A sua pesquisa
Resultados 6 recursos
-
Este trabalho tem como objetivo apresentar uma análise sobre a inserção dos saberes psicológicos na formação de professores primários do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, no período de 1932 a 1938, buscando compreender de que forma a psicologia - com todas as suas diversidades e atravessamentos - atrelava-se à crescente industrialização e aos projetos de modernização do país, estabelecendo-se como um dispositivo legitimador de uma nova concepção de homem. Como fundamentação teórico-metodológica, utilizou-se uma análise sócio-histórica, procurando verificar não exatamente o aparecimento dos saberes psicológicos e suas teorias, mas sua penetração nos discursos educacionais e no próprio cotidiano das escolas. Foi realizada uma pesquisa documental em diversos arquivos: arquivo Lourenço Filho e arquivo Anísio Teixeira, no CPDOC/FGV - RJ, e nos arquivos do Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Foram analisados programas de diversas matérias, dentre elas: psicologia educacional, psicologia da aprendizagem, psicologia diferencial e psicologia geral. Pôde-se constatar que, além das cadeiras específicas de psicologia, esta se encontrava presente nos programas das demais matérias, como um item fundamental para o processo educativo. Estabelecia-se, na formação de professores do Instituto de Educação, uma ampla propagação dos saberes psicológicos que se apresentavam de forma "camuflada" nos programas escolares, através de concepções sobre a infância, sobre o comportamento, a estruturação do ato de pensar e aprender, enfim, a psicologia ditava verdades sobre o funcionamento humano - a normalidade legitimada pelo discurso científico. A nova organização escolar, estabelecida a partir de preceitos da escola nova, divulgava e difundia a psicologia como um campo de fundamental importância para adaptação dos meios/métodos educacionais à realidade vigente: segundo estes preceitos, a educação seria social nos fins e psicológica nos meios - esquadrinhava os corpos por suas individualidades, e os ordenava transformado-os em uma massa uniforme -, estando voltada para a formação de sentimentos, valores e ideais de um novo homem brasileiro.
-
A pesquisa em arquivos escolares, com suas dispersões documentais, faz do trabalho historiográfico uma inquietante aventura: documentos isolados ou incompletos, manuscritos ilegíveis, temas variados, fotografias, papéis timbrados, originais rasurados, séries interrompidas, muito mofo e muita poeira. Para a historiografia da psicologia as fontes advindas dos arquivos escolares possibilitam a leitura e releitura de suas histórias de uma maneira complexa, possibilitando, por vezes, o encontro de informações inestimáveis. Neste sentido, o diálogo entre a história da psicologia e a história da educação mostra-se bastante frutífero, especialmente pelas formulações teóricas efetuadas no campo da historiografia da educação que muito contribuem para pesquisas que caminham numa região de fronteiras entre história, psicologia e educação.
-
O discurso político dos anos trinta (século XX) somado ao contexto médico-higienista permitiu a valorização da prática educacional como facilitadora da transformação social. O papel do professor era organizar classes homogêneas segundo a capacidade de aprendizagem e desenvolvimento mental das crianças, futuro do país. Neste contexto, a russa Helena Antipoff (1892-1974), convidada pelo governo de Minas Gerais para ensinar Psicologia Educacional na Escola de Aperfeiçoamento de Professores, destaca-se por sua diferente concepção de anormalidade. Através da análise de suasobservações, propõe uma nova abordagem, na qual o desempenho é marcado pelo contexto social, e passa a concentrar seu trabalho nas crianças marginalizadas. Influenciada pelas idéias de Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi, funda a Sociedade Pestalozzi (1932) e a Fazenda do Rosário (1940), instituições que trabalharam com estas crianças sob uma ótica multidisciplinar. Criadora do termo “excepcional”, Helena Antipoff ampliou as possibilidades educacionais para todos os brasileiros.
Explorar
Autor
Tipo de recurso
- Artigo de periódico (2)
- Seção de livro (2)
- Tese (1)
- Verbete de dicionário (1)