A sua pesquisa

  • Uma das lacunas na história da psicologia tem sido a escassez no exame da reflexão filosófica e teológica, e de sua influência sobre a psicologia moderna. O presente trabalho teve como objetivo realizar uma análise histórica preliminar sobre a psicologia intelectualista, bem como da contraposição voluntarista a ela, e analisar sua influência sobre algumas teorias acerca do pensamento na psicologia moderna: os behaviorismos de Watson e de Skinner, alguns autores cognitivistas, e a teoria sócio-histórica de Vygotsky. Para a análise da tradição intelectualista foram selecionados alguns filósofos e teólogos do período clássico da antiguidade (Sócrates, Platão e Aristóteles), da patrística cristã (Agostinho), da escolástica (Anselmo e Tomás de Aquino), da Reforma Protestante (Lutero e o Calvinismo), e da modernidade (Descartes). Ao final da análise, foram sintetizadas as principais características da tradição intelectualista e da contraposição voluntarista. Tais características foram comparadas com as teorias da psicologia moderna sobre pensamento, com objetivo de investigar a influência do intelectualismo sobre tais teorias, bem como as alternativas que elas apresentaram a essa tradição. Verificou-se que algumas das principais características da tradição intelectualista foram: o referencialismo, o universalismo dos processos psicológicos, a não ênfase no ambiente, a noção de um homem excessivamente premeditador da ação, uma profunda vinculação entre pensamento e afeto, e a análise do pensamento no contexto de uma antropologia filosófica. As principais conclusões do presente trabalho são que todas as teorias psicológicas sobre pensamento analisadas foram, em algum grau, influenciadas pelo intelectualismo. Dentre as teorias analisadas, as que mais se aproximaram da tradição intelectualista foram as teorias cognitivas. Em todas as teorias há algum grau de tentativa de superação do intelectualismo. No behaviorisno radical, uma das tentativas de superação é a valorização da interação do organismo com o ambiente. Na teoria sócio-histórica, uma tentativa de superação deu-se com uma teoria genética para a origem ontogenética e filogenética do pensamento e em uma proposta de historicidade para os processos psicológicos. Conclui-se também que a tradição intelectualista apresenta contribuições para a psicologia moderna: a vinculação entre pensamento e afeto e a análise do pensamento dentro de uma antropologia filosófica.

  • Conceitos psicológicos presentes na psicologia contemporânea foram objeto de ampla discussão na teologia medieval, que produziu tradições que influenciam a psicologia moderna. Abordamos a psicologia de Tomás de Aquino. Nossa hipótese é que Tomás de Aquino é representante da psicologia intelectualista, mas incorporou a discussão sobre a vontade, introduzida pelo pensamento paulinoagostiniano e desconhecida pelo intelectualismo grego. No desenvolvimento de sua psicologia da relação entre intelecto e vontade Tomás de Aquino desenvolveu uma teoria da vontade teleologicamente orientada pelo intelecto, rompendo com a teoria agostiniana da vontade ambivalente. Argumentamos também que na psicologia moderna encontramos teorias nas quais há recorrência de problemas salientados na psicologia tomista.

  • As discussões na filosofia socrático-platônico e em Aristóteles sobre a ética geraram uma psicologia intelectualista. Tal psicologia resultou da procura pelo especificamente humano (areté), compreendido enquanto a racionalidade como princípio organizador da conduta. O objetivo de nosso artigo é expor esta psicologia intelectualista, considerando-a como um paradigma antropológico que demarcou grandes temas acerca da compreensão do humano. A presença da herança intelectualista sobre a psicologia científica do século XX é identificada na psicologia moral de Piaget e em Daniel Dennett. Epistemológica e historiograficamente nosso artigo mostra que a compreensão da psicologia construída no século XX é beneficiada quando consideramos sua relação com grandes paradigmas antropológicos que estabeleceram as principais bases acerca da discussão sobre o homem. O exame desta relação exige considerar um passado que vai além da construção da psicologia na modernidade.

  • Este trabalho apresenta o paradigma antropológico paulino-agostiniano da ambivalência do eu-moral, cuja importância histórica foi revolucionar a antropologia intelectualista grega e introduzir uma nova interpretação do binômio saúde e doença. A antropologia paulino-agostiniana compreendeu a ambivalência do eu-moral como doença estrutural do homem, condição conflitante que clama por solução. A cura foi interpretada como superação da ambivalência do eu-moral, que ocorre mediante o encontro com o transcendente. Argumenta-se aqui que este paradigma antropológico deve ser considerado nas investigações sobre a história da psicologia, dado ser uma poderosa influência sobre a interpretação da temática da saúde e da doença. Uma breve exposição da moral autônoma em Jean Piaget, bem como da idéia de ambivalência na psicanálise são apresentadas. Essa exposição tem objetivo de mostrar que a antropologia paulino-agostiniana possui repercussão na tradição interpretativa acerca do homem na psicologia moderna, apesar de ser antagonizada pela antropologia Iluminista.

  • O trabalho de Watson sobre o pensamento foi tratado inadequadamente por muitos intérpretes, gerando uma lacuna na interpretação histórica visto que Watson exerceu ampla influência sobre a Psicologia. Nosso objetivo é sanar parte deste problema esclarecendo as principais posições de Watson sobre pensamento. Nossa hipótese é que a teoria watsoniana sobre o pensamento como hábito é uma forma de referencialização materializante influenciada pela desmetafisicização do pensamento Ocidental proveniente do Iluminismo. Admitimos que a teoria de Watson reproduziu premissas do erro de categoria cartesiano. Assumimos também que a prioritária associação entre pensamento e linguagem watsoniana denuncia influências indiretas da tradição filosófica grega clássica.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)