A sua pesquisa
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Esta tese tem como objetivo fornecer subsídios para a construção e instalação da Psicologia Econômica no Brasil, partindo-se da hipótese de que o conhecimento deste campo possa despertar o in teresse por ele e facilitar a constituição de uma rede de pesquisadores com colaboração interdisciplinar. Desenvolvida a partir de uma perspectiva histórica, adota o método analítico-descritivo. A apresentação da área, situada na interface Psicologia-Economia, tem início com uma visão panorâmica da situação atual nos países em que se encontra constituída. A seguir, percorre-se suas origens e principais modelos, elaborados por autores contemporâneos, a partir de obras que se destacam dentro dela. A perspectiva histórica, definições da disciplina e três conceitos básicos racionalidade, comportamento econômico e tomada de decisões estão presentes em todo o trabalho. Os dois últimos capítulos oferecem propostas: a primeira é um modelo que se pretende que contribua para a investigação das decisões econômicas, fundamentado em teorias e observações psicanalíticas, com foco sobre a polaridade ilusão e pensar, que repousa na concepção do mundo emocional que sobrepõe-se à razão; a segunda proposta discute possíveis modos de inserção da Psicologia Econômica no Brasil, com ênfase sobre a importância de proporcionar-se condições para informar a população acerca de seu comportamento econômico e maneiras como decisões são tomadas neste âmbito, que contemplaria tanto dados sobre a Economia, como conhecimentos sobre nosso funcionamento psíquico, com o objetivo de favorecer a apropriação, por parte de todos os segmentos, das escolhas que fazem. Ainda dentro esta perspectiva, sugere-se que a reunião destes dados possa expandir as premissas que sustentam inúmeras políticas econômicas, de modo a torná-las mais condizentes com nossa realidade externa e psíquica
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Pensar os elementos que compõem uma Psicologia Decolonial perpassa pela compreensão dos engendramentos políticos, sociais, culturais, epistemológicos, práticos e éticos da Psicologia enquanto Ciência e Profissão. Engendramentos ruidosos, escancarados de tão explícitos, enquanto projeto de silenciamento dos modos de ser, pensar, sentir, agir e viver. Nesta pesquisa, se busca compreender como o Pensamento Decolonial pode contribuir para uma formação decolonizadora na Psicologia. Para responder a esse questionamento, foi definido como objetivo geral analisar as contribuições do Pensamento Decolonial à Psicologia para uma formação decolonizadora. Três objetivos específicos foram elencados para orientação da pesquisa: a) identificar as origens epistemológicas que estruturam a formação em Psicologia no Brasil; b) traçar os percursos do Pensamento Decolonial e suas aproximações com uma Psicologia ética, crítica e política; c) propor elementos decolonizadores à formação acadêmica, por meio de uma Psicologia Decolonial. Em termos metodológicos, a pesquisa assume o caráter qualitativo das pesquisas bibliográficas. As análises consideram as contribuições da perspectiva decolonial e, por este motivo, compreendem a necessidade de atentar para o caráter intercultural, interdisciplinar e dialógico entre os saberes hegemônicos e os subalternizados. Recorre-se à “Análise de Discurso Crítica” (ADC), um método de análise em pesquisas qualitativas, no qual não há uma única perspectiva discursiva, mas uma heterogeneidade de elementos em diálogo permanente. São discutidas nessa pesquisa, as origens epistemológicas da Psicologia no Brasil, com a importação de saberes e discursos hegemônicos oriundos da Europa e Estados Unidos, por uma certa elite social, com vista a construir uma sociedade modelo e padrão. As discussões acerca do percurso histórico da Psicologia enquanto ciência autônoma, com forte influência do positivismo e a regulamentação da profissão, ganham espaço à medida que se problematiza os fundamentos que alicerçam sua práxis. Os principais conceitos do Pensamento Decolonial, protagonizam um diálogo Norte-Sul e Sul-Sul, com perspectiva libertadora da hegemônica construção dos conhecimentos. As análises das publicações em diálogo com a perspectiva decolonial e a Psicologia, seu compromisso ético, crítico e político, apresentam proposições possíveis à formação profissional da psicóloga e do psicólogo. Nesse sentido, um fazer consequente, consciente e potente de uma prática implicada na transformação e não apenas na teorização vazia e distante das realidades locais.
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Na educação básica, o ensino da cultura e da história dos povos indígenas no Brasil se tornou obrigatório a partir da Lei n. 11.645/2008. Nesta tese, o objetivo é evidenciar os movimentos de resistência dos povos indígenas e propor contribuições para a efetividade dessa Lei, tendo em vista o processo histórico de invisibilidade e de negação desses povos na história e na sociedade brasileira. Os diálogos com lideranças indígenas, as imagens da cosmologia e da mitologia dos povos Guarani foram sendo integrados a uma experiência formativa de professores na escola. A experiência formativa de professores na escola foi inspirada nos princípios da pesquisa participante, e possibilitou interações, aprendizagens e reflexões sobre a importância da história e da cultura dos povos indígenas para o currículo escolar. As aprendizagens e as reflexões contribuíram para produzir novas percepções em relação aos povos indígenas e, também para tensionar as políticas públicas educacionais. A experiência formativa de professores foi realizada em duas escolas de educação básica, nas cidades de Santa Cruz do Sul e Estrela Velha, localizadas na região central do estado do Rio Grande do Sul. Os aportes da psicologia junguiana, dos simbolismos das imagens alquímicas e as dificuldades para participarem das atividades de formação de professores levaram a teorizar sobre a proposta de um Convite, como um processo para produzir aprendizagens e compromissos; a imagem do Convite transaciona com a abertura ao outro e contribui para os processos de autoconhecimento. É possível evidenciar, na história dos povos indígenas, desde os processos de colonização, a ansiedade cultural que se formou e as imagens coloniais que se atualizam e vão contribuindo para produzir os complexos culturais, os quais, em suas vertentes históricas e psicológicas, vão nos dissociando de nossas raízes ameríndias e desvalorizando essas origens. Ainda, na perspectiva psicológica das polaridades indígena e não indígena, em dimensões de imagens conscientes e inconscientes, e de um processo de tensões e enfrentamentos, o simbolismo alquímico nos estimula a conceber as experiências formativas como aproximações à percepção de unus mundus, como um único mundo que nos acolhe e no qual todos vivemos diferentes experiências. São vivências e simbolismos para aprofundar os diálogos e produzir novos sentidos em relação ao outro e a nós mesmos.
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Este trabalho tem como objetivo conhecer e discutir a contribuição teórica de quatro intelectuais negras brasileiras para a construção de uma Psicologia Brasileira antirracista. Desenvolvo uma reflexão crítica para demarcar a existência e a possibilidade da produção de uma Psicologia Antirracista a partir das intelectuais Virgínia Leone Bicudo, Neusa Santos Souza, Isildinha Baptista Nogueira e Maria Aparecida Silva Bento. Acredito que recuperar as ideias destas intelectuais negras implica descobrir, reinterpretar e ressignificar a história da Psicologia brasileira, bem como refletir sobre as contribuições teóricas destas autoras e sobre o modo como foi construída uma política de circulação de determinados conhecimentos em detrimento de outros conhecimentos, política esta que passa a operar em direção do projeto de epistemicídio. Do mesmo modo, discuto sobre a importância de entendermos o quanto a colonialidade do poder se estrutura como uma matriz de inteligibilidade social, cultural e epistemológica, onde se consolidou no desenvolvimento das Ciências Humanas e, sobretudo, na Psicologia. Além disso, articulo, com reflexões e análises sobre os atravessamentos que as obras destas intelectuais negras brasileiras produziram em mim, por meio das escrevivências das minhas experiências enquanto psicólogo, professor e corpo negro. Desta maneira, relaciono as minhas reflexões, bem como as minhas vivências com a produção teórica das autoras, para se pensar sobre a emergência da construção de uma Psicologia Brasileira Antirracista, rompendo com a produção de um saber e de uma Psicologia que corrobore olhares dicotômicos, americo-eurocêntricos, haja vista que romper com as matrizes colonialistas e lógicas maniqueístas é poder fazer, existir e sonhar dentro deste sistema que nos sucumbe a todo o momento. Por fim, através do escreviver, me coloco como sujeito autor testemunhando uma Psicologia no qual o étnico-racial não seja apenas um elemento pontual e subalterno, mas que se faz presente no hoje, no amanhã e no sempre. Com isto, fazendo uso da produção intelectual destas quatros mulheres negras, a voz que se ergue está carregada de denúncia, de política, de raiva, de ódio, mas, também, de amor, afeto, desejo e esperança. É uma narrativa que cria. Que almeja a invenção e de produções de utopias possíveis.
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Este estudo procura problematizar, na história da psicologia, suas aplicações ao trabalho focalizando duas dimensões analíticas, inter-relacionadas, informadas por seus movimentos no Brasil, no período 1920-65. A dimensão epistemológica refere-se a história dos conceitos e teorias psicológicas, em suas raízes e trajetórias, no processo de configuração da especialidade "Psicologia do Trabalho", considerando suas peculiaridades brasileiras. Busca desvendar e interpretar as intenções e interesses ínsitos em suas proposições e paradigmas, vinculada a demandas concretas, expressas em contextos específicos na história das ciências. Caracteriza os delineamentos do seu objeto, dinâmico e transitório, em cada fase de sua história (relação do indivíduo processo com suas tarefas laborais; formas de inserção no produtivo; relação com o sistema organizacional ... ). A pesquisa histórica reconstrói sua trajetória, percorrendo as várias fases identificadas na literatura especifica, produzida e/ou publicada no Brasil, culminando no processo de reconhecimento e regulamentação da profissão de psicólogo. A dimensão prática procura articular teorias, procedimentos e aplicações concretas, chamando a atenção para seu processo de instrumentação e para seus efeitos políticos, ideológicos e econômicos, inscritos na história da industrialização brasileira. Situa tal articulação no cenário das relações de trabalho, mecanismos reguladores adotados pelo Estado, tendo como escopo sua legitimação e a acumulação capitalista. Discute projetos e programas implantados, no campo do ensino profissionalizante, da seleção e orientação profissional e treinamento
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Esta dissertação investigou as possibilidades educativas do Estudo Dirigido no ensino de História como atividade de mediação, como recurso técnico-político para a construção de conceitos científicos a partir da apropriação do conhecimento histórico. A investigação contou com a aplicação e acompanhamento de uma sequência didática aplicada para o ensino médio em uma escola pública do município de Contagem - MG, com duração de um mês durante o ano de 2022. A utilização de atividade prática de mediação intelectualizada apontou para o fortalecimento de um processo de instrução robusto em termos pedagógico e didático – na perspectiva da Pedagogia Histórico-Crítica. Este trabalho atua com categorias da lógica dialética, movimento, desenvolvimento e contradição, a partir da atividade de instrução escolar com a perspectiva da ensinar conceitos científicos no campo da História. A Psicologia Histórico-Cultural foi utilizada para o desenvolvimento da análise das ações subordinadas do estudo dirigido visando compreender o processo de produção de sentidos e o desenvolvimento dos conceitos científicos. Os resultados da pesquisa indicaram que os conceitos científicos foram apropriados pelos estudantes, sendo a atividade um elemento de mediação determinante para o desenvolvimento da ação de verbalização intelectualizada de conceitos científicos históricos. As análises mostraram também que a partir do desenvolvimento de interações dos fatos históricos com categorias do quadro conceitual, elevaram o número de relações de codeterminação entre conceitos científicos e por isso contribuiu com a apropriação do conhecimento histórico. Na mesma medida, a atividade contou com intenso trabalho não material de planejamento e de problematização do professor, bem como a consolidação da realização pelos estudantes de textos dissertativos-argumentativos evidenciando sentidos históricos científicos corretos sobre a temática estudada.
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O presente trabalho tem como objetivo investigar através de uma pesquisa histórica voltada para a Revista de Educação do Estado de Goiás, quais eram as concepções de infância existentes em Goiás na época de circulação da revista e entender se há relações entre o conhecimento psicológico e o processo de elaboração dessas concepções. Tal recorte se deu em função de a revista ter funcionado como um importante veículo de comunicação do Estado, no que diz respeito aos assuntos vinculados à educação, psicologia e infância, tendo circulado no período entre 1937 a 1962, passando por distintas nomenclaturas e fases. Sua existência foi concomitante ao momento de modernização do território goiano que trouxe como consequência maior enfoque na infância e no desenvolvimento de perspectivas diferentes sobre ela, como parte deste processo transformativo, principalmente por meio do movimento escolanovista. Este estudo se viabilizou através de uma análise documental e revisão bibliográfica pautada em livros, artigos científicos, legislações, dissertações, teses e demais publicações nas quais foram investigadas as concepções de infância como construções históricas, tanto em contexto global, quanto no Brasil e, sobretudo, em Goiás. Parte-se do entendimento de que a psicologia mantém uma relação estreita com a educação e a infância desde seu surgimento como ciência no Brasil e em Goiás, o que contrasta com a existência de uma quantidade reduzida de pesquisas acadêmicas envolvendo história e psicologia em contexto regional, analisando a partir de que momento a psicologia colabora com as reflexões acerca da infância goiana. A pesquisa permitiu encontrar uma visão da criança acompanhada da carga moralizadora, associada a uma história da infância e da educação infantil tradicionalmente marcada por propostas que visam acompanhar e favorecer o desenvolvimento natural da criança, isolando-a como elemento único da relação pedagógica e deslocando suas raízes históricas, culturais e sociais.
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A presente pesquisa se insere entre os estudos da história da Psicologia no Brasil, especialmente, sobre estado de Mato Grosso. Seu objetivo foi compreender o processo pelo qual o primeiro curso de psicologia de Cuiabá foi fundado, considerando as especificidades do momento histórico e desenvolvimento social do território no qual se constituiu. Fundamenta-se no método materialista histórico-dialético e em suas premissas, especialmente na apreensão da história como produto do trabalho coletivo dos humanos de transformação da natureza; e que a sociedade na qual essa atividade se realiza produz formas particulares de existência. Para tanto, foram escolhidos a coleta e análise documental como procedimentos para a realização do estudo. A coleta de documentos foi iniciada por meio do cadastro e-MEC de Instituições e Cursos de Ensino Superior, aliada à investigação dos relatórios gerados pelo IBGE e documentos (pareceres, resoluções e decretos) recolhidos por meio do portal de acesso a informações do MEC. Para a análise dos dados foi empregada a técnica de análise de conteúdo. Os resultados indicaram que o processo para a fundação de cursos de psicologia nas décadas de 1980 e 1990 não foi apenas produto da vontade de alguns, ou um evento sem correlação com a dinâmica da ação humana. Compreendeu-se que a autorização para o funcionamento dos cursos de psicologia nessas décadas destacadas levou em consideração questões como: necessidade social, capacidade econômico-financeira da instituição e situação geoeducacional. Portanto, os dados revelaram que os cursos de psicologia, em especial o da UNIC, atenderam às necessidades sociais produzidas em um campo social e em determinado meio de produção, em um dado momento histórico. Tais elementos produziram as especificidades das relações estabelecidas, gerando as formas pelas quais o curso de psicologia em questão foi introduzido na sociedade cuiabana
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O cuidado psicológico à população LGBTI+ na atualidade é fruto de processos históricos de patologização e negligência no campo da medicina e da psicologia, somados a uma cultura ocidental homofóbica. Segundo a literatura, tais processos continuam exercendo influência em como a assistência psicológica é formulada e operacionalizada. Desse modo, o objetivo desta investigação é analisar como se dá a capacitação destes profissionais e identificar as recomendações para uma atuação profissional adequada. Para tal, foram realizados dois estudos, o primeiro se tratando de um estudo documental que analisa de que forma o cuidado psicológico com a população LGBTI+ é descrito e proposto por associações profissionais ao redor do mundo e o segundo, uma revisão integrativa de literatura que explora como tem se dado a capacitação dos psicólogos para atuar com essa população. O primeiro estudo demonstrou uma ênfase na conscientização do profissional sobre as contribuições históricas da Psicologia; a necessidade de autoavaliação do mesmo; a importância do desenvolvimento de uma postura profissional afirmativa e do envolvimento com a promoção de mudanças sociais e políticas. O segundo estudo explorou atitudes e competências profissionais no manejo com a população LGBTI+, avaliação de programas de treinamento específicos para o trabalho com esse grupo e a percepção dos clientes em relação às competências dos profissionais. Os trabalhos se complementam ao proporcionar um entendimento, sob perspectivas distintas, de como qualificar o cuidado psicológico à população LGBTI+.
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Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) é classificado pela historiografia literária como um escritor pré-modernista pela sua atualidade no uso de uma linguagem inovadora, anti-academicista, e pelos seus esforços em ratificar os efeitos das situações políticas, econômicas e sociais das duas décadas do século XX. Diferente da posição cientificista adotada pelos literatos do fim do século XIX, o autor não se absteve da sua própria condição humana, construindo um verdadeiro painel da sua existência. Ao matizar sua trajetória pessoal com a construção romanesca, Lima Barreto criou uma literatura completa e autêntica que fornece aos estudiosos, um campo vasto de onde procedem diversificadas linhas de pesquisa, como a sociológica, a histórica, a psicológica, a autobiográfica e a lingüística, entre outras. Diante desse complecxo quadro temático, a crítica sobre a obra do autor se viu dividida em duas correntes analíticas antagônicas: aqueles que julgavam a obra barretiana menor por ser pessoal demais e os que a enalteciam pelo seu aspecto autobiográfico. Em nosso trabalho, os esforços foram direcionados para que não tomássemos partido de nenhuma posição em particular, pelo contrário, tentamos criar um campo neutro que unisse tanto a abordagem sócio-histórica como os aspectos autobiográficos; assim, proporcionando uma leitura imparcial das perspectivas da obra de Lima Barreto.
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A dissertação apresenta a produção do conhecimento histórico sobre concepções de Educação Profissional para os menores desamparados que fundamentaram os discursos políticos de Helena Antipoff, no período de 1930 a 1935. A escolha temporal reflete o período que Helena Antipoff protagonizou a criação de várias instituições educacionais e mobilizou recursos por meio de palestras, conferências, artigos, seminários e relatórios. Os escritos publicados para esse fim definem o corpus de análise para a compreensão da problemática de pesquisa. A fundamentação teórico-metodológica deste trabalho é a Análise do Discurso Político de linha franco-brasileira, destacando as ferramentas conceituais de Foucault, Charaudeau e Berstein. Primeiramente, apresentamos a constituição da identidade de Helena Antipoff como sujeito político tendo como base os critérios de validação propostos por Charaudeau de legitimidade, credibilidade e autoridade. Em seguida, com base nos estudos teóricos e análises empreendidos, procurou-se conhecer, partindo da materialidade linguística presente no corpus selecionado, as concepções e os efeitos de sentido de Educação Profissional para os menores desamparados nos discursos políticos de Helena Antipoff. Nosso estudo, identificou a presença de formações discursivas higienistas, liberais, escolanovistas e republicanas na caracterização dos sujeitos menores desamparados e no projeto de Educação Profissional pensado para atender esses sujeitos. Ressaltamos que o projeto de Educação Profissional pensado por Helena Antipoff foi considerado no âmbito da pesquisa como importante vetor na identificação das culturas políticas que marcaram o período histórico estudado. Os discursos analisados apontam a aproximação da cultura política republicana em contraposição à cultura política varguista. Lembrando que o recorte histórico corresponde a um período de transição no cenário político brasileiro com o fim da República Velha e início da Era Vargas.
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O presente trabalho se insere na História das Ciências da Saúde, em particular das chamadas ciências PSI (psicologia, psiquiatria e psicanálise). Em uma tentativa de compreender a invisibilidade das mulheres na historiografia da ciência, o objetivo desta pesquisa será analisar a vida e obra de Sabina Spielrein, do período de 1911 a 1942, ou seja, ano de sua formatura em medicina ao seu falecimento. A formatura de Sabina, neste caso, nos interessa, pois este marcou o início da cura do sintoma, que desenrolou de uma cura do sintoma para o engajamento intelectual e clínico com a psicanálise, com a psiquiatria e com a psicologia. Sabina, no primeiro momento, paciente diagnosticada com histeria, internada no ano de 1904, no Hospital Burghölzli, na Suíça, tornou-se no ano de 1911 médica e desde então passou a atuar como psiquiatra, psicanalista e depois como psicóloga infantil. Russa, judia, mulher em um ambiente predominantemente masculino, Sabina foi por vezes excluída e deixada às margens por alguns de seus pares. No entanto, o seu trabalho influenciou autores de grande representatividade como Sigmund Freud (1856-1939), Carl Gustav Jung (1875-1961), Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934). A análise da história das mulheres na psicanálise é extremamente interessante, pois esta resgata não apenas como as mulheres são retratadas na maioria das vezes pelo discurso tradicional da história das ciências; esta por sua vez narrada a partir um viés androcêntrico, mas em uma narrativa onde as mulheres aparecem como produtoras de um saber, neste caso, o saber psicanalítico. O palco deste trabalho será Viena, local onde a psicanálise foi criada pelo médico austríaco Sigmund Freud, ainda no ano de 1902, mas também nos locais onde Sabina Spielrein atuou.
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Na historiografia da psicologia, considera-se normalmente que o behaviorismo, enquanto escola psicológica teve seu marco oficial com o artigo de John B. Watson “A psicologia como o behaviorista a vê”, publicado em 1913 na revista Psychological Review. Em 2013, completaram-se 100 anos desde sua publicação. Tal artigo, chamado algumas vezes de “Manifesto Behaviorista”, é amplamente reconhecido pelos manuais de história e introdução a psicologia como um importante veículo de ideias que teriam mudado de maneira rápida e substancial o cenário da psicologia acadêmica, especialmente nos Estados Unidos da América. Contudo, a obra original de Watson e seu respectivo impacto ainda não foram investigadas de maneira ampla e sistemática. Parte da literatura histórica sugere que a proposta de Watson sobre dispensar o uso do método introspectivo e o estudo da consciência não foi aceita de maneira ampla e imediata, deparando-se com críticas e oposições. Além disso, a originalidade de sua proposta foi questionada, sugerindo-se que aquelas ideias já estavam presentes no contexto científico da época, ainda que não amplamente difundidas. O presente trabalho teve o objetivo de analisar bibliometricamente qual foi o impacto do artigo de 1913 em dois dos principais periódicos daquela época, Psychological Review e Journal of Philosophy Psychology & Scientific Methods, durante o período de 1903 a 1923. Palavras-chave relacionadas ao behaviorismo e estruturalismo foram contabilizadas, assim como as citações a Watson e a sua obra. Os dados foram analisados considerando-se o período anterior e posterior à publicação do Manifesto. A frequência do termo ‘behavior’ nos artigos aumentou 50% após 1913, ‘consciousness’ diminuiu 23%. Outros termos também foram mais citados após 1913, como ‘introspect’ (10%), ‘mind’ (4%), ‘control’ (20%), ‘habit’ (17%), ‘instinct’ (6%) e ‘prediction’ (5%). Esses dados mostraram que o termo ‘behavior’ e outros relacionados com uma psicologia objetiva apareceram com mais frequência a partir da publicação do Manifesto e que os termos relacionados ao estruturalismo também se mantiveram frequentes. Dados adicionais mostraram que outras obras de Watson, especificamente os livros publicados em 1914 (Behavior: An introduction) e 1919 (Standpoint), foram citadas mais frequentemente que o Manifesto, sugerindo que essas obras também foram importantes condutores do behaviorismo watsoniano.
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Esta pesquisa tem como objetivo investigar Os Encontros de Psicólogos da Área de Educação, um conjunto de três eventos realizados no início da década de 1980 no Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo sob a organização do Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo (SPESP) e do Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (CRP-06). A investigação teve como base histórico-filosófica o materialismo histórico-dialético, servindo-se de pesquisa bibliográfica e, sobretudo, pesquisa documental, cujos procedimentos foram orientados pelos princípios metodológicos da micro-história italiana. Esses eventos são expressão da organização política dos psicólogos no final da década de 1970 que ao tomarem as entidades da categoria no início de 1980 propõem um projeto ético-político da Psicologia com base em uma leitura crítica da profissão, compreendida como socialmente comprometida com as classes populares. É a partir desse movimento que surge uma Comissão de Educação, responsável pela discussão da psicologia na área de educação que tem como iniciativa organizar os psicólogos, por meio dos Encontros que, por sua vez, viabilizaram um projeto de psicologia escolar e educacional. Esses eventos representam um importante momento de organização política e discussões críticas, assim como uma síntese histórica das experiências em psicologia da educação, nos quais sobressai o protagonismo de Sérgio Antonio da Silva Leite e Yvonne Alvarenga Gonçalves Khouri. Concluímos que os Encontros são produtos do projeto ético-político da Psicologia, assim como são produtores de um projeto de psicologia escolar e educacional, tornando-se um fato histórico importante da historiografia da psicologia em São Paulo
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Os profissionais praticantes da Psicologia então adjetivada Industrial, eram destinados a um conjunto de práticas para atração, identificação e análise dos comportamentos humanos que as definem como processos de Recrutamento & Seleção (R&S) de trabalhadores. Posteriormente, pesquisas mostraram a expansão da atuação na área para além das indústrias, contemplando empresas de setores diversos. A expansão agregou outras práticas como planejamento e acompanhamento de processos para promoção de saúde e segurança do trabalhador. As pesquisas da história da Psicologia no âmbito das empresas no Brasil mostram que esta diversidade de práticas foi, com o tempo, ganhando impulso e credibilidade sendo denominada Psicologia organizacional e do trabalho (POT). No estado do Espírito Santo (ES), o processo de industrialização ocorrido na década de 1960 inaugurou um amplo mercado de trabalho para estes profissionais nas décadas subsequentes, possibilitando criação, incorporação e consolidação de práticas culturais em uma história que até então não tinha sido contada. Esta tese conta uma parte dessa história e se circunscreve concomitantemente na área de atuação denominada POT, na história da Psicologia e na análise comportamental da cultura. O objetivo geral foi identificar, descrever e compreender as práticas culturais da área, seus agentes e como tais práticas foram aplicadas em algumas organizações do ES no período compreendido entre 1980 e 2010. Ela está dividida em três estudos, seus objetivos específicos, que têm como objetos: 1. Práticas culturais no estabelecimento da POT em empresas no Espírito Santo; 2. Práticas culturais de psicólogos empresários prestadores de serviço a empresas do Espírito Santo; 3. Práticas culturais da POT: Percepções dos trabalhadores de empresas do Espírito Santo. Foram participantes 38 psicólogos e 196 trabalhadores. Os dados foram fornecidos pelos participantes por meio das entrevistas semiestruturadas e questionários. Os dados qualitativos foram submetidos ao IRAMUTEQ gerando classes de relatos verbais que foram analisadas por fragmentos das narrativas e esquemas de contingências e metacontingências. Dados quantitativos foram submetidos a análise estatística descritiva e inferencial com o auxílio do software SPSS. O Estudo 1 gerou uma parte da história que agregará valor à Psicologia no Espírito Santo. As primeiras praticantes da POT adaptaram e sistematizaram manuais e políticas para (R&S), Treinamento & Desenvolvimento (T&D) e outros. Destacou-se também por meio das narrativas a importância de entender o quanto o ser humano está entrelaçado a outras vozes e, sobretudo, propor projetos a partir da estratégia das empresas, visando a integridade e o desenvolvimento do trabalhador. O Estudo 2 indicou que empresas prestadoras de serviços da POT podem ser rentáveis, mesmo ofertando apenas os produtos: R&S e T&D. Os dados indicaram a necessidade de investimento em formação sobre compreensão do mercado, visão de negócios e postura proativa no que tange a gestão empresarial. Por fim, o Estudo 3 trouxe a percepção dos trabalhadores de funções e setores diversos sobre as práticas inerentes aos subsistemas R & S e T&D. Os trabalhadores evidenciaram a importância de os praticantes da POT aperfeiçoarem suas práticas em R&S, no que concerne a fatores como, por exemplo, acolhimento e condução nos processos de seleção. Tais fatores, se bem trabalhados, possibilitam o entendimento do quanto são essenciais na consecução de tais práticas culturais. Embora os trabalhadores tenham considerado o T&D importante, relataram que a proposta, relevância e como impacta nos resultados não é clara. Nesse sentido, entende-se que os profissionais da POT podem, além de viabilizar o treinamento, declarar objetivamente a intenção e aplicação do saber convertidos em resultados.
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Desde sua criação, os testes psicológicos têm sido usados em diferentes contextos, subsidiando decisões que afetam a vida de muitas pessoas. Seu uso adequado tem, como condição fundamental, o conhecimento de seus pressupostos teóricos e de suas limitações. O objetivo deste trabalho é explicitar tais pressupostos e demonstrar que o rótulo genérico testes psicológicos é inadequado para abrigar a diversidade de instrumentos do exame psicológico existentes. Com base em Pierre Bourdieu, considera-se o conhecimento científico como uma atividade social, sendo a conformação de um campo científico decorrente da configuração das forças que o compõem e de seus respectivos pesos em um dado momento histórico. Procura-se recuperar a trajetória de Alfred Binet e de Francis Galton, dois dos principais atores do campo do exame psicológico, abordando o contexto pessoal, social e histórico em que desenvolveram suas obras, e a influência de suas ideias na conformação posterior do campo. A partir disso, procura-se diferenciar técnicas projetivas e testes psicométricos, discutir as implicações de considerá-los sob o mesmo rótulo na conformação do campo do exame psicológico no Brasil de hoje e apontar aspectos importantes da formação do psicólogo para o uso adequado desses instrumentos
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O objetivo desse estudo foi investigar o compromisso social dos psicólogos brasileiros evidenciado nas publicações da revista Psicologia: Ciência e Profissão, uma publicação do Conselho Federal de Psicologia. Buscou-se verificar quais as direções que assume o compromisso social dos psicólogos brasileiros, uma vez que consideramos que esse compromisso social não é único, mas ocorre num processo complexo de ambigüidades e contradições. Tratou-se de uma pesquisa documental cuja análise foi empreendida via articulação do conceito de compromisso social com aspectos da história da Psicologia. Foram lidos todos os artigos (429) para seleção daqueles que discutiam a prática profissional do psicólogo (120) e finalmente desses foram selecionados aleatoriamente 26 textos para a realização da análise, que foi feita com a técnica de análise de conteúdo. Concluímos que o compromisso social do psicólogo brasileiro caracteriza-se pelo movimento de discordância e contradição, convivendo simultaneamente, no interior de um mesmo trabalho, teorias ou práticas psi direcionadas ao mesmo tempo para a transformação da sociedade em direção a uma ética universal voltada para emancipação e para a manutenção da ideologia dominante reprodutora da dialética exclusão/inclusão social. Foi possível também constatar que houve uma mudança na concepção que os psicólogos fazem dos sujeitos e, conseqüentemente, dos fenômenos psicológicos nas últimas décadas: estes passaram a ser entendidos como constituídos de modo concreto, histórico e social, considerando-se a mútua relação sujeito/sociedade. Porém, se esta mudança não gerar novos referenciais teóricos e novas perspectivas de intervenção, pode servir para escamotear diferenças significativas que caracterizam a diversidade da psicologia e que a aproximam ou distanciam do modo de organização social vigente.
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Ano de publicação
- Entre 1900 e 1999 (50)
-
Entre 2000 e 2026
(443)
- Entre 2000 e 2009 (131)
- Entre 2010 e 2019 (211)
- Entre 2020 e 2026 (101)