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O objetivo de um pregador é mudar juízos e atitudes. O instrumento que possibilita o sucesso da pregação é a palavra eficaz. Os jesuítas compartilhavam a concepção da arte retórica clássica e moderna de que o poder da palavra decorre da capacidade de atingir e mobilizar o dinamismo psíquico dos destinatários. Nas psicologias filosóficas formuladas por Aristóteles e Tomás, o mundo anímico estrutura-se em potências sensoriais externas e internas, afetivas, cognitivas e volitivas. A palavra do pregador move tais potências, também conhecidas como sentidos internos, que fornecem os objetos imateriais intimamente relacionados com as coisas no mundo e através dos quais o entendimento pode identificar e separar a natureza das coisas. No Sermão da Oitava da Páscoa de 1656, pregado por Antônio Vieira em Belém, estes elementos convergem para possibilitar o ”˜desengano'. A tristeza pelas minas não encontradas deveria ser mudada em alegria pelo bem maior do Reino Português, as almas.
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O objetivo do artigo é comparar duas narrativas acerca de um evento histórico à luz da história dos saberes psicológicos: o movimento de Canudos liderado por Antônio Conselheiro. As narrativas comparadas são: a interpretação dada por Euclides da Cunha acerca das características psicológicas dos participantes desse movimento, em Os Sertões; e os relatos acerca das experiências subjetivas vivenciadas em narrativas orais de sobreviventes de Canudos, colhidas por Odorico Tavares. As duas fontes, produzidas em diferentes gêneros literários (literatura e memória oral) focam as vivências dos participantes de Canudos, divergindo na forma como foram colhidas: a primeira por um observador externo e escritor interprete da visão cultural da intelectualidade brasileira da época; a segunda, expressão narrativa dos atores do movimento entrevistados. Os lugares-comuns evidenciados em ambas as narrativas foram analisados à luz dos respectivos universos histórico-culturais. As divergências emergentes são relacionadas a teorias e saberes psicológicos inerentes a esses universos.
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O objetivo deste artigo é a análise da dinâmica retórica e dos conteúdos propostos num sermão proferido por Padre Antônio Vieira aos escravos de um engenho da região da Plataforma do Recôncavo Baiano pertencentes à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, em 1633, sendo o primeiro sermão pregado pelo jesuíta. Para isso, a História dos Saberes Psicológicos é utilizada como referencial teórico para interpretação após o processo de escolha das imagens a serem analisadas. O sermão discute a questão do bem-comum para os escravos, utilizando-se de elementos clássicos da retórica como a composição de imagens, visando a construção de argumentos persuasivos. A análise aprofunda o uso das imagens no que diz respeito ao seu efeito mobilizador do dinamismo psíquico dos ouvintes e a decorrente força persuasiva no que diz respeito aos argumentos propostos.
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Este artigo é uma reflexão sobre uma investigação que toma em foco os eventos subjacentes à escrita de uma narrativa focalizando a história da vinda de uma família israelita, em 1904, da Rússia à Colônia Philippson localizada no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, dentro do programa de colonização denominado Jewish Colonization Association para trabalhar na terra. A primeira autora descende desta família. Considerações sobre história, tempo, acontecimento e identidade do pesquisador conduzem à noção de que a passagem pelos limites temporais é uma busca em direção à própria identidade. Este processo é ilustrado por quatro acontecimentos em que o tempo passado se torna presente no caminho para a realização do estudo. O texto finaliza reconhecendo a metáfora da peregrinação como forma expressiva da experiência de narrativa autobiográfica e biográfica da história familiar, colocando este percurso em um terreno cultural mais amplo e de possível alcance universal.
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O presente artigo objetiva analisar os fenômenos de massa em seus aspectos psicológicos a partir das contribuições de E. Stein, considerando o impacto e potenciais consequências destrutivas desses fenômenos como apontados por H. Arendt ao estudar governos totalitários. Após contextualizar o debate acerca do tema, ocorrido nas últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX, o trabalho pretende reconstruir os passos da análise fenomenológica conduzida por Stein no ensaio sobre o contágio psíquico que é parte da obra Contribuições para uma fundamentação filosófica da Psicologia e das Ciências do Espirito, publicada em 1922. Nessa análise, a autora descreve em detalhe o dinamismo através do qual o fenômeno do contágio psíquico se inicia e se alastra na vivência pessoal e de grupo. O estudo conduzido comprova a originalidade, atualidade e utilidade acerca dessa contribuição da filósofa alemã, inclusive para a psicologia e psiquiatria contemporâneas.
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A linha de estudos em história da psicologia no Brasil é o campo de pesquisa em que se insere essa investigação sobre o processo de construção histórica do modelo de relação de ajuda do Centro de Valorização da Vida (CVV), durante a segunda metade do século XX. Partindo da análise de 321 boletins informativos, produzidos por essa instituição entre os anos de 1966 e 2000, procurou-se entender como os modelos de relação de ajuda da psicologia da época influenciaram o tipo de apoio psicológico que era oferecido por ela à população. Nesse sentido, tratou-se de compreender como essa organização não governamental - que trabalha com a prevenção de suicídio, por meio de atendimentos por telefone, pessoalmente e por carta - recorreu à ciência psicológica para formar e aperfeiçoar as capacidades de ajuda de seus voluntários. O CVV foi criado em fevereiro de 1962, na cidade de São Paulo, como parte da Campanha de Valorização da Vida e, em 1965, adquiriu personalidade jurídica, tomando-se Centro. Expandiu seu serviço para diversas cidades brasileiras e da América Latina, sendo que, atualmente, conta com cerca de 60 postos de atendimento. Para realização dessa pesquisa, utilizou-se uma metodologia historiográfica de cunho qualitativo, que seguiu estas etapas: 1)leitura dos boletins; 2)elaboração de quadros das atividades do CVV na sociedade brasileira; 3)delimitação das características da relação de ajuda; 4)leitura de fontes secundárias; 5)análise do processo de construçãohistórica do modelo de relação de ajuda; 6)reflexões sobre as influências dos modelos de relação de ajuda da psicologia no CVV; 7)escrita da dissertação. Nesse percurso, descobriu-se que, durante os quinze primeiros anos de existência, o CVV realizava uma atividade diretiva de ajuda, caracterizada por: 1)serviço de prevenção de suicídio por meio da valorização da vida, através da doação de amizade; 2)recurso a estudos e pesquisas científicas sobre ... suicídio para entender as pessoas que usavam seu serviço; 3)focalização dos problemas do indivíduo ajudado e não sua pessoa. Identificou- se também que, durante os anos de 1976 e 2000, o CVV passou a adotar um modelo não-diretivo de relação de ajuda (que perdura até hoje), influenciado pelas teorias da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers (1902-1987). A partir desse momento, a doação de amizade oferecida por seus voluntários deixou de focar os problemas dos indivíduos que procuravam seu serviço, e passou a levar em consideração a pessoa inteira deles. Por pessoa entendia-se o indivíduo nos seus aspectos mentais, emocionais e comportamentais, embora, na relação de ajuda, enfatizasse a importância de trabalhar os sentimentos. Mais especificamente, tratava-se do voluntário ser disponível para ouvir a pessoa que o procurava, adotando atitudes de autenticidade, compreensão empática e aceitação incondicional, confiando na natureza construtiva do ser humano erespeitando a liberdade do indivíduo fazer suas escolhas. Dessa forma, acreditava-se que o indivíduo poderia sair de suas máscaras, entrando no processo de vida plena e tomando-se a pessoa que é. Concluiu-se que o CVV recorreu principalmente à psicologia rogeriana como-um fundamento para seu trabalho, construí do na prática. Logo, seus voluntários se "apropriaram" de teorias dessa corrente psicológica, adequando-as ao seu contexto específico.
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O objetivo deste trabalho consiste em compreender as concepções presentes na obra de Machado de Assis que dizem respeito à relação entre psique e comportamento. Para isso, selecionamos alguns contos, romances ou fragmentos de sua obra que se referem ao tema. Consideramos três diferentes níveis em que as idéias se encontram presentes na obra: nas descrições de estados subjetivos das personagens; nas exposições feitas pelos narradores e personagens acerca de motivos psicológicos; na estrutura da trama. As análises foram realizadas com base em alguns temas que se mostraram de grande importância na obra de Machado: em primeiro lugar, na relação entre consciente e inconsciente; em segundo, na noção de caráter; em terceiro lugar, na relação dinâmica homem-mundo, interior-exterior, consciência-circunstância. Buscamos ainda confrontar as idéias presentes na obra de Machado com a de outros pensadores, sobretudo psiquiatras e filósofos do século dezenove, a fim de contextualizar sua obra no âmbito cultural e intelectual de seu tempo. Ao se traçar tais relações, podemos contribuir para uma visão mais rica e complexa dos saberes psicológicos no Brasil no fim do séc. XIX e levantar algumas hipóteses sobre o posicionamento de Machado frente às idéias de seu tempo. Como resultado, destacamos o modo como o escritor desenvolve e articula em sua ficção a noção de inconsciente. Além disso, sua obra mostra-se um terreno privilegiado para uma representação mais complexa eunitária do ser humano, não apenas como ser psicológico, mas também como ser social, histórico, político, moral, biológico, em suma: o homem vivente. A ficção, justamente por mostrar as personagens no tempo e no espaço, revela como a consciência e os comportamentos se dão na dinâmica entre homem e mundo, e entre o homem e os outros homens. Além disso, Machado de Assis refletiu em sua obra a relação entre linguagem e a consciência. E foi mais longe ao explorar os limites da linguagem para se descrever a interioridade humana.
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- Artigo de periódico (205)
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Entre 2000 e 2026
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