A sua pesquisa
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A entrada da psicologia científica no Brasil teve a educação escolar como campo privilegiado de aplicação. Nas primeiras décadas do século XX, um conjunto de reformas educacionais, ocorridas em vários estados, inclusive em Minas Gerais, deram margem à constituição de laboratórios de psicologia e de um conjunto de práticas que tinham, como referência teórico-metodológica, uma psicologia que buscava constituirse e fortalecer-se como ciência. O objetivo deste trabalho foi descrever e analisar a recepção e a circulação dos testes de inteligência a partir de sua utilização na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, durante seu período de funcionamento, de 1929 a 1946. Por meio de um estudo historiográfico, pode-se identificar cerca de 30 testes, fossem estes de inteligência ou testes pedagógicos. Osdados analisados são apresentados em quatro estudos complementares, em que buscamos evidenciar o processo de recepção/circulação dos testes de inteligência. Foi possível demonstrar como este foi mais amplo que a simples tradução de testes estrangeiros por professores e estudantes da Escola de Aperfeiçoamento. Nela foram produzidos novos testes, que em maior ou menor grau tomavam instrumentos estrangeiros como referência, mas os adaptavam às necessidades locais, contribuindo com a constituição da psicologia como ciência independente no país. Também foi possível identificar um uso pragmático dos testes no contexto educacional mineiro, uma vez que privilegiou-se a aplicação dos instrumentos no cotidiano escolar em detrimento da teorização sobre o construto inteligência. Esse uso pragmático teve, como consequência, sua utilização como instrumento didático-pedagógico na formação dasalunas-professoras, do que de produção de ciência. Deste forma, concluímos que a Escola de Aperfeiçoamento foi, de fato, um espaço de trabalho de adaptação e desenvolvimento de novos testes de inteligência, que foram utilizados no cotidiano dos grupos escolares da cidade e na formação das alunas-professoras da Escola deAperfeiçoamento.
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O presente trabalho teve como objetivo investigar a história da Psicologia entre as décadas de 1930 e 1960 em São Paulo a partir da construção da trajetória profissional de Gioconda Mussolini. A metodologia consistiu na realização de entrevistas e conversas com participantes que, na época, foram estudantes e docentes no Curso de Psicologia da FFCL/USP, no levantamento e análise de documentos de domínio público colhidos nos centros de memória das instituições das quais Gioconda Mussolini participou. A relação dessa personagem com a Psicologia foi sendo construída desde sua formação e atuação profissional. Gioconda Mussolini foi professora normalista, bacharel em Ciências Sociais e Política na FFCL/USP e mestre em Ciências Sociais pela ELSP. Atuou como professora assistente de Sociologia e Antropologia na FFCL/USP, onde ministrou a disciplina Personalidade e Cultura para alunos do recém criado Curso de Psicologia. Foi membro-fundadora da antiga Sociedade de Psicologia de São Paulo, onde conviveu com personagens marcantes da história da Psicologia como Annita Cabral, Noemy da Silveira Rudolfer, Aniela Ginsberg e Virgínia Bicudo. Gioconda Mussolini teve acesso às mais variadas teorias, temas e bibliografias em Psicologia durante sua formação. Aplicou conceitos psicológicos, como personalidade, em seu trabalho docente e em suas pesquisas e publicações. Em suas publicações observou-se a utilização de conhecimentos provenientes da história, da geografia, da sociologia e da psicologia (sentimentos, motivação, atitudes, valores) para analisar as alterações produzidas no contexto da atividade pesqueira e de suas comunidades. Apesar de Gioconda Mussolini não figurar como um dos grandes nomes da Psicologia e/ou da Antropologia, o conhecimento sobre sua trajetória profissional e de suas produções permite identificar apropriações e interfaces da psicologia com outras ciências, proporcionando outras possibilidades de construção da história desta ciência.
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Este trabalho tem como objetivo compreender a História da Psicologia no Estado deGoiás a partir de sua relação de complementaridade com a Educação, contextualizando a penetração, o apogeu e o declino da Escola Nova no Estado, assim como as concepções, os discursos e as práticas psicológicas, oriundas desse movimento, sinalizando também a sua transição para uma proposta de cunho tecnicista. Para tanto, foi realizado, inicialmente, um estudo histórico-bibliográfico descrevendo e discutindo a Psicologia e a produção historiográfica da mesma no Brasil. Esse estudo possibilitou a compreensão da situação histórica da Psicologia no Brasil, apontando também alguns trabalhos mais recentes que contribuíram para a escrita da história dessa ciência nos diferentes Estados. Num segundo momento, buscou-se descrever e discutir a história da Psicologia em Goiás, alçando relação com educação. Esse momento está dividido em três partes. Na primeira parte foram descritas e analisadas as concepções, os discursos e as práticas psicológicas na Educação, anteriores ao advento da Escola Nova. Na segunda parte, buscou-se descrever e analisar a Psicologia em Goiás desde a inserção do ideário escolanovista até a sua consolidação e declínio. Numa terceira parte, procurou-se apresentar uma descrição e analise sobre o Ensino Tecnicista em Goiás, buscando sua relação com a Psicologia. A pesquisa revelou que as ideias da Escola Nova: 1. estiveram presentes em documentos oficiais desde 1916; 2: começaram a se intensificar a partir dos anos de 1920, sendo possível evidenciar, com mais clareza, sua relação com a Psicologia 3. tiveram sua máxima expressão, o apogeu, na era Vargas/Ludovico (1930-1945), principalmente após 1937, sendo a Revista Oficial de Instrução o mais importante impresso para sua disseminação nessa época, onde foram publicados vários artigos de autores goianos sobre Psicologia e Escola nova; 4. Após a era Vargas/ Ludovico, as ideias escolanovistas começam a perder sua força, o que pode ser evidenciado na diminuição de temas referentes a Escola Nova na segunda fase da Revista Oficial de Instrução, e o aumento de temas relacionados a técnica e aperfeiçoamento técnico. No final de 1950 até 1962, foi possível perceber, na terceira fase deste periódico, um esvaziamento ainda maior das ideias escolanovistas, e uma aumento expressivo de assuntos voltados para: a educação do adulto; os aspectos socioculturais da Educação; a educação dos excepcionais; o ensino da matemática; a preparação técnica dos professores por meio de programas de formação/especialização; a Psicologia dos excepcionais, os testes psicotécnicos como instrumentos para seleção de professores; os métodos de pesquisa em Psicologia.
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Este artigo tem por objetivo apresentar discussões metodológicas acerca da pesquisa em História da Psicologia. Utiliza como eixo norteador da compreensão de história as perspectivas teóricas e metodológicas da Nova História. Esta, em sua crítica à história tradicional, propõe a análise das condições de construção dos fatos. Uma de suas consequências foi a ampliação do campo do documento histórico, com a utilização de outras fontes que não os textos oficiais. Na História da Psicologia, essa ampliação significou a preocupação com o caráter científico das pesquisas históricas e a reflexão sobre os modos de pensar e fazer Psicologia, considerando o contexto e as vozes daqueles que ajudaram a construi-la enquanto conhecimento e prática profissional. No caso do Brasil, diferentes iniciativas e laboratórios têm reafirmado a importância do debate sobre a organização sistemática e análise cuidadosa do material de pesquisa. Aqui são referidos brevemente alguns exemplos de investigação para demonstração deste tipo de proposta.
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This article analyzes the development of the history of psychology in Argentina and Brazil, beginning with the emergence of the history of psychology at the beginning of the 20th century. The paper analyzes that such old historical reconstructions were written by the same authors or institutions that were introducing Psychology in the two countries. That is, the older historical productions in the field of psychology were Whig biased. An analysis of the last 30 years of history of psychology is also provided. The article describes institutional developments, including archives, journals, scientific meetings, and teaching of history of psychology in academic settings. Main groups devoted to history of psychology, both in Argentina and Brazil are described. Finally, it offers some thoughts on the future of history of psychology in the 2 countries. A comparative study between Argentina and Brazil allows to understand strengths and weakness related to institutionalization of History of Psychology. (PsycINFO Database Record (c) 2017 APA, all rights reserved)
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O presente artigo discute a inserção da medicina no ordenamento jurídico no que tange à pessoa que comete delito em estado de loucura no Brasil no período compreendido entre 1890 a 1940. A compreensão dessa inserção se justifica pela premente necessidade de se colocar em debate o atual encaminhamento destinado a essa parcela da população, a fim de lançar luz aos processos históricos que construíram o mesmo. O material analisado aponta a construção de uma identidade da ciência médica enquanto capaz de desvelar o enigma da loucura e do crime e fornecer respostas quando esses dois fenômenos chegam juntos ao tribunal. Assim, supostamente detentora desta capacidade, a medicina alça importante papel no processo jurídico referente ao louco infrator, responsabilizando-se pela determinação da imputabilidade e a cessação de periculosidade, que, salvaguardadas as devidas proporções, nos faz lembrar o "voto de Minerva".
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É possível identificar, na teoria de Carl Rogers, diversas influências que merecem ser revisitadas. É sabido que ele foi um pensador atento ao contexto de ideias que afetaram a cultura acadêmica estadunidense. Tal atenção dialoga com a complexidade de diversas influências sobre sua obra. Este artigo objetiva analisar algumas ideias psicológicas e filosóficas que influenciaram Rogers. Entende-se que exerceram influências diretas no pensamento rogeriano: o Funcionalismo de John Dewey, Leta Hollingworth e Kurt Goldstein; e o Pragmatismo de John Dewey e William Kilpatrick. Segundo uma perspectiva metodológica histórica-crítica, elucida-se como cada perspectiva de influência se desenvolveu nos EUA, nas universidades de Chicago e de Columbia. Em seguida, identificam-se os aportes contatados e elaborados por Rogers de cada expoente mencionado. Constata-se que essas apropriações, embora pontuais, foram importantes para a circulação de Rogers no contexto acadêmico estadunidense. Contudo, incorre equívoco afigurar Rogers, exclusivamente, como um psicólogo funcionalista ou pragmatista, dado que ele não deu continuidade a essas perspectivas. O estudo, finalmente, destaca a necessidade de aprofundar investigações sobre outras bases históricas de influência na teoria rogeriana.
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