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O presente artigo é uma análise histórica e teórica do projeto de naturalização da fenomenologia. Inicialmente, são retomados conceitos definidores da fenomenologia continental husserliana, como intencionalidade e redução, para demarcar o trajeto da filosofia fenomenológica à investigação empírica. A seguir, são contrastados dois movimentos em prol da naturalização da fenomenologia: a heterofenomenologia e a mente incorporada. A terceira e última parte confronta a neurofenomenologia, recente frente do projeto de naturalização, com críticas correntes acerca do rompimento com o estatuto da fenomenologia husserliana. Os autores concluem que a neurofenomenologia, mesmo se distanciando em alguns aspectos da fenomenologia filosófica, apresenta-se como um instigante campo de exploração e de diálogo entre auto-relatos (dados de primeira pessoa) e observação (dados de terceira pessoa) nas pesquisas em neurocognição.
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Investigações recentes sobre memória humana têm retomado a relevância dos dados fenomenais da experiência consciente de recordar. Essa tendência tem encontrado aceitação sobretudo no estudo da memória autobiográfica. Neste trabalho são revisadas soluções metodológicas adotadas no estudo de correlatos neurais desses processos. São apresentados dois modelos explicativos dos fenômenos da memória autobiográfica: o modelo de monitoramento de fonte e o modelo de processos componentes. No monitoramento de fonte, qualidades do estado de recordação determinam os julgamentos concernentes ao evento e à lembrança. Em contraste, o modelo de processos componentes não requer uma ordem serial para esse processamento, a percepção das qualidades e os julgamentos podendo ocorrer paralelamente. Argumenta-se que os dois modelos convergem por enfatizar os processos conscientes característicos da recordação. No contexto desses estudos constitui-se uma fenomenologia experimental, definida como o estudo empírico e sistemático de dados da experiência fenomenal, tomados como correlatos de processos cognitivos subjacentes.
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A recordação de eventos pessoais marcantes é acompanhada de julgamentos relativos ao evento recuperado (reflexivos) e ao ato de lembrar em si (heurísticos). O presente estudo teve por objetivo explorar relações e distinções entre esses tipos de julgamentos na atribuição de importância pessoal a eventos autobiográficos. Para tanto, solicitou-se a 208 estudantes universitários (170 mulheres) que recordassem um evento marcante de vida e respondessem a um Questionário de Memória Autobiográfica, composto de 16 escalas. Em uma análise de componentes principais, o primeiro agrupou 10 variáveis referentes a qualidades fenomenais e a modalidades de imaginação. Um segundo componente agrupou seis variáveis referentes a julgamentos reflexivos. A importância atribuída ao evento encontrou-se mais relacionada a julgamentos reflexivos por meio dos quais o indivíduo atribui características ao evento de forma retroativa do que a qualidades fenomenais da experiência imediata de lembrar.
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Investigações sobre diferenças de sexo na atribuição de qualidades fenomenais à recordação de eventos pessoais têm apresentado resultados controversos. Enquanto alguns estudos enfatizam que mulheres experimentam maior intensidade emocional e ensaiam memórias mais freqüentemente (reminiscência), outros não encontraram diferenças significativas. Este estudo investigou efeitos de sexo sobre a intensidade emocional de memórias autobiográficas, tanto como qualidade fenomenal da experiência presente de recordação, quanto como propriedade atribuída retrospectivamente ao evento original. Participaram do estudo 66 estudantes de graduação, pareados por sexo e idade, que responderam a 16 itens do Questionário de Memória Autobiográfica (QMA) para diversos tipos de eventos autobiográficos. Mulheres tiveram escores mais altos em todas exceto uma escala (evento incomum). Imaginação visual e ensaio manifesto foram as únicas variáveis cujas diferenças foram estatisticamente significativas (p < 0,05). Os resultados concordam com a literatura que tem encontrado diferenças de sexo pequenas, não-significativas, na atribuição que qualidades fenomenais a memórias autobiográficas. Defende-se uma abordagem que integre evidências de qualidades fenomenais e reminiscência.
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Trata-se de levantamento de artigos publicados em Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT), de 2001 a 2005, nas revistas brasileiras: Estudos de Psicologia, Psicologia e Sociedade, Psicologia em Estudo, Psicologia: Reflexão e Crítica, Psicologia: Teoria e Pesquisa, Psicologia USP, e Psicologia: Organizações e Trabalho. A análise considerou número de artigos, temas, metodologia, referências, formação profissional e área de atuação dos autores. De 1105 textos publicados, 178 (16%) foram em POT. Os artigos foram classificados em nove categorias temáticas. Do total de artigos analisados, 30% eram teóricos e 70% empíricos. A maioria dos autores é de psicólogos e está vinculada às universidades. Dentre os principais resultados, destacam-se a diversidade temática e metodológica da produção científica em POT, bem como a preocupação em contemplar as mudanças sociais, econômicas, políticas e tecnológicas. A produção de conhecimento está voltada tanto para subsidiar intervenções como para impulsionar o desenvolvimento teórico da área.