A sua pesquisa

  • Num contexto onde professores e diretores de escolas públicas se queixavam da indisciplina de seus alunos e encontravam dificuldades para enfrentá-la, desenvolveu-se uma pesquisa-ação com o intuito de, conhecendo as versões dos pais, professores e alunos sobre o fenômeno, assim como suas idéias sobre as causas e sugestões para solucioná-las, poder desenvolver alternativas afim de o psicólogo trabalhar com os personagens envolvidos, a partir de outro olhar sobre o problema. O trabalho realizou-se durante dois anos, através de entrevistas individuais e em grupos com pais, professores e jovens de quatro escolas públicas, que haviam pedido a ajuda do psicólogo para enfrentar a indisciplina de seus alunos. Partimos da teoria de Winnicott, que discute o homem no mundo e postula a existência do espaço potencial, para a elaboração do método e para compreender o sentido das histórias comunicadas. As interpretações de "indisciplina" como manifestação de tendência anti-social, tendo origem em uma privação, assim como expressão de resistência à vigilância e à punição praticadas pela escola, revelaram-se insuficientes para a compreensão de todos os casos. Pais, alunos e professores comunicaram necessidades psíquicas que buscavam, através de atos de indisciplina, serem satisfeitas no âmbito escolar. Avançando com outros autores de linha materialista histórica, podem-se entender tais atos de indisciplina como comunicações positivas e criativas, de indivíduos que buscam a participação na escola, segundo suas concepções e necessidades, e que revelam, também, uma tentativa de objetivação - ou seja, de manifestar a subjetividade - num contexto cuja tendência é a objetificação - isto é, transformar as pessoas em coisas.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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