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Resultados 63 recursos
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Nosso objetivo geral é apreender como a experiência de contar histórias pode ser enraizadora. Examinamos as vivências do “Grupo de Contadores de Estórias Miguilim” de Cordisburgo-MG, que contam histórias do escritor João Guimarães Rosa. A partir da fenomenologia, apresentamos entrevistas ordenadas em três eixos de análise: quais relações que os contadores fazem entre as histórias contadas e suas vidas; como a singularidade aparece em sua experiência e a ressonância da presença do ouvinte na prática do contador. Os resultados revelam que no contexto de Cordisburgo a arte de contar histórias representa uma experiência enraizadora por levar em consideração as características da cultura de seu povo ao mesmo tempo em que proporciona abertura para a troca com outras culturas. Concluímos que esta arte possui características de manutenção de ancestralidade, preocupação com as gerações futuras e com a singularidade, que permitem a inserção da pessoa em sua comunidade e na história humana.
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O presente artigo apresenta uma comparação entre a elaboração da essencialista Stein e do existencialista Buber apontando especificidades mas também elementos fortemente convergentes, embora traçados por caminhos independentes, a respeito do constituir-se pessoa. Stein identifica a formação propriamente humana e discute o problema de seu princípio formativo na própria pessoa e de sua relação com ambiente cultural. Buber identifica um itinerário de crescimento no sentido de a pessoa atingir a autenticidade e o destino humano. Para Stein, o mundo espiritual que plasma toda a realidade criada se enriquece por meio de sujeitos que contribuem coerentemente com sua própria estrutura pessoal. Para Buber, essa mesma contribuição autêntica, se dirigida ao absoluto a partir de cada condição limitada e circunscrita, possibilita a realização da pessoa de modo que a história cósmica dá mais um passo em relação ao seu sentido de ser.
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Analisando fenomenologicamente relatos de história de vida de velhos negros, moradores de Ouro Preto, São João del Rei e Serro, em Minas Gerais, Brasil, investigamos o significado atribuído a irmandades de negros por filiados de longa data e suas conseqüências para a elaboração de identidade. Constatamos que a irmandade, para um típico filiado, consiste em via singular para aquisição de prestígio social, relacionamento criativo/ativo com o sagrado e elaboração de identidade; decidindo pelo convívio com a Irmandade – que os acolhe em vida, e lhes indica criativa maneira de lidar com a morte – lida com a realidade como campo de ação para a busca de consolidação de identidade pessoal e coletiva.
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Por ocasião de uma exposição fotográfica realizada na comunidade rural de Morro Vermelho (Caeté-MG / Brasil), retratando momentos das festas mais tradicionais e do cotidiano de seus moradores, coletamos depoimentos sobre as impressões destes ao observarem as fotos. Selecionamos trechos referentes ao processo de memória coletiva e os submetemos à análise fenomenológica. Enfocamos o trabalho da memória como sendo, essencialmente, de elaboração da experiência. Pudemos acompanhar a dinâmica do trabalho da memória e explicitar um campo de possibilidades de significados elaborados pelos sujeitos naquele contexto cultural específico. Pudemos apreender as estruturas da experiência juntamente ao significado afirmado a partir da identificação das seguintes modalidades de elaboração da experiência: a) apreciações, b) elaboração da experiência com referência coletiva, c) elaboração da experiência com referência pessoal.
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Estudo de caso sobre um líder de uma comunidade rural tradicional que se diz empenhado na mudança do milênio. A apreensão do significado desse empenho para sua própria pessoa, sua comunidade e todo o mundo – assim como vivido e representado pelo sujeito – permite contemporaneamente apreender os horizontes temporais, espaciais e sociais em que se dá a elaboração da experiência. Os resultados da análise fenomenológica indicam que esse momento cultural suscita no sujeito uma concepção de identidade associada à participação na história universal através do empenho nesse momento histórico de “purificação radical”. A concepção do valor sagrado da história comunitária baseia-se na inserção na história bíblica, ao mesmo tempo que a concepção do valor político do empenho se baseia na participação da história política brasileira. Nessa visão político-religiosa a identidade pessoal e comunitária é tecida com caráter profético diante da história universal.
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Autor
Tipo de recurso
- Artigo de periódico (54)
- Livro (3)
- Seção de livro (6)
Ano de publicação
- Entre 1900 e 1999 (7)
- Entre 2000 e 2025 (56)