Rei, na PUC/Minas, Campus Poços de Caldas, no Conselho Regional de Psicologia 3ª Região Bahia e Sergipe e no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Registros de observação assistemática são aqui analisados apenas para ilustrar a participação efetiva dos visitantes ao entrarem em contato com os aparelhos. O objetivo desta pesquisa é verificar se a exposição dos aparelhos, juntamente com outros documentos do período, pode ser um recurso para o ensino de história da psicologia do Brasil. Um recorte especial (sete aparelhos para medida de inteligência) foi feito para isso, com duas Exposições (alunos do curso de graduação em psicologia da PUC-SP e de pedagogia da Faculdade Oswaldo Cruz) com questionários especialmente elaborados para os visitantes. Os resultados mostram que a Exposição constrói conhecimento e além de interessante, pode ser um recurso para o ensino de História da Psicologia

  • O ensino de Psicologia no Brasil foi fundamentalmente modificado pelo reconhecimento da profissão de psicólogo, em 1962, e pela reforma universitária que organizou as universidades em departamentos, na mesma década. O ensino de Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) remonta aos anos 1940, na antiga Faculdade de Filosofia. Um curso de graduação em psicologia foi criado apenas em 1973. A partir da coleta de dados documentais e depoimentos de personagens que testemunharam e atuaram nos eventos em questão, este trabalho narra a história do ensino de Psicologia na UFRGS, da instalação do Departamento de Psicologia em 1971 à criação do Programa de Pós-graduação em 1988. O histórico do ensino de Psicologia na UFRGS reflete as condições legais e burocráticas que pautaram o Departamento e seus órgãos, e as mudanças do corpo docente. A pós-graduação qualificou o ensino de graduação graças a pesquisa sistemática, titulação do corpo docente e programas de bolsas. Assim, o desenvolvimento do ensino de psicologia na UFRGS completou um ciclo, iniciando em cátedras e culminando num modelo departamental de integração entre ensino e pesquisa.

  • Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise sobre a inserção dos saberes psicológicos na formação de professores primários do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, no período de 1932 a 1938, buscando compreender de que forma a psicologia - com todas as suas diversidades e atravessamentos - atrelava-se à crescente industrialização e aos projetos de modernização do país, estabelecendo-se como um dispositivo legitimador de uma nova concepção de homem. Como fundamentação teórico-metodológica, utilizou-se uma análise sócio-histórica, procurando verificar não exatamente o aparecimento dos saberes psicológicos e suas teorias, mas sua penetração nos discursos educacionais e no próprio cotidiano das escolas. Foi realizada uma pesquisa documental em diversos arquivos: arquivo Lourenço Filho e arquivo Anísio Teixeira, no CPDOC/FGV - RJ, e nos arquivos do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Foram analisados programas de diversas matérias, dentre elas: psicologia educacional, psicologia da aprendizagem, psicologia diferencial e psicologia geral. Pôde-se constatar que, além das cadeiras específicas de psicologia, esta se encontrava presente nos programas das demais matérias, como um item fundamental para o processo educativo. Estabelecia-se, na formação de professores do Instituto de Educação, uma ampla propagação dos saberes psicológicos que se apresentavam de forma "camuflada" nos programas escolares, através de concepções sobre a infância, sobre o comportamento, a estruturação do ato de pensar e aprender, enfim, a psicologia ditava verdades sobre o funcionamento humano - a normalidade legitimada pelo discurso científico. A nova organização escolar, estabelecida a partir de preceitos da escola nova, divulgava e difundia a psicologia como um campo de fundamental importância para adaptação dos meios/métodos educacionais à realidade vigente: segundo estes preceitos, a educação seria social nos fins e psicológica nos meios - esquadrinhava os corpos por suas individualidades, e os ordenava transformado-os em uma massa uniforme -, estando voltada para a formação de sentimentos, valores e ideais de um novo homem brasileiro.

  • O propósito deste trabalho foi examinar, de um ponto de vista histórico, as relações existentes entre modernização urbana e o desenvolvimento da Psicologia em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Considerando as mudanças ocorridas no espaço, na cultura, e na vida cotidiana, descrevemos a inserção da Psicologia nas seguintes instituições: 1) Escola Normal de Natal, Ateneu norteriograndense e a Escola Doméstica; 2) instituições médicas que desenvolveram na cidade o uso de tecnologias psicológicas como os testes de inteligência, principalmente os centros psiquiátricos; 3) A Escola de Serviço Social, primeira instituição de ensino superior regular do Rio Grande do Norte, que introduziu o ensino de Psicologia durante o período de 1945-1965 como disciplina acadêmica de preparação universitária; 4) O Centro de Psicologia Aplicada, primeira instituição psicológica do estado, criada em 1965, que desempenhou um importante papel na disseminação da tecnologia psicológica (testes de inteligência e personalidade, orientação vocacional, psicodiagnóstico e seleção profissional). O processo de modernização da cidade, na década de oitenta, passou a se configurar como uma "urbanização turística", transformando Natal em uma "Cidade do Prazer", em que o hedonismo e o narcisismo passaram o ser os valores determinantes do novo estilo de vida do natalense. Neste contexto foi criado o curso de Psicologia da universidade Federal do Rio Grande do Norte. A abordagem hegemônica no treinamento profissional do curso era a Psicologia humanista de Carl Rogers, uma abordagem acrítica e não-histórica. A instalação de Shopping Centers e redes internacionais de supermercado anunciavam o início de uma moderna cultura de consumo em Natal. O processo alienante de subjetivação que os meios de comunicação de massa introduziram na cidade foram reforçados pela prática psicológica acrítica predominante.

  • Num contexto onde professores e diretores de escolas públicas se queixavam da indisciplina de seus alunos e encontravam dificuldades para enfrentá-la, desenvolveu-se uma pesquisa-ação com o intuito de, conhecendo as versões dos pais, professores e alunos sobre o fenômeno, assim como suas idéias sobre as causas e sugestões para solucioná-las, poder desenvolver alternativas afim de o psicólogo trabalhar com os personagens envolvidos, a partir de outro olhar sobre o problema. O trabalho realizou-se durante dois anos, através de entrevistas individuais e em grupos com pais, professores e jovens de quatro escolas públicas, que haviam pedido a ajuda do psicólogo para enfrentar a indisciplina de seus alunos. Partimos da teoria de Winnicott, que discute o homem no mundo e postula a existência do espaço potencial, para a elaboração do método e para compreender o sentido das histórias comunicadas. As interpretações de "indisciplina" como manifestação de tendência anti-social, tendo origem em uma privação, assim como expressão de resistência à vigilância e à punição praticadas pela escola, revelaram-se insuficientes para a compreensão de todos os casos. Pais, alunos e professores comunicaram necessidades psíquicas que buscavam, através de atos de indisciplina, serem satisfeitas no âmbito escolar. Avançando com outros autores de linha materialista histórica, podem-se entender tais atos de indisciplina como comunicações positivas e criativas, de indivíduos que buscam a participação na escola, segundo suas concepções e necessidades, e que revelam, também, uma tentativa de objetivação - ou seja, de manifestar a subjetividade - num contexto cuja tendência é a objetificação - isto é, transformar as pessoas em coisas.

  • Uma das lacunas na história da psicologia tem sido a escassez no exame da reflexão filosófica e teológica, e de sua influência sobre a psicologia moderna. O presente trabalho teve como objetivo realizar uma análise histórica preliminar sobre a psicologia intelectualista, bem como da contraposição voluntarista a ela, e analisar sua influência sobre algumas teorias acerca do pensamento na psicologia moderna: os behaviorismos de Watson e de Skinner, alguns autores cognitivistas, e a teoria sócio-histórica de Vygotsky. Para a análise da tradição intelectualista foram selecionados alguns filósofos e teólogos do período clássico da antiguidade (Sócrates, Platão e Aristóteles), da patrística cristã (Agostinho), da escolástica (Anselmo e Tomás de Aquino), da Reforma Protestante (Lutero e o Calvinismo), e da modernidade (Descartes). Ao final da análise, foram sintetizadas as principais características da tradição intelectualista e da contraposição voluntarista. Tais características foram comparadas com as teorias da psicologia moderna sobre pensamento, com objetivo de investigar a influência do intelectualismo sobre tais teorias, bem como as alternativas que elas apresentaram a essa tradição. Verificou-se que algumas das principais características da tradição intelectualista foram: o referencialismo, o universalismo dos processos psicológicos, a não ênfase no ambiente, a noção de um homem excessivamente premeditador da ação, uma profunda vinculação entre pensamento e afeto, e a análise do pensamento no contexto de uma antropologia filosófica. As principais conclusões do presente trabalho são que todas as teorias psicológicas sobre pensamento analisadas foram, em algum grau, influenciadas pelo intelectualismo. Dentre as teorias analisadas, as que mais se aproximaram da tradição intelectualista foram as teorias cognitivas. Em todas as teorias há algum grau de tentativa de superação do intelectualismo. No behaviorisno radical, uma das tentativas de superação é a valorização da interação do organismo com o ambiente. Na teoria sócio-histórica, uma tentativa de superação deu-se com uma teoria genética para a origem ontogenética e filogenética do pensamento e em uma proposta de historicidade para os processos psicológicos. Conclui-se também que a tradição intelectualista apresenta contribuições para a psicologia moderna: a vinculação entre pensamento e afeto e a análise do pensamento dentro de uma antropologia filosófica.

  • Esta pesquisa abordou o processo de profissionalização do psicólogo no Brasil na década de 1960. Tal processo foi efeito das articulações estabelecidas na unificação e regulação do exercício profissional por todo o país. A constituição da psicologia como ciência e profissão foi permeada por discursos e práticas que atravessavam as atividades experimentais e de aplicação de tal saber. A profissionalização foi efeito provisoriamente estabelecido num embate de forças efetuado entre controvertidas versões. O resultado foi a fabricação de um especialista e técnico em aplicações psicológicas e a estabilização da proposta em psicologia experimental. Tal resultado ampliou a rede de constituição da psicologia como profissão através da multiplicação das controvérsias.

  • Este trabalho pretendeu contribuir para a historiografia da Psicologia no Brasil, a partir da memória de profissionais de psicologia que iniciaram, na década de 1970, atividades de psicologia nos serviços públicos municipais de Campinas SP. Buscou-se estabelecer conexões entre o contexto histórico de Campinas e do país e o início das atividades de psicologia na cidade. A pesquisa consistiu no levantamento de fontes documentais, na transcrição e na interpretação de depoimentos de psicólogas que em sua maioria ainda se encontram vinculadas ao serviço público municipal. Foram adotados os procedimentos da História Oral e, na análise das entrevistas, buscou-se a perspectiva histórica dos relatos, partindo da imagem que cada entrevistada possui de sua própria trajetória e do serviço público, para elaborar uma versão para a História da Psicologia no serviço público municipal. A análise de depoimentos colocou em evidência a trajetória das entrevistadas, as atividades de psicologia desenvolvidas, o campo de atuação

  • A presente dissertação tem como objetivo contribuir para a história da Psicologia Social brasileira, através da análise da obra Introdução à Psicologia Social, de Arthur Ramos de Araújo Pereira (1903 - 1949), pertencente à produção bibliográfica na área, na década de 1930. Arthur Ramos, além médico e antropólogo, foi um estudioso em diversas áreas principalmente em psicanálise e psicologia, o que o levou a ministrar, em 1935, aulas de psicologia social na recém formada Universidade do Distrito Federal, então no Rio de Janeiro, cujo resultado foi, em 1936, o livro aqui analisado. Além de uma biobibliografia do autor, o texto traz a análise realizada, que incidiu principalmente sobre os temas selecionados para compor o livro e sua relação com as pesquisas e livros que eram produzidos à época, através de um estudo das referências bibliográficas, que por serem numerosas, colocam o livro na categoria de compêndio. Considerações sobre a década encerram o trabalho, mostrando Arthur Ramos como um médico "interessado no comportamento humano" (Ramos, 1945) e um "intelectual de sua época" (Miceli, 1979), sendo portanto, sua maior contribuição para a área, a difusão, em língua portuguesa, do conhecimento produzido até então, especialmente pela psicologia social norte-americana. Assim sendo, procurei investigar a importância de tal livro e de seu escritor para uma época quando o objeto de estudo e da psicologia social ainda não estava definido e, por isso, não havia uma definição clara quanto a que área ela pertencia: psicologia ou sociologia. Estou certa de que este estudo que realizei é apenas introdutório, pois ainda há várias questões a serem respondidas em relação às contribuições do livro e do autor para esta área.

  • A eugenia, ciência fundada por Francis Galton, no século XIX, procurava estabelecer as condições ideais de reprodução humana, visando o melhoramento racial pela a progressiva extinção dos degenerados e com a estimulação da reprodução dosindivíduos bem dotados fisica, moral e mentalmente. Seu programa foi amplamente aceito e incorporado pelos intelectuais brasileiros, sobretudo pelos psiquiatras, entre eles, Franco da Rocha, Antonio Carlos Pacheco e Silva, Ernani Lopes, lnácioda Cunha Lopes, entre outros, no começo do século XX. Alguns psiquiatras criaram a psycho eugenia - tema de nossa pesquisa -, prática que, através do trole de nascimento dos "degenerados mentais", procurava melhorar as qualidades psicológicas da"raça brasileira. Esta apropriação fundamentou uma das principais estratégias de ação da psiquiatria profilática e da emergente psicologia científica, naquele momento um ligada à medicina. Neste estudo historiográfico, objetivamos discutir aapropriação dos pressupostos eugênicos pelos saberes psicológicos no Brasil, bem como as idéias eugênicas merentes a estes saberes, fatos que fundamentaram práticas legalizadas como internações eugênicas; controle imigratório; desaconselhamentode casamentos interraciais etc. Focalizamos nosso trabalho no estado de São Paulo, devido às preocupações com a onda imigratória que este estado recebia, o que poderia, segundo a perspectiva eugênica, degradar o nível mental e o padrãocomportamental dos seushabitantes. Os dados foram colhidos de periódicos específicos de medicina, eugenia, psiquiatria e psicologia produzidos no estado de São Paulo entre 1900 e 1940

  • O propósito deste trabalho é o de lançar a psicologia humanista brasileira no debate contemporâneo sobre as questões atuais dos processos de subjetivação. Ciente dos riscos que aguarda qualquer um que queira considerar a psicologia humanista de um modo geral - tendo em vista, evidentemente, a pluralidade de autores que declaradamente participam dessa vertente teórica - achei mais prudente considerar os escritos de um autor específico. Desse modo, nesta tese, discutirei em particular a proposta de Carl Rogers. Pretendo fazer algumas considerações históricas sobre a proposta clínico-teórica desse autor no contexto das psicologias existentes no Brasil. A tese principal que mais adiante estará sendo apresentada é de que essa proposta clínica e teórica de psicologia está, desde o seu surgimento, comprometida tanto com esforços de moralização e normalização da conduta dos indivíduos, através do exercício de formas de subjetivação que aliam sujeição e disciplina, quanto com propostas e esforços buscando a emancipação e a liberdade; estes dois pólos contraditórios caracterizam os indivíduos que vivem no mundo moderno e contemporâneo, entre os quais nos debatemos, tendendo, ora para a sujeição, ora para a liberdade. Desenvolvo minhas reflexões em torno da idéia das resistências que os sujeitos elaboram para fazer face aos processos de normalização e de disciplinarização. Em síntese, o trabalho, que será aqui apresentado visa à realização de uma revisão do contexto histórico e cultural que possibilitou o surgimento da psicologia humanista e da concepção de homem que sustenta, particularmente, a proposta rogeriana. Penso ser indispensável trabalhar essas questões, antes mesmo de nos aprofundarmos em quaisquer outras discussões dentro dessa abordagem em psicologia.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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