A sua pesquisa

  • Nesta pesquisa, construo uma narrativa sobre o laboratório de psicologia da Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, em São João del-Rei, entre 1953 e 1971, descrevendo-o como dispositivo. O dispositivo é uma rede composta de elementos discursivos e não-discursivos com função estratégica na delimitação de um campo do conhecimento, é um espaço de produção de discursos e gerador de redes sociais. O arquivo investigado é construído com correspondências, fotografias, registros contábeis, relatórios, livros de crônicas, laudos, aparelhos psicológicos e seus manuais. As fontes foram recolhidas no Centro de Documentação e Pesquisa em História da Psicologia, em São João del-Rei, e no Centro Salesiano de Documentação e Pesquisa, em Barbacena, Minas Gerais. Na construção da narrativa, atento-me aos contextos de partida e de chegada dos aparelhos que compuseram o laboratório são-joanense. O contexto de partida é marcado pela institucionalização e difusão da psicologia experimental e pela emissão de documentos pontifícios que valorizam seu estudo em faculdades católicas. O contexto de chegada se caracteriza, no cenário nacional, pela aplicação da psicologia para a orientação e resolução de problemas de ordem psicopedagógica e, localmente, pela ação salesiana e pela aspiração de modernidade presente na cidade mineira. Os aparelhos foram adquiridos de instituições católicas da Itália e representam a psicologia experimental de tradição fisiológica, dedicada à percepção e à sensação. No laboratório são-joanense, a utilização desses aparelhos exemplifica a aplicação de um projeto científico de psicologia para a resolução de problemas escolares, a seleção profissional, a avaliação psicológica e os atendimentos clínicos individuais. Narro os antecedentes e o processo de compra e instalação do laboratório são-joanense: em 1955, a instalação do laboratório dinamizou os serviços de psicologia da faculdade salesiana. Em 1958, possibilitou a criação do Instituto de Psicologia e Pedagogia. Descrevo as denominações atribuídas a ele, os espaços ocupados, as finanças, as equipes e as redes sociais que perpassaram o dispositivo, ao longo do anos 1960. Em 1971, o laboratório é declarado obsoleto em correspondências internas, sobrepujados pela influência do referencial teórico estadunidense, fundamentado na teoria do comportamento operante. Sugiro a realização de novos estudos, para conhecer a história do laboratório a partir dos anos 1970 e aprofundar temáticas não focalizadas neste trabalho.

  • O presente trabalho teve como objetivo investigar a história da Psicologia entre as décadas de 1930 e 1960 em São Paulo a partir da construção da trajetória profissional de Gioconda Mussolini. A metodologia consistiu na realização de entrevistas e conversas com participantes que, na época, foram estudantes e docentes no Curso de Psicologia da FFCL/USP, no levantamento e análise de documentos de domínio público colhidos nos centros de memória das instituições das quais Gioconda Mussolini participou. A relação dessa personagem com a Psicologia foi sendo construída desde sua formação e atuação profissional. Gioconda Mussolini foi professora normalista, bacharel em Ciências Sociais e Política na FFCL/USP e mestre em Ciências Sociais pela ELSP. Atuou como professora assistente de Sociologia e Antropologia na FFCL/USP, onde ministrou a disciplina Personalidade e Cultura para alunos do recém criado Curso de Psicologia. Foi membro-fundadora da antiga Sociedade de Psicologia de São Paulo, onde conviveu com personagens marcantes da história da Psicologia como Annita Cabral, Noemy da Silveira Rudolfer, Aniela Ginsberg e Virgínia Bicudo. Gioconda Mussolini teve acesso às mais variadas teorias, temas e bibliografias em Psicologia durante sua formação. Aplicou conceitos psicológicos, como personalidade, em seu trabalho docente e em suas pesquisas e publicações. Em suas publicações observou-se a utilização de conhecimentos provenientes da história, da geografia, da sociologia e da psicologia (sentimentos, motivação, atitudes, valores) para analisar as alterações produzidas no contexto da atividade pesqueira e de suas comunidades. Apesar de Gioconda Mussolini não figurar como um dos grandes nomes da Psicologia e/ou da Antropologia, o conhecimento sobre sua trajetória profissional e de suas produções permite identificar apropriações e interfaces da psicologia com outras ciências, proporcionando outras possibilidades de construção da história desta ciência.

  • Este trabalho tem como ponto de partida a análise de propostas para formação do psicólogo. Busca contribuir para construção de uma história da psicologia, a partir das ideias e projetos para a constituição do psicólogo para sua inserção sobre a realidade. Através do referencial teórico-metodológico do materialismo histórico, recuperou-se dois momentos: a) o período de modernização vivido no Brasil ao longo dos anos 1950, quando psicólogos com propostas das mais diversas, se unem para regulamentar a profissão no País, um dos primeiros a ter uma lei para regulamentação profissional na área. Discute-se o movimento que levou a essa lei e a importância de se pensar a relação sociedade/ciência/universidade para definir projetos de formação. O cenário de industrialização vivido no Brasil marca o debate em várias esferas do trabalho. Por um lado, mostra que havia uma preocupação com a formação das mentalidades para o mundo do trabalho num momento de mudanças. Por outro, revela que o tipo de atividade praticada pelo psicólogo interessava ao desenvolvimento do mercado nacional; e b) um momento no qual os anos 1920 o Leste Europeu passa por transformações sociais e políticas com propósitos revolucionários. A discussão em torno da prática psicológica como determinada para uma realidade e a recuperação de uma filosofia da psicologia aparecem como ideias para se pensar o trabalho do psicólogo, o plano de construção de uma sociedade nova com base no socialismo mostra que foi necessário pensar num homem novo. As particularidades históricas neste trabalho, são analisadas a partir das próprias condições nas quais o debate veio a surgir. A formação do psicólogo mostrou ser uma preocupação para a constituição da prática e identidade profissional e, revelou que a atividade do psicólogo lida com concepções conservadoras e transformadoras, podendo assumir uma ou outra forma, como também, simultaneamente ambas

  • Este trabalho defende a tese de que, em seu desenvolvimento, a Escola de São Paulo de Psicologia Social operou um importante giro ideopolítico em relação àqueles seus trabalhos que datam até fins da década de 1980. Tal giro, gestado no período posterior ao fim do socialismo no leste europeu (1989) e na derrocada da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1991), concretizou-se no abandono ou transformismo de importantes fundamentos e categorias do materialismo histórico-dialético, tais como a estrutura e a dinâmica das classes (e da luta de classes), a centralidade do trabalho e a perspectiva de superação do capitalismo. A tese anunciada sustenta-se em pesquisa cujo objetivo foi o de historiar a Escola de São Paulo de Psicologia Social. O primeiro capítulo da exposição dos resultados alcançados por esta pesquisa inicia com uma discussão dos fundamentos metódicos que orientaram a sua realização, em que estão condensados: a) as discussões historiográficas (relativas à escrita da história) a partir de trabalhos de importantes historiadores da psicologia; b) os fundamentos do materialismo histórico-dialético que, sob a forma de uma filosofia da história, orientaram esta produção. No segundo capítulo, são analisados os primeiros desenvolvimentos da Escola de São Paulo de Psicologia Social, desde os primeiros trabalhos realizados por Silvia Lane e Alberto Abib Andery em comunidades nos anos 1960, passando pelas primeiras formulações críticas em relação à Psicologia Social estadunidense que ganham expressão nos escritos de Lane nos anos 1980, até sua síntese mais elaborada em Psicologia Social: o homem em movimento, obra organizada por Silvia Lane e Wanderley Codo e publicada em 1984 e cuja inspiração marxista, tanto em termos das categorias que constituem a compreensão do ser humano singular quanto em termos do sentido do projeto de transformação social, é notória. Este momento do desenvolvimento da Escola de São Paulo cede lugar a uma série de reformulações (pós 1989-1991), cuja principal expressão reside na apropriação dos autores neomarxistas Heller e Habermas. O livro Novas veredas da Psicologia Social, de 1994, organizado por Silvia Lane e Bader Sawaia, representa uma obra-síntese das novas formulações da Escola de São Paulo. Junto a outros escritos, a partir da década de 1990, este livro é objeto de análise do terceiro capítulo, que identifica, em termos dos fundamentos e das categorias da psicologia social, as reformulações operadas. Por fim, é dimensionado o sentido do projeto de transformação social que se deriva das reformulações das categorias e fundamentos da psicologia social, realizadas pela Escola de São Paulo pós 1989-1991

  • Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar as condições intelectuais, institucionais e pragmáticas que justificassem as práticas de saúde no Sanatório São Julião. O recorte temporal vai de 1941 a 1986, período que compreendeu a inauguração do São Julião como um Hospital Colônia ao ano em que o Governo Federal declarou os Hospitais Colônia inconstitucionais. A pesquisa se insere no campo da História da Psicologia e utiliza os conceitos da Memória Social, bem como os fundamentos da História Oral e da Análise Documental. Foram utilizadas fontes textuais primárias, disponíveis no Arquivo Municipal de Campo Grande (ARCA), no Arquivo do Hospital São Julião; e fontes orais, produtos de entrevistas a ex-pacientes e ex-funcionários do Sanatório São Julião. Os primeiros anos de funcionamento do Sanatório foi considerado satisfatório para os padrões da época, apesar da exclusão social, mesmo em âmbito institucional. Aos poucos a assistência médica tornou-se ineficiente, pela falta de recursos humanos e materiais, culminando com a precariedade do local. As análises dos recortes dos jornais sugerem que a sociedade campo-grandense, movida por certa visão social da Lepra, na mídia impressa, “amparou” os internados no Sanatório São Julião com doações de diversos gêneros, desde alimentos a valores altos, feitos por “generosos” campograndenses. A partir de 1970 a instituição foi sistematicamente reestruturada, porém, na ausência de políticas públicas, os recursos para a manutenção da instituição dependiam de doações, da caridade e filantropia. A partir da mídia impressa, a imagem que se formou da instituição foi associada a ideia de cuidado à saúde, ligada a práticas donativas e benevolentes. Intrinsicamente, deu-se ali, com a ajuda de voluntários, uma nova política de trabalho e cuidado em diversos níveis, que iam além da saúde do corpo, com desenvolvimento social e psíquico.

  • Este trabalho tem como objetivo compreender a História da Psicologia no Estado deGoiás a partir de sua relação de complementaridade com a Educação, contextualizando a penetração, o apogeu e o declino da Escola Nova no Estado, assim como as concepções, os discursos e as práticas psicológicas, oriundas desse movimento, sinalizando também a sua transição para uma proposta de cunho tecnicista. Para tanto, foi realizado, inicialmente, um estudo histórico-bibliográfico descrevendo e discutindo a Psicologia e a produção historiográfica da mesma no Brasil. Esse estudo possibilitou a compreensão da situação histórica da Psicologia no Brasil, apontando também alguns trabalhos mais recentes que contribuíram para a escrita da história dessa ciência nos diferentes Estados. Num segundo momento, buscou-se descrever e discutir a história da Psicologia em Goiás, alçando relação com educação. Esse momento está dividido em três partes. Na primeira parte foram descritas e analisadas as concepções, os discursos e as práticas psicológicas na Educação, anteriores ao advento da Escola Nova. Na segunda parte, buscou-se descrever e analisar a Psicologia em Goiás desde a inserção do ideário escolanovista até a sua consolidação e declínio. Numa terceira parte, procurou-se apresentar uma descrição e analise sobre o Ensino Tecnicista em Goiás, buscando sua relação com a Psicologia. A pesquisa revelou que as ideias da Escola Nova: 1. estiveram presentes em documentos oficiais desde 1916; 2: começaram a se intensificar a partir dos anos de 1920, sendo possível evidenciar, com mais clareza, sua relação com a Psicologia 3. tiveram sua máxima expressão, o apogeu, na era Vargas/Ludovico (1930-1945), principalmente após 1937, sendo a Revista Oficial de Instrução o mais importante impresso para sua disseminação nessa época, onde foram publicados vários artigos de autores goianos sobre Psicologia e Escola nova; 4. Após a era Vargas/ Ludovico, as ideias escolanovistas começam a perder sua força, o que pode ser evidenciado na diminuição de temas referentes a Escola Nova na segunda fase da Revista Oficial de Instrução, e o aumento de temas relacionados a técnica e aperfeiçoamento técnico. No final de 1950 até 1962, foi possível perceber, na terceira fase deste periódico, um esvaziamento ainda maior das ideias escolanovistas, e uma aumento expressivo de assuntos voltados para: a educação do adulto; os aspectos socioculturais da Educação; a educação dos excepcionais; o ensino da matemática; a preparação técnica dos professores por meio de programas de formação/especialização; a Psicologia dos excepcionais, os testes psicotécnicos como instrumentos para seleção de professores; os métodos de pesquisa em Psicologia.

  • A partir da regulamentação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), em 2004/2005, o psicólogo figura como profissional essencial nas equipes dos serviços ofertados nesse campo. No entanto, existem indícios de que psicólogos trabalham na Assistência Social antes desse período. Essa inserção não foi sistematizada na literatura, não permitindo o estabelecimento de registros lineares dessa trajetória. Assim, o objetivo deste trabalho é investigar o ingresso e a atuação do psicólogo nos serviços de Assistência Social em Natal/RN, bem como as atividades desenvolvidas por eles no período de 1972-2003. Esta delimitação temporal justifica-se porque Natal passou a ter psicólogo a partir de 1972, e 2003 foi o ano imediatamente anterior aos marcos de 2004/2005. A investigação se dividiu em duas etapas: documental e história oral. A primeira se deu por meio da consulta a 86 monografias do Setor de Documentação do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em que se buscou identificar quais eram os serviços que caracterizavam o campo assistencial e os indícios da presença dos psicólogos nesses espaços. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas com 13 psicólogos que trabalharam na Assistência Social, a fim de investigar sua atuação, as atividades desenvolvidas, o processo de inserção na área, entre outros aspectos. A análise do material foi feita com base em categorias temáticas, a partir de uma perspectiva histórica. Os resultados apontam para três grandes âmbitos de inserção dos psicólogos: o campo da excepcionalidade infantil, em que os psicólogos eram vinculados à Legião Brasileira de Assistência Social (LBA); o campo do menor, por meio da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM); e a ocupação de cargos de gestão e de coordenação em alguns programas assistenciais.

  • Esta pesquisa teve como objetivo conhecer e analisar a avaliação diagnóstica realizada por Helena Antipoff e seus colaboradores, na identificação das dificuldades escolares dos alunos das classes especiais de Belo Horizonte no período de 1929 a 1973. Esse recorte temporal se justifica pela sua chegada em Belo Horizonte (1929) e a criação do Centro Nacional de Educação Especial CENESP (1973), Órgão Central de Direção Superior, com a finalidade de promover em todo o território nacional, a expansão e melhoria do atendimento aos Excepcionais. Utilizouse pesquisa histórica baseada em fontes documentais primárias e secundárias, preservadas na Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, e no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA), situado na Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dados coletados foram organizados e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, tendo como referência a obra de Laurence Bardin. Procurou-se trazer para o campo de estudo da psicologia e da educação, especificamente para a educação especial, os questionamentos sobre o diagnóstico como processo de tomada de decisão que busca nas intervenções pedagógicas apropriadas o pleno desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Evidenciou-se que a finalidade classificatória da avaliação era a preconizada à época. No entanto, foram constatados indícios de que Helena Antipoff se mostrava crítica quanto à utilização dos testes psicológicos padronizados como instrumento de avaliação. Cunhou o conceito de inteligência civilizada, a partir de suas experiências com crianças e adolescentes russos, sustentava a ideia de que a inteligência natural era um conceito irreal e confusamente artificial. Quanto à educação das crianças anormais, considerava o diagnóstico como procedimento balizador para a escolha adequada dos métodos e técnicas de ensino, assim como um dispositivo pedagógico para atender às diferenças individuais. Verificou-se que o uso da avaliação diagnóstica na prática de Helena Antipoff mostrou-se eficaz como instrumento de identificação das dificuldades escolares além de favorecer a construção de atividades curriculares individualizadas.

  • O objetivo principal deste estudo foi apresentar a trajetória da Psicologia Política no Brasil vista a partir de seus precursores e demais participantes. Tais personagens foram divididos em três gerações de pesquisadores considerando o grau de relacionamento acadêmico. As principais fontes de dados para tecer esse estudo foram investigação documental, entrevistas e genograma construído a partir de dados da Plataforma Lattes. Como procedimento investigativo trabalhamos a partir da história oral temática com a qual pudemos combinar as fontes escritas do conjunto documental (atas, cadernos, revistas, anais) com fontes orais (entrevistas). Os resultados da pesquisa apresentam como os personagens das três gerações examinadas consideram o desenvolvimento da Psicologia Política no Brasil num período de 16 anos

  • Esta dissertação traz uma análise documental sobre o ensino de arte no Complexo Educacional da Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais. Essa instituição foi fundada em 1939, por Helena Antipoff, psicóloga e educadora russa, com a ajuda de colaboradores. A pesquisa teve como objetivo verificar como foi o ensino de arte desenvolvido na instituição, entre as décadas de 1940 e 1950, com foco na identificação de uma rede de colaboradores que pudessem ter contribuído para que a educadora promovesse um movimento de integração entre arte e educação, em intercâmbio com os ideais escolanovistas. Este estudo teve como pressuposto que a relação estabelecida entre Antipoff e o artista-educador Augusto Rodrigues foi uma importante parceria para a concepção e execução do ensino de arte desenvolvido na Fazenda do Rosário. A parceria entre Antipoff e Rodrigues remonta à fundação da Sociedade Pestalozzi do Brasil (1945), fundada por Antipoff e colaboradores e da Escolinha de Arte do Brasil (1948), fundada por iniciativa de Rodrigues, outros artistas e apoio de Antipoff, no período em que a educadora atuou no Rio de Janeiro/Ministério da Saúde (1944-1949), sem desligar-se dos trabalhos desenvolvidos em Minas Gerais. Por meio de colaboradores, a maioria atuante nessas instituições, foi possível que Antipoff estabelecesse parcerias que lhe permitiram desenvolver um ensino de arte para atender tanto às crianças, adolescentes e adultos da comunidade local, quanto à formação de professores rurais. As fontes analisadas neste estudo são de diversos gêneros: escritos e manuscritos de Antipoff, correspondências trocadas com colaboradores e autoridades, jornais e periódicos institucionais, folders de divulgação de exposição de arte, fotos tiradas durante visitas de artistas-educadores, livro de registro de alunos e professores etc.. Os documentos consultados indicam uma movimentação em prol de se dinamizar os trabalhos de arte desenvolvidos na Fazenda, ora em cursos realizados na própria instituição, ora em convênios para atender aos professores em formação que se dirigiam ao Rio, na Escolinha de Arte e também na Pestalozzi do Brasil, onde Rodrigues também foi professor. Os resultados mostram que, no Rosário, houve a promoção de oficinas de trabalhos manuais, com uso da matéria-prima local, como: cerâmica, bambu, fibras naturais, carpintaria e entalhe em madeira; produção têxtil em teares manuais; assim como o desenvolvimento do teatro de bonecos, indicado como atividade recreativa, de uso pedagógico nas escolas. O ensino de arte na Fazenda do Rosário foi desenvolvido como possibilidade de formação humana e profissional, tanto para adultos, professores rurais, assim como para crianças e adolescentes. Nesse sentido, Antipoff empreendeu esforços para trazer artistas-educadores nacionais e estrangeiros que colaboraram para que a arte pudesse alcançar a comunidade local, trazendo melhores condições de vida e fazendo o ensino de arte multiplicar-se por meio da formação de professores para atuarem no ensino rural.

  • O Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), que funcionou de 1947 a 1990, no Rio de Janeiro, foi uma instituição de extrema relevância no cenário brasileiro. Sendo referência em psicotécnica no país, nunca, entretanto, foi referido com relação à Psicologia do Esporte. O objetivo deste trabalho é mostrar suas inserções na área, por meio da atuação de seus profissionais, entre eles Athayde Ribeiro da Silva, Emilio Mira y López e Cecília Torreão Stramandinoli, além de suas publicações. Foi realizada uma pesquisa no Núcleo de Documentação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde o ISOP funcionou, sendo feitas buscas a partir de termos que relacionavam a instituição a termos da área esportiva, seguindo-se outros termos, a partir de dados que foram surgindo nas pesquisas com os documentos encontrados. Outra fonte foram os cadernos de Alice Mira (psicóloga e esposa de Mira y López), uma compilação de recortes de publicações de jornais e revistas de sua época que fizessem referência, de alguma forma, a Emilio Mira y López, reunidos em diversos volumes e que foram digitalizados pela FGV. Os artigos de Cecília Stramandinoli em revistas científicas foram obtidos graças à digitalização deste material. Os livros e artigos escritos por Athayde Ribeiro da Silva (sozinho e em parceria com Emilio Mira y López) foram tratados como fontes primárias, tendo sido cuidadosamente resumidos para a análise realizada. Também recorremos à memória de personagens ligados direta ou indiretamente à história que estamos contando, realizando algumas entrevistas. O resultado das pesquisas mostra a intensa participação do ISOP tanto no apoio à seleção brasileira de futebol, na década de 1960, quanto à produção científica, através de sua revista, e a produção intelectual de alguns de seus personagens. São fatos que não faziam parte da história construída da Psicologia do Esporte até o momento e que certamente possuem relevância neste contexto. Assim, esperamos lançar nova luz à Psicologia do Esporte e também aos três personagens que elencamos aqui, complementando a história já existente, ampliando as referências teóricas e práticas para uma Psicologia do Esporte atual, contextualizada e diversificada

  • Esta dissertação visa recompor uma história da Psicologia Soviética, desde o governo Leninista até o final do período Stalinista (1917-1953), tal como, ela se apresentou nos tratamentos dados à Função Psicológica Superior Imaginativa. Para cumprimos nosso objetivo, realizamos esta pesquisa bibliográfica mantendo como visão metodológica e respaldo analítico o materialismo histórico-dialético. Buscamos demonstrar a importância da função imaginativa no desenvolvimento da Psicologia Soviética. Compreendemos que a imaginação é uma função psicológica superior práxica, que se desenvolve pela mediação da atividade social do sujeito na sociedade em que vive. Por ser assim, encontra-se ausente em crianças muito pequenas e não é compartilhada com nenhum animal. A imaginação, assim como qualquer outra função psicológica superior, é primeiro um processo interpsicológico e, no decorrer do desenvolvimento humano, é interiorizada pelos processos de atividades do sujeito na sociedade em que vive tornando-se um processo intrapsicológico. Portanto, tínhamos como hipótese teórica que as condições materiais, tecnológicas e científicas para o desenvolvimento da psicologia na União Soviética, entre 1917 até 1960, permitiram ao mesmo tempo avanços e retrocessos nos estudos da função imaginativa. Também destacamos a relevância da imaginação no avanço técnico, científico e artístico da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (U.R.S.S). Neste sentido, encontramos as contribuições da imaginação presentes no crescimento econômico e superestrutural da União Soviética. Além disso, a função imaginativa, também se fez presente na investigação criadora para a elaboração de uma nova ciência psicológica, que teve como visão de ser humano e do mundo o marxismo. Por conseguinte, destacamos autores que contribuíram para a criação de uma teoria da imaginação entre os períodos Leninista e Stalinista, tais como: Rubinstein, Vigotski, Luria, Liublinskaia e Ignatiev. Todos estes teóricos desenvolveram pesquisas sobre as contribuições da imaginação na construção de uma nova sociedade. Tratando-se do desenvolvimento histórico da psicologia soviética, iniciamos nossa análise a partir da Revolução de Outubro de 1917, que criou novas condições para o desenvolvimento da psicologia soviética. Destacamos a partir de autores como: Petrovski, Smirnov, Lomov, Levitin, Anániev, Borovski, Shuare, Vega, entre outros, os caminhos encontrados pela ciência psicológica soviética desde a Revolução até o fim da década de 1950. Buscamos destacar os períodos de avanços e retrocessos nesta área do conhecimento, em específico, das teorias da imaginação. Explicamos também como as abordagens sobre a Função Psicológica Superior Imaginativa participaram da promoção da criação de condições para o avanço das pesquisas desta ciência. Por fim, apresentamos as conclusões finais desta dissertação, comprovando nossa hipótese dos avanços e retrocessos nas abordagens da imaginação. Apresentamos ainda sua relevância para várias áreas de atuação da ciência psicológica, tais como: História da Psicologia, Psicologia do Desenvolvimento, Avaliação Psicológica, entre outras.

  • Considerando a dispersão teórica da psicologia com relação a seus fundamentos mais básicos, faz-se necessário retomar a discussão acerca dos fundamentos e assim sendo, a psicologia de Wilhelm Wundt se apresenta como alternativa à psicologia fisicalista aliada às neurociências atuais. Assim, esta pesquisa toma como objeto o sistema psicológico de Wilhelm Wundt a partir da obra Outlines of Psychology e toma como campo problemático a pertinência de seus conceitos à psicologia atual. Para tal, foram utilizados, além de Wundt, alguns autores clássicos da história da psicologia e da filosofia. O primeiro capítulo consiste em uma discussão acerca dos fazeres possíveis da história e da pertinência e impertinência de uma pesquisa em epistemologia e história da psicologia, bem como a proposição da história como palimpsesto e uma análise da psicologia como saber moderno e dos problemas que envolvem sua constituição e autonomia. O segundo capítulo consiste em um exame mais detalhado dos principais conceitos do sistema wundtiano, a saber, síntese criadora, processos volitivos, experiência imediata e processualidade da mente e busca contemplar a noção de vontade e criação no contexto do estudo da cognição. O terceiro capítulo, por sua vez, propõe abordar a atualidade do sistema wundtiano a partir dos conceitos apresentados no segundo capítulo. Por fim, esta dissertação de mestrado se apresenta mais como um convite, uma abordagem inicial de uma problemática muito maior.

  • O objetivo deste trabalho é sistematizar informações dispostas em documentos e publicações a respeito da participação dos psicólogos de São Paulo na regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil. Pela análise, foi identificado o empenho de Annita Cabral pela formação e para a criação de um curso de bacharelado em psicologia na Universidade de São Paulo. São também iniciativas suas a criação da Sociedade de Psicologia de São Paulo e da Associação Brasileira de Psicólogos fundamentais para organização e representação institucional dos psicólogos de São Paulo em suas reivindicações. Concluiu-se que a participação dos psicólogos de São Paulo foi fundamental para a formação e definição das atribuições do profissional psicólogo como estão atualmente estabelecidas

  • Esta pesquisa trata da institucionalização do Curso de Psicologia no ensino superior do Estado de Goiás, ocorrida em 1973, na Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Parte da trajetória da Psicologia no Brasil, desde a formação das ideias psicológicas até a constituição da psicologia científica, e busca resgatar os elementos constitutivos dessa história no Estado de Goiás. Para tanto, demonstra a organização do ensino de graduação em Psicologia no Brasil, através de dados do e-MEC, Cadastro da Educação Superior do Ministério da Educação - MEC, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, da Associação Brasileira de Ensino em Psicologia - ABEP, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia - ANPEPP, da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior - ABMES, empresas de consultorias e instituições de ensino que ministram o Curso de Psicologia no país. Por fim, trata da criação do Curso de Psicologia no ensino superior do Estado de Goiás, elaborando um recorte histórico sobre a criação da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, do Gabinete de Orientação à Pós-Graduação, na investigação e sistematização de sua história.

  • Esta tese teve como objetivo traçar uma história comparada das trajetórias de Eliezer Schneider (1916-1998) e Plácido Horas (1916-1990) no campo da Psicologia Jurídica, a fim de trazer contribuições para as discussões acerca da constituição e consolidação desta área tanto no Brasil quanto na Argentina. Considerados personagens relevantes na criação dos cursos de Psicologia em seus países, Eliezer Schneider e Plácido Horas trilharam um percurso que os levou a se aproximarem do campo da Psicologia Jurídica, realizando atividades importantes para o desenvolvimento desta área no Brasil e na Argentina. Suas condições de emergência estão nas articulações entre a Psicologia e o Direito. A Criminologia possibilitou estudar a etiologia da criminalidade, o comportamento e a personalidade criminosa. Diante disso, a Psicologia, ao contribuir para a compreensão da personalidade e da conduta criminosa, se tornou uma ferramenta de auxílio à justiça. Os momentos iniciais da Psicologia Jurídica no Brasil e na Argentina se relacionam com a inserção do psicólogo no âmbito jurídico como testólogo ou assistente técnico, realizando atividades de perícia e de diagnóstico. Tanto Schneider quanto Horas exerceram atividades vinculadas à prática pericial. Além disso, após a regulamentação da profissão de psicólogo em ambos os países, sistematizaram a Psicologia Jurídica enquanto disciplina independente nos currículos do curso de Psicologia. Foi possível verificar que Schneider e Horas, apesar de empenharem algumas práticas comuns no campo da Psicologia Jurídica, fizeram uma leitura do crime e do criminoso sustentada em conceitos teóricos com abordagens específicas: Schneider com um saber ancorado nas influências neobehavioristas e na psicologia social e Horas com um saber mais criminológico centrado na capacitação profissional do psicólogo

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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