A sua pesquisa

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  • Essa dissertação tem como objeto de estudo e reflexão as histórias das práticas de intervenção de psicólogos no campo da educação. O psicólogo é o especialista convocado para solucionar os problemas da aprendizagem, legitimando uma formação referenciada no paradigma do sucesso, patologizando o processo educativo e produzindo novas modalidades de exclusão social e controle subjetivo. Diante da diversidade dos fenômenos contemporâneos que envolvem o trabalho na educação, a serviço de que está o trabalho do psicólogo na escola? Por política de individualização da subjetividade entende-se o que Guattari denominou de sistemas modelizantes de fabricação subjetiva. Analisamos algumas produções contemporâneas de subjetividades individualizadas, excessivamente massificadas no cotidiano escolar: a inclusão, o bullying, a medicalização e o burnout. A Análise Institucional foi a referência metodológica utilizada nessa dissertação, que associada a pesquisa histórica contribuiu na composição das linhas de produção do saber psicológico dentro do espaço escolar e na interlocução com diferentes teóricos - especialmente Foucault, Guattari, Boaventura e Frigotto. Problematiza-se a naturalização do saber psicológico na educação, através de um breve histórico do que a psicologia construiu neste campo. Na medida em que entendemos escola como uma instituição, afirmamos que há uma circulação de sentidos e simbolismos no cotidiano que remete a práticas historicamente institucionalizadas. A pesquisa de campo foi realizada no Programa Interdisciplinar de Apoio as Escolas (PROINAPE), vinculado a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME/RJ), que conta hoje com aproximadamente noventa psicólogos trabalhando em escolas desse município. O PROINAPE representa a reinserção de psicólogos intervindo diretamente na dinâmica cotidiana da escola. São descritas suas práticas, os tipos de demandas que atendem, para que são convocados e que contradições vivenciam. Por fim, quatro analisadores presentes nas práticas de intervenção dos psicólogos vinculados ao PROINAPE, são levantados e discutidos. Conclui-se que a produção de subjetividades individualizadas está relacionada a um projeto de sociedade, que necessita da educação para reprodução de sua lógica. O psicólogo que atua na educação é um profissional implicado politicamente nesse cenário. No entanto, apontamos os desvios, as disrupturas, as tensões e equívocos, que constituem o campo privilegiado de intervenção do psicólogo com vistas à transformação da lógica social e econômica dominante.

  • É inquietante o número crescente de diagnósticos infantis, principalmente o que chamamos de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Podemos dizer que este diagnóstico tem se alastrado de forma generalizada e implica, entre outras coisas, a medicalização das crianças que são nomeadas por ele. Este artigo traz alguns aspectos para a reflexão em torno do fenômeno contemporâneo da medicalização e seus desdobramentos na infância. Procura ressaltar como a produção de diagnósticos está atrelada ao uso de novas tecnologias do corpo e tem atravessado o espaço escolar, sem que seus profissionais tenham tempo e ferramentas teóricas adequadas para a sua abordagem e compreensão. A prática da medicalização infantil faz parte de um discurso biológico presente nas ciências da saúde e consolidado pelo saber médico, discurso esse que tem atravessado a instituição escolar, o nosso dia-a-dia, a forma como nos relacionamos e aprendemos, ou seja, construindo novos paradigmas subjetivos. Deparamo-nos aqui com uma pergunta: por que medicalizar se tornou mais uma urgência contemporânea?

Última atualização da base de dados: 25/05/2026 00:01 (UTC)