A sua pesquisa
Resultados 68 recursos
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As peculiaridades do desenvolvimento da sociedade brasileira no século XX marcam o percurso do psicólogo nas práticas escolares. Através do trabalho de Maria Helena de Souza Patto, no qual o homem é colocado em relação ao homem situado, pode-se perceber o fracasso escolar como fruto de um modo de pensar/dizer educação e psicologia. A Educação, produtora de normas e formadora de subjetividades, apresenta à Psicologia o desafio de analisar as relações de poder e relações criadoras e reprodutoras das instituições que dão forma à vida escolar. O sujeito da modernidade com seu conformismo necessita do resgate da atitude filosófica e da intervenção da pesquisa como metodologia potencializadora de rupturas. Neste resgate do tempo das ações, o psicólogo escolar encontra-se inserido em um território de investigações, no qual fracasso e conquistas são parte integrante da escola, e sua prática deve proporcionar transformações e a permanente desnaturalização das instituições.
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Este artigo visa a apresentar algumas observações a partir da teoria e da clínica psicanalítica de Winnicott, em comparação com a teoria dos afetos da filosofia de Espinosa. Tentando estabelecer um possível diálogo entre elas, já que ambas se adequariam a uma visada da completude do ser e da integração dos aspectos somático e psíquico do homem, por reconhecerem a importância do ambiente em sua função constituinte da natureza humana, caminharíamos no sentido de considerar a primeira na perspectiva de uma ''expressão clínica” da segunda. Isto significa que uma importante vertente ética na história da Filosofia Ocidental, o pensamento de Espinosa, pode dar legitimidade teórica a uma escola psicanalítica que sustenta uma nova proposta em relação à Psicanálise tradicionalmente instituída sob os pressupostos originais de Freud.
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Trata-se de uma pesquisa histórica, baseada em fontes documentais e no estudo biográfico de Helena Antipoff, em que se procurou elementos que trouxessem para a história da psicologia e da educação uma contribuição sobre quem foi Helena Antipoff e quais os pressupostos teórico-metodológicos da sua formação profissional, pressupostos sobre os quais assentará suas proposições de ações técnicas no campo. O texto traz os caminhos percorridos por ela desde seu país de origem, a Rússia até receber o convite para trabalhar no Brasil. Além disso, o artigo traz elementos que esclarecem as motivações para a sua vinda para o Brasil, as suas atividades no ensino brasileiro na década de 1930 e os caminhos que direcionaram suas ações para a educação dos “excepcionais”. Apresenta também uma síntese das ações de Helena Antipoff no Brasil na área da Educação Especial. A partir dessa trajetória, foi possível colocar em tela quem foi Helena Antipoff e quais os princípios educativos endossados por ela e, ainda, traçar um panorama de suas ações voltadas para a Educação dos “excepcionais” na realidade brasileira.
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Os laboratórios científicos contribuíram para os processos de institucionalização e disciplinarização da psicologia, nos séculos XIX e XX. Tais contribuições foram registradas em diversos textos memorialísticos, que foram tomados com características historiográficas, além de outros, celebratórios. A partir da década de 1960, houve críticas à história dos laboratórios de psicologia, as quais produziram um hiato na produção historiográfica sobre eles. Diante disto, nosso objetivo é apresentar os laboratórios científicos como objeto presente na história da psicologia e, consequentemente, como um objeto de pesquisa historiográfica. Para tanto, expomos uma panorâmica da historiografia sobre os laboratórios de psicologia, notas sobre tal historiografia no Brasil e possibilidades contemporâneas de estudos sobre os laboratórios. Assim, mostramos os laboratórios científicos como objetos que permitem dizer sobre diferentes aspectos da história da psicologia.
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Esta pesquisa objetivou descrever e analisar publicações veiculadas nos Arquivos Brasileiros de Psicotécnica, vinculadas à Psicologia Aplicada ao Trabalho, entre 1949 e 1968. Metodologicamente, é uma investigação em História Social da Psicologia que se apropria de estratégias de sociobibliometria e História Digital da Psicologia. Os resultados encontrados sugerem que a Psicologia esteve presente com estudos e intervenções à serviço das diretrizes desenvolvimentistas estabelecidas pelo Estado, e também contemplou o indivíduo e sua relação com o meio como eixo de estudos que repercutissem na vida do trabalhador, a partir da interação sujeito-trabalho. Assim, historicizar a Psicologia Aplicada ao Trabalho permitiu tatear contribuições de diferentes propostas teórico-metodológicas que viabilizaram novas perspectivas e repercutiram no desenvolvimento da própria Psicologia brasileira, em especial à voltada para o trabalho e as organizações, e que repercutiram na constituição da Psicologia enquanto profissão.
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Este artigo historiciza aspectos da recepção e circulação da Análise do Comportamento no Brasil a partir da tradução do livro Science and Human Behavior (S&HB) em português brasileiro. Foram utilizadas como fontes textuais primárias biografias e autobiografias publicadas, trocas epistolares e entrevistas de personagens da referida história. Fontes secundárias também foram utilizadas. Nos Estados Unidos da América (EUA), uma nação com longa tradição de psicologia experimental, o S&HB foi desenvolvido como recurso didático, mas ficou conhecido e disseminado principalmente por sua exposição abrangente de uma ciência do comportamento humano. No Brasil, sua apropriação por meio da tradução, que ocorreu na primeira metade da década de 1960, ainda que também tivesse um fim didático, foi importante para ajudar a consolidar a importância da fundamentação experimental de uma ciência do comportamento no contexto de criação da nova profissão de psicólogo que se consolidava no país. S&HB foi um marco no desenvolvimento da Análise do Comportamento nos EUA e no Brasil, mas o processo de apropriação do livro no Brasil teve conformações próprias no contexto do nosso país.
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Esta proposta se caracteriza como uma pesquisa histórico-conceitual que objetivou identificar as produções de Celso Pereira de Sá vinculadas à Análise do Comportamento e interpretar as redes conceituais e filosóficas contidas nestes trabalhos, relacionando-as com elementos historiográficos de sua atividade intelectual entre 1970 a 1990. O percurso metodológico foi organizado em duas dimensões; uma historiográfica a qual se utilizou da análise documental e outra conceitual a qual se utilizou do software Iramuteq e de apropriações de estratégias do Procedimento de Interpretação Contextual de Texto (PICT). Encontramos um autor refletindo sobre o papel do intelectual e da produção de conhecimento científico para a resolução de problemas sociais eminentemente brasileiros. Sá investiu na educação política popular no qual a população teria ela própria condições de produzir conhecimento sobre sua realidade e nela intervir. Seu conceito de comportamento baseia-se no entendimento de que o sujeito é necessariamente um ser histórico, social e verbal. Além disso, o conceito de contracontrole social indica uma transformação na sociedade, salientando o papel do comportamento verbal como veículo potencializador na mobilização para a transformação social.
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Contemporaneamente, a História da Psicologia latino-americana tem se debruçado sobre os mecanismos de institucionalização da Psicologia e, nessa seara, a história dos cursos de graduação tem sido um objeto frequente. No caso brasileiro, entretanto, essa produção focaliza instituições e espaços específicos localizados, via de regra, nas regiões Sul e Sudeste do país. Assim, tornam-se prementes as investigações em História Regional, i.e., aquelas que consideram o desenvolvimento da Psicologia em outras localidades. Diante disso, esta investigação descreve e analisa demandas de criação do curso de graduação em Psicologia, instalado na Faculdade Dom Aquino de Filosofia, Ciências e Letras/Faculdades Unidades Católicas de Mato Grosso (FADAFI/FUCMT), em 1975. Além disso, são analisados aspectos de seu currículo de funcionamento. Este foi o segundo curso de Psicologia do estado de Mato Grosso e o único de Campo Grande, até 1999. Para atingir o objetivo proposto, esta pesquisa, circunscrita ao campo da História da Psicologia, possui como recorte temporal o período de formação da primeira turma (1974-1980) e utiliza fontes primárias textuais e orais. A interpretação das fontes, em face dos elementos contextuais de Mato Grosso à época, sugere a Missão Salesiana de Mato Grosso (MSMT) como vetor importante do desenvolvimento do Ensino Superior no estado. Além disso, nota-se uma estreita relação entre a conformação do curso de graduação investigado e o cenário de modernização alardeado no segundo e terceiro quartis do século XX, no país. Por fim, vê-se que o curso foi estabelecido de forma idiossincrática, atendendo a uma maioria de alunas, rememoradas como maduras e politizadas. Assim, apesar das limitações metodológicas do estudo, seus resultados auxiliam em uma compreensão ampliada da história da Psicologia no Brasil. Eles possibilitam, ainda, uma melhor compreensão das relações entre Igreja e Estado, no que tange ao estabelecimento dos cursos de Psicologia no país.
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In this article, we present the Laboratory of Experimental Psychology at the Belo Horizonte Teachers College (Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte) during its early years (1929-1932). The Laboratory is examined in the context of the prevailing public discourse on primary education and its renewal in Brazil. To achieve our goal, we describe the Belo Horizonte Teachers College and its Laboratory's director, tools, and functions. In presenting these aspects, we highlight the Laboratory of Experimental Psychology as an important place that promoted contact with psychological instruments, techniques, and theories. It contributed to the training of teachers and produced psychological knowledge for elementary education in Brazil.
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Describimos y analizamos la recepción del conductismo en Argentina y Brasil, a través de dos ejemplos: la Universidad Nacional de San Luis y la Universidade Federal de Minas Gerais. En Argentina, desde 1960 el conductismo fue ampliamente criticado. Excepcionalmente en San Luis en la década de 1970 hubo un grupo de estudiantes y psicólogos jóvenes que fue receptivo a este modelo por razones ideológicas, profesionales y científica. En Brasil, durante esas décadas, la creación de carreras de grado de psicología comenzó a extenderse. El conductismo circuló a través del laboratorio didáctico del análisis del comportamiento. La recepción del conductismo en estos países nos ayuda a entender la circulación del conocimiento psicológico en diferentes lugares. También nos muestra cómo cada uno de estos sitios ha incorporado el conductismo en su propio contexto.
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Este texto objetiva construir uma narrativa histórica sobre os laboratórios de Análise do Comportamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na década de 1970. A caixa de Skinner foi o principal objeto estudado, por sua centralidade para os referidos laboratórios. A década de 1970 foi escolhida, uma vez que os laboratórios de Análise do Comportamento foram instalados na UFMG, nessa época. A Historiografia foi o método de trabalho, especificamente o campo da História da Psicologia. As fontes utilizadas foram documentos escritos e orais. O principal resultado foi que o laboratório de Análise do Comportamento, a partir de seu uso didático, funcionou como um centralizador de agentes em prol de uma psicologia científica no recém-criado curso de Psicologia da UFMG.
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O artigo se refere a uma pesquisa de cunho epistemológico, que tem como objetivo estudar o sentido de Deus para Jacob Levy Moreno em seu livro As Palavras do Pai. São discutidos seus argumentos sobre o sentido de Deus frente aos conceitos de espontaneidade, de criatividade e de momento. Nas considerações finais, levanta-se a possibilidade de Deus enquanto um elemento fundamental para a compreensão da visão de mundo e a visão de homem no psicodrama de Moreno.
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RESUMO Neste estudo, objetivou-se descrever e analisar a circulação de Saberes Psi - Psicologia, Psicanálise e Psiquiatria - na ‘Revista Brasileira de Enfermagem’ entre 1932 e 1988. Metodologicamente, é uma pesquisa historiográfica cujas fontes primárias foram 59 textos da referida revista que abordaram o conhecimento mencionado. Os resultados indicaram que os Saberes Psi eram objetos de interesse daquele coletivo que passou a divulgá-los no periódico e a introduzi-los nos currículos das escolas de enfermagem. Foram apropriados para compor o processo de conformação da enfermeira moderna por, pelo menos, três mecanismos: 1) ensino de psicologia voltado para a formação moral e comportamental da enfermeira; 2) ensino de psicologia, para sua capacitação na assistência ao doente, além da saúde do corpo; e 3) ensino de psiquiatria, para capacitar a enfermeira no cuidado com o adoecimento mental. Notam-se, portanto, os Saberes Psi circulando no coletivo de pensamento dos autores que publicavam na revista e, concomitantemente, coadunando com o estilo de pensamento Nightingaleano de formação da enfermeira considerada ideal. Logo, tais Saberes aludiram à conformação daquilo que seria considerada a enfermagem ‘moderna’ brasileira.
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Descrever e analisar produções de enfermagem, no Brasil, que circularam na revista Annaes de Enfermagem, entre 1932 e 1988. Método: pesquisa historiográfica de cunho bibliométrico, cujas fontes primárias foram textos da referida revista, analisados de maneira mista: quantitativa e qualitativamente. Resultados: as análises indicaram número expressivo de publicações por autores anônimos; predominância de autoria feminina; relativa conexão entre as carreiras e as atuações das autoras e suas relações com a produção circulante nos Annaes; espaço exclusivo para enfermeiras diplomadas socializarem suas produções; e um esforço de definição da profissão, redefinindo-a como “moderna e científica”. Conclusão: as produções que circularam, no periódico, focalizavam qualificar a formação da enfermeira e institucionalizar leis que garantissem a defesa da classe profissional e de seus interesses socioeconômicos. As discussões representaram preocupações do coletivo de pensamento, ao eleger os “problemas de enfermagem” que conformavam sua profissionalização.
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O objetivo deste trabalho é apresentar e discutir a forma como o Sanatório São Julião circulou na mídia impressa campo-grandense, entre 1941 e 1970. Estima-se analisar, por meio do discurso midiático, práticas de assistência ao Sanatório e aos seus internos, por parte da sociedade. As fontes primárias utilizadas foram notícias publicadas em jornais, disponíveis no Arquivo Municipal de Campo Grande (ARCA), a saber: Correio do Estado, O Matogrossense e o Jornal do Comércio. As análises do material sugerem que a sociedade campo-grandense, movida por certa visão social da lepra, manifestada pela mídia impressa, “amparou” os internados no Sanatório São Julião com doações de diversos gêneros, desde alimentos a expressivos valores, efetuados por “generosos” campo-grandenses. Assim, as imagens evocadas pelo discurso midiático, referentes ao Sanatório São Julião, concebem a ideia de um cuidado em saúde ligado a práticas assistencialistas.
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O artigo analisa a influência das concepções tradicionais da Psicologia nas falas de educadores e alunos sobre o fracasso escolar na atualidade. Para tanto, faz uma breve revisão da psicometria e da teoria da carência cultural como representantes da concepção ideológica que centra no indivíduo e no "ambiente" as causas do fracasso. Posteriormente, analisa criticamente trechos de entrevistas com educadores e alunos de uma escola pública municipal, ilustrativos da repercussão dessa concepção, em suas diversas nuances, no pensar e fazer pedagógico. Por último, reflete sobre as aproximações e rupturas da Psicologia com a ideologia, apresentando os princípios da Psicologia Histórico-cultural e sua contribuição à compreensão dos fenômenos escolares.
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A formação do psicólogo, sua profissionalização e regulamentação da Psicologia são temáticas recorrentes de pesquisas e discussões, no Brasil. Nessa direção, objetivamos identificar e caracterizar condições do campo científico-profissional da Psicologia que estiveram envolvidas no processo da regulamentação da profissão entre as décadas de 1940 e 1950. Metodologicamente, esta é uma pesquisa na interlocução entre História Social da Psicologia e a História do Tempo Presente. As fontes primárias foram prioritariamente aqueles presentes no Dossiê Legislativo vinculado à proposição da Lei nº 4.119/62. Os resultados indicam a existência de condições típicas das comunidades científico-profissionais (e.g., sociedades, revistas, exercício profissional, etc.) antes da referida regulamentação. Tais condições respondiam ao projeto de “modernização” nacional a partir de aplicações e da formação de “especialistas” em Psicologia. Assim, o que nos parece é que, para que profissão e a formação fossem legisladas, parte das condições necessárias para sua existência já estavam presentes no país.