A sua pesquisa
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O saber psicológico seria produto de sutis mutações de uma experiência originária, ou seria produto de múltiplas combinações históricas casuais e inesperadas? É um consenso entre os historiadores da psicologia o estabelecimento do século XIX como marco institucional do surgimento científico deste saber. Mas um bom número de autores aponta para uma origem remota, como se a psicologia pudesse encontrar, nesta fundação científica, ecos de um saber ancestral. Contudo, é possível pensar de outra forma, apontando para o surgimento da psicologia a partir de condições bem peculiares, surgidas a partir do século XVI, como a de individualização, de uma interioridade, da loucura como doença mental, da infância como estágio de desenvolvimento e da separação mente-corpo. No entanto, resta saber como se dá a cientifização destas experiências, demarcando uma ciência psicológica. Para tanto, serão seguidas as pistas de Michel Foucault (As Palavras e as Coisas, 1966), para o qual esta cientifização só se realizou no século XIX graças a um novo modo de conhecimento em que o Homem foi alçado ao mesmo tempo à condição de objeto empírico por uma série de ciências, e a sujeito fundamentante por uma série de filosofias antropológicas. Seria do cruzamento destas ciências empíricas do homem com as filosofias antropológicas que nasceriam as ciências humanas, como a psicologia. Este duplo aspecto empírico-transcendental da psicologia permitiria que esta não apenas se configurasse como uma ciência empírica “digna de crédito”, mas também como um saber último sobre o homem, acoplando-se às demandas das diversas experiências sociais de base, ao fornecer uma suposta revelação sobre o que há de oculto em nossa interioridade consciente, os determinantes de nossa individualidade, as marcas da alienação em nossa sanidade mental, os traços da infância em nossa vida adulta e os enlaces do corpo em nossa mente.
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Este trabalho busca caracterizar o surgimento da psicologia e da psicanálise segundo a malha conceitual apresentada na última fase do pensamento foucaultiano, condizente às práticas pelas quais os sujeitos tornam-se sujeitos de si mesmos. Trata-se das tecnologias ou técnicas de si, que são divisíveis em elementos como substância, askesis, práticas de si, e teleologia. A partir destes elementos, são distintos alguns sistemas éticos específicos, como uma ética pagã clássica; uma pagã tardia; uma cristã; e uma moderna. Para o surgimento dos saberes psi, Foucault avalia como crucial a ética cristã, a partir da invenção de uma nova substância ética, os nossos desejos, e de uma nova askesis, a hermenêutica de si. A meta deste pensador é mostrar que esta hermenêutica de si nada possui de universal ou necessário. Esta atitude de estranhamento de si será denominada ontologia histórica de nós mesmos, opondo-se à hermenêutica de si presente nos saberes psi.
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Quando nos deparamos com pensadores como Friedrich Nietzsche e William James uma questão se põe: qual a relação da verdade com a vida? Estratégias diferentes na consideração do que é a vida, e o posicionamento da verdade perante esta são postulados. É deste modo que se para James a vida é adaptação constante nos fluxos da experiência, para Nietzsche, vontade de potência, forças múltiplas em busca de afirmativa em busca afirmativa de expansão, e negativa de conservação. A par das diferenças de substrato, a vida é tomada como múltipla, expansiva, e fluida na deriva do tempo. Tendo o ser as características da própria vida, a verdade que pode ser predicada sobre ele não se curva mais à sua cópia adequada, à sua "re-apresentação" (representação) no conhecimento. Aqui, duas estratégias para a consideração da verdade: de um lado se identifica esta exclusivamente à relação de adequação, na busca do Ser Transcendental por ascese, e esta, tal como este Ser, é ficcional e contrária à Vida (estratégia excludente). De outro, pode se tomar a verdade como os efeitos que nossas crenças, o nosso conhecimento se produz na vida. Esta estratégia poderia ser denominada includente ou pragmática em oposição à excludente, ou cética, que depõe a verdade enquanto imutável perante a vida. James seria nitidamente includente. Já quanto a Nietzsche, sua postura oscila; parece falar ora de uma "falsa verdade", oposta à vida, ora de uma verdade ancorada na vida, e não mais no intelecto ou na razão. O objetivo deste trabalho é mostrar os deslocamentos entre as estratégias excludente e includente (pragmática) por parte de Nietzsche.
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La meta de este trabajo es la utilización de algunos conceptos del antropólogo de las ciencias Bruno Latour para intentar pensar las singularidades del saber psicológico en relación con otros saberes (especialmente entre las ciencias humanas y naturales). En un primer lugar se buscará el entendimiento de las condiciones que conducen a configuración actual de este saber y no un juicio epistemológico sobre su cientificidad. Para tal fin, serán expuestos algunos tramos en que el autor discute la naturaleza del saber psicológico, pero también algunos conceptos como el de Sistema Circulatorio de la Ciencia (especificando las condiciones o los circuitos internos y externos que tornan la ciencia posible) y el de Constitución Moderna, (fundada en la tentativa de separación entre entes naturales y humanos). Estos conceptos ayudarían a pensar no sólo en la especificidad del saber psicológico, sino también sus condiciones de posibilidad históricas y los efectos de subjetivación contemporáneos.
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Nossa pesquisa procura descrever como surgiu o domínio da subjetividade, crucial para o surgimento da Psicologia. Recorremos ao trabalho de Michel Foucault, em sua História da Sexualidade, no que diz respeito ao surgimento do domínio da subjetividade, e ao de Fernando Vidal para entender o surgimento da Psicologia no século XVIII. Uma forma de compreender o que estamos definindo por subjetividade pode ser tomada a partir de uma das variantes do que Foucault chamou de cuidado de si em seus trabalhos dos anos 80. O cuidado de si diz respeito aos atos do indivíduo que o constituem como sujeito ético perante os códigos morais. Buscamos alguns indícios que poderiam nos levar ao cuidado de si próprio da Modernidade. O surgimento do domínio da subjetividade está vinculado à proliferação do discurso sobre a sexualidade a partir do século XVI, concomitante à intensificação da prática da confissão. As práticas de poder/saber originadas na confissão se transmutam numa scientia sexualis, difundindo seus efeitos na Medicina, na Pedagogia, na Demografia, nas práticas jurídicas, na polícia administrativa. Os rituais de confissão passam a funcionar nos esquemas da regularidade científica A sexualidade passa a ser um domínio penetrável por processos patológicos, solicitando intervenções terapêuticas e de normalização. Concomitantemente ao aparecimento da sexualidade como verdade do sujeito, no século XVIII também surge uma Psicologia que vincula outras formas de saberes de si com a noção de verdade no indivíduo, conforme nos mostra Fernando Vidal. No século XVIII, ocorre uma profusão de discursos sobre o sujeito, a Psicologia, a alma e outros aspectos filosóficos, teológicos e científicos não necessariamente vinculados à sexualidade. Todos esses discursos têm a proposta de examinar o sujeito, produzindo um novo campo discursivo a ser explorado. A verdade, então, passa pela Psicologia e por um conhecimento dos pormenores da alma humana. Aproxima-se, dessa forma, da idéia defendida por Foucault sobre a existência de uma verdade interiorizada no indivíduo. O que nos interessa, de fato, é mostrar como já no século XVIII havia a produção de saberes que buscavam examinar, desvendar e dissecar a interioridade do sujeito, a partir da noção de verdade, além de fomentar o campo da subjetividade, do qual surgiu a Psicologia.
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