A sua pesquisa

Tipo de recurso
  • Nosso propósito ao elaborar esta tese é contribuir com o estudo da Psicologia Social no Brasil, mostrando que Silvia Tatiana Maurer Lane (1933-2006) teve importância relevante na formulação das bases teóricas de uma Psicologia Social Brasileira, adotada por psicólogos sociais, professores e pesquisadores. A atividade docente foi fundamental para a formação do pensamento da intelectual respeitada, tendo se desenvolvido por meio de uma postura crítica, permanente, à psicologia social de influência americana e aos métodos tradicionais de ensino. A PUC de São Paulo, instituição na qual trabalhou durante quarenta anos, proporcionou à Silvia um ambiente de liberdade intelectual que favoreceu o seu trajeto. Escolhemos para estudar a autora um caminho ainda não trilhado por outros pesquisadores que falaram a respeito da ilustre professora, conduzindo a nossa pesquisa, em especial, a partir dos documentos pessoais encontrados no acervo deixado na PUC de São Paulo sob a guarda do Núcleo de Estudos em História da Psicologia-NEHPSI, além de livros, entrevistas e biografias escritas por outros autores. A análise do percurso de Silvia nos mostrou conexões importantes entre o seu trabalho e o contexto sócio-histórico e revelaram o prestígio da professora no Brasil e no exterior. Para o estudo das ideias, tomamos por base um texto ainda não publicado, denominado: Caminhos percorridos , escrito pouco tempo antes da sua morte e cuja finalidade era preparar uma coletânea dos seus textos, publicados ou não, mas de difícil acesso. A leitura nos permitiu entender a estrutura dada por ela ao seu próprio pensamento. Constamos que a psicologia da linguagem, as bases teóricas para formulação de uma psicologia social brasileira, a psicologia comunitária, o processo grupal e a mediação emocional são temas que estão presentes ao longo de toda a obra, gerando pesquisas, textos, cursos e apresentações, recebendo ao longo do tempo, novos olhares e releituras que fizeram avançar a compreensão dos temas. A obra não se encerra com a sua morte, deixando espaço para novos estudos e textos a serem produzidos

  • O objetivo da pesquisa é apresentar um estudo histórico no qual se investigou o processo de recepção da Análise do Comportamento, ciência fundada por B. F. Skinner, pelo campo educacional no Brasil. O referencial teórico utilizado na realização da pesquisa baseou-se no conceito de recepção de teorias psicológicas. O conceito de recepção engloba os processos de acolhida e apropriação da teoria, seguido do intercâmbio entre a teoria em sua versão original e em sua versão acolhida e apropriada em um novo contexto. Esse conceito oferece subsídios teóricos para se investigar o modo como teorias psicológicas podem ser recebidas em contextos socioculturais distintos daqueles em que foram originalmente elaboradas. Nesta pesquisa, ao se investigar o processo de recepção da Análise do Comportamento pelo campo educacional no Brasil, foram analisadas a mensagem (conceitos e princípios de Análise do Comportamento), os emissores (autores que fundaram e divulgaram a teoria, casos de B. F. Skinner e Fred Keller) e os receptores da teoria (professores). O processo de recepção leva em conta, ainda, a problemática e os interesses intelectuais presentes no campo disciplinar no qual a teoria se insere. Neste caso são analisadas a problemática e os interesses intelectuais presentes no campo educacional brasileiro no período entre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 e 1996, que configura o recorte temporal da pesquisa. A metodologia empregada consistiu-se na análise de quatro fontes: as edições da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos – RBEP, publicadas entre 1961 e 1996, nas quais buscou-se identificar textos (artigos, resenhas, listas de bibliografias) que fizessem referência a Skinner e a tecnologia do ensino; a segunda fonte de pesquisa foram as ementas das disciplinas de Psicologia do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Viçosa – UFV, nestas ementas foram identificados conceitos e princípios de Análise do Comportamento, os quais foram agrupados em intervalos de cinco anos, a partir do que procedeu-se uma análise quantitativa do número de conceitos e princípios presentes em cada período; a terceira fonte foram os planos de ensino das disciplinas da área de Psicologia e Educação do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, a partir dos quais buscou-se identificar em quais disciplinas a Análise do Comportamento era ensinada e quais as obras utilizadas no ensino de seus conceitos e princípios. A quarta fonte consultada foram professores que estiveram envolvidos com a recepção da Análise do Comportamento no campo educacional. Quatro professores foram entrevistados, de acordo com a metodologia da história oral. As entrevistas, após transcritas, foram transformadas em textos. Os procedimentos de análise de conteúdo orientaram a análise dos planos de ensino, assim como das entrevistas. Os resultados apontam que a Análise do Comportamento foi recebida pelo campo educacional no Brasil de modos distintos entre os anos de 1961 e 1996. Na década de 1960 até princípios da década de 1970, a recepção da Análise do Comportamento foi marcada pelas características pessoais dos professores que com ela tiveram os primeiros contatos, destacando-se o papel de professores interessados em uma Psicologia científica e que estiveram envolvidos com concepção política de esquerda, sendo partidários de uma Pedagogia Libertadora. A partir da década de 1970, após a Reforma Universitária, de 1968, e a Reforma do Ensino Médio, em 1971, ocorre uma mudança na problemática da Educação nacional, que passa a ser a formação docente mais técnica e a gestão educacional atrelada a teoria do capital humano. Nesse período, entre o início dos anos de 1970 e a primeira metade da década de 1980, os interesses intelectuais se voltam para as chamadas tecnologias do ensino. Essas mudanças no campo educacional levaram a uma apropriação da Análise do Comportamento, aumentando o interesse pela tecnologia derivada de seus conceitos e princípios. Cresce nesse momento o interesse pela Instrução Programada e pela tecnologia do ensino, dando origem ao que alguns autores definem como concepção pedagógica tecnicista. A partir da segunda metade da década de 1980, as mudanças políticas ocorridas no país, juntamente com a emergência de teorias de viés mais sociológico, como as teorias críticas em Educação, representada na Psicologia pela Psicologia Escolar Crítica, levaram a uma crítica veemente à Análise do Comportamento, como uma teoria que serviu de base para o tecnicismo pedagógico, levando ao quase desaparecimento da Análise do Comportamento do debate educacional. Nesse período, início dos anos de 1990, foi fundada a Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental – ABPMC, e o desenvolvimento da ciência do comportamento passou a ser discutido dentro de seu próprio campo, levando a um isolamento cada vez maior da teoria, gerando um distanciamento entre os dois campos disciplinares: Análise do Comportamento e Educação. Conclui-se que a Análise do Comportamento nem sempre foi recebida pelo campo educacional no Brasil como partidária de uma perspectiva pedagógica tecnicista, tendo sido inicialmente recebida como uma teoria compatível com concepções pedagógicas libertadoras, comprometida com a análise dos determinantes sociais que modelam os comportamentos das pessoas. Só posteriormente, a partir de mudanças no campo educacional, é que ocorreu uma forma tecnicista de apropriação da Análise do Comportamento, frequentemente a partir de interpretações equivocadas da teoria. Essa forma de recepção foi criticada, levando ao afastamento da Análise do Comportamento do debate educacional, provocando seu isolamento enquanto campo disciplinar a partir dos anos de 1990.

  • O presente trabalho é um estudo teórico, bibliográfico e de análise crítica de parte da produção de cunho psicanalítico de Arthur Ramos, dedicada à área da Educação Escolar, bem como sobre suas relações com os movimentos de Higiene Mental e da Escola Nova. Para fins deste trabalho foram analisadas duas obras do autor: Educação e Psychanalyse (1934) e A Criança Problema (1939). Nossa hipótese foi que a apropriação da psicanálise por Arthur Ramos contribuiu para a organização da sociedade burguesa e seu progresso ao mascarar as relações políticas e sociais da modernidade capitalista. Nosso objetivo foi aprofundar o sentido ético e político das relações entre a Escola Nova e o movimento de Higiene Mental a partir de uma análise crítica e detalhada de tais obras e das fichas de atendimento às crianças das escolas experimentais, realizadas pelo Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental, chefiado por Arthur Ramos entre 1934 e 1939. Como principal abordagem teórico-metodológica utilizamos a Teoria Crítica, representada aqui pelo filósofo alemão Theodor Wiesengrund Adorno. Para tanto, consideramos a dimensão social, cultural e econômica da sociedade como fundamental para a análise do discurso de Ramos. Em um primeiro momento realizamos uma revisão crítica da literatura sobre a Higiene Mental e o escolanovismo no Brasil com vistas à definição de conceitos pertinentes às relações entre esses dois movimentos. Segundamente, buscamos compreender como se deu a difusão e implantação da teoria psicanalítica em suas relações com a Educação Escolar na era freudiana e pós-freudiana. Por fim, analisamos criticamente parte da produção de Arthur Ramos, bem como sua atuação no Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental do Rio de Janeiro na década de 1930 para situar seu lugar na relação entre os conceitos de Higiene Mental, Escola Nova e Psicanálise. Concluímos que o intelectual Arthur Ramos se situou em um campo discursivo que procurou adequar a população a um projeto de Brasil em que se identificavam progresso e intenso controle social, um projeto civilizatório e barbárie. Apresentamos, assim, os elementos de barbárie no caminho para a formação social, tanto quanto aqueles favoráveis à civilização, apontando a necessidade de lançarmos luz sobre as ideologias subjacentes a tais concepções de tal modo que possamos compreender suas relações com a realidade histórico-social tendo algo a esclarecer no debate acerca das teorias pedagógicas.

  • A entrada da psicologia científica no Brasil teve a educação escolar como campo privilegiado de aplicação. Nas primeiras décadas do século XX, um conjunto de reformas educacionais, ocorridas em vários estados, inclusive em Minas Gerais, deram margem à constituição de laboratórios de psicologia e de um conjunto de práticas que tinham, como referência teórico-metodológica, uma psicologia que buscava constituirse e fortalecer-se como ciência. O objetivo deste trabalho foi descrever e analisar a recepção e a circulação dos testes de inteligência a partir de sua utilização na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, durante seu período de funcionamento, de 1929 a 1946. Por meio de um estudo historiográfico, pode-se identificar cerca de 30 testes, fossem estes de inteligência ou testes pedagógicos. Osdados analisados são apresentados em quatro estudos complementares, em que buscamos evidenciar o processo de recepção/circulação dos testes de inteligência. Foi possível demonstrar como este foi mais amplo que a simples tradução de testes estrangeiros por professores e estudantes da Escola de Aperfeiçoamento. Nela foram produzidos novos testes, que em maior ou menor grau tomavam instrumentos estrangeiros como referência, mas os adaptavam às necessidades locais, contribuindo com a constituição da psicologia como ciência independente no país. Também foi possível identificar um uso pragmático dos testes no contexto educacional mineiro, uma vez que privilegiou-se a aplicação dos instrumentos no cotidiano escolar em detrimento da teorização sobre o construto inteligência. Esse uso pragmático teve, como consequência, sua utilização como instrumento didático-pedagógico na formação dasalunas-professoras, do que de produção de ciência. Deste forma, concluímos que a Escola de Aperfeiçoamento foi, de fato, um espaço de trabalho de adaptação e desenvolvimento de novos testes de inteligência, que foram utilizados no cotidiano dos grupos escolares da cidade e na formação das alunas-professoras da Escola deAperfeiçoamento.

  • A pesquisa visa descrever e analisar o processo de institucionalização da Psicologia na Bahia, no contexto da ditadura militar, entre os anos de 1968 a 1980. Considerou-se: a influência que o contexto autoritário e as políticas de Estado para as áreas de educação e ciência exerceram sobre a formação e consolidação do curso de graduação em psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia; a recepção da Análise do Comportamento e da Psicanálise por parte da comunidade acadêmica, naquele contexto político; e, as lutas e mobilização dos discentes e docentes frente às políticas de Estado. Tratase de um estudo descritivo-analítico, que tem como referenciais teóricos os Estudos Sociais das das Ciências e a História da Psicologia. Adotam-se procedimentos metodológicos da História do Tempo Presente, utilizando-se da metodologia da História Oral e de Análise Documental para levantamento e análise de dados. Os resultados indicaram que as medidas adotadas pelo regime militar impactaram no processo de institucionalização e desenvolvimento da psicologia, enquanto campo disciplinar e profissional, na Bahia. As políticas educacionais implantadas pelos governos militares no âmbito da Educação produziram efeitos na demanda pela psicologia educacional, enquanto o interesse pela área industrial crescia a partir dos investimentos públicos que expandiram o polo industrial e tecnológico baiano. Houve uma prevalência da clínica, como área de estágio, em detrimento da área educacional e industrial. Demonstrou-se a forte influência do campo psiquiátrico sobre os rumos da psicologia, sob diversos âmbitos, inclusive formativos. Evidenciaram-se as condições sociais e políticas que possibilitaram a emergência da cultura psicanalítica na Bahia e sua influência na formação dos psicólogos, a partir da vinda dos psicanalistas argentinos, capitaneados por Emílio Rodrigué, e do psicanalista Carlos Pinto Corrêa, integrante do Círculo Brasileiro de Psicanálise de Minas Gerais. Destacou-se, no modo de recepção da Análise do Comportamento, o papel dos psicólogos formadores de análise do comportamento da Universidade de São Paulo na implantação do laboratório de Psicologia Experimental e na formação das primeiras gerações de docentes e analistas do comportamento da Bahia. Observou-se, ademais, que houve uma vigilância e tutela sistemática sobre a comunidade acadêmica de psicologia, que impactou na vida universitária e exigiu dos discentes e docentes da área organização da resistência para lidar com a tensão política e capacidade de enfrentamento na luta contra a ditadura militar. Tal cenário forjou um posicionamento político e socialmente ampliado entre os integrantes do movimento estudantil, naquele momento de intensa restrição e carências de toda ordem.

  • Este trabalho pretende problematizar as concepções de coletivo que se apresentam nos discursos da psicologia brasileira contemporânea. Tomamos como campo os artigos da revista Psicologia e Sociedade e construímos duas imagens: a imagem do coletivo representação é acompanhada por concepções naturalizantes das categorias com as quais trabalha. Nesta imagem de coletivo a separação entre indivíduo e sociedade é bem marcada e acaba produzindo construções abstratas dos seus fenômenos. Ao percorrer uma breve história da psicologia vemos esta surgir como uma tecnologia voltada para a ?gestão? dos coletivos, construindo e reproduzindo conhecimentos acerca dos indivíduos e do social. A imagem dos coletivos clandestinos é pautada em referências que desestabilizam as fronteiras impostas das ciências modernas e concebem tanto o indivíduo quanto o social efeito de uma produção simultânea, problematizando as fprmas de cpnhecimento das ciências tradicionais. A metodologia conta com a perspectiva histórica de Michel Foucault que afirma a primazia das relações de poder, e com as contribuições de Bruno Latour e suas conexões criando hibridismos. A proposta metodológica foi um importante instrumento ara romper com as barreiras separatistas, acentuando a presença do pesquisadpr como participante igual aos outros elementos do campo de pesquisa, enfatizando que o modo de pesquisar é com o outro e não sobre o outro. Desta forma As histórias de coletivos para uma psicologia brasileira pretende desnaturalizar modos de produzir conhecimento e categorias de coletivos herméticas. Para finalizar entre formas de fazer e perceber o coletivo temos o trabalho de campo atravessado pordois sociólogos, Emile Durkheim e Gabriel Tarde, contribuindo com as problematizações dos coletivos representação e clandestinos. Gabriel Tarde contribui produzindo uma concepção de coletivo processual, onde a imitação e a invenção ressaltam o caráter relacional do indivíduo e do social e os coloca numa produção de dupla emergência.

  • A segunda década do século XX conta com uma interessante produção de livros voltados para a Educação e formação docente. Trata-se de um momento em que a Psicologia será apontada como uma das principais ciências capazes de contribuir para o melhoramento dos conhecimentos educacionais. Assim, analisar a indicação de livros de Psicologia para aformação de professores contribui para a compreensão dos processos de desenvolvimento da Educação e Psicologia como campos de produção científica. O objetivo desta pesquisa é analisar o conjunto de referências bibliográficas indicado na reforma educacional conhecidacomo Reforma Francisco Campos-Mário Casasanta em Minas Gerais no ano de 1927, para a formação de professores na disciplina de Psicologia do segundo ano do curso de Adaptação da Escola Normal de Belo Horizonte. Assim, identificamos quais eram as referências bibliográficas de Psicologia indicadas pela lei da reforma para a formação de professores nas escolas normais; analisando, por meio destas referências, que saberes de Psicologia foram propostos para a formação dos professores mineiros, compreendendo de que modo o Estado mineiro adotou estas referências como uma estratégia indispensável para a formação dos professores no âmbito da Reforma. Por meio de um estudo historiográfico, analisou-se como fontes documentais, o texto do decreto/lei nº 8225 de 1928 que orienta os programas de ensino do curso normal no Estado mineiro, elaborado a partir da reforma educacional de 1927, texto que indica a lista dos livros/referências bibliográficas a serem adotados na disciplina de Psicologia, dos quais analisamos seu sumário com o propósito de verificar que saberes deveriam vigorar no âmbito da reforma e se apresentar como auxiliares para a Educação. E em conjunto, analisou-se a Revista do Ensino de Minas Gerais, especificamenteos textos que trabalham temas relacionados à Psicologia da época; verificando um panorama conjuntural de como esta ciência foi se tornando parte do cotidiano dos agentes educacionais mineiros. Utilizou-se como suporte teórico para a realização da análise, os conceitos de "estratégia" de Michel de Certeau e de "coletivo de pensamento" e "estilo de pensamento" de Ludwik Fleck; buscando compreender quais foram os grupos envolvidos no processo deseleção das referências bibliográficas. Concluindo assim, que o governo mineiro por meio dos livros e saberes da Psicologia, voltado para a formação de professores realiza uma estratégia política visando escolher uma orientação psicológica para a educação no Estado; afirmando-se os conhecimentos do Instituto Jean-Jacques Rousseau por meio de Helena Antipoff.

  • Vinculado ao projeto Americanismo e Educação, o estudo teórico Psicometria e Educação: a obra de Isaías Alves insere-se na dialética do americanismo como processo educacional e, ao mesmo tempo, produto educacional. Empreende um exame das raízes da psicometria, bem como estuda o desenvolvimento inicial da psicometria no Brasil, sua relação com a educação e seus desdobramentos na obra de Isaías Alves. Muitos autores vinculam o início da psicometria ao advento da Escola Nova. A tese defendida retoma a discussão sobre a origem e difusão da psicometria no Brasil, reconhecendo-a como não dependente, na obra de Isaías Alves, ao movimento da Escola Nova. No que tange ao exame do pensamento de Isaías Alves, efetuou-se uma revisão bibliográfica prévia, a partir da qual foram privilegiados alguns títulos em função da pertinência ao tema. Foram consultadas as principais obras de Isaías Alves sobre psicometria e educação, bem como outras obras e artigos que versam sobre o assunto. Observa-se que a história da psicometria, no mundo, parece confundir-se com a história da psicologia experimental. A psicometria, no Brasil, tem suas origens na medicina, no trabalho formal e nas propostas de reorganização escolar. Como no restante do mundo, a psicometria brasileira se expande a partir dos testes de inteligência. Conclui-se que Isaías Alves expressa a filosofia do americanismo, no Brasil, de forma diferenciada e independente do movimento escolanovista, pela sua defesa das idéias de disciplina, nacionalismo integralista, reorganização das classes vinculada à educação tradicional, profissional, cívica e moral. Por esta razão, entende-se que a psicometria de Isaías Alves não está comprometida com a Escola Nova.

  • O objetivo desta dissertação é criar um registro dos primeiros cinqüenta anos da história do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro com a finalidade de promover um instrumento para a reflexão da profissão e formação em psicologia e também para sua divulgação, pois ainda é desconhecida por muitos. O Instituto de Psicologia teve sua origem no laboratório de psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro em 1924. Quando foi convertido em Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil em 1937 teve como primeiro diretor o médico Jayme Grabois que permaneceu no cargo durante dez anos. Neste período a profissão de psicólogo não era regulamentada e ainda não existia nenhum curso de formação de psicólogo no Brasil. A primeira tentativa de criação de curso de formação em psicólogo aconteceu no Instituto de Psicologia, em 1932, quando ainda pertencia à Colônia de Psicopatas. A história do Instituto de Psicologia se cruza com a história da psicologia no Brasil e com os acontecimentos políticos do país. O Instituto nasce do desejo de criação de um centro de formação de psicólogos. O curso de psicologia é criado em 1964 na Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil e incorporado ao Instituto de Psicologia em 1966. Desde sua criação até os anos de 1980 o Instituto de Psicologia passa por diversas transformações e configurações que atravessam e são atravessadas por toda uma geração de estudantes, professores e funcionários, personagens desta história que vamos conhecer agora.

  • ESTA DISSERTAÇÃO FAZ UM BREVE HISTÓRICO DE DUAS UNIVERSIDADES, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO E PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, INCLUINDO TAMBÉM UM BREVE HISTÓRICO DO INSTITUTO DE PSICOLOGIA DA USP E DA FACULDADE DE PSICOLOGIA DA PUC/SP. A SEGUIR MOSTRA COMO FORAM FUNDADOS OS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA ESCOLAR DO IPUSP E O CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO DA PUC/SP. LEVANTA A PARTIR DA LEITURA DOS RESUMOS DAS DISSERTAÇÕES DE MESTRADO DA DÉCADA 1970-80 DOS CURSOS MENCIONADOS: A TIPOLOGIA DA PESQUISA USADA NA DISSERTAÇÕES; TEMA-ÁREA ABORDADO NAS PESQUISAS; E, A BASE TEÓRICA USADA NAS DISSERTAÇÕES. CONSTATA QUE O CURSO DE PSICOLOGIA ESCOLAR DA USP UTILIZA MAIS TEMAS EM PSICOLOGIA EXPERIMENTAL HUMANA ENQUANTO QUE NO CURSO DE PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO DA PUC/SP UTILIZA-SE MAIS TEMAS EM PSICOLOGIA EDUCAÇÃO. CONSTATA TAMBÉM QUE O CURSO DA USP USA MAIS UMA METODOLOGIA EXPERIMENTAL ENQUANTO QUE NA PUC/SP PREDOMINA UMA METODOLOGIA CORRELACIONAL E, FINALMENTE, QUE A BASE TEÓRICA USADA NA USP POSSUI CARÁTER MAIS CIENTIFICISTA E MENOS ROMÂNTICO, ENQUANTO QUE NA PUC/SP HÁ UM EQUILÍBRIO ENTRE CIENTIFICISMO E ROMANTISMO. CONCLUI QUE AS CAUSAS DESSAS DIFERENÇAS PODEM SER: A) OBJETIVOS DISTINTOS DAS DUAS UNIVERSIDADES; B) ÉPOCA NA QUAL OCORRE A PRODUÇÃO DESSAS DISSERTAÇÕES (DITADURA MILITAR) E C) O FATO DE SEREM DE REDES DE ADMINISTRAÇÕES DISTINTAS, UMA GOVERNAMENTAL E OUTRA NÃO-GOVERNAMENTAL.

  • O presente trabalho é o resultado de uma pesquisa de mestrado em educação, realizado entre os anos de 2006 e 2007. Nele, procuramos estudar a disciplina de Psicologia da Educação em escolas da cidade de Maringá, na tentativa de compreendê-la como matéria de ensino nas Escolas Normais Secundárias do município. Nosso objeto de pesquisa contemplou o ensino dessa disciplina em três Escolas Normais, no período de 1950 a 1970, pela análise, em um primeiro momento, de documentos escolares e, num segundo momento, dos livros e manuais didáticos encontrados nas bibliotecas das instituições escolares, os quais eram disponibilizados às normalistas. As escolas estudadas foram: o Instituto de Educação Estadual de Maringá (IEEM); o Colégio Santa Cruz e o Colégio Santo Inácio. Os autores fundamentais utilizados para as discussões e compreensões acerca da história da Psicologia foram: Antunes (1998; 2004); Campos (2001; 2003) e Massimi (1990; 1996). Nesta pesquisa, verificamos que a maioria dos autores era de origem estrangeira; a aprendizagem foi o tema tratado com mais veemência pelos autores; o campo prático educacional foi o mais expressivo; o referencial teórico da psicologia comportamental foi o mais encontrado na literatura. O ensino da disciplina de Psicologia da Educação estava pautado nos preceitos escolanovistas, com alguns pontos da pedagogia tecnicista. Com esses dados, percebemos a importância da realização de uma pesquisa histórica baseada em fontes documentais, uma vez que essas preservam tanto a história institucional quanto a história daqueles que dela participaram.

  • Questionando a tendência pragmática, existente na atualidade, de traduzir a teoria Histórico-Cultural de L.S VYGOTSKI (1896-1934) para solucionar problemas educacionais, este estudo acabou por discutir a historicidade do pensamento desse autor, ausente nas traduções e na leitura da maioria dos intérpretes que respondem pela ampla divulgação dessa teoria no meio educacional. O fato de Vigotski ter elaborado sua teoria como expressão das lutas da sociedade soviética, para subverter a ordem das coisas, no período imediatamente posterior à Revolução, faz a grande diferença entre ele e os ocidentais que, como ele, enfrentavam a teoria burguesa biologicizante . Sua preocupação em postular a natureza histórica da consciência humana, longe de constituir-se numa disputa eminentemente teórica, como no lado ocidental, se fez nas disputas concretas entre os elementos "contra-revolucionários" da burguesia, que ainda tinham um papel histórico a desempenhar na sociedade soviética, e o projeto coletivo de construir a sociedade comunista, razão pela qual o povo soviético fizera a Revolução. Demonstrar a origem histórica da consciência humana, objetivo principal de todos os postulados vygotskianos, não significava apenas a formulação de uma outra vertente teórica que opunha-se ao materialismo biologicizante e ao subjetivismo, mas, antes de tudo, implicava em afirmar a possibilidade de transformação da sociedade pela ação humana, ou seja, a própria Revolução. Desta forma, transplantar a teoria de Vygotski para a atualidade, imaginando que ela, por si só, se aplicada ao sistema educacional, será capaz de desenvolver atitudes que valorizam o coletivo, significa entrar em desacordo com os postulados vygotskianos de que a consciência humana constrói-se na intercessão entre teoria e prática social.

  • Este trabalho teve como objetivo central compreender o surgimento e desenvolvimento da psicologia escolar no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação da Universidade Federal de Goiás (CEPAE/UFG) e suas relações com o contexto goiano e nacional. Teve como objetivos específicos: compreender quando e como a psicologia escolar surge no CEPAE; pesquisar quem eram os profissionais da psicologia que atuavam no CEPAE; investigar como era o trabalho dos psicólogos que fizeram parte historicamente do CEPAE e quais eram suas principais frentes de atuação; entender quais concepções teóricas norteavam a prática desses profissionais; e catalogar e organizar a documentação referente à história da psicologia escolar do CEPAE. Configurou-se como um trabalho historiográfico que utilizou de fonte documental. Para sua construção foram realizadas buscas no arquivo da instituição pesquisada e no Centro de Informação, Documentação e Arquivo da UFG – CIDARQ. Foram encontrados cerca de 300 documentos referentes a essa história. Após leitura e análise, os documentos foram divididos em sete categorias: Serviço de Orientação Educacional, Perfil dos Profissionais, Avaliação Psicológica, Atendimentos Individuais, Orientação Vocacional/Profissional, Intervenções Coletivas, e Material de Estudo. A história do serviço de psicologia escolar do CEPAE teve início em 1973 e, nos 40 anos da delimitação temporal dessa pesquisa, que vai até 2013, observamos que sempre houve psicólogos atuando na instituição. Esse serviço apresentou especificidades por funcionar dentro de uma universidade, como o fato dos psicólogos proporem projetos de pesquisa e de extensão. Mas também teve muitas semelhanças com a história da psicologia escolar brasileira, pois, por muitos anos, sua atuação foi marcadamente individualizante, com foco sobre os alunos. No Brasil, o movimento de crítica dentro da psicologia escolar se destaca na década de 1980, mas de acordo com os documentos pesquisados, esse movimento aparece no CEPAE, mais fortemente, na década de 1990. Apesar de o foco de atuação ter sido o aluno, foi possível observar que o serviço de psicologia escolar analisado sempre esteve presente em instâncias coletivas de atuação.

  • O debate entre dois teóricos de grande relevância para a história da Psicologia da Educação Henri Wallon (1879-1962) e Jean Piaget (1896-1980) - é examinado, buscando identificar suas controvérsias e situá-las em seus respectivos contextos históricos e científicos no período entre 1920 e 1960, no qual ambos os autores disputavam a hegemonia no campo de conhecimento da Psicologia Genética francófona. Atenção especial é dada à controvérsia sobre a origem e formação da função simbólica, tendo em vista seu valor heurístico para a compreensão das semelhanças e diferenças entre as respectivas posições teóricas acerca do desenvolvimento do pensamento na criança e no adulto. Utilizamos da metodologia de estudo teórico e histórico para selecionar e analisar as fontes de pesquisa, nosso olhar sendo, preferencialmente, o da história internalista mas, por vezes, complementado com as perspectivas da história- construção e da história-crítica. Verificou-se que o debate Piaget Wallon foi marcado por uma dinâmica de descompasso entre as críticas e o estágio de desenvolvimento teórico de cada autor e, quando da explicação da passagem entre a inteligência sensório- motora ou das situações para o pensamento representativo, observou-se um deslocamento dessa temática para temáticas periféricas, tais como a continuidade ou não nesta passagem, o valor dos aspectos sociais, maturacionais etc. No que concerne à explicação sobre a gênese da representação, Wallon enfatiza o percurso que vai do corpo, da função tônica, das emoções, passando pelo simulacro e pela imitação. Já Piaget procura compreender esse processo como a complexificação dos esquemas sensório-motores e da dinâmica entre assimilação e acomodação, identificadas através da imitação e do jogo. Ambos o autores concordam que o surgimento da representação será a marca da presença de uma função simbólica, definida como a capacidade de evocar objetos ausentes através da representação mental, relacionando objeto real, signo e significado. Concordam, igualmente, que, para que se instale a função simbólica, será necessária a reatualização das experiências iniciais, que vão culminar nos esquemas sensório-motores ou na inteligência das situações, através de uma assimilação e acomodação dupla ou da sublimação da intuição espacial no nível representacional. Para ambos, há diferenças estruturais entre uma a inteligência prática e a inteligência representacional, mas há integração e preparação funcional. Diversos fatores explicam as discordâncias entre Piaget e Wallon ao longo de quase quatro décadas: objetivos, horizontes teóricos e objetos de interesse diversos em cada autor, ii problemas lingüísticos, etc. De modo especial, assinalamos que os programas de investigação protagonizados por cada autor eram diferenciados. O programa de pesquisa de Piaget visava a compreensão dos processos que permitem a construção progressiva do conhecimento no sujeito epistêmico, enquanto Wallon pretendia focalizar especialmente o sujeito psicológico em sua totalidade emocional e cognitiva. Em conseqüência, permanecerá o fato de Piaget e Wallon possuírem concepções diversas frente à representação. No primeiro ela é um aspecto do ato de conhecimento dirigindo- se, especialmente, para objetos do conhecimento e sendo instrumento desse processo cognitivo. No segundo é entendida como um elemento na interação com o outro, elemento carregado de emoção, visando mobilizar e aproximar-se do outro com fins de produzir um eu diferenciado e autônomo: a pessoa. A investigação do debate sobre a controvérsia da formação do pensamento simbólico serviu-nos de instrumento para um maior conhecimento das trajetórias singulares destes dois autores, esclarecendo um importante momento da história da Psicologia ainda pouco investigado. Acreditamos que tais conhecimentos possam nos ser úteis para entender suas idéias em outros campos e noutros contextos, como a Epistemologia e a Educação.

  • Estudar a realidade brasileira, reconhecendo as especificidades de nosso país, foi uma das principais contribuições deixadas por Silvia Lane. Documentos primários no acervo A Psicologia em São Paulo , do Núcleo de Estudos em História da Psicologia (NEHPsi/PUC-SP), a par de suas publicações, permitiram a compreensão de um trabalho comprometido com as questões sociais, engajado em temas que expõem as dificuldades experienciadas pela população brasileira. A questão da indiferença expressa-se em grande parte da obra de Lane e reflete sua constante preocupação com a (des)construção de um caminho que, atrelado às ideias dominantes, expressa-se em práticas de exclusão e descaso. O presente trabalho tem por objetivo compreender a ênfase com que Lane se refere ao termo como necessário para conhecer as relações humanas. Assim, é por meio dos caminhos percorridos ao longo de sua vida acadêmica que a autora identifica a necessidade premente de uma reflexão crítica acerca do tema ora apresentado, reconhecendo, no trabalho do psicólogo, as condições para a construção de práticas que favoreçam movimentos de emancipação e de reconhecimento da alteridade

  • A Psicologia no Brasil advém de contribuições heterogêneas para sua respectiva constituição, ao longo dessa jornada histórica, que influenciaram a conquista e o desenvolvimento da autonomia e regulamentação da profissão, por conseguinte, impactando na estruturação dos diversos campos de trabalho hoje existentes. Como são poucos os estudos e ações referentes à caracterização da profissão, e à saúde de psicólogas e psicólogos brasileiros, contar com a contribuição daqueles que estão atuando profissionalmente, se faz premente para entender a realidade do grupo ocupacional e os impactos da vida profissional nesses trabalhadores. Assim, a pesquisa objetivou: (i) apresentar antecedentes históricos que permitiram à Psicologia, ser-em-si, ciência e profissão no Brasil; (ii) descrever os impactos da constituição da ciência e da profissão na estrutura do trabalho em Psicologia; (iii) caracterizar o perfil sociodemográfico e ocupacional de psicólogas e psicólogos brasileiros; (iv) compreender os principais fatores psicossociais (de risco ou proteção) do trabalho em Psicologia no Brasil; e, (v) identificar as repercussões dos fatores psicossociais no trabalho e das características sociodemográficas na capacidade para o trabalho de profissionais de Psicologia no Brasil. O estudo foi conduzido no campo da Psicologia da Saúde Ocupacional e da abordagem da Psicossociologia do Trabalho, com método misto, por meio de revisões integrativas e estudos epidemiológicos. As análises quantitativas foram de corte transversal, com amostra da população de psicólogas e psicólogos Brasileiros, por meio da aplicação de protocolo online composto de três instrumentos (QSDO, COPSOQ e ICT). A tese foi construída em formato de artigos, sendo o primeiro uma revisão teórica para apresentar os caminhos desde a recepção e a percepção de saberes psicológicos até a constituição da regulamentação da Psicologia no Brasil. No segundo artigo foi realizada revisão integrativa para compreender o impacto desses caminhos na estrutura de trabalho na área – esses dois estudos apontaram que a Psicologia avançou e remodelou campos de atuação, ultrapassando limites da constituição original para atender demandas da sociedade. O terceiro artigo trouxe a caracterização do perfil sociodemográfico e ocupacional da profissão no Brasil, ressaltando a predominância feminina, uma média de idade superior a 41 anos, duas áreas de atuação com maior percentual de profissionais em ação: clínica e políticas públicas (social e saúde), e um crescimento constante do número de profissionais no Brasil. No quarto artigo, a investigação dos fatores psicossociais no trabalho em Psicologia no Brasil, destacou os principais fatores de risco à saúde: exigências quantitativas do trabalho, estresse, Burnout e conflito trabalho/família; e também fatores de proteção: possibilidades de desenvolvimento e significado do trabalho. Há diferenças nos fatores psicossociais entre Psicólogas/os Clínicos e Psicólogas/os Sociais e da Saúde. Por fim, o quinto artigo considerou as repercussões de características sociodemográficas e fatores psicossociais na capacidade para o trabalho, em profissionais de Psicologia no Brasil. Há alta autopercepção de capacidade para o trabalho, predominância de exigências mentais no trabalho, existem quadros de distúrbios emocionais leves e alergias, somados a afastamentos do trabalho, bem como maior capacidade para o trabalho nos participantes com mais de 45 anos. Ressaltou-se a necessidade de novos e contínuos estudos para investigar essas demandas, a fim de manter os profissionais da Psicologia saudáveis e produtivos, de modo a prolongar sua vida laboral com qualidade, e gerar fatores protetivos em sua capacidade para o trabalho. Intentou-se assim, criar uma base de dados para ações longitudinais e futuras comparações em estudos do campo da saúde ocupacional e sobre a Psicologia brasileira como um todo, considerando sua multiplicidade e as possibilidade de práticas simultâneas ou de redefinição de carreira dentro de especialidades da própria profissão, em que se possa, inclusive, mitigar os riscos desse trabalho e desenvolver políticas para a saúde e a qualidade de vida desses profissionais.

  • Freud é frequentemente apontado como figura responsável pela “descoberta” ou “criação” do Inconsciente. Debruçando-se sobre o status questione da psicologia e filosofia no desenrolar e precedentes do século XIX nos países germanófonos, percebese que a questão do inconsciente é premente no interior de certos debates. O presente trabalho pretende estabelecer revisão bibliográfica panorâmica sobre os modos em que oconceito de inconsciente era utilizado nesse período, apontando diversas tradições nas quais o aparecimento da noção de inconsciente surge com propósitos distintos. A partir disso discute-se a noção de inconsciente em Freud, aspectos de sua concepção de ciência e o modo no qual sua obra se insere nesse contexto mais amplo, anterior, de discussão acerca do inconsciente. Identifica-se que a noção de inconsciente que perpassa as discussões no século XIX alemão são um desenvolvimento filosófico da polêmica entre determinismo e liberdade, com o inconsciente assumindo uma dessas duas posições: a de garantir a possibilidade de uma ciência determinista da psique ou a de garantir as condições de possibilidade para se afirmar a autonomia do sujeito. O presente trabalho analisa a teorização freudiana sobre o inconsciente, tendo esse contexto como panorama. Acreditamos ser importante para se discutir o lugar de Freud na história do desenvolvimento do conceito de inconsciente e o papel que este desempenha em sua obra

  • Propomos construir uma cartografia do Sindicato dos Psicólogos do Estado do Rio de Janeiro, a partir das narrativas de pessoas que tiveram e/ou têm vínculos com este estabelecimento, além de pesquisa documental. As entrevistas foram realizadas com membros da antiga Associação Profissional de Psicólogos do Rio de Janeiro (1977) até os dias atuais (2010). Buscamos problematizar as forças macro e micropolíticas que atravessam este estabelecimento que “representa” os psicólogos em relação às questões trabalhistas e tem a função de “lutar por melhores condições de vida e de trabalho”. Pretendemos pensar este estabelecimento no qual perpassam várias forças constituintes e estão presentes diferentes instituições, acompanhando as implicações sócio-históricas e políticas por meio das linhas duras e flexíveis que participaram da sua formação (1962), do seu fechamento (1991) e da sua reabertura (1995). O objetivo é contribuir para a história da psicologia pensando algumas políticas e algumas práticas do Estado capitalista no contemporâneo que atravessam este estabelecimento. Além disso, problematiza-se a função que o psicólogo ocupa nesta engrenagem e como vai se articulando perante os entremeios de sua prática através da trajetória histórica de um de seus “representantes”. Foi utilizada a História Oral como metodologia e algumas ferramentas da Análise Institucional e da Filosofia da Diferença ao colocar em análise nossa implicação já que entendemos que o sindicato é também uma modulação de nossa profissão.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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