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O artigo investiga a história da formação em Psicologia no Rio de Janeiro, considerando seus contextos de produção: conflitos, relações, lutas, alianças e suas implicações. Partindo da hipótese de que as primeiras instituições formadoras, embora compartilhassem uma cultura psicológica comum quando de sua criação, apresentaram desenvolvimentos diferenciados, três instituições são analisadas: ISOP, referência em Psicologia Aplicada, criado em 1947 por Mira y López, formando "psicotécnicos" ou "psicologistas"; Instituto de Psicologia da atual UFRJ, criado em 1964 a partir da Faculdade Nacional de Filosofia e de seu Instituto de Psicologia; Instituto de Psicologia Aplicada da PUC-RJ, iniciado em 1953, considerado o primeiro curso de Psicologia do país. A reconstrução de seus processos de criação aponta uma variedade de acontecimentos distintos em cada uma delas, permitindo tecer uma história crítica e plural, que vai além de datas, nomes e instituições, ajudando a desconstruir dogmatismos e saberes-competências-dominações estabelecidos.
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A década de setenta na América Latina é um período marcado por sangrentas ditaduras; no Brasil, especificamente, é a época da censura com o AI-5 e também do “milagre brasileiro”. O estudo dos discursos então vigentes identifica a produção e divulgação de categorias, como o “subversivo” e o “drogado”, permitindo uma análise das práticas “psi” existentes, em especial as de caráter hegemônico ligadas à psicanálise. A investigação de como estas práticas colaboraram para a construção e perpetuação de tais conceitos revela uma complexa rede de demandas e a atuação de alguns profissionais junto a órgãos de repressão do governo. Esta releitura da história oficial a partir de uma história do presente implica em uma nova forma de pensar a genealogia de algumas práticas “psi” no Brasil, ao apontar como algumas delas, ainda hoje, fornecem seu respaldo científico a produção de subjetividades excludentes.
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O texto visa demonstrar como uma leitura antropológica do mundo “psi” foi possível em determinado momento do desenvolvimento de ambos os campos no Rio de Janeiro, em meio à repressão política, ao movimento da contra-cultura, à antipsiquiatria, e ao boom psicanalítico, dentre outros acontecimentos que cerceiam os anos 70. É nesse contexto que a Antropologia entra em cena com o objetivo de analisar criticamente o modo psicologizado de ver e interpretar o mundo. Contribuem para esta leitura a aliança entre “psis” e cientistas sociais e, principalmente, sua ruptura. Esta não só eleva a necessidade de discorrer sobre as diferenças entre os ofícios do antropólogo e do psicanalista, como também, a de relatar as disputas internas ao campo “psi”.
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O trabalho defende que a tensão entre a disposição de busca da verdade pela ciência e a reserva romântica é fundamental para podermos efetivamente continuar preservando o que temos de melhor na cultura ocidental moderna, que nos estrutura como ficção razoável: cultivar, como método, um "universalismo romântico". O autor indica algumas hipóteses para que a história das idéias ocidentais se organize segundo essas linhas de força: a própria existência de uma cultura ocidental moderna; a presença da ideologia do individualismo nesta cultura; a tensão constitutiva entre o individualismo – de origem racionalista-empirista, e a resistência romântica – por meio das noções de totalidade. No caso da psicologia, seria vital para seus rumos teóricos e práticos a reflexão sobre o caráter instituinte dessas dimensões profundas de nossos saberes.
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O artigo analisa os desafios colocados para a história e para a psicologia, os quais, muitas vezes, têm recebido soluções criticadas pela autora, que ora promovem fusões equivocadas – uma história psicologizante – ora tendem para generalizações estéreis. Como exemplo de um modo produtivo de relacionar esses dois saberes, cita-se o livro de Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”, obra de ficção, na qual o histórico e o psicológico se articulam, sem entretanto esgotar o desafio, que permanece, de construir um projeto cognitivo, e não somente ficcional, capaz de enfrentar as tensões e lidar com os conflitos constituintes tanto da história quanto da psicologia.
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O texto, introdutório de uma mesa-redonda propõe reflexões, a partir das idéias dos debatedores Luiz Fernando Duarte, Virgínia Fontes e Magali Engel, sobre os saberes e práticas psi que, em nome de um suposto bem comum, estariam limitados a essa ideologia, dispensando qualquer relação com outros saberes, visões de mundo ou outras práticas. O texto destaca que esses questionamentos só começaram a se concretizar, no Brasil, a partir de 1978, com o surgimento de movimentos sociais que levaram à redemocratização brasileira.
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O texto descreve a trajetória profissional do autor, que, ao analisá-la, tece ao mesmo tempo uma história da institucionalização da psicologia no Rio de Janeiro. Sublinha os caminhos percorridos por esta disciplina em seus encontros com outros campos de saber, entre eles a educação e a filosofia. Detém-se no processo de criação dos cursos universitários de formação de psicólogos, notadamente o processo referente ao curso de Psicologia da então Universidade do Brasil (hoje UFRJ). Apresenta suas opções teóricas relativas à fenomenologia, o encontro com seu mestre Nilton Campos e a relação profissional e de vida com Eliezer Schneider, com o qual enfrentou desafios nos momentos de turbulência política decorrentes da ditadura militar instalada em 1964 no Brasil e com o qual criou o Boletim de Psicologia do Instituto de Psicologia da então Universidade do Brasil e o curso de Psicologia dessa universidade.
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A relação entre os saberes psicológicos e as imagens em movimento inicia-se na passagem do século XIX para o século XX, e a psicologia é considerada a primeira das ciências humanas a voltar-se para a arte cinematográfica. Esse artigo visa pensar alguns efeitos da aproximação dos saberes psicológicos em direção ao cinema, e interroga-se sobre como esses saberes inventaram uma dizibilidade sobre as imagens em movimento que interferiu no modo como as produções cinematográficas são apreendidas e usadas, sobretudo nas práticas de pesquisa e de ensino desdobradas pela psicologia. A partir de uma perspectiva arqueológica proposta por Michel Foucault, o texto analisa a constituição histórica de produções teóricas dos saberes psicológicos em relação ao cinema. Por meio dessa escrita de inspiração arqueológica, o artigo problematiza a apropriação do cinema para exemplificação de teorias psicológicas e interroga a utilização psicologizante e pedagogizante das imagens em movimento em práticas da psicologia.
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O presente trabalho explora diferentes retratos de Febrônio Índio do Brasil, primeiro réu no Brasil a ser avaliado como inimputável judicialmente, visto ser considerado portador de uma psychopatia constitucional. Para tal, serão discutidas as diferentes historiografias dos dispositivos psiquiátricos, assim como a possibilidade de uma história-construção, na reunião de elementos heterogêneos na composição de um personagem. Desta forma, o artigo explora diferentes documentos redigidos a respeito de Febrônio; tais como seu laudo psiquiátrico, seu processo criminal, seu evangelho As Revelações do Príncipe de Fogo e o escrito do poeta suíço Blaise Cendrars sobre Febrônio. O intuito dessa análise documental é compreender como crime, loucura, raça e sexualidade são articulados na construção de versões sobre o personagem, que variam do louco monstruoso ao profeta. Ao final do texto, esboçamos a noção de dramaturgia criminal enquanto um constructo teórico que aproxima essas narrativas sobre Febrônio do desenvolvimento de personagens no drama.
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Este trabalho é uma tentativa de compreensão dos processos de subjetivação (e seus efeitos políticos) envolvidos nos modos de conhecimento dos saberes psi. Para tal, será levantado um conjunto de definições quanto à subjetividade e a seus modos de produção. Em seguida, serão analisadas as contribuições sobre o tema por parte da teoria ator-rede. Mais adiante, serão tomadas dessa teoria algumas diretrizes para possíveis estudos sobre modos de subjetivação engendrados pelos saberes e práticas psi. De modo mais específico, serão trabalhadas as formas com que as pesquisas psi engendram mundos e sujeitos por meio de políticas ontológicas específicas, gerando formas extorsivas ou recalcitrantes de articulação. É nesse aspecto que será feita a discussão dos modos políticos dessas formas de subjetivação.
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Este artigo pretende considerar a maneira como é habitualmente apresentada a ruptura do gestaltismo com a Psicologia que o precede e encontrar no trabalho antropológico de Max Wertheimer, especificamente no texto Über das Denken der Naturvölker, elementos que possam enriquecer esta narrativa e nos permitam olhá-la de maneira um pouco diferente. Para tanto, consideraremos como Wertheimer descreve as maneiras ditas primitivas de compreensão da quantidade e como ele encontra nelas propriedades específicas de todo. Essas propriedades de todo mostram claramente que ele já estava preocupado com problemas que seriam mais explicitamente apresentados depois, nos bem conhecidos trabalhos da Escola de Berlim em Psicologia da percepção.
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En este trabajo se valora críticamente el discurso que arropa las últimas reformas educativas de la enseñanza superior europea y española. Se lo presenta como un discurso que intenta justificar tecnocientíficamente una de las más importantes prácticas de subjetivación actuales -la educativa- recurriendo a una determinada definición de la psicología que deja en un segundo plano el hecho de la pluralidad irreductible de las prácticas y saberes psicológicos. Se hace, así, una valoración crítica conjugada de, por un lado, el uso retórico de los saberes psicopedagógicos como respaldo científico -indiscutible- de las reformas, y por otro lado, de la asunción de que existe uma disciplia bien definida -la psicología- unificada, asentada científicamente y en la cual cabe buscar ese respaldo. La crítica toma en consideración, además, el escenario sociocultural actual de la globalización y el neoliberalismo como contexto en que cobra sentido, dentro de la ideología del emprendedorismo, dicho uso de la psicología como garante científico de la reforma de la enseñanza. Se hace especial hincapié en el fomento de la subjetividad ligado a esa ideología, que exige individuos dotados de flexibilidad, capacidad de autorregulación y responsabilidad total sobre su destino.
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William James made many references to pluralism throughout his career. Interestingly, many contemporary psychologists also discuss pluralism and indeed call for pluralism as a corrective to the discipline's philosophical and methodological foundations. Yet, pluralism and the purposes to which it is applied are understood in a variety of ways, and the relation of contemporary pluralism to the pluralism(s) of William James is uncertain. This book offers conceptual clarification in both contexts, first distinguishing diverse senses of pluralism in psychology and then systematically examining different forms of pluralism across the writings of James. A comparison of meanings and analysis of implications follows, aimed at illuminating what is at stake in ongoing calls for pluralism in psychology.
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Este artigo alinha-se com estudos anteriores que avaliam o impacto da obra de J. B. Watson no início do século XX, mas busca superar certos impasses metodológicos que poderiam limitar a interpretação de seus dados, como a ausência de parâmetros comparativos. Com este objetivo, citações de Watson foram comparadas com citações de outros oito relevantes psicólogos, em oito periódicos, na década entre 1924 e 1933. Os resultados desta análise bibliométrica são comparados com dados de estudos pregressos, de modo a complementar, corroborar ou contestar suas conclusões. No período examinado, ainda se observa uma tendência de ampliação do impacto da obra de Watson já verificada ao longo da década imediatamente posterior à publicação do Manifesto Behaviorista (1913). O impacto de Watson continua próximo ao de Dewey e de Titchener, já supera o de Thorndike, segue maior em comparação com Angell, Carr, Cattell e Hall, mas ainda distante em relação a James.
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According to many authors, we live in a post-truth era, to the extent that truth has become subordinated to politics. This has implications not only to political debates, but also to science, technology, and common sense thinking. In this paper, I claim that William James’s conception of truth may shed new light on the contemporary post-truth debate. First, I will present the essential elements of James’s initial position. Then, I will discuss some of his amendments to clarify and improve his theory to avoid misunderstandings. Finally, I will address his potential contributions to the contemporary post-truth debate, and consider whether there are special implications for psychology.
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Entre psicólogos, filósofos e historiadores não há consenso sobre o início da psicologia como ciência. Muitas vezes, parece haver nesses debates uma confusão entre o nome "psicologia" e a coisa por ele designada. Neste caso, a questão central é saber se a existência da coisa depende ou não do nome. Nosso objetivo é mostrar a insuficiência do nome "psicologia" para designar a coisa. Mais especificamente, defendemos a existência da coisa muito antes do surgimento do nome. Inicialmente, analisamos as investigações sobre a psykhé na tradição grega. Em seguida, abordamos a constituição de uma ciência da alma entre a Idade Média Tardia e o início do período moderno. Acompanhamos também o surgimento do nome "psicologia" e as distintas coisas por ele nomeadas até o estabelecimento do projeto de uma ciência psicológica em Christian Wolff e suas consequências. Finalmente, discutimos as implicações de nossa investigação para o debate sobre as origens da psicologia como ciência.
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Wilhelm Maximilian Wundt (b. 1832―d. 1920) was a central figure in German culture between the second half of the 19th century and the first two decades of the 20th century. Coming from a medical and neurophysiological background with a PhD in medicine, Wundt shifted his interest toward psychological and philosophical questions, becoming full professor of philosophy: first, at the University of Zurich in 1874; then, at the University of Leipzig in 1875. In the early 21st century, he is known worldwide as one of the founders of scientific psychology. In Leipzig, he founded in 1879 the Psychological Laboratory, which later became the first psychological institute in the world. Moreover, he founded the first journal for experimental psychology, which he called Philosophische Studien (Philosophical Studies), later Psychologische Studien (Psychological Studies). In so doing, he created the first international training center for psychologists, attracting to Leipzig students from all over the world. Wundt had a significant impact upon the development of scientific psychology in many countries, not least in the United States, where his former students founded psychological laboratories inspired by the Leipzig model. Apart from his contributions to psychology, Wundt also developed a philosophical system that is crucial to understanding his psychological program and methodology, but which has not received due attention among psychologists. Wundt’s writings have been published in different, mostly enlarged editions throughout his career. The great majority of these volumes have not yet been translated into English, and the same holds true for much of the relevant research literature.
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