A sua pesquisa
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O presente trabalho se insere na História das Ciências da Saúde, em particular das chamadas ciências PSI (psicologia, psiquiatria e psicanálise). Em uma tentativa de compreender a invisibilidade das mulheres na historiografia da ciência, o objetivo desta pesquisa será analisar a vida e obra de Sabina Spielrein, do período de 1911 a 1942, ou seja, ano de sua formatura em medicina ao seu falecimento. A formatura de Sabina, neste caso, nos interessa, pois este marcou o início da cura do sintoma, que desenrolou de uma cura do sintoma para o engajamento intelectual e clínico com a psicanálise, com a psiquiatria e com a psicologia. Sabina, no primeiro momento, paciente diagnosticada com histeria, internada no ano de 1904, no Hospital Burghölzli, na Suíça, tornou-se no ano de 1911 médica e desde então passou a atuar como psiquiatra, psicanalista e depois como psicóloga infantil. Russa, judia, mulher em um ambiente predominantemente masculino, Sabina foi por vezes excluída e deixada às margens por alguns de seus pares. No entanto, o seu trabalho influenciou autores de grande representatividade como Sigmund Freud (1856-1939), Carl Gustav Jung (1875-1961), Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934). A análise da história das mulheres na psicanálise é extremamente interessante, pois esta resgata não apenas como as mulheres são retratadas na maioria das vezes pelo discurso tradicional da história das ciências; esta por sua vez narrada a partir um viés androcêntrico, mas em uma narrativa onde as mulheres aparecem como produtoras de um saber, neste caso, o saber psicanalítico. O palco deste trabalho será Viena, local onde a psicanálise foi criada pelo médico austríaco Sigmund Freud, ainda no ano de 1902, mas também nos locais onde Sabina Spielrein atuou.
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Esta dissertação de mestrado teve como objetivo estudar o conceito de técnica nos trabalhos do psicólogo russo, Lev Semionovitch Vigotski (1896-1934), em obras publicadas entre os anos de 1924 e 1934, elucidando as relações que a técnica estabelece com o processo de desenvolvimento humano, seja por meio da arte, da relação com os meios de produção, da elaboração de técnicas externas (uso de ferramentas) direcionadas à ampliação da relação humana com o meio ambiente ou as técnicas internas (emprego de signos) direcionadas ao controle e ao aperfeiçoamento dos processos psíquicos. A totalidade das obras analisadas apresentam os atributos que possibilitam o que nós conceituamos por “Homo technicus vigotskiano”, a dimensão da técnica expressa de modo concreto na constituição da totalidade humana e no seu respectivo processo histórico de desenvolvimento. Tem-se em Vigotski uma “psicologia da técnica” alinhada aos preceitos materialistas e implicada na transformação da realidade concreta, alçando gradativamente o homem à novos modos de compreender o mundo e a sua própria existência.
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Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar as condições intelectuais, institucionais e pragmáticas que justificassem as práticas de saúde no Sanatório São Julião. O recorte temporal vai de 1941 a 1986, período que compreendeu a inauguração do São Julião como um Hospital Colônia ao ano em que o Governo Federal declarou os Hospitais Colônia inconstitucionais. A pesquisa se insere no campo da História da Psicologia e utiliza os conceitos da Memória Social, bem como os fundamentos da História Oral e da Análise Documental. Foram utilizadas fontes textuais primárias, disponíveis no Arquivo Municipal de Campo Grande (ARCA), no Arquivo do Hospital São Julião; e fontes orais, produtos de entrevistas a ex-pacientes e ex-funcionários do Sanatório São Julião. Os primeiros anos de funcionamento do Sanatório foi considerado satisfatório para os padrões da época, apesar da exclusão social, mesmo em âmbito institucional. Aos poucos a assistência médica tornou-se ineficiente, pela falta de recursos humanos e materiais, culminando com a precariedade do local. As análises dos recortes dos jornais sugerem que a sociedade campo-grandense, movida por certa visão social da Lepra, na mídia impressa, “amparou” os internados no Sanatório São Julião com doações de diversos gêneros, desde alimentos a valores altos, feitos por “generosos” campograndenses. A partir de 1970 a instituição foi sistematicamente reestruturada, porém, na ausência de políticas públicas, os recursos para a manutenção da instituição dependiam de doações, da caridade e filantropia. A partir da mídia impressa, a imagem que se formou da instituição foi associada a ideia de cuidado à saúde, ligada a práticas donativas e benevolentes. Intrinsicamente, deu-se ali, com a ajuda de voluntários, uma nova política de trabalho e cuidado em diversos níveis, que iam além da saúde do corpo, com desenvolvimento social e psíquico.
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Esta pesquisa teve como objetivo conhecer e analisar a avaliação diagnóstica realizada por Helena Antipoff e seus colaboradores, na identificação das dificuldades escolares dos alunos das classes especiais de Belo Horizonte no período de 1929 a 1973. Esse recorte temporal se justifica pela sua chegada em Belo Horizonte (1929) e a criação do Centro Nacional de Educação Especial CENESP (1973), Órgão Central de Direção Superior, com a finalidade de promover em todo o território nacional, a expansão e melhoria do atendimento aos Excepcionais. Utilizouse pesquisa histórica baseada em fontes documentais primárias e secundárias, preservadas na Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, e no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA), situado na Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dados coletados foram organizados e analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, tendo como referência a obra de Laurence Bardin. Procurou-se trazer para o campo de estudo da psicologia e da educação, especificamente para a educação especial, os questionamentos sobre o diagnóstico como processo de tomada de decisão que busca nas intervenções pedagógicas apropriadas o pleno desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Evidenciou-se que a finalidade classificatória da avaliação era a preconizada à época. No entanto, foram constatados indícios de que Helena Antipoff se mostrava crítica quanto à utilização dos testes psicológicos padronizados como instrumento de avaliação. Cunhou o conceito de inteligência civilizada, a partir de suas experiências com crianças e adolescentes russos, sustentava a ideia de que a inteligência natural era um conceito irreal e confusamente artificial. Quanto à educação das crianças anormais, considerava o diagnóstico como procedimento balizador para a escolha adequada dos métodos e técnicas de ensino, assim como um dispositivo pedagógico para atender às diferenças individuais. Verificou-se que o uso da avaliação diagnóstica na prática de Helena Antipoff mostrou-se eficaz como instrumento de identificação das dificuldades escolares além de favorecer a construção de atividades curriculares individualizadas.
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Esta dissertação visa recompor uma história da Psicologia Soviética, desde o governo Leninista até o final do período Stalinista (1917-1953), tal como, ela se apresentou nos tratamentos dados à Função Psicológica Superior Imaginativa. Para cumprimos nosso objetivo, realizamos esta pesquisa bibliográfica mantendo como visão metodológica e respaldo analítico o materialismo histórico-dialético. Buscamos demonstrar a importância da função imaginativa no desenvolvimento da Psicologia Soviética. Compreendemos que a imaginação é uma função psicológica superior práxica, que se desenvolve pela mediação da atividade social do sujeito na sociedade em que vive. Por ser assim, encontra-se ausente em crianças muito pequenas e não é compartilhada com nenhum animal. A imaginação, assim como qualquer outra função psicológica superior, é primeiro um processo interpsicológico e, no decorrer do desenvolvimento humano, é interiorizada pelos processos de atividades do sujeito na sociedade em que vive tornando-se um processo intrapsicológico. Portanto, tínhamos como hipótese teórica que as condições materiais, tecnológicas e científicas para o desenvolvimento da psicologia na União Soviética, entre 1917 até 1960, permitiram ao mesmo tempo avanços e retrocessos nos estudos da função imaginativa. Também destacamos a relevância da imaginação no avanço técnico, científico e artístico da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (U.R.S.S). Neste sentido, encontramos as contribuições da imaginação presentes no crescimento econômico e superestrutural da União Soviética. Além disso, a função imaginativa, também se fez presente na investigação criadora para a elaboração de uma nova ciência psicológica, que teve como visão de ser humano e do mundo o marxismo. Por conseguinte, destacamos autores que contribuíram para a criação de uma teoria da imaginação entre os períodos Leninista e Stalinista, tais como: Rubinstein, Vigotski, Luria, Liublinskaia e Ignatiev. Todos estes teóricos desenvolveram pesquisas sobre as contribuições da imaginação na construção de uma nova sociedade. Tratando-se do desenvolvimento histórico da psicologia soviética, iniciamos nossa análise a partir da Revolução de Outubro de 1917, que criou novas condições para o desenvolvimento da psicologia soviética. Destacamos a partir de autores como: Petrovski, Smirnov, Lomov, Levitin, Anániev, Borovski, Shuare, Vega, entre outros, os caminhos encontrados pela ciência psicológica soviética desde a Revolução até o fim da década de 1950. Buscamos destacar os períodos de avanços e retrocessos nesta área do conhecimento, em específico, das teorias da imaginação. Explicamos também como as abordagens sobre a Função Psicológica Superior Imaginativa participaram da promoção da criação de condições para o avanço das pesquisas desta ciência. Por fim, apresentamos as conclusões finais desta dissertação, comprovando nossa hipótese dos avanços e retrocessos nas abordagens da imaginação. Apresentamos ainda sua relevância para várias áreas de atuação da ciência psicológica, tais como: História da Psicologia, Psicologia do Desenvolvimento, Avaliação Psicológica, entre outras.
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O estudo ora apresentado tem como objetivo mapear os discursos de intelectuais referentes à internação da infância entre 1900 e 1929, identificar e problematizar os usos de saberes científicos conectados com a Psicologia produzida no período. Partimos da hipótese do uso de saberes psicológicos na construção de conhecimentos que subsidiaram a institucionalização da infância no início do século XX. O período escolhido compreende um momento histórico de consolidação e expansão da política de institucionalização da infância, materializada na construção de espaços específicos de internação para esta população e a promulgação de leis para o trato dessa questão. Para a consecução do objetivo supracitado recorremos à leitura e à análise de fontes primárias, sendo estas o estudo de Franco de Vaz, Infância Abandonada, publicado em 1905 (Vaz, 1905); Um problema gravíssimo: Colônias Correcionais e Tribunais de Menores, publicado em 1916 (Britto, 1916/1959); As leis de menores no Brasil (páginas de crítica e doutrina), do ano de 1929 (Britto, 1929/1959); os relatórios do Ministério da Justiça e Negócios Interiores entre os anos de 1900 e 1928; e fontes secundárias acerca da História da Psicologia e História da Infância. As fontes analisadas apontaram para a construção de um conhecimento que justificava e aprimorava a institucionalização enquanto medida do estado frente à infância considerada problema social. Elementos como a observação e a análise da família do infante internado e a individualização da medida foram entendidos como uma forma de produzir a regeneração. Conhecimentos psicológicos estiveram presentes na organização e sustentação científica destes discursos, servindo para corroborar, defender, aprimorar e consolidar a internação como medida principal do Estado. Por outro lado, a Psicologia também foi utilizada para limitar o uso da internação e legitimar outras medidas, extra-muros. A partir do material em análise, vimos a importância deste contexto de tentativa de resolução do problema da infância enfrentado nas primeiras décadas do século XX no Brasil, na produção da Psicologia enquanto ciência e do conhecimento psicológico, assim como o papel da Psicologia na configuração das medidas propostas e utilizadas pelo Estado no trato da infância.
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Psicologia Social: Itinerários na América Latinareúne 10 textos que tratam da trajetória da Psicologia Social em diferentes países latino-americanos, quais sejam, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México, Paraguai, Peru e Uruguai, além de um texto específico sobre a história da Associação Brasileira de Psicologia Social (Abrapso).É um livro, portanto, que aproxima países com histórias semelhantes, atravessadas por séculos de um processo colonizador exploratório. Por isto é fácil perceber como os itinerários que a Psicologia Social percorreu nestes lugares têm similaridades – embora também tenham diferenças. Assim, encontramos em quase todos estes países a emergência do campo de estudos da Psicologia Social associado a produções intelectuais dos séculos XIX e princípios do XX a respeito do “caráter nacional” de cada país, onde, na maioria das vezes, estava presente a busca de uma justificativa para o “desenvolvimento” inferior (em relação aos países europeus), explicação esta que quase sempre recaiu sobre as características da população.Também encontramos a apropriação de concepções estrangeiras, que ocorreu progressivamente, principalmente no momento de institucionalização universitária da Psicologia Social: quase sempre como uma subdisciplina dentro da Psicologia, em alguns casos como uma disciplina à parte. Ao mostrar estas semelhanças em diferentes histórias locais, o livro se propõe também a propiciar uma aproximação entre pesquisadores, estudiosos e interessados nas questões da América Latina, apontando linhas em comum e visibilizando singularidades históricas.Desta forma, também visando favorecer a compreensão mútua e a integração linguística entre povos tão próximos, o livro apresenta textos em português (3) e em espanhol (6).
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