A sua pesquisa

  • Este trabalho tem como objetivo conhecer e discutir a contribuição teórica de quatro intelectuais negras brasileiras para a construção de uma Psicologia Brasileira antirracista. Desenvolvo uma reflexão crítica para demarcar a existência e a possibilidade da produção de uma Psicologia Antirracista a partir das intelectuais Virgínia Leone Bicudo, Neusa Santos Souza, Isildinha Baptista Nogueira e Maria Aparecida Silva Bento. Acredito que recuperar as ideias destas intelectuais negras implica descobrir, reinterpretar e ressignificar a história da Psicologia brasileira, bem como refletir sobre as contribuições teóricas destas autoras e sobre o modo como foi construída uma política de circulação de determinados conhecimentos em detrimento de outros conhecimentos, política esta que passa a operar em direção do projeto de epistemicídio. Do mesmo modo, discuto sobre a importância de entendermos o quanto a colonialidade do poder se estrutura como uma matriz de inteligibilidade social, cultural e epistemológica, onde se consolidou no desenvolvimento das Ciências Humanas e, sobretudo, na Psicologia. Além disso, articulo, com reflexões e análises sobre os atravessamentos que as obras destas intelectuais negras brasileiras produziram em mim, por meio das escrevivências das minhas experiências enquanto psicólogo, professor e corpo negro. Desta maneira, relaciono as minhas reflexões, bem como as minhas vivências com a produção teórica das autoras, para se pensar sobre a emergência da construção de uma Psicologia Brasileira Antirracista, rompendo com a produção de um saber e de uma Psicologia que corrobore olhares dicotômicos, americo-eurocêntricos, haja vista que romper com as matrizes colonialistas e lógicas maniqueístas é poder fazer, existir e sonhar dentro deste sistema que nos sucumbe a todo o momento. Por fim, através do escreviver, me coloco como sujeito autor testemunhando uma Psicologia no qual o étnico-racial não seja apenas um elemento pontual e subalterno, mas que se faz presente no hoje, no amanhã e no sempre. Com isto, fazendo uso da produção intelectual destas quatros mulheres negras, a voz que se ergue está carregada de denúncia, de política, de raiva, de ódio, mas, também, de amor, afeto, desejo e esperança. É uma narrativa que cria. Que almeja a invenção e de produções de utopias possíveis.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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