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Este trabalho tem como objetivo inicial uma discussão histórica (embasada no movimento da Nova História e da genealogia foucaultiana) em relação ao surgimento da psicologia do desenvolvimento. Em seguida, é proposta a hipótese de que este campo da psicologia tem como sua condição um duplo movimento: a) no século XVI, o surgimento da escola religiosa, da família como objeto de políticas de saúde e de uma experiência de infância como idade da inocência; b) no século XIX, a emergência de novas tecnologias de governo liberais, da escola laica e de uma imagem da infância calcada na evolução. Finalmente, é caracterizado o movimento de consolidação da psicologia do desenvolvimento, favorecido principalmente pelo funcionalismo norte-americano (articulado ao movimento da Escola Nova) e pelo sucesso dos testes mentais.
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Um dos campos possíveis para o estudo do surgimento dos saberes psicológicos é o das práticas de governo, ou governamentalidade, que se definem como as formas como se estrutura a condução da conduta alheia desde as formas pastorais do cristianismo primitivo até os modos atuais do Estado contemporâneo. Nas novas formas de governo presentes nas sociedades democráticas contemporâneas, o discurso psicanalítico, assim como as diversas práticas psi têm especial importância enquanto modo de gestão tecnocrática. Partimos da idéia de que a psicanálise é uma prática que se perpetua para além do consultório e de uma práxis individual, tendo um papel diretivo nas políticas sociais. O objetivo deste trabalho é estudar como o discurso psicanalítico produz formas de gestão de si e dos outros, pensando sua atuação dentro das instituições, no governo de coletivos, assim como de equipes no interior da reforma psiquiátrica.
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O objetivo deste artigo é estabelecer as relações entre práticas psicológicas e práticas de governo ou governamentalidade, conceituada por Michel Foucault como arte de “condução da conduta alheia”. O guia utilizado para se entender este trabalho genealógico são os cursos Segurança, Território, População e O Nascimento da Biopolítica. Trabalho prosseguido por Nikolas Rose, buscando atrelar de modo específico o surgimento dos saberes psicológicos aos modos liberais de governo. O ponto nevrálgico dessa história do governo se encontraria no século XVI, quando começam a proliferar os Manuais de Governo, fundamentados na Razão de Estado. Estes manuais não estariam mais baseados em dispositivos legais, mas na necessidade do disciplinamento e registro constante de inúmeros aspectos das vidas dos governados, caracterizando o “Estado de polícia”. Contudo, notadamente a partir do século XVIII, surgem novas tecnologias de governo, patrocinadas pelos pensadores fisiocratas e liberais. A população é vista como um ente natural do qual se deve governar, não mais intervindo em todos os detalhes como no “Estado de polícia”, mas acompanhando todas as suas flutuações livres. Aqui o governo se define como tecnocracia, no conhecimento científico dos movimentos naturais e espontâneos dos governados, investindo especialmente na gestão destes através da sua liberdade. Nestas novas formas de governo presentes nas sociedades democráticas contemporâneas, as práticas psicológicas teriam especial importância enquanto modo de gestão liberal pautada pelo esquadrinhamento de um grupo de variáveis da vida dos indivíduos e pela incitação a uma série de mecanismos de autorregulação e autogoverno.