A sua pesquisa
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Este artigo analisa os programas universitários de pesquisas em intervenções clínicas voltadas à mudança da personalidade, desenvolvidos por Rogers. No Brasil, esse legado científico é pouco difundido pela falta de tradução de suas obras metodológicas. Apresenta como ele estruturou o programa em Chicago e, depois, avaliou sua terapia com pessoas esquizofrênicas em Wisconsin. Reflete as repercussões disso na carreira e no pensamento de Rogers. Aponta que esse legado é desenvolvido fora do Brasil e inspirou algumas correntes comportamentais e cognitivistas. Porém, nacionalmente, predomina outro legado experiencial-relacional, que restringe a herança científica de Rogers. Considera alguns caminhos para ampliar pesquisas rogerianas.
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Este ensaio objetiva refletir os aspectos epistemológicos, históricos e contemporâne-os do serviço de plantão psicológico. Situa o campo do plantão psicológico de modo a pensá-lo a partir da ideia de um serviço, e não uma abordagem ou área. Indica os aspectos epistemoló-gicos do serviço pelo surgimento do campo do aconselhamento psicológico, pela transição da Psicologia experimental para a Psicologia aplicada, norteada pelos saberes funcionalistas, psi-cométricos e personalistas, em que Carl Rogers foi determinante na proposição de uma inter-venção não-diretiva. Disserta como o aconselhamento não-diretivo foi recebido no Brasil e se institucionalizou como disciplina e prática de estágio em centros de formação em Psicologia, transformando-se no serviço de plantão psicológico, havendo (des)continuidades em relação à modalidade anterior. Pondera alguns aspectos contemporâneos do plantão psicológico ao reconhecer que ele: está restrito a uma prática universitária de prestação de serviço que, ainda, precisa ser consolidada no campo profissional; requer mais discussões em relação as suas apli-cações on-line, avaliações e apropriações pela abordagem cognitiva-comportamental. Conclui que essa reflexão reapresenta o plantão psicológico em seu passado, presente e futuro.
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Este artigo objetiva refletir os limites da ideia de consideração positiva incondicional como uma epoché, de modo questionar o que é suspenso. Para isso, apresenta as noções husserliana de epoché e rogeriana de consideração positiva incondicional. Depois, situa as origens das apropriações da epoché pela clínica fenomenológica e pela abordagem rogeriana. Posteriormente, desenvolve reflexões que demarcam alguns limites entre essas atitudes. Conclui que a consideração positiva incondicional poderia ser a suspensão dos juízos que procedem dos afetos de simpatia, apatia e antipatia. Em uma meta-teoria, isso serve para descrever o procedimento de escuta não-diretiva sem julgamentos, a qual parte da assimilação de uma visão de mundo oriunda da Fenomenologia, mas não se trata de uma Fenomenologia pura, filosofia fenomenológica ou Psicologia Fenomenológica. A consideração positiva incondicional é uma atitude de escuta que se desenvolveu fora do método fenomenológico e não precisa ser legitimada pela epoché, não propõe nenhuma redução, não suspende a crença na tendência à autorrealização e sua suspensão não é fenomenológica.
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Este artigo realiza um estudo comparativo entre duas perspectivas de métodos qualitativos - a análise de conteúdo (AC) e o método fenomenológico empírico (MFE). O intuito de comparar ambos os métodos ocorre mediante o argumento de que eles surgiram historicamente no mesmo Zeitgeist de debates metodológicos, oriundos da Escola de Chicago. Esta representou uma corrente de contendas sobre a elaboração de perspectivas metodológicas de pesquisa qualitativa, em alternância às clássicas e instituídas vertentes de pesquisa quantitativa, respaldada pelo paradigma positivista. Esquematizam-se os percursos históricos e os procedimentos da AC de Laurence Bardin e do MFE de Amedeo Giorgi. Discutem-se os seguintes pontos de interlocução: (1) a ênfase na ação humana investida de significados como crítica à neutralidade científica; (2) a vinculação filosófica; (3) a forma de concepção e tratamento do objeto de estudo; (4) a questão do primeiro contato com o material transcrito; (5) a divisão do texto em unidades analíticas; e, (6) o anteparo empírico que norteia a categorização. Conclui-se que o campo das Ciências Sociais e Humanas, no qual a Psicologia se insere, é constituído por uma diversidade de perspectivas metodológicas que requer constantemente revisões, elucidações e delimitações sobre os seus modos de fazer pesquisa.
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Esta dissertação tem como objetivo investigar, mediante uma perspectiva epistemológica, a noção de organismo no fieri teórico de Carl Rogers. Por fieri entende-se o devir ou o fato que faz uma ciência não ficar estagnada em suas concepções. Para realizar esta investigação foram: identificadas as fases do fieri teórico de Rogers; pesquisado o fato de como Rogers concebeu a noção de organismo; examinados os principiais teóricos e influências que Rogers reconheceu a este respeito; verificadas as linhas epistemológicas gerais da noção de organismo em Rogers. Neste trabalho adotou-se uma abordagem epistemológica de pesquisa, inspirada no uso que Jean Piaget fez do método histórico que, segundo ele, consiste em determinar como procedeu à invenção de um conceito ou teoria, reconhecendo as ideias que a tornaram possível. O método utiliza-se de um sistema dedutivo do que foi levado a imaginar a criação da ideia de organismo em Rogers. Foram utilizados como fontes de pesquisa os textos escritos de Rogers e de suas influências. A seleção destes seguiu o critério de conter aspectos relativos à concepção organísmica de Rogers. Como resultado, ficou evidente que Rogers foi um pensador ligado às questões de sua época. Ele assimilou e elaborou, com suporte em sua experiência com essas influências, uma concepção organísmica que integrou as dimensões da personalidade (eu), sociedade (inter-elações) e natureza (cosmos). Em cada fase do seu pensamento, Rogers indicou as seguintes influências para essa concepção: (1) no aconselhamento não-diretivo o funcionalismo-pragmatismo dos Estados Unidos e a psicanálise neofreudidana de Rank, Horney e Sullivan; (2) na terapia centrada no cliente repetem-se as influências anteriores acrescidas do cientificismo estadunidense e sua Psicologia aplicada, a Psicologia da Gestalt, Kurt Lewin, a filosofia educacional, social e política estadunidense e os teóricos da personalidade; (3) na transição entre terapia centrada no cliente e abordagem centrada na pessoa - o impacto do conceito de experienciação de Gendlin, as experiências com grupos, a atuação no campo da educação, as reflexões de perspectivas alternativas às ciências do comportamento e os estudos sobre organismo e auto-realização de Goldstein, Maslow, Angyal e alusões a Whyte; (4) na abordagem centrada na pessoa – se acresce aos estudos de organismo e auto-realização, as pesquisas de Szent-Gyoergy, e a emergência do paradigma sistêmico e holístico de Capra, Prigogine e Maruyama. Considera-se que é possível traçar uma nova inelegibilidade de Rogers com base em noção de organismo. Por esta é possível pensar no avanço de uma abordagem cosmológica da pessoa que não se restringe somente à personalidade. Percebe-se que Rogers deu pistas de como desenvolver um solo científico para a abordagem centrada na pessoa, com arrisco paradigma emergente de ciência contemporânea.
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Objetiva-se analisar as produções sobre a abordagem centrada na pessoa (ACP) segundo a sua circulação em periódicos brasileiros, nos anos de 2002 até 2014. Foi realizado uma revisão sistemática nas bases de dados eletrônicas do SciELO e do PePSIC, utilizando diversos descritores referentes a abordagem. Foram encontrados 58 artigos. Os resultados apontam para: constância de produções em 2005-2014; concentração de publicações em dois periódicos de orientação humanista; predominância de autores e universidades cearenses; produções desenvolvidas principalmente na região Nordeste; hegemonia de produções teóricas em sobreposição aos estudos empíricos; destaque dado para discussões clínicas e históricas; apropriação da Fenomenologia filosófica e empírica para desenvolver a ACP. A continuidade do movimento de ascensão/renascimento da ACP no Brasil é questionada. Em conclusão, este estudo oferece uma compreensão de certos aspectos ACP brasileira e aponta outras possibilidades de pesquisa sobre a sua circulação.
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Objetivou-se revisitar a relação de Rogers com o movimento de recepção da Fenomenologia na Psicologia estadunidense, empregando a noção historiográfica de recepção para investigar o que foi contatado por ele, em seus aspectos históricos internalistas e externalistas. Baseados nas menções de Rogers à Fenomenologia, identificaram-se sete momentos característicos de tal relação, entre 1940-1970. Como resultado, foi constatado que a Fenomenologia que Rogers menciona não é a oriunda da Filosofia europeia, mas advém de um paradigma de ciência alternativo ao positivismo hegemônico no behaviorismo. No contexto clínico, Rogers percebeu implicações desse movimento para o desenvolvimento de pesquisas e intervenções sobre o self. No campo filosófico, ele esboçou uma teoria do conhecimento baseada na experiência tácita e pré-conceitual. Na pesquisa, ele foi simpático ao desenvolvimento de investigações fenomenológicas empíricas, mas não chegou a desenvolver uma. Conclui-se que a Filosofia fenomenológica não influenciou diretamente Rogers, mas o movimento fenomenológico na Psicologia estadunidense sim.
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Analisamos a relação de Carl Rogers com a Fenomenologia segundo uma perspectiva historiográfica que examina a ocorrência de citações e referências que ele fez a filósofos de orientação fenomenológica. As obras de Rogers foram organizadas em ordem cronológica de publicação e lidas conforme as técnicas de leitura seletiva e interpretativa. Rogers mencionou cinco filósofos de orientação fenomenológica: José Ortega y Gasset, Paul Tillich, Simone de Beauvoir, Maurice Merleau-Ponty e Martin Heidegger. Destes, somente Heidegger é efetivamente trabalhado em um texto sobre o ensino e os demais filósofos procedem de indicações e citações de outros autores. Nos livros em que Rogers referencia esses filósofos não há nenhuma discussão sobre a Fenomenologia; porém, há textos em que Rogers disserta sobre a Fenomenologia sem citar fenomenólogos. A Fenomenologia que Rogers menciona não é a filosófica, a qual ele teve ressalvas, mas é um paradigma estadunidense de ciência empírica e estudos da personalidade. A despeito disso, desenvolve-se no Brasil um movimento pós-rogeriano de orientação filosófica fenomenológica. Ponderamos, finalmente, algumas observações sobre o que distingue o movimento brasileiro daquele paradigma contatado por Rogers nos EUA.
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Segundo uma perspectiva historiográfica, objetivamos (re)organizar, revisitar e refletir a recepção e circulação da psicologia humanista de Carl Rogers no Brasil. Inicialmente, apresentamos os conceitos de recepção e circulação e suas implicações para uma história da psicologia em contexto. Posteriormente, revisamos quatro momentos históricos de recepção e circulação de ideias rogerianas no Brasil, a saber, pré-história (1945-1976), fertilização (1977-1986), declínio (1987-1989) e ascensão / renascimento (1990 em diante). Em seguida, analisamos as traduções das obras de Rogers para o português brasileiro, especificando como elas contribuíram para essa recepção e circulação, nas décadas de 1970-2010. Refletimos que, atualmente, no Brasil, há poucos livros de Rogers em edição e existem algumas obras metodológicas, autobiográficas e clínicas que não foram traduzidas. Decorrem disso uma dificuldade no acesso total dos planos de pesquisa e de fundamentação teórica, clínica e educacional de Rogers, além do conhecimento parcial da vida e da obra desse autor, conforme as suas narrativas. Argumentamos, finalmente, que esses aspectos contribuíram para o desenvolvimento de uma abordagem centrada na pessoa com especificidades locais, sobretudo, fenomenológico-existenciais.
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Este artigo propõe apresentar, didaticamente, a História da Psicologia em Contexto como uma linha de pensamento que contribui para o desenvolvimento metodológico de pesquisas historiográficas. Essa perspectiva histórica circunscreve uma discussão que centra atenção nos elementos que constituem um conhecimento psicológico e possibilitam suas extensões e apropriações em outros contextos, enaltecendo suas localidades e especificidades em relação a sua matriz. Descrevemos a História da Psicologia em Contexto em relação: às fundações teóricas que definem a sua linha de pesquisa; aos conceitos que adornam os estudos de um conhecimento psicológico, a saber, geografia intelectual central e periférica, recepção e indigenização; às suas implicações metodológicas. Por fim, consideramos as potencialidades da História da Psicologia em Contexto.
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É possível identificar, na teoria de Carl Rogers, diversas influências que merecem ser revisitadas. É sabido que ele foi um pensador atento ao contexto de ideias que afetaram a cultura acadêmica estadunidense. Tal atenção dialoga com a complexidade de diversas influências sobre sua obra. Este artigo objetiva analisar algumas ideias psicológicas e filosóficas que influenciaram Rogers. Entende-se que exerceram influências diretas no pensamento rogeriano: o Funcionalismo de John Dewey, Leta Hollingworth e Kurt Goldstein; e o Pragmatismo de John Dewey e William Kilpatrick. Segundo uma perspectiva metodológica histórica-crítica, elucida-se como cada perspectiva de influência se desenvolveu nos EUA, nas universidades de Chicago e de Columbia. Em seguida, identificam-se os aportes contatados e elaborados por Rogers de cada expoente mencionado. Constata-se que essas apropriações, embora pontuais, foram importantes para a circulação de Rogers no contexto acadêmico estadunidense. Contudo, incorre equívoco afigurar Rogers, exclusivamente, como um psicólogo funcionalista ou pragmatista, dado que ele não deu continuidade a essas perspectivas. O estudo, finalmente, destaca a necessidade de aprofundar investigações sobre outras bases históricas de influência na teoria rogeriana.
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Estudo teórico que aborda, em uma revisão narrativa, a noção rogeriana de consciência, relacionando-a com o seu contexto estadunidense de ideias psicológicas, procedente de William James, e a apropriação do legado de Carl Rogers no Brasil, a partir de uma estirpe fenomenológica. Nesse sentido, apresentamos as noções de consciência nas teorias de Carl Rogers, William James e Edmund Husserl. Em seguida, discutimos as controvérsias e as possibilidades que tal apropriação provoca no desenvolvimento brasileiro da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), em relação: aos aspectos funcionais e intencionais da consciência; as perspectivas empíricas e transcendentais da pessoa; as possibilidades de uma abordagem fenomenológica da ACP; as dimensões locais da ACP; ao risco de assumir uma postura avessa aos rogerianismos. Concluímos que essa reflexão problematiza e aprofunda elementos teóricos concernentes à Psicologia de Rogers; e compreende o desenvolvimento e a hibridização desse conhecimento no Brasil, de modo a refletir suas extensões.
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O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento de publicações da revista Memorandum: memória e história em psicologia (MMHP), em seus dez anos de existência, de modo a refletir suas variabilidades de publicações em fenomenologia. As análises foram efetuadas com base em um levantamento bibliográfico que selecionou todas as publicações com descritores concernentes a fenomenologia. Essas foram organizadas em: ano de publicação; autor(es); caráter (teórico ou empírico); tema abordado; e perspectiva de fenomenologia. Foram elaboradas categorias analíticas do perfil fenomenológico da revista. Os dados demonstram que a MMHP possui: (1) um fluxo homogêneo de publicações em fenomenologia; (2) uma tendência para discussões teóricas em fenomenologia; (3) uma perspectiva fortemente husserliana; (4) um perfil interdisciplinar de discussões entre fenomenologia-filosófica, psicologia fenomenológica e memória-história da fenomenologia. O conhecimento documentado na MMHP permite afirmar que a revista possui critérios que a qualificam como um periódico relevante para o desenvolvimento da Psicologia fenomenológica brasileira.
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Jean Piaget foi um pesquisador que contribuiu para o desenvolvimento da ciência psicológica. Este artigo propõe a análise de uma contribuição deste pensador para o desenvolvimento metodológico na pesquisa epistemológica em Psicologia, através do método histórico-crítico. Este se circunscreve em uma discussão que centra atenção nos elementos que constituem a referência objetiva de um conhecimento científico para compreender e retraçar sua evolução em um caráter interno, ao interior da própria ciência em questão, e externo, que vincula a ciência enfocada a um contexto sócio-histórico. Descreve o método em suas: condições de uso, gênese e lógica de aplicação. Apresenta um exemplo e, finalmente, aponta as possibilidades e limites do método histórico-crítico.
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Este estudo objetiva analisar as teses educacionais de Carl Rogers. Inicialmente, argumenta que Rogers pensou o fenômeno da Educação desde a sua formação em Psicologia até os seus trabalhos clínicos de aconselhamento e psicoterapia e intervenções educacionais e grupais. Em seguida, apresenta uma estratégia metodológica de pesquisa bibliográfica e conceitual que seleciona e distribui os textos rogerianos, ao longo de quatro fases de pensamento, compreendidas de 1928 a 1987, de modo a: mapear os principais conceitos/ideias educacionais presentes nos escritos de Rogers; levantar as teses educacionais que ele indicou, contestou e propôs; e, sintetizá-las em um esquema. A partir disso, foi possível elaborar interpretações referentes: às aplicações do método educacional rogeriano; às percepções de Rogers sobre o ambiente educacional; aos objetivos do método educacional rogeriano; à sua teleologia metodológica. Conclui-se que as teses educacionais de Rogers não podem ser encaradas como estagnadas, pois ele teceu reflexões críticas sobre a Educação em variados momentos da construção de sua teoria/prática e se esforçou para ultrapassar as limitações impostas pelas instituições de ensino ao vislumbrar possibilidades de aprendizagens significativas.
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Esta pesquisa objetiva refletir aspectos relacionados à biografia de Abraham Maslow, seu projeto de Psicologia Humanista e o estado corrente de suas ideias no Brasil. Introduzimos, inicialmente, um esboço biográfico de Maslow. Depois, situamos a participação dele no desenvolvimento da Psicologia Humanista nos EUA. Posteriormente, apresentamos três investigações bibliográficas que analisam a recepção e a circulação das ideias de Maslow no Brasil: a primeira faz uma revisão narrativa em duas bases de dados; a segunda examina os livros de e sobre Maslow publicados no Brasil; a terceira minuta as ideias de Maslow em livros gerais de Psicologia e Administração. Evidenciamos que a vida e a obra de Maslow possibilitam uma articulação com a Psicologia Humanista, para a qual ele tinha propósitos definidos antes, durante e depois de sua ascensão. A Psicologia de Maslow é recebida parcialmente no Brasil e a circulação de suas ideias ocorre, hegemonicamente, em textos relacionados aos campos da Administração e da Psicologia Organizacional. Finalmente, apontamos outras possibilidades de pesquisas para desenvolver o legado de Maslow no cenário brasileiro.
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Paulo Freire foi um autor influente nos campos da Educação e da Psicologia, ao passo que Carl Rogers mencionou a obra "Pedagogia do Oprimido" para refletir os trabalhos terapêuticos grupais com minorias sociais exploradas. Objetivamos analisar teoricamente os métodos educacionais de Freire e Rogers, para estabelecer um diálogo comparativo entre ambos. Investigamos cada método conforme o seu objetivo, a problemática que lhe gerou e a operacionalização de sua proposta de aprendizagem. Estabelecemos, posteriormente, algumas interlocuções entre as duas perspectivas, ponderando suas convergências e divergências. Concluímos que ambos os métodos são ativos em suas propostas humanistas de aprendizagem pela experiência libertadora. Questionamos, entretanto, até que ponto um pode ser aplicado como ferramenta complementar do outro.
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Objetivamos compreender o processo formativo de psicólogos docentes de uma instituição pública de ensino superior situada na cidade de Vitória da Conquista, interior do estado da Bahia. A pesquisa foi orientada qualitativamente pelo método fenomenológico empírico de Amedeo Giorgi e foi conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas com quatro docentes. As experiências dos professores apontam para várias dificuldades relacionadas a: adequação da matriz curricular; distanciamento administrativo da sede localizada em Salvador; uma sobrecarga de trabalho, decorrente do número reduzido de docentes. Contudo, as experiências docentes demonstram significados positivos, especialmente do ponto de vista formativo e pessoal para lidar com o desenvolvimento local e institucional, dos aspectos relacionais proximais entre discentes e docentes e do retorno à terra natal. Concluímos, ainda, com o apontamento de pesquisas comparativas entre o processo formativo docente na capital e no interior, além de uma análise do Projeto Político Pedagógico e da matriz curricular do curso pesquisado para entender como ele se configura em suas especificidades na capital e no interior.
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Objetivamos analisar a produção científica relacionada às Psicologias Humanista, Fenomenológica e Existencial na Pontifícia Universidade Católica - Campinas. Argumenta-se que essa instituição tem uma tradição histórica no desenvolvimento dessas perspectivas no Brasil. Por isso, definiu-se o Banco de Dissertações e Teses do Programa de Pós-Graduação dessa Universidade e o seu periódico, Revista Estudos de Psicologia (Campinas), como objetos de revisão sistemática. Foram categorizados e analisados 38 produções de Mestrado e Doutorado e 40 artigos, no período de 1997-2016. Os resultados sugerem que essas bases de dados são representativas ao estudo do perfil das produções naquela Universidade. As duas bases, por um lado, evidenciam uma tendência para enfoques em discussões clínicas; por outro, distinguem-se entre a predominância de produções empíricas, nas dissertações e teses, e produções teóricas, nos artigos. Considera-se, finalmente, a possibilidade realizar outras pesquisas que investiguem as diferentes manifestações institucionais acadêmicas da Psicologia Humanista, Fenomenológica e Existencial no Brasil.
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Neste artigo, objetivamos analisar a vinda de Carl Rogers ao Brasil com base em três momentos: antes, durante e depois de sua primeira visita, em 1977. Inicialmente, identificamos a ideia rogeriana de política como central ao seu pensamento. Depois, analisamos: as correspondências que antecederam e organizaram tal vinda; a proposta de intervenção psicológica-ideológica que Rogers expressou em uma entrevista à Revista Veja; os efeitos dessa visita, segundo os relatos de Rogers publicados, posteriormente, em suas obras. As ideias democráticas de Rogers serviram de justificativa para a sua vinda em plena Ditadura Militar. Contudo, elas foram assimiladas com ressalvas por alguns psicólogos brasileiros, conforme aportes críticos norteados, sobretudo, pelos ideais marxistas e freirianos. Desse movimento, emergiram outras perspectivas de ACP e algumas influências no desenvolvimento da Psicologia Comunitária. Concluímos que Rogers inspirou diversas Psicologias locais imersas em uma série de conjeturas críticas sobre o lugar de ideias políticas, passiveis de serem cooptadas e reconfiguradas, acriticamente, a partir de uma ótica capitalista voltada para a redemocratização do Brasil.