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A presente dissertação tem por objeto elaborar um relato histórico da emergência da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) no Brasil, com especial observância ao eixo Rio-São Paulo nas décadas de 1950, 1960 e 1970. A ACP faz parte da chamada Psicologia Humanista, um movimento inicialmente organizado pelo psicólogo norte-americano Abraham Maslow (1908-1970) na década de 1950, que contou com a forte participação de Carl Rogers (1902-1987), também psicólogo norte-americano, e fundador da atualmente denominada Abordagem Centrada na Pessoa. A trajetória profissional de Rogers foi marcada pelos acontecimentos de sua época, como a crise econômica americana da década de 1930, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria e os conflitos globais por questões étnicas, religiosas e raciais. Para uma melhor compreensão do desenvolvimento da ACP, este foi narrado em conjunto com a história dos principais acontecimentos políticos, econômicos e culturais dos EUA, buscando construir uma narrativa situada historicamente. O mesmo foi feito em relação à história da ACP no Brasil, nas décadas de 1950 a 1970, ressaltando-se o objetivo dos governantes nacionais de transformar o Brasil em uma grande nação em termos culturais e educacionais, para isso se valendo da criação de diversas instituições voltadas às crianças, adolescentes e jovens adultos, para seu atendimento psicológico, educacional, orientação profissional e aprimoramento técnico. A instauração da ditadura civil-militar iniciada em 1964, o processo de regulamentação da profissão de psicólogo e a criação dos primeiros cursos de psicologia no Brasil são destaque. Registrar a história da ACP no Brasil é uma tarefa que se justifica dado o contingente de profissionais que atuam neste referencial teórico e para incentivar a pesquisa em história da psicologia. A metodologia de trabalho adotada foi a revisão bibliográfica e o relato oral instrumentalizado por entrevistas com profissionais de destacada relevância na história da ACP no Rio de Janeiro e em São Paulo. Este estudo tem como marco final a vinda de Carl Rogers e sua equipe em 1977 ao Brasil para a realização do I Encontro Brasileiro Centrado na Pessoa (Arcozelo I), o que possibilitou a reunião, o reconhecimento mútuo e a troca de experiências entre os profissionais brasileiros, fechando desta forma o período da emergência da ACP no Brasil e favoreceu uma nova fase de desenvolvimento por todo o país.
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Essa dissertação tem como objetivo a produção de uma história do presente, que intenta problematizar aquilo que fazemos de nossas vidas e as possibilidades do vir a ser, que essa analítica permite. Sustentada num modo de pensar a história a partir de Michel Foucault, como uma história que se quer efetiva, que intenta remexer as estruturas vistas como sólidas, imóveis, mostrando que podem ser desestruturadas e pensadas de outras formas. Ela não aponta constâncias, mas o descontínuo, diferenciando-nos de um passado, demarcando o caráter singular do acontecimento. E essa história tem como campo de experiência e de problematização a disciplina optativa Tópicos Especiais em Psicologia Social e Institucional, ministrada para o curso de graduação em Psicologia da Universidade Federal de Sergipe, abordando em sua ementa o tema Cinema, história e psicologia. Ela também teve como função o cumprimento dos créditos optativos de Estágio em Docência, do Núcleo de Pós-Graduação em Psicologia Social da UFS. A disciplina tinha como proposta a criação de um espaço para discussão sobre questões que atravessassem o cotidiano daqueles que fizessem parte dela, tendo como vetor provocativo o uso de filmes. Um weblog foi utilizado como outro espaço possível, para que novos sentidos sobre os debates fossem produzidos. A partir da análise dos diversos vetores que atravessaram essa disciplina, como o blog, os filmes e os pensadores trazidos para construção de diálogos, foi possível produzir uma história sobre essa experiência. Uma história que não diz somente do que foi a disciplina, que nos permite levantar questões que envolvem não só um espaço acadêmico, como a sala de aula, mas que nos aproxima de uma dimensão ética, que nos impulsiona a pensar: o que estamos fazendo de nossas vidas e da vida dos outros? Para assim questionarmos também: que outras formas são possíveis de se viver?
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Ao longo da história, as relações entre vivência da religiosidade e psicopatologia têm sido complexas e ambíguas. O presente estudo parte de um fato pontual, o surgimento do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, inaugurado em Curitiba em 1946, para discutir as diferentes concepções e tratamentos que se desenvolveram, nesse contexto, nos campos do espiritismo e da psiquiatria médica. Tendo o método fenomenológico como substrato, foram utilizados procedimentos da pesquisa historiográfica oral e documental e consultados os acervos do próprio Hospital, da Universidade Federal do Paraná, da Biblioteca Pública do Paraná e da Federação Espírita do Paraná. Apoiada nessas fontes, esta dissertação objetivou a construção de uma narrativa que, sensível ao contexto social de Curitiba na primeira metade do século XX, se volta à análise de três distintos cenários: a expansão da doutrina kardecista no Paraná e a concepção e tratamento da doença mental por ela propostos; a constituição do saber psiquiátrico no Paraná e as relações que esse saber estabelece com o espiritismo; por fim, a constituição e funcionamento do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro.
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Esta tese objetiva construir uma narrativa sobre os primórdios da Psicologia do Esporte através da análise da inserção da Psicologia em periódicos de Educação Física dos anos 1930 a 1960. O texto discorre sobre as apropriações do saber psicológico, seus conceitos e teorias no universo dos primeiros periódicos da Educação Física no Brasil, caracterizando o percurso de construção de mais uma especialidade na Psicologia, a Psicologia do Esporte. Por se tratar de uma análise documental, investigamos fontes e documentos escritos, brasileiros e de domínio público, de caráter acadêmico apresentados em periódicos especializados ou governamental no formato de leis, decretos, estatutos. Analisamos tais documentos como práticas discursivas, pois envolvem diversos elementos, distribuídos de forma harmônica ou não, localizados historicamente, no tempo e no espaço, produzindo seus efeitos. A análise dos dados permitiu averiguar a construção de sentidos que os interessados em Educação Física fazem em relação ao campo psicológico. Concluímos que o percurso de construção da Psicologia do Esporte perpassa outros profissionais, como médicos, militares, educadores físicos e psicologistas, interessados em conhecer melhor os fenômenos humanos diante da prática de atividade física e dos esportes, caracterizando-se em duas fases, psicologia complementar (1930-1940) e prática psicológica (1950-1960). Sem dúvida, caracterizam uma construção gradativa da Psicologia do Esporte como a conhecemos hoje
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O estudo ora apresentado tem como objetivo mapear os discursos de intelectuais referentes à internação da infância entre 1900 e 1929, identificar e problematizar os usos de saberes científicos conectados com a Psicologia produzida no período. Partimos da hipótese do uso de saberes psicológicos na construção de conhecimentos que subsidiaram a institucionalização da infância no início do século XX. O período escolhido compreende um momento histórico de consolidação e expansão da política de institucionalização da infância, materializada na construção de espaços específicos de internação para esta população e a promulgação de leis para o trato dessa questão. Para a consecução do objetivo supracitado recorremos à leitura e à análise de fontes primárias, sendo estas o estudo de Franco de Vaz, Infância Abandonada, publicado em 1905 (Vaz, 1905); Um problema gravíssimo: Colônias Correcionais e Tribunais de Menores, publicado em 1916 (Britto, 1916/1959); As leis de menores no Brasil (páginas de crítica e doutrina), do ano de 1929 (Britto, 1929/1959); os relatórios do Ministério da Justiça e Negócios Interiores entre os anos de 1900 e 1928; e fontes secundárias acerca da História da Psicologia e História da Infância. As fontes analisadas apontaram para a construção de um conhecimento que justificava e aprimorava a institucionalização enquanto medida do estado frente à infância considerada problema social. Elementos como a observação e a análise da família do infante internado e a individualização da medida foram entendidos como uma forma de produzir a regeneração. Conhecimentos psicológicos estiveram presentes na organização e sustentação científica destes discursos, servindo para corroborar, defender, aprimorar e consolidar a internação como medida principal do Estado. Por outro lado, a Psicologia também foi utilizada para limitar o uso da internação e legitimar outras medidas, extra-muros. A partir do material em análise, vimos a importância deste contexto de tentativa de resolução do problema da infância enfrentado nas primeiras décadas do século XX no Brasil, na produção da Psicologia enquanto ciência e do conhecimento psicológico, assim como o papel da Psicologia na configuração das medidas propostas e utilizadas pelo Estado no trato da infância.
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Essa dissertação tem como objeto de estudo e reflexão as histórias das práticas de intervenção de psicólogos no campo da educação. O psicólogo é o especialista convocado para solucionar os problemas da aprendizagem, legitimando uma formação referenciada no paradigma do sucesso, patologizando o processo educativo e produzindo novas modalidades de exclusão social e controle subjetivo. Diante da diversidade dos fenômenos contemporâneos que envolvem o trabalho na educação, a serviço de que está o trabalho do psicólogo na escola? Por política de individualização da subjetividade entende-se o que Guattari denominou de sistemas modelizantes de fabricação subjetiva. Analisamos algumas produções contemporâneas de subjetividades individualizadas, excessivamente massificadas no cotidiano escolar: a inclusão, o bullying, a medicalização e o burnout. A Análise Institucional foi a referência metodológica utilizada nessa dissertação, que associada a pesquisa histórica contribuiu na composição das linhas de produção do saber psicológico dentro do espaço escolar e na interlocução com diferentes teóricos - especialmente Foucault, Guattari, Boaventura e Frigotto. Problematiza-se a naturalização do saber psicológico na educação, através de um breve histórico do que a psicologia construiu neste campo. Na medida em que entendemos escola como uma instituição, afirmamos que há uma circulação de sentidos e simbolismos no cotidiano que remete a práticas historicamente institucionalizadas. A pesquisa de campo foi realizada no Programa Interdisciplinar de Apoio as Escolas (PROINAPE), vinculado a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME/RJ), que conta hoje com aproximadamente noventa psicólogos trabalhando em escolas desse município. O PROINAPE representa a reinserção de psicólogos intervindo diretamente na dinâmica cotidiana da escola. São descritas suas práticas, os tipos de demandas que atendem, para que são convocados e que contradições vivenciam. Por fim, quatro analisadores presentes nas práticas de intervenção dos psicólogos vinculados ao PROINAPE, são levantados e discutidos. Conclui-se que a produção de subjetividades individualizadas está relacionada a um projeto de sociedade, que necessita da educação para reprodução de sua lógica. O psicólogo que atua na educação é um profissional implicado politicamente nesse cenário. No entanto, apontamos os desvios, as disrupturas, as tensões e equívocos, que constituem o campo privilegiado de intervenção do psicólogo com vistas à transformação da lógica social e econômica dominante.
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Neste trabalho, objetivamos mapear as produções textuais da Psicologia Social Comunitária (PSC) no Brasil entre os anos de 1990 e 2010. Nosso material de análise foi o conjunto de suas publicações neste período no formato de artigos, livros, teses e dissertações. Contextualizamos essa discussão a partir de dois pontos principais: a trajetória da Psicologia Social e os caminhos da profissão de psicólogo no Brasil. Além disso, apresentamos o percurso histórico da PSC nos continentes norte e latino-americanos e destacamos algumas experiências deste campo no país entre os anos de 1970 e 1990. No contato com o material, selecionamos como principais pontos de discussão: a consolidação da PSC como um campo disciplinar; as vinculações teórico-epistemológicas da PSC; o conceito de comunidade; a caracterização do trabalho do psicólogo comunitário e a defesa de sua especificidade; e os objetivos de suas intervenções. Ao realizarmos este mapeamento, foi possível historiar os argumentos produzidos por autores da PSC em busca de uma identidade para a área e problematizar a ênfase na oposição entre uma Psicologia latina e uma norte-americana como recurso estratégico dessa afirmação identitária. A partir da análise dos pontos de discussão, apontamos, também, para a fragilidade dos limites desse campo que nos parece tão heterogêneo e disperso.
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A contribuição de Christian Wolff (1679-1754) para a história da psicologia, particularmente de sua Metafísica Alemã (1720), ainda é significativamente mal compreendida tanto no panorama geral da historiografia da psicologia quanto na literatura especializada no pensador. Tendo isto em vista, o objetivo do presente estudo é descrever e analisar a concepção wolffiana de psicologia presente na Metafísica Alemã. Após uma breve contextualização histórica, é oferecida uma descrição dos conteúdos empíricos e racionais da disciplina, incluindo sua relação com as demais matérias da metafísica. Em seguida, propõe-se uma análise baseada em questões levantadas pela literatura secundária. Em geral, defende-se a existência de uma importância especial da Metafísica Alemã dentro do pensamento psicológico de Wolff, independentemente de seus demais escritos psicológicos, assim como sua relevância para o desenvolvimento, já no século XVIII, de uma noção de psicologia científica, contrariando teses tradicionais em historiografia da psicologia.
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O trabalho tem como objetivo esclarecer as relações históricas entre a psicologia, mais especificamente a Psicologia Social, e a Comunicação de Massa. Pouco se tem publicado acerca das contribuições trocadas por estas áreas de pesquisa ao longo da primeira metade do século XX, período em que se observa significativa aproximação mútua, em especial entre os anos 1920 e 1950. No intento de trazer a lume tais conexões, foi realizada para a confecção desta dissertação pesquisa bibliográfica que possibilitou recontar a história das duas principais perspectivas de pesquisa em comunicação de massa no período, quais foram, a Mass Communication Research e a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, e apontar suas posições como também participantes de tradições distintas em Psicologia Social. Endossa a argumentação, a análise de dois textos especiais, aqui tratados como documentos primários: Os efeitos dos meios de comunicação de massa , de Carl Hovland (1954), e Sobre música popular , de Adorno e Simpson (1941). Em ambos os textos podem ser encontradas evidências de que os métodos da Psicologia Social foram frequentemente tomados de empréstimo para o estudo dos fenômenos observados em Comunicação de Massa
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A carência de estudos históricos sobre a psicoterapia, levou-nos a pesquisar o que tem sido a escrita dessa história no Brasil, ao longo do tempo. Tendo como fontes primárias artigos publicados em 23 periódicos brasileiros, que trazem o tema psicoterapia, terapia e terapêutico(a), no período compreendido entre 1955 e 2010, encontramos 532 artigos trazendo os descritores, 197 deles com dados históricos para a psicoterapia. Realizamos dois levantamentos: o primeiro considerou o período entre 1994 a 1999 seguindo o artigo de Teixeira e Nunes (2001), Psicoterapia: Uma História Sem Registro e o segundo expandiu o período da pesquisa, de 1955 a 1993 e 2000 a 2010, nos mesmos 23 periódicos. Nos 197 artigos escrevem 266 autores. No período 1994 1999, 33% dos autores são psiquiatras, 18% de outros autores seguem a abordagem psicanalítica e os 51% restantes distribuem-se em outras perspectivas. Ao longo de 48 anos, segundo levantamento, a preponderância do número de autores é da psicanálise e da psiquiatria, aparecem também, com presença significativa, a fenomenologia e a abordagem centrada na pessoa, tendo-se percebido crescimento significativo das linhas cognitivo comportamental. Constatou-se que a leitura de artigos completos permite encontrar informações sobre uma história da psicoterapia. São nomes de pessoas ou de eventos associados à psicoterapia ou a práticas interpretadas como próprias ou próximas ao que se tem chamado de psicoterapia. No final, considerando a dificuldade de se encontrar definições de psicoterapia nos artigos estudados, buscamos definições em dicionários, entre elas, a definição da American Psychological Association (APA), do Conselho Mundial de Psicoterapia, do Conselho Federal de Psicologia e uma que difere de todas, a do dicionário de Ontopsicologia. A partir de uma rápida análise das definições, constata-se que não existe um consenso sobre o que é Psicoterapia e discute-se se é possível uma história da psicoterapia
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Ensaio que analisa as raízes da Psicologia moderna apontando momentos onde a mesma se divorcia progressivamente da filosofia que a originou, incorporando um conceito científico que a coloca no cruzamento entre uma quase-ciência e uma quase-filosofia empobrecida, focada em aplicações práticas. Em seguida discute-se os efeitos das modificações de sua origem na constituição da psicologia no Brasil, fazendo um apelo à formação e aos profissionais para que revisem suas posições e conceitos.
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