A sua pesquisa

  • O presente trabalho é um estudo teórico, bibliográfico e de análise crítica de parte da produção de cunho psicanalítico de Arthur Ramos, dedicada à área da Educação Escolar, bem como sobre suas relações com os movimentos de Higiene Mental e da Escola Nova. Para fins deste trabalho foram analisadas duas obras do autor: Educação e Psychanalyse (1934) e A Criança Problema (1939). Nossa hipótese foi que a apropriação da psicanálise por Arthur Ramos contribuiu para a organização da sociedade burguesa e seu progresso ao mascarar as relações políticas e sociais da modernidade capitalista. Nosso objetivo foi aprofundar o sentido ético e político das relações entre a Escola Nova e o movimento de Higiene Mental a partir de uma análise crítica e detalhada de tais obras e das fichas de atendimento às crianças das escolas experimentais, realizadas pelo Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental, chefiado por Arthur Ramos entre 1934 e 1939. Como principal abordagem teórico-metodológica utilizamos a Teoria Crítica, representada aqui pelo filósofo alemão Theodor Wiesengrund Adorno. Para tanto, consideramos a dimensão social, cultural e econômica da sociedade como fundamental para a análise do discurso de Ramos. Em um primeiro momento realizamos uma revisão crítica da literatura sobre a Higiene Mental e o escolanovismo no Brasil com vistas à definição de conceitos pertinentes às relações entre esses dois movimentos. Segundamente, buscamos compreender como se deu a difusão e implantação da teoria psicanalítica em suas relações com a Educação Escolar na era freudiana e pós-freudiana. Por fim, analisamos criticamente parte da produção de Arthur Ramos, bem como sua atuação no Serviço de Ortofrenia e Higiene Mental do Rio de Janeiro na década de 1930 para situar seu lugar na relação entre os conceitos de Higiene Mental, Escola Nova e Psicanálise. Concluímos que o intelectual Arthur Ramos se situou em um campo discursivo que procurou adequar a população a um projeto de Brasil em que se identificavam progresso e intenso controle social, um projeto civilizatório e barbárie. Apresentamos, assim, os elementos de barbárie no caminho para a formação social, tanto quanto aqueles favoráveis à civilização, apontando a necessidade de lançarmos luz sobre as ideologias subjacentes a tais concepções de tal modo que possamos compreender suas relações com a realidade histórico-social tendo algo a esclarecer no debate acerca das teorias pedagógicas.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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