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Resultados 7 recursos
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Este empreendimento tem por finalidade apresentar um levantamento teórico-histórico a partir do deslizamento semântico dos conceitos acídia, tristeza, melancolia e seus análogos, oferecendo um diálogo entre a ciência teológica e as ciências humanas. A literatura utilizada articula a falta de sentido do mundo contemporâneo a partir dos textos bíblicos em autores de conhecida eminência teológica e teórica. A expressão grega “akédias”, que remonta à tradição bíblica, desenvolve-se dentro da tradição cristã como “demônio meridiano” por Evágrio Pôntico e, mais tarde, vê-se canonizada na perspectiva oriental por João Cassiano e ocidental por Tomás de Aquino e Gregório Magno. A profunda relação entre os conceitos acídia e melancolia coloca lado a lado a tradição dos pecados capitais e autores seculares, como Hipócrates e sua tese humoral, Aristóteles e seu homem de exceção e Freud em sua reflexão sobre o luto e o mal-estar da contemporaneidade a partir do princípio do prazer. Há também significativa correspondência do tema com a perspectiva de Viktor Frankl, especialmente a partir de conceitos como “vontade de sentido” e “neuroses noogênicas”, que foram por ele utilizados. Dada a abrangência do tema, entende-se esta como uma possibilidade interpretativa, buscando em expoentes do passado intuições que iluminem questões contemporâneas.
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Neste artigo, tivemos como objetivo revisar os fundamentos teóricos da psicopatologia fenomenológica de Thomas Fuchs no que tange a experiência do corpo na depressão melancólica. Através de pesquisas em bases de dados eletrônicas, realizamos uma revisão de literatura que investigou as obras publicadas pelo autor entre 1994 e 2018. Encontramos a corporeidade destacada como uma via de acesso à compreensão da depressão melancólica, desenvolvida no sentido da intercorporeidade ao se centrar na ideia de intersubjetividade. A intercorporeidade é a ponte de constituição ambígua da relação homem-mundo, possibilitando o compartilhamento de nossas experiências. Para Fuchs, a depressão melancólica é um transtorno da intercorporeidade, pois ao invés de conectar homem e mundo a experiência corporal torna-se um obstáculo. Fuchs contribui para a construção de uma perspectiva de humano encarnado, em que este se configura como unidade indivisível na experiência ao compreender a depressão melancólica como modo de estar no mundo do paciente.
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Propõe-se uma abordagem genealógica do problema das ambiguidades sexuais, atentando para as relações de poder/saber que vão, ao longo dos séculos XVIII e XIX, conectando a imagem do monstro ao corpo sexualmente ambíguo. Também recorremos ao conceito de abjeto, indicando sua funcionalidade na formação do sujeito e na instalação da diferença sexual enquanto norma. Ao mesmo tempo, seguimos por pequenas ondulações, tensões e desorientações na composição do sistema sexo/gênero, notadamente aquelas sugeridas no manuscrito “Minhas Memórias”, de Herculine Barbin – uma pessoa intersexual que viveu e escreveu no contexto do século XIX europeu. Com Herculine, avançamos por zonas inóspitas, nas quais nos esbarramos com as potências do monstruoso e do abjeto para desnaturalizar a noção de verdadeiro sexo e, também, a própria concepção ontológica do humano.
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O texto que se segue apresenta uma pesquisa histórica e teórica acerca de alguns aspectos do período de criação da Psicanálise por Sigmund Freud. Abordou-se especificamente a intrigante relação entre Freud e Fliess, a partir da seguinte pergunta: qual foi o papel dessa relação para a criação da Psicanálise? Certamente, o lugar de Fliess é o de amigo, interlocutor e, alguns diriam, um analista “avant la lettre”. Neste texto discute-se a possibilidade de se considerar Fliess o supervisor imaginário de Freud. Para respaldar esta hipótese, analisa-se, principalmente, a correspondência completa de Freud para Fliess, além de passagens específicas de algumas biografias de Freud e textos de estudiosos que abordaram o tema.
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O texto procura recuperar a experiência vivida na oficina expressiva “Loucura em Cena: O Teatro do Oprimido como ferramenta na saúde mental para encontrar-se com o estranho que habita dentro de nós”, aplicada por graduandos do curso de Psicologia da UERJ, que procurou compreender os diversos afetos envolvidos na vivência dentro da Universidade. O evento “Políticas/Poéticas do Contágio: ensaios de viver entre muitxs”, realizado no dia 31 de outubro de 2019, foi o cenário para o trabalho da oficina terapêutica, através das técnicas do Teatro do Oprimido, desenvolvido por Augusto Boal. Em cena, a arte pode ser percebida como ferramenta para trabalhar afetos e proporcionar uma melhoria na saúde mental.