A sua pesquisa
Resultados 7 recursos
-
O artigo relata atividades de pesquisa desenvolvidas a partir do acervo documental do Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, instituição criada em 1980 com a finalidade de preservar a memória e de divulgar a obra da psicóloga e educadora russo-brasileira Helena Antipoff (1892-1974). A riqueza e a diversidade do acervo, que documenta capítulos importantes da construção e circulação das ciências da educação no século 20, no âmbito das relações entre a Europa e o Brasil, favorecem a realização de pesquisas sobre o desenvolvimento teórico-prático da psicologia e das ciências da educação, assim como sobre os trabalhos realizados nas inúmeras instituições criadas e orientadas por Antipoff no Brasil. São referenciados trabalhos de pesquisa conceitual, sobre a história de modelos de trabalho em psicologia desenvolvidos em instituições educacionais criadas sob a liderança de Antipoff e trabalhos sobre formação de educadores na tradição antipoffiana. Conclui-se que a realização desses estudos contribui para o melhor conhecimento da história da psicologia e das ciências da educação e de sua circulação internacional, fornecendo modelos relevantes para se pensar o desenvolvimento contemporâneo dessas áreas científicas.
-
O Brasil tem avançado muito em relação às políticas públicas relacionadas à educação inclusiva. Várias leis, decretos e portarias dos últimos anos buscaram garantir o acesso dos alunos com deficiências às escolas comuns. A partir da análise documental em fontes primárias e secundárias, foi construída a premissa de que, em Minas Gerais, seria possível localizar três fases do processo de consolidação da educação inclusiva. Essas fases não seriam estáticas, elas coexistiriam, se sobrepondo e permitindo visualizar a identidade de cada época. Os resultados demonstram que, na primeira fase (1930-1950), crianças com deficiência, que até então estavam afastadas das escolas, passam a frequentá-las, nas chamadas classes especiais. As classes especiais mineiras foram concebidas com o objetivo de receber crianças com deficiência em um modelo baseado nos ideais da Escola Nova. Na segunda fase (1950-1990), as escolas especiais multiplicam-se, fortalecendo esse modelo de escolarização. Uma das consequências do aumento das escolas especiais foi a migração dos alunos com deficiência para essas instituições, enquanto as classes especiais acabaram se tornando local para os chamados alunos com problemas de aprendizagem. Em uma terceira fase (1990 -), a educação inclusiva consolida-se como Lei de Estado, obrigando as escolas especiais e as escolas comuns a reinventarem seu papel. Nessa fase, as classes especiais são extintas e a Educação Especial provoca novos questionamentos. Dentre eles, o desafio de efetuar a educação para todos sem deixar de lado as especificidades de um público tão diverso.
-
O objetivo desta pesquisa é investigar a formação que Helena Antipoff e seus colaboradores propiciavam às professoras nos cursos de aperfeiçoamento em Educação Emendativa no Instituto Superior de Educação Rural na década de 1960, com foco no 2º Curso Intensivo de Educação Emendativa, realizado entre os dias 10 de janeiro e 10 de fevereiro de 1962. A revisão da literatura evidenciou que a formação de professores para a educação especial/inclusiva não foi suficientemente estudada e que estamos longe de resolver esta questão. A expressão Educação Emendativa foi amplamente utilizada nas primeiras décadas dos anos de 1900, no Brasil, para designar a educação das pessoas com deficiência. Helena Antipoff e seus colaboradores, por sua vez, utilizavam o termo excepcional para designar todos aqueles que se desviavam da norma para cima ou para baixo. Utilizamos fontes documentais arquivadas no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, localizado na Fundação Helena Antipoff, em Ibirité, Minas Gerais. Também analisamos as Revistas do Ensino, Boletins da Fazenda do Rosário, Boletins da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais, os Boletins do Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, bem como a Coletânea das obras de Helena Antipoff. Antipoff chegou ao Brasil em 1929 para lecionar Psicologia, na Escola de Aperfeiçoamento de Mina Gerais. Em 1939, fundou a Fazenda do Rosário, com o objetivo de educar crianças excepcionais, assim como oferecer, entre outros, cursos de Educação Emendativa destinados à formação de professores especializados. A metodologia histórica descritiva foi utilizada para análise das cadernetas, trabalhos e relatórios dos alunos, bem como os documentos didáticos produzidos pelas professoras do Curso. Os resultados encontrados evidenciam que os cursos oferecidos atraíam alunos de todo o Brasil, contando com professores renomados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Os resultados demonstraram, ainda, que o curso era constituído de 26 disciplinas, com um total de 215 aulas de 50 minutos. Antipoff e seus colaboradores inspirando-se nos princípios da escola ativa de Genebra enfatizavam que, quanto mais os professores compreendessem a criança, maiores seriam as chances de triunfar nos seus objetivos de educar. As disciplinas oferecidas enfatizavam a importância de os professores observarem sistematicamente os seus alunos como o caminho seguro para conhecer suas necessidades e interesses, e, desta forma, construir instrumentos pedagógicos adequados para cada um. As disciplinas estabeleciam uma relação estreita entre a teoria e prática e, assim, as futuras professoras tinham a oportunidade de aprender fazendo as técnicas que iriam utilizar com seus futuros alunos. Concluímos que a ênfase nos princípios da Escola Ativa propostos por Claparède utilizados aproximam Helena Antipoff e seus colaboradores dos objetivos da educação especial na perspectiva da educação inclusiva hoje, já que esperamos que os professores hoje sejam capazes de atender às necessidades educativas especiais de seus alunos.