A sua pesquisa
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Habitar um presente que se faz a cada instante, tangenciar o infinito das origens contemporâneas ao devir, estar à altura de transformar o seu tempo – aqui está a inspiração de Foucault que nos instiga pensar a respeito de trabalho, subjetividade, ética e contemporaneidade. Afinal, como traçar uma política de enfrentamento em um mundo capitalista onde o trabalho se insere em uma lógica de produção de mundos, em que o trabalho, mais do que bens e serviços, produz subjetividades que alimentam o próprio capitalismo? O que nos tornamos nesse processo? Como vem se dando a captura das potencialidades de criação capazes de inventar outros mundos possíveis? Como resistir no presente, pelo trabalho, a tais investidas contra o poder de agir individual e coletivo? Como fazer da própria atividade de trabalho um meio para transformar as instituições que o atravessam? Como criar vias para uma crítica relativa aos modos como o trabalho pode se tornar lastro para fixações identitárias, ligando subjetividade e verdade e, ao mesmo tempo, como pode ele se tornar caminho para as indagações: o que estamos fazemos de nós mesmos?; que trabalho estamos operando sobre nós mesmos? Nesta direção, afirmamos uma linha de pesquisa-intervenção que toma como eixo ético-político a afirmação de uma relação inventiva com o trabalho.
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O artigo traz a montagem de um ca(u)so - “Um Menino que pulava para falar” – e, com essa narrativa, empreende algumas análises dos lugares produzidos para crianças e adolescentes no campo da Saúde Mental. Neste trabalho, “lugares” remetem às práticas de cuidado que emergem junto a meninos e meninas que fazem uso de algum equipamento da Saúde Mental. Dentre as linhas do caso narrado, puxamos a discussão das práticas médico-pedagógicas que objetivam a psiquiatrização da infância por meio da “criança anormal” segundo Foucault. Com essa linha histórica, analisamos a operação de divisão entre “transtorno mental” e “deficiência mental” e os efeitos disso nas práticas de cuidado de um equipamento da Saúde Mental. A montagem do caso nos serve para problematizar as práticas, não as tomando como naturais e necessárias ao campo.
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Como pesquisadoras, percorremos, na Prefeitura Municipal de Vitória/ES, unidades de saúde e outros espaços de encontro entre trabalhadores da rede municipal de saúde. Em cena: situações que convocam os trabalhadores a interrogar suas certezas, que forçam os limites disciplinares, que convidam à produção coletiva de estratégias. Experiências também de cursos de formação na área da saúde junto aos serviços. Processos de formação que extrapolam o campus universitário, as salas de aula, os livros, os manuais. A universidade, os serviços de saúde, a vida. Professores, estudantes, profissionais de saúde... Como essas intensidades, essas negociações constituem os processos de formação em saúde no Curso de Medicina? Essa é a trama, parte da rede da qual emergem estas linhas. E quem nos acompanhou nessa trama foi Tereza. Usuária dos serviços públicos de saúde, constituiu-se como personagem conceitual, como personagem-cartógrafa que deu vida ao texto e condições de emergência à nossa pesquisa.
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Este artigo é um desdobramento da pesquisa de mestrado em Psicologia Institucional da Universidade Federal do Espírito Santo, realizada no Centro Acadêmico Livre de Psicologia (CALPSI) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) entre 2011 e 2013. Investigou-se quais os modos de organização da Entidade e o que suas práticas colocavam em cena, bem como as reverberações e efeitos do fazer e da militância estudantil. Analisaram-se três episódios que atualizam princípios, como a autogestão, a democratização e a invenção de novos modos de organização nos movimentos sociais, expressando a emergência de personagens políticos motivados por uma ética da reflexão e análise, colocando as práticas do CALPSI em questão.
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O artigo parte de um projeto de formação inventiva de professores apoiado nos trabalhos de Gilles Deleuze. Tal característica permite distanciar esse projeto de abordagens outras, recognitivas e capacitadoras, aproximando-o, outrossim, do tema da invenção. Para fortalecer esse modo de pensamento e ação, Proust e os signos, livro de Deleuze, é trazido centralmente à cena, dando ênfase à correlação entre encontro, signo e pensamento. Narrativas e trechos dos diários de campo de alguns participantes do projeto são apresentados, no intuito de ligar o acaso do encontro (que força a pensar) e a necessidade do pensamento (que só ocorre se a tanto forçado). A efetiva vinculação entre universidade e escola básica é também enfatizada, com vistas à construção de perspectivas problematizadoras da formação de professores, indispensáveis no presente, um tempo de ‘escola sem...’.
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Deriva das interferências institucionalistas na formação do psicólogo no Brasil a experiência de intervenção em uma escola pública que (re)traçamos em texto. O fio que nos atravessa é referente às práticas e aos desejos construídos historicamente em formas sociais, questionando os especialismos que conformam a formação psi hegemônica. A perspectiva do passeio institucional lança-nos às questões de como entrar em um estabelecimento e promover processos analíticos das relações estabelecidas. A partir de muita insatisfação com diversas práticas na escola, articula-se um espaço autogestionário para tratá-las, visando permitir uma discussão aberta das questões que emergem no cotidiano. Focam-se os critérios e os modos de avaliação dos alunos na escola, mas um investimento na heteronomia pelo Sistema de Gestão Integrado (SGI) se contrapõe ao processo autogestionário. No artifício da escrita, acabaram por se recortar quatro perspectivas sobre o processo de intervenção, que pode ser caracterizado pelo fracasso.
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Este artigo apresenta narrativas de um trabalho realizado durante a formação em psicologia em duas Residências Terapêuticas no município de Cariacica, ES. As Residências Terapêuticas são um dispositivo da Reforma Psiquiátrica propostas com o objetivo de contribuir para o processo de desinstitucionalização da loucura. Discutem-se neste artigo as vicissitudes cotidianas enfrentadas no trabalho realizado, narram-se algumas experiências a partir das quais acompanhamos processos de produção de autonomia em gestação e apresentam-se alguns conceitos operativos da Análise Institucional que funcionam como ferramentas para orientar as análises dos acontecimentos que perpassam o cotidiano. A direção do trabalho é a de habitar a tênue linha do cuidado que não resvala em tutela e cerceamento dos processos de autonomia. Conclui-se que a saída dos usuários de saúde mental dos hospitais psiquiátricos para as Residências Terapêuticas não garante a produção de práticas de liberdade e cuidado, exigindo-se que haja constantes enfrentamentos das instituições produtoras de exclusão ainda incrustadas nas subjetividades contemporâneas.
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As substâncias psicoativas se tornaram elemento importante na sociabilidade contemporânea. Uma grande partilha social constituiu nos últimos 100 anos uma distinção entre as experiências de psicotropia legais e ilegais. Aos sujeitos no segundo polo são dados o tratamento policialesco e a violência. No presente artigo, debatem-se os efeitos dessa constituição histórica nas dimensões emocional, ética e técnica em torno do uso de drogas na contemporaneidade. Há uma aposta clara no desmonte das imagens cristalizadas que naturalizam as sustâncias psicoativas ilegais como um mal em si. Para tal intento, o texto se constitui por dois movimentos. Inicialmente, é uma produção alegorista, uma vez que esse método se apresenta como potente instrumento de entrada nas urdiduras afetivas formadas em torno da “questão das drogas”; na segunda parte, compõe com pesquisas de cunho genealógico sobre a temática, trazendo densidade ético-política para a discussão.
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Este artigo objetiva apresentar o percurso metodológico de uma pesquisa em clínica do trabalho que destaca a interlocução da pesquisadora com sua própria atividade de trabalho, ou seja, a trabalhadora é a pesquisadora de sua atividade de trabalho. A partir de seu repertório profissional, coloca-se como questão de pesquisa o manejo metodológico para uma análise do trabalho no viés do transformar para conhecer, tomando a trabalhadora como protagonista no processo de análise da atividade e a pesquisa como ferramenta para este processo. Neste percurso, destacam-se inflexões nos métodos propostos pela clínica da atividade, tendo como eixo o dialogismo e a cartografia como um intercessor no processo investigativo.
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O artigo apresenta uma experiência de intervenção, realizada por um grupo de trabalho do curso de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo, em uma unidade penitenciária estadual. Essa intervenção envolveu dez encontros com detentos da instituição e reuniões com o profissional psicólogo da unidade, nos quais se realizavam grupos com o objetivo de trabalhar a experiência do cárcere e seus atravessamentos. Para tanto, contava-se com a criação de dispositivos que disparassem um debate entre os envolvidos. O texto, elaborado em seções, narra parte desse processo, trazendo elementos teóricos e reportando-se a situações decorridas. Busca-se tecer análises da prisão, da punição, dos efeitos da intervenção, problematizando as possibilidades e limites de práticas “psi” nessa trama.
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