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O objetivo da pesquisa é apresentar um estudo histórico no qual se investigou o processo de recepção da Análise do Comportamento, ciência fundada por B. F. Skinner, pelo campo educacional no Brasil. O referencial teórico utilizado na realização da pesquisa baseou-se no conceito de recepção de teorias psicológicas. O conceito de recepção engloba os processos de acolhida e apropriação da teoria, seguido do intercâmbio entre a teoria em sua versão original e em sua versão acolhida e apropriada em um novo contexto. Esse conceito oferece subsídios teóricos para se investigar o modo como teorias psicológicas podem ser recebidas em contextos socioculturais distintos daqueles em que foram originalmente elaboradas. Nesta pesquisa, ao se investigar o processo de recepção da Análise do Comportamento pelo campo educacional no Brasil, foram analisadas a mensagem (conceitos e princípios de Análise do Comportamento), os emissores (autores que fundaram e divulgaram a teoria, casos de B. F. Skinner e Fred Keller) e os receptores da teoria (professores). O processo de recepção leva em conta, ainda, a problemática e os interesses intelectuais presentes no campo disciplinar no qual a teoria se insere. Neste caso são analisadas a problemática e os interesses intelectuais presentes no campo educacional brasileiro no período entre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 e 1996, que configura o recorte temporal da pesquisa. A metodologia empregada consistiu-se na análise de quatro fontes: as edições da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos – RBEP, publicadas entre 1961 e 1996, nas quais buscou-se identificar textos (artigos, resenhas, listas de bibliografias) que fizessem referência a Skinner e a tecnologia do ensino; a segunda fonte de pesquisa foram as ementas das disciplinas de Psicologia do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Viçosa – UFV, nestas ementas foram identificados conceitos e princípios de Análise do Comportamento, os quais foram agrupados em intervalos de cinco anos, a partir do que procedeu-se uma análise quantitativa do número de conceitos e princípios presentes em cada período; a terceira fonte foram os planos de ensino das disciplinas da área de Psicologia e Educação do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, a partir dos quais buscou-se identificar em quais disciplinas a Análise do Comportamento era ensinada e quais as obras utilizadas no ensino de seus conceitos e princípios. A quarta fonte consultada foram professores que estiveram envolvidos com a recepção da Análise do Comportamento no campo educacional. Quatro professores foram entrevistados, de acordo com a metodologia da história oral. As entrevistas, após transcritas, foram transformadas em textos. Os procedimentos de análise de conteúdo orientaram a análise dos planos de ensino, assim como das entrevistas. Os resultados apontam que a Análise do Comportamento foi recebida pelo campo educacional no Brasil de modos distintos entre os anos de 1961 e 1996. Na década de 1960 até princípios da década de 1970, a recepção da Análise do Comportamento foi marcada pelas características pessoais dos professores que com ela tiveram os primeiros contatos, destacando-se o papel de professores interessados em uma Psicologia científica e que estiveram envolvidos com concepção política de esquerda, sendo partidários de uma Pedagogia Libertadora. A partir da década de 1970, após a Reforma Universitária, de 1968, e a Reforma do Ensino Médio, em 1971, ocorre uma mudança na problemática da Educação nacional, que passa a ser a formação docente mais técnica e a gestão educacional atrelada a teoria do capital humano. Nesse período, entre o início dos anos de 1970 e a primeira metade da década de 1980, os interesses intelectuais se voltam para as chamadas tecnologias do ensino. Essas mudanças no campo educacional levaram a uma apropriação da Análise do Comportamento, aumentando o interesse pela tecnologia derivada de seus conceitos e princípios. Cresce nesse momento o interesse pela Instrução Programada e pela tecnologia do ensino, dando origem ao que alguns autores definem como concepção pedagógica tecnicista. A partir da segunda metade da década de 1980, as mudanças políticas ocorridas no país, juntamente com a emergência de teorias de viés mais sociológico, como as teorias críticas em Educação, representada na Psicologia pela Psicologia Escolar Crítica, levaram a uma crítica veemente à Análise do Comportamento, como uma teoria que serviu de base para o tecnicismo pedagógico, levando ao quase desaparecimento da Análise do Comportamento do debate educacional. Nesse período, início dos anos de 1990, foi fundada a Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental – ABPMC, e o desenvolvimento da ciência do comportamento passou a ser discutido dentro de seu próprio campo, levando a um isolamento cada vez maior da teoria, gerando um distanciamento entre os dois campos disciplinares: Análise do Comportamento e Educação. Conclui-se que a Análise do Comportamento nem sempre foi recebida pelo campo educacional no Brasil como partidária de uma perspectiva pedagógica tecnicista, tendo sido inicialmente recebida como uma teoria compatível com concepções pedagógicas libertadoras, comprometida com a análise dos determinantes sociais que modelam os comportamentos das pessoas. Só posteriormente, a partir de mudanças no campo educacional, é que ocorreu uma forma tecnicista de apropriação da Análise do Comportamento, frequentemente a partir de interpretações equivocadas da teoria. Essa forma de recepção foi criticada, levando ao afastamento da Análise do Comportamento do debate educacional, provocando seu isolamento enquanto campo disciplinar a partir dos anos de 1990.
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A obra teórica e prática de Helena Antipoff, psicóloga e educadora russa, radicada no Brasil, tem sido objeto de estudos de muitos pesquisadores que se interessam pela história da psicologia e da educação. Neste trabalho foi analisada a participação de Helena Antipoff na construção de um sistema de ensino paralelo no Brasil: a educação especial. Nesta análise concentram-se os esforços para compreender a quem era destinada essa educação especial, quem era aquele indivíduo que Antipoff denominava excepcional. A metodologia empregada foi a da história das ciências, buscando entender, sem incorrer no erro do presentismo, a construção do conceito de excepcional, que veio a substituir os termos retardado e anormal, considerados por Antipoff como pejorativos. O excepcional seria aquela pessoa que apresentasse diferenças físicas, sociais ou de desenvolvimento cognitivo, com resultados escolares acima ou abaixo da média de seu grupo, incluindo-se aí os indivíduos infra e os super dotados intelectualmente. Helena Antipoff vai apresentar suas considerações sobre a excepcionalidade mesclando aspectos de sua formação na Suíça, França e Rússia. Sua contribuição constitui uma síntese entre o funcionalismo europeu de Edouard Claparède, que forneceu algumas das bases do movimento da Escola Nova, com a perspectiva sociocultural em psicologia e educação, ao desenvolver ações de diagnóstico e atendimento escolar ao excepcional próximos da proposta de Lev S. Vygotski em sua obra sobre defectologia. Antipoff apontou que a excepcionalidade era fruto mais da condição sociocultural que uma herança genética e apostou na criação e aplicação de métodos psicopedagógicos mais adequados como forma de educar os excepcionais. Entre suas contribuições encontramos o conceito de inteligência civilizada, sua maior contribuição ao estudo da inteligência humana, e uma interpretação sócio-histórica da mesma, pois ela não considerava que os resultados dos testes mediam a inteligência inata, mas apenas o grau de contato do indivíduo com as ferramentas culturais e simbólicas de seu meio. A outra contribuição, além dos conceitos de excepcional e de inteligência civilizada, foi à crítica a homogeneização das classes escolares através da aplicação dos testes de inteligência. Entre os anos de 1930 e 1935 Antipoff executou ações de homogeneização das classes escolares de 1° ano em Belo Horizonte MG, mas, percebendo a limitação dos resultados apresentados pelos testes e a pouca eficácia pedagógica dessa ação, passa a ser crítica desse processo quando empregado isoladamente. O diagnóstico de excepcionalidade deveria ser realizado levando em conta a experimentação natural, método de observação sistemática desenvolvido pelo psicólogo russo A. Lazursky, os testes de inteligência e avaliação do caráter e da personalidade da criança. Helena Antipoff apresentou como alternativa para a educação das crianças excepcionais a ortopedia mental, que era uma metodologia baseada nas propostas de Alice Descoeudres, Maria Montessori, Édouard Claparède e Alfred Binet. De Binet Antipoff tomou emprestado o termo ortopedia mental, utilizado por ele para descrever um conjunto de técnicas de estimulação das funções mentais como memória, atenção, percepção, entre outros. Antipoff acrescentou aos princípios de Binet as idéias de Descoeudres sobre educação ativa e o material dourado utilizado por Montessori nas case dei bambini. Pode-se observar que muitas das ações empreendidas por Helena Antipoff foram pioneiras na educação dos excepcionais no Brasil, inclusive criando instituições, até os anos de 1930 inexistentes para a educação das mesmas, como a Sociedade Pestalozzi e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE. Este trabalho possibilitou descobrir grande atualidade no pensamento antipoffiano. Apresenta-se ao final como o conceito de excepcional e as formas de diagnóstico e de educação destes, presentes na obra antipoffiana, se aproximam aos das atuais propostas de educação inclusiva.
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Tipo de recurso
- Seção de livro (1)
- Tese (3)
- Verbete de dicionário (2)
Ano de publicação
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Entre 2000 e 2026
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Entre 2000 e 2009
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- 2008 (1)
- Entre 2010 e 2019 (5)
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Entre 2000 e 2009
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