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O trabalho retoma as concepções acerca do corpo e do homem como unidades psicossomáticas, formuladas ao longo da tradição ocidental, na Grécia clássica, na concepção judaico-cristã, na Idade Média, na Idade Moderna e no Brasil colonial. Trata-se de abordagens da questão do corpo humano que, numa perspectiva não cartesiana, concebem-no em sua peculiaridade de corpo humano – como intrinsecamente dotado de dimensões anímicas, espirituais e políticas. Evidencia-se como na pregação do Brasil colonial a palavra do pregador pretende ter uma ação peculiar de intervenção no que diz respeito ao corpo humano em todas as suas dimensões. A palavra, em sua conotação revelativa do mundo real, é concebida como o “farmaco” eficaz e definitivo para o bem dos corpos individuais animados pela alma racional, bem como dos corpos sociais animados pela vida do espírito de Deus – que ao mesmo tempo cria a comunidade eclesial (o corpo místico) e a comunidade política (a Res-pública: corpo do Rei e corpo do povo). Posteriormente, Descartes com seu racionalismo, inaugurará a visão dualista que está nas origens da psicologia moderna, pela qual o corpo será reduzido às dimensões da matéria e do movimento. Por fim, assinala-se que a reconstrução histórica das concepções do corpo ao longo do tempo e em diversos contextos geográficos e culturais, somente se faz possível pela existência de um corpo histórico: o corpo documental.
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Tendo como pano de fundo a economia, a política e a demografia brasileiras entre 1889 e 1930, o texto traz uma análise das políticas de segurança pública, saúde e educação vigentes nesse período da história brasileira e das concepções de homem e de sociedade que lhes deram apoio. Num país predominantemente agrário, mas que se industrializava, o movimento higienista instalado em instituições médicas, escolares e jurídico-policiais tiveram como objetivo principal sanear uma raça que as teorias raciais européias condenavam como inferior e degenerada como condição para pôr o paísem conformidade com o lema positivista “ordem e progresso” que estava no cerne do movimento republicano. Embora o aparato de disciplinamento social mais ativo nesse período tenha sido a força bruta da polícia, a análise de obras do jurista Evaristo de Moraes, do pediatra Moncorvo Filho, de médicos psiquiatras da Liga Brasileira de Higiene Mental e de educadores que estiveram à frente das reformas de sistemas estaduais de ensino nos anos vinte mostra a presença pesada ou sutil de preconceito racial e social que alimentava algumas medidas higiênicas de natureza protofascista voltadas a dois segmentos da população: adultos pobres, que eram impedidos de direitos de cidadania em nome dasaúde coletiva; crianças das classes populares, alvo de medidas estatais preventivas e remediativas, entre as quais osprimeiros procedimentos de higiene física e mental escolar, que as colocavam na mira da ciência e da polícia.
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As peculiaridades do desenvolvimento da sociedade brasileira no século XX marcam o percurso do psicólogo nas práticas escolares. Através do trabalho de Maria Helena de Souza Patto, no qual o homem é colocado em relação ao homem situado, pode-se perceber o fracasso escolar como fruto de um modo de pensar/dizer educação e psicologia. A Educação, produtora de normas e formadora de subjetividades, apresenta à Psicologia o desafio de analisar as relações de poder e relações criadoras e reprodutoras das instituições que dão forma à vida escolar. O sujeito da modernidade com seu conformismo necessita do resgate da atitude filosófica e da intervenção da pesquisa como metodologia potencializadora de rupturas. Neste resgate do tempo das ações, o psicólogo escolar encontra-se inserido em um território de investigações, no qual fracasso e conquistas são parte integrante da escola, e sua prática deve proporcionar transformações e a permanente desnaturalização das instituições.
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O artigo analisa a história da Psicologia no Brasil através da figura e da obra de Mira y López, que foi um dos principais ícones da expansão da psicologia no país e da regulamentação da profissão de psicólogo em 1962. Neste sentido o texto mostra como o projeto capitalista brasileiro, incrementado no Estado Novo, propicia o desenvolvimento da área de seleção profissional. Para isto, é necessária a constituição de um novo tipo de agente, o "psicotécnico", cuja formação ocorrerá principalmente no ISOP, órgão da Fundação Getúlio Vargas criado por Mira y López. Mira será o principal nome da chamada psicologia aplicada, atacada ferozmente pelos catedráticos da então Universidade do Brasil, adeptos da psicologia acadêmica, que farão oposição ao projeto de profissionalização da Psicologia. A trajetória de Mira no ISOP mostra um confronto entre discursos que buscam ser considerados o "oficial" e o "verdadeiro", ao mesmo tempo em que é proposto a divulgação da Psicologia.
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O texto faz uma breve exposição da trajetória profissional de Ulysses Pernambucano, apresentando sua obra e seus posicionamentos quanto ao tratamento de doentes mentais. Os autores analisam seu trabalho, situando-o dentro do contexto da psiquiatria, da psicologia e da educação brasileiras da primeira metade do século XX, Destaca que a lutade Pernambucano para a transformação do atendimento psiquiátrico transformou-o em um mito na história psiquiátrica brasileira. Aponta também que foi Ulisses Pernambucano o fundador do primeiro Instituto de Psicologia do Brasil, situado em Recife, onde foram feitas as primeiras adaptações e padronizações de testes para a realidade brasileira. Além da vida profissional, o texto mostra também as perseguições que sofreu pelo Estado ditatorial de Vargas, o que acabou acarretando o seu falecimento, ainda jovem, em 1943.
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O discurso político dos anos trinta (século XX) somado ao contexto médico-higienista permitiu a valorização da prática educacional como facilitadora da transformação social. O papel do professor era organizar classes homogêneas segundo a capacidade de aprendizagem e desenvolvimento mental das crianças, futuro do país. Neste contexto, a russa Helena Antipoff (1892-1974), convidada pelo governo de Minas Gerais para ensinar Psicologia Educacional na Escola de Aperfeiçoamento de Professores, destaca-se por sua diferente concepção de anormalidade. Através da análise de suasobservações, propõe uma nova abordagem, na qual o desempenho é marcado pelo contexto social, e passa a concentrar seu trabalho nas crianças marginalizadas. Influenciada pelas idéias de Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi, funda a Sociedade Pestalozzi (1932) e a Fazenda do Rosário (1940), instituições que trabalharam com estas crianças sob uma ótica multidisciplinar. Criadora do termo “excepcional”, Helena Antipoff ampliou as possibilidades educacionais para todos os brasileiros.
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Os discursos psicológicos brasileiros do fim do século XIX e meados do século XX permitem investigar a autonomização da Psicologia no Brasil e sua relação com a constituição de concepções de Pessoa. As características presentes nestes discursos remetem-se àqueles das duas primeiras décadas do século XIX. que antecederam e propiciaram a instituição deste campo. Esta “Proto-Psicologia” apresenta um mundo trascedente, baseado no saber filosófico auto-contemplativo da Alma, cuja finalidade é a produção de subjetividades. No entanto, este discurso é enfraquecido com a chegada do pensamento positivista ao Brasil. O gradual processo de fisiologização do saber da Alma pode ser observado em práticas como o Higienismo, a Medicina Social e a Frenologia. A compreensão da influência cientificista permite perceber a preocupação dos saberes médico-psicológicos com a adaptação social do homem, estudar as posteriores alterações da concepção de Pessoa e observar a atual crise dos modelos acadêmicos.
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O cenário, as designações e atitudes em relação ao tema do abandono infantil no Brasil sofreram transformações no decorrer dos séculos. No período colonial, as “crianças infelizes” são objeto de caridade e seus destinos são as Casas da Roda. A partir de meados do século XIX, elas se tornam “menores” e passam a ser objeto de políticas públicas. Estas, ao invés de mudarem concretamente a vida da criança, estabeleceram uma criminalização e uma busca para medicalização da pobreza, definindo as crianças como infratores caso sua classe social não se encaixasse nos padrões burgueses. O código de menores, cuja vivência foi de 1927 a 1990, dizia que menores perigosos ou os que se encontrassem em situação de perigo (como a pobreza), estavam em “situação irregular” e por isso poderiam ser enviados a instituições de recolhimento. O texto conclui apontando que a real paz social depende diretamente de se tratar crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, dignos, humanos e com perspectivas de futuro.
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O artigo apresenta uma discussão sobre a história da Psicologia na qual ressalta alguns importantes nomes que colaboraram para a formação deste saber no Brasil. A partir de uma contextualização histórico-social, situada entre o final do século XIX e a segunda metade do século XX, analisa a constituição de uma ciência e as relações de forças que tornaram este saber autônomo. Na primeira década do século XX, destacam-se os nomes de Arthur Ramos e Manoel Bomfim, desenvolvedores de pesquisas no campo da Psicologia Social que raramente são mencionados por parte dos historiadores da Psicologia. Outros dois nomes são destacados pela autora, Waclaw Radecki e Emílio Mira y López, personagens da psicologia científica e técnica. Ao longo do texto reflete-se não apenas sobre a historicidade da psicologia, como também sobre suas dificuldades em submeter-se ao saber histórico.
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Embasado na dissertação de mestrado “Os discursos de psicologia no século XIX no Brasil”, o artigo recorre a Georges Canguilhem e outros autores a fim de verificar os possíveis caminhos da Psicologia em nosso país. Para tanto, acompanha o vínculo desse saber in statu nascendi com as tendências dominantes tanto no que diz respeito a diferentes racionalidades de uma época quanto no que remete ao jogo político, econômico e social. Em meio a esses movimentos, destaca dois discursos que tornam a psicologia palco de uma disputa de poder: o científico, que se desenvolve a partir da idéia de organismo − conjunto de funções, leis e órgãos, representado normalmente pela medicina − e o teológico-filosófico, que se desenvolve voltado ao estudo da psique − alma substancial e soberana, representada de maneira geral pela Igreja.
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Através da leitura crítica da primeira edição do texto “Ciências Sociais” de Lourenço Filho, pode-se tecer algumas considerações sobre o desenvolvimento da Psicologia Aplicada ao trabalho no Rio de Janeiro. No entanto, para se falar na implementação deste campo, é necessário mencionar o pioneirismo dos estados de Minas Gerais e São Paulo, assim como a contribuição de engenheiros e administradores. Neste cenário, destaca-se a atuação de profissionais como Roberto Mange, Léon Walther, Otávio Martins, Mira y López e em especial o psicólogo Waclaw Radecki, cujo Laboratório de Psicologia Experimental origina o Instituto de Psicologia. Outro importante nome é o do professor Etienne Souriau, responsável pelo curso em Psicologia Aplicada ao Trabalho, parte constituinte da disciplina 'Psicologia e Filosofia' da Universidade do Distrito Federal.
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Nos últimos anos, a redução do campo de trabalho do psicólogo escolar é nítida, principalmente na rede pública de ensino. A compreensão deste fenômeno implica no questionamento da relação entre as duas áreas de saber: Psicologia e Educação; analisando-se não só a atuação do profissional “psi” dentro da área educacional através da história, como também de que forma sua formação acadêmica e sua inserção no mercado de trabalho vêm sendo realizadas. O uso de entrevistas e análise de publicações relacionadas ao tema permite um panorama da performance destes profissionais e um mapeamento de dificuldades enfrentadas pela cadeira Psicologia Escolar dentro da Universidade. A falta de estágios oficiais e de consistência das ementas, dentre outras problemáticas, aliadas a um tradicionalismo universitário (preponderância da clínica) e escolar (herança higienista) inviabilizam o estabelecimento de uma abordagem crítica e sócio-política de ação que discuta o fracasso escolar e o próprio referencial institucionalista.
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O atual contexto mundial capitalista, marcado pela presença da globalização e do neoliberalismo, reivindica uma reflexão sobre a Educação e de forma mais especifica sobre as suas relações com a Psicologia. A história da Psicologia da Educação no Brasil permite traçar um painel da inserção da Psicologia na Educação, no entanto, é no confronto destas duas áreas de saber com a evolução dos modelos pedagógicos que melhor se pode perceber as relações estabelecidas entre as duas. À luz desta análise, é possível debater sobre o quadro atual e o posicionamento da Psicologia da Educação frentes aos novos desafios trazidos pela nova ordem mundial.
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O presente artigo pretende analisar o caminho percorrido pela infância brasileira, enquanto objeto desviante, no período compreendido entre a década de 20 e 1940, propondo uma reflexão no que tange às políticas de assistência pública. Para isso, promove-se uma contextualização com os discursos psicológicos relativos à infância, neste período, e que abordam a questão da alma ou moral, num primeiro momento e, posteriormente, os métodos psycho-experimentaes. E, com os momentos de transição social, política e científica, que possuem como pano de fundo questões nacionalistas relacionadas ao processo de normalização da sociedade, passam a dar enfoque à infância, como fonte primordial doprocesso de construção da nação Brasil.
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Para se resgatar a História da Psicologia é necessário olhar os registros do campo e refletir sobre a interface fazer/dizer. Assim, a análise dos temas abordados, no ano de 1997, na revista Argumento (editada pelo Conselho Regional de Psicologia da 5a Região) permite traçar um período desta história. Com base no conceito de palavra de Bakhthi e categorias de Castoriadis (concepções de criação; imaginário radical e efetivo; e significações imaginárias), pode-se identificar quais questões ficaram sem respostas. O estudo dos verbos utilizados nos editoriais e dos temas abordados na revista aponta reflexos da hegemonia do discurso neoliberal e da lógica de exclusão na psicologia, além da conseqüente abertura de espaço para a discussão: “Psicologia: crise de paradigmas ou crise social?”. Os recortes realizados, apesar de não representarem todos os objetos de estudos dos psicólogos, possibilitam um pensar sobre o fazer e um saber sobre o que se pensa.
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O presente texto expõe de forma crítica uma discussão sobre o crescente interesse pela história da Psicologia no Brasil, e os desdobramentos que a análise deste tema trazem para a formação do psicólogo e a construção da teoria e da prática psicológicas. A autora propõe uma reflexão sobre a realidade histórica, social e política na qual a psicologia com pretensões à neutralidade científica se estabeleceu e a qual se deve reportar, obrigatoriamente, para se pensar a teoria e a prática psicológica nos dias atuais. A psicologia e a sua historicidade abrem possibilidades para se discutir não apenas os desdobramentos deste saber ao longo do tempo, mas também como as funções psicológicas estão submetidas à história, e como é possível, a partir desta relação com o saber histórico, evitarmos as armadilhas da naturalização.
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Este artigo visa refletir sobre a relação teoria/prática, utilizando como interlocutores elementos da história da Psicologia e autores como Isaías Pessotti e Sylvia Leser de Mello. A dissociação entre ciência e técnica na Psicologia brasileira compõe um contexto social mais amplo, a partir de uma tradição colonialista que visa importar técnicas para aplicação imediata, havendo uma precariedade na pesquisa e teorização. Antes da lei 4.119/62, que regulamenta a profissão de psicólogo no Brasil, encontrava-se a ação precedendo a teorização: o campo era ocupado pelos práticos-psicologistas. Assim, um dos motivos da regulamentação foi instituir a graduação universitária como única forma de acesso à profissionalização. Porém, ainda hoje a dissociação entre teoria e prática domina o cenário acadêmico e profissional no Brasil, impulsionado pela demanda empresarial, que incentiva uma formação pragmática. São questões que inquietam e preocupam, mas também mobilizam, no sentido de se buscar construir uma outra história para a Psicologia.
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Falar sobre História da Psicologia muitas vezes implica em falar sobre a história de pessoas que contribuíram em sua escrita e do profissional “psi”. A análise da atípica trajetória profissional de Miriam Langebach exemplifica esta conexão entre vida e história. A experiência, durante a graduação na PUC Rio, da intervenção externa e abertura do SPA (ex-IPA), reflete-se em seus estudos e em sua prática docente. O caminho traçado afasta-se de uma pesquisa histórica, mas não de um fazer e ser história, no qual o resgate do processo social dentro da Universidade proporciona a percepção do ser humano como parte do meio ambiente. O resultado é o surgimento de uma nova cadeira: Psicologia Aplicada ao Meio Ambiente; e a criação do programa de Vídeos Ecológicos da PUC Rio.
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O artigo estabelece uma periodização da história das transformações ocorridas no campo da saúde mental brasileira nas duas últimas décadas como ponto de partida para analisar a formação dos psicólogos e, sobretudo, a prática profissional que estes vêm desenvolvendo dentro do referido campo. Valendo-se de uma matriz conceitual interdisciplinar, o autor busca resumir os desafios e inovações que o campo da saúde mental vem colocando para todos os profissionais que atuam no seu meio nos últimos vinte anos, particularmente no atual processo da reforma psiquiátrica brasileira. Para cada conjuntura ou período histórico específico, o artigo apresenta uma ampla pesquisa documental e um quadro de como os profissionais e as entidades representantes da psicologia vem respondendo a estes desafios colocados pelos novos programas em saúde mental. O artigo conclui que, no campo da psicologia, estes desafios vêm criando uma nova cultura profissional ainda restrita ao nível da pós-graduação e dos novos serviços, deixando de fora a formação básica de graduação do psicólogo, ainda dominada pelo modelo de profissional clínico liberal.
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