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Apesar do crescente interesse despertado pela figura de Christian Wolff nas últimas décadas, a compreensão de seu pensamento ainda enfrenta obstáculos e desafios. De um lado, na história da filosofia, não é raro encontrarmos um Wolff compreendido a partir de Kant. De outro, na história da psicologia, pode-se falar de uma estranha negligência do papel exercido por Wolff no desenvolvimento de uma ciência psicológica autônoma, especialmente na tradição alemã, que vai culminar na separação radical entre filosofia e psicologia a partir do século XX. O objetivo deste artigo é situar historicamente o projeto wolffiano de uma ciência da alma, mostrando não só o seu sentido específico, mas também suas principais contribuições e algumas de suas consequências para o posterior desenvolvimento da psicologia alemã nos séculos XVIII e XIX. Finalmente, vamos indicar alguns desafios e possíveis caminhos para investigações futuras.
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Tanto a ideia de uma psicologia experimental quanto a realização de experimentos psicológicos já estão presentes no século 18. Contudo, é no século 19, primeiramente nas universidades alemãs, que a psicologia experimental adquire um novo estatuto, marcando fortemente a identidade da nova psicologia. O objetivo do presente artigo é apresentar uma reflexão de caráter histórico-filosófico sobre a natureza da psicologia experimental, com base nas contribuições de Fechner, Wundt e James. Depois de apresentar sua dimensão histórica, discutimos sua relação com a psicologia experimental contemporânea, no sentido de esclarecer se elas podem iluminar de alguma forma seu caminho futuro. Concluímos que um diálogo efetivo depende da modificação de certas condições estruturais do modelo atual de formação do psicólogo.
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“Methodological behaviorism” is a term that frequently appears in the behavioristic literature, but one accompanied by considerable semantic confusion: the term is used to denote very different theoretical positions and the authors classified as methodological behaviorists are many and various. In order to understand the polysemic character of this term, we propose a historical analysis of its origins and development in the literature from the 50 years following its first appearance in 1923. The results reveal that it has been used by authors as diverse as Karl Lashley, B. F. Skinner, Herbert Feigl, and Gustav Bergmann. Moreover, it has been defined in terms of two central features (one a methodological assumption and the other a metaphysical one) and used to demarcate positive and negative forms of behaviorism, depending on how each author has understood those features and forms. We conclude that the term’s polysemic character and different uses can be traced back to its roots in the 1920s, which helps us to understand the semantic confusion in the contemporary literature.
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James’s work is admittedly cross-disciplinary to the extent that it defies traditional scholarly boundaries. One of the best examples is the cross-fertilization between his philosophical and psychological ideas, although the precise relation between them is not easy to frame. Notwithstanding this difficulty, one can say that James’s early psychology, developed between the 1870s and 1880s, illuminates many aspects of his later philosophical positions, including pragmatism, radical empiricism, and pluralism. First, James defends the teleological nature of mind, which is driven by subjective interests and goals that cannot be explained by the immediate interchange with the external environment. They are spontaneous variations that constitute the a priori, properly active nature of the human mind. This idea helps him not only explain important features of scientific and philosophical theories, but also reject certain philosophical doctrines such as materialism, determinism, agnosticism, and so on. It represents, so to speak, the relevance of the subjective method for deciding moral and metaphysical issues. Second, James claims that certain temperaments underlie the choice of philosophical systems. Thus, both pragmatism and pluralism can be seen as philosophical expressions of subjective influences. In the first case, pragmatism expresses a temperament that combines and harmonizes the tender-minded and the tough-minded. In the second, pluralism reflects the sympathetic temperament in contrast with the cynical character drawn to materialism. Finally, James proposes a distinction between the substantive and the transitive parts of consciousness, meaning that consciousness has clearly distinguishable aspects as well as more obscure points, although human beings tend to focus only on the first part, ignoring the other. This idea plays a decisive role in the elaboration of radical empiricism. Such illustrations, far from exhausting the relations between James’s psychology and philosophy, invite new insights and further scholarship.
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John Broadus Watson (1878-1958) é frequentemente indicado como um dos mais importantes psicólogos do século XX. Tal importância se deve principalmente ao seu papel na criação do behaviorismo, um movimento que teve um impacto decisivo na comunidade psicológica da época, e que influenciou a psicologia na contemporanidade. A despeito de sua importância histórica para a psicologia, a obra de Watson ainda é pouco conhecida no Brasil. No intuito de torná-la mais acessível a estudantes, pesquisadores e profissionais interessados no assunto, o presente volume contém oito textos de Watson, sendo sete deles traduzidos pela primeira vez para o português, acompanhados de notas históricas explicativas e cronologia.
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Historicamente os fenômenos psíquicos, atualmente chamados de parapsicológicos ou anômalos, fizeram parte do background cultural do nascimento da psiquiatria e psicologia. Diversos pesquisadores do final do século XIX e início do XX, especialmente da classe médica, buscaram avaliar estados alterados de consciência, mediunidade, telepatia, clarividência, precognição, entre outros. Esses estudos foram importantes para a nascente ciência da mente. Carl Gustav Jung foi um psiquiatra e pesquisador suíço dos mais prolíficos do século XX. Um aspecto ainda não esclarecido de seu trabalho é seu marcado interesse pelos fenômenos psíquicos. O objetivo desta tese foi compreender o papel dos fenômenos psíquicos no contexto da produção teórica de Jung. A nossa fonte primária de referência foi The Collected Works of C. G. Jung. Ainda utilizamos as C. G. Jung Letters e as principais biografias publicadas sobre Jung. Realizamos um mapeamento inicial nas Collected Works de forma a estabelecer como essa temática é trabalhada por Jung e a quais contextos ela estaria relacionada. Chegamos a três eixos de análise: 1) Os fenômenos psíquicos nas obras de autores estudados por Jung, 2) as pesquisas de Jung de fenômenos psíquicos em médiuns, e 3) os fenômenos psíquicos vivenciados por Jung. Em relação ao primeiro item analisamos o impacto das produções teóricas de Théodore Flournoy, Justinus Kerner, Frederic William Henry Myers, Joseph Banks Rhine e William James sobre a obra do autor suíço. Em relação ao segundo item detacamos o estudo maior de Jung com a médium Helene Preiswerk e seus estudos com o médium austríaco Rudi Schneider, o médium alemão Oskar Schlag e a clarividente de Zurique Frau Fässler. Em relação ao terceiro item, avaliamos as vivências parapsicológicas mais significativas de Jung, a saber, sua experiência de quase morte (EQM) em 1944, suas vivências de percepção extrassensorial (PES) das primeiras décadas do século XX e seu suposto contato com espíritos. Consideramos que essas vivências também impactaram a obra do autor através de produções expressivas como Synchronicity (1952) Mysterium Coniunctionis, (1955 – 1956), Septem sermones ad mortous (1916) e The Red Book (1913 – 1930). Concluímos que a fenomenologia anomalística e a psicologia analítica possuem associações, sendo que a psicologia analítica se estruturou sob forte influência das investigações dos fenômenos psíquicos.
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