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  • A eugenia, ciência fundada por Francis Galton, no século XIX, procurava estabelecer as condições ideais de reprodução humana, visando o melhoramento racial pela a progressiva extinção dos degenerados e com a estimulação da reprodução dosindivíduos bem dotados fisica, moral e mentalmente. Seu programa foi amplamente aceito e incorporado pelos intelectuais brasileiros, sobretudo pelos psiquiatras, entre eles, Franco da Rocha, Antonio Carlos Pacheco e Silva, Ernani Lopes, lnácioda Cunha Lopes, entre outros, no começo do século XX. Alguns psiquiatras criaram a psycho eugenia - tema de nossa pesquisa -, prática que, através do trole de nascimento dos "degenerados mentais", procurava melhorar as qualidades psicológicas da"raça brasileira. Esta apropriação fundamentou uma das principais estratégias de ação da psiquiatria profilática e da emergente psicologia científica, naquele momento um ligada à medicina. Neste estudo historiográfico, objetivamos discutir aapropriação dos pressupostos eugênicos pelos saberes psicológicos no Brasil, bem como as idéias eugênicas merentes a estes saberes, fatos que fundamentaram práticas legalizadas como internações eugênicas; controle imigratório; desaconselhamentode casamentos interraciais etc. Focalizamos nosso trabalho no estado de São Paulo, devido às preocupações com a onda imigratória que este estado recebia, o que poderia, segundo a perspectiva eugênica, degradar o nível mental e o padrãocomportamental dos seushabitantes. Os dados foram colhidos de periódicos específicos de medicina, eugenia, psiquiatria e psicologia produzidos no estado de São Paulo entre 1900 e 1940

  • As chamadas teorias raciais chegaram ao Brasil por volta da década de 1870. De maneira geral, estas teorias afirmavam que as diversas raças humanas estavam submetidas a uma hierarquia determinada naturalmente. Este seria o motivo das desigualdades entre os povos e indivíduos. O Brasil, segundo muitos intelectuais brasileiros e estrangeiros, encontrava-se atrasado em relação às grandes nações por causa de sua grande "diversidade racial". A eugenia, uma ciência ideológica fundada por Francis Galton, chegou ao país como a esperança de "salvação da raça brasileira". Galton propunha estabelecer as condições ideais de reprodução humana, visando o melhoramento racial progressivo em todos os seus aspectos. Incorporadas pela intelectual idade brasileira, estas idéias difundiram-se por muitos domínios científicos, inclusive pelas ciências psicológicas. As técnicas de avaliação como as medidas de Q.I. e os psicodiagnósticos, criados ou adaptados por psiquiatras brasileiros do começo do sempre incluíram da variável "raça". Neste trabalho objetivamos explorar a formação histórica de uma "psicologia racial" no Brasil, enfatizando as suas diversas ramificações e propostas de intervenção no meio social. Partimos de dois pressupostos básicos: 1) A apropriação das teorias raciais pelos saberes psicológicos; 2) As concepções psicológicas inerentes às próprias teorias raciais. Como fontes utilizamos periódicos médicos, educacionais, anais de congressos e de sociedades eugênicas, bemcomo obras de referência, publicados no período em questão. Definimos as seguintes categorias historiográficas para análise: I) As diferenças psicológicas entre as diversas. etnias brasileiras; II) As "tendências" de certas raças para as doenças mentais; III) As propostas de "higiene racial" como forma de melhoramento psicológico da população brasileira. IV) A procura por uma "solução eugênica" para o "problema racial" brasileiro. O período entre ... 1869 e 1940 é quando as interseções entre as ciências psicológicas e as teorias raciais são mais significativas. Nos concentraremos no eixo Rio de Janeiro e São Paulo.

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)

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